sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre a suspensão do edital 11

Quando prestei concurso pra Unir, fiz as provas sob o edital 11/2008. Uma informação importante é que este edital diz respeito a todas as pessoas que fizeram prova ao mesmo tempo que eu, para diferentes unidades da universidade.
Durante a semana de provas, toda e qualquer decisão por parte da universidade pode ser contestada pelos candidatos, que apresentam um recurso (reclamação) que pode ser aceita ou não. As provas eram: escrita, entrevista e aula. Por algum motivo obscuro, o edital previa que as provas escritas não seriam recorrigidas, ou seja, ninguém tinha o direito de reclamar da avaliação de sua prova escrita.

Enquanto única inscrita, fui aprovada na mesma semana em que fiz as provas, mas a nomeação teve que esperar o MEC liberar as verbas para contratação. Foram meses de desamparo e ignorância, em que eu não sabia se já ia pra Porto Velho ou se ficava em São Paulo, me virando com aulas de alemão e inglês. Fiquei em São Paulo porque pude assumir algumas turmas de imediato em duas escolas onde eu já tinha trabalhado e já tinha criado vínculos afetivos com os donos/coordenadores.

Em Julho foi anunciada a liberação da verba e as pessoas que prestaram concurso em 5 editais (olha quanto concurso acumulou sem que as pessoas fossem nomeadas) foram convocadas para se apresentarem. Nossos nomes foram divulgados no Diário Oficial da União, e a partir da data da publicação do nome no DOU cada candidato tinha um prazo de 30 dias para apresentar toda a documentação exigida para a posse. Essa documentação inclui os exames médicos.

Um dia depois da publicação do meu nome no DOU, o meu edital foi suspenso por ordem judicial. Como o edital 11/2008 estava suspenso, a universidade não poderia, em princípio, receber nenhuma documentação nossa. Mas ela se dispôs a receber nossa documentação e a emitir encaminhamentos para a Junta Médica.
A universidade retirou do edital a cláusula que impossibilita a recorreção das provas escritas e abriu prazo para receber recursos de quem quer que tivesse se sentido prejudicado na correção das provas escritas realizadas em fevereiro. Uma nova banca de avaliadores foi instalada e o resultado da recorreção foi divulgado. E esse novo resultado não mudou em nada o resultado que já tínhamos.

Provavelmente alguém que não foi aprovado no concurso esperava ser aprovado agora, depois da recorreção das provas escritas. E provavelmente não adiantou recorrigir prova nenhuma. Mas num edital, todos estão juntos, e enquanto a pendência judicial de um não for resolvida, 51 candidatos precisam esperar. 6 novos cursos, que contavam com a contratação de pessoas enquadradas no edital 11/2008 foram suspensos por falta de professor. E agora a universidade estava sendo penalizada por ter aceitado a documentação dos candidatos mais velozes. A Justiça obrigou a Unir a devolver toda a documentação recebida em 24 horas e a condenou a um longo prazo de espera. No dia da devolução de documentos, muitos dos 51 candidatos se viram pela primeira vez. Decidiram se unir e contratar advogado para lutar pelo nosso direito de trabalhar. Recebi e-mail de um, perguntando se eu sabia por que estavam querendo anular o nosso edital.

Anular? Mas aí as provas seriam invalidadas, eu teria vindo em vão e gastado todas as minhas economias em vão. Eu teria suado em vão, eu teria sonhado em vão, eu teria esperado em vão. Uma semana depois, o mesmo candidato que tinha me escrito, nos deu a boa notícia que o nosso edital não seria anulado. O próprio reitor publicou uma nota de esclarecimentos na página da Unir e garantiu que as devidas medidas tinham sido tomadas em nosso favor. Intercederiam por nós, mas ainda faltava a decisão final, porque o prazo para essa decisão ainda não tinha acabado. Mais um teste de paciência.

E agora a decisão final veio a nosso favor: a universidade tinha obedecido a todas as ordens judiciais e os 51 candidatos podiam ser empossados. Nos e-mails trocados entre os 51, as despedidas são assim: até a posse!

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