quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cheiro de grama cortada

Foto feita através da tela da janela, por isso não está suficientemente nítida.
Não parece um astronauta ninja?
O cheiro verde que o vento fresco traz da grama recém-cortada me faz esquecer por alguns instantes que tenho mais dois textos intragáveis para revisar.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pérolas

Meu vizinho, comentando que não consegue construir a casa dos sonhos por falta de dinheiro:
- A única coisa ruim de ser pobre é que a gente nunca tem dinheiro pra fazer as coisas.

* * *

Meu aluno, quando soube que eu vinha pedalando pra Unir:
- Ah, professora, então a senhora nunca vai ser gorda.

* * *

O que eu ouço da peãozada que está trabalhando na BR 364, enquanto passo pedalando e olhando pro chão:
- Êh, fudidôna!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Essa vida de revisora

Existe uma coisa chamada Educação à Distância
A crase caiu em muitos lugares
A qualidade não se levanta
A taxa de evasão dos alunos vai daqui até o teto

O professor senta e desenvolve o material didático
Recorta trechos e imagens alheias porque é prático
Escreve sem concordância, com erros de ortografia
Aumenta a fonte e faz uma diagramação fugidia

Aí entra a revisora que corrige erros de toda sorte
Passa o fim de semana trabalhando forte
Interferindo nas palavras, na diagramação e nos conceitos
E tem a última palavra nesse texto cuja autoria já desbotou

sábado, 26 de setembro de 2009

É minha!


De sexta-feira eu dou aula à noite, o que significa que saio da Unir (que fica a 13km da cidade) depois das 22:00. Como não há iluminação na BR364 e o acostamento não é limpo, prefiro ir e voltar (Unir - Centro) de ônibus. Vou de bicicleta até um certo ponto do itinerário do ônibus que vai pra Unir e prendo a bicicleta em algum poste. Sexta passada eu tinha deixado a Laranja Mecânica num ponto da BR mesmo e voltei meio que no escuro. Ontem decidi deixar a Laranja Mecânica no Centro, pra voltar pela cidade pra casa.

Quinze minutos antes do fim da aula, os meus alunos já estavam se arrumando pra ir embora. Passei a tarefa de casa e fomos todos pro ponto de ônibus. Eles ficaram no ponto de entrada da Unir, eu fui pra saída. Algumas meninas que estavam no ponto pediram e conseguiram uma carona. Uma delas anunciou que ainda tinha uma vaga. Entrei. Economizei os R$ 2,30 da passagem e a volta que o ônibus dá. Saí do carro na 7 de de Setembro e entrei na Prudente de Moraes, onde estava a minha bicicleta.

Pro meu espanto, tinha um cara lá no poste, junto da minha Barra Forte, fazendo movimentos repetitivos. A rua estava deserta, só tinha eu e ele. Parei a uma quadra dele, pensando em chamar a polícia. Me liguei que o cara tava serrando (com um serrote mesmo) o poste em que a minha bicicleta tava presa. A polícia podia demorar. É você e eu, filho. Minha respiração acelerou de raiva, caminhei direto na direção do cara. Quando eu tava a quatro passos dele, avisei:

- Velho, essa bicicleta é minha!
- Opa, foi mal aí.
Enquanto ele saía andando, avisou que ele não tinha sido o único a tentar roubar a bicicleta. Desentortei o protetor da corrente a ponto do pedal poder girar, coletei a cesta de lavanderia que tinham arrancado, abri o cadeado e pedalei de volta pra casa sem olhar pra trás. Acho que na próxima sexta eu vou pegar 2 ônibus pra Unir.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reunião de departamento

Cheguei na Unir às 8:00, porque eu tinha ficado de fazer uma pré-reunião com uma professora que me explicaria mais detalhes sobre esse Mestrado em Letras. A reunião mesmo começou às 9:30 e eu fui designada como relatora de ata, logo de cara. Justo eu, que não sabia a que referiam todas aquelas siglas, eu que não sabia os nomes das pessoas que iam chegando, eu que não entendia os problemas que eles tavam discutindo. Mas deu. E a reunião foi até as 13:00.

Claro que fui designada pra mais meia dúzia de comissões. E claro que minha simpatia e a pouca empatia com outra professora recém-chegada me beneficiaram. Aquela turma de (Língua Portuguesa para) Físicos passou pra outra novata menos simpática. Mas isso só me disseram depois da reunião, antes da minha aula da tarde.

Os alunos da tarde curtiram a minha aula e ficaram super esperando pra eu dar tarefa de casa pra eles. Depois que a aula terminou e eu já estava na estrada, fiz essa foto. Antes de eu guardar a máquina, o ônibus contendo os meus alunos passou por mim.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cruz credo

Que eu saiba, não teve Dia Mundial Sem Carro em Porto Velho. Hoje inclusive foi dia de muita gente preferir ir de carro, talvez até de táxi, porque choveu fraquinho ao longo do dia todo. Eu fui de Barra Forte pra cima e pra baixo, resolver todas as coisas que eu não fiz ontem, porque fiquei na Unir. Enquanto pedalava na chuva fina, um carro de som estava parado onde não tem asfalto (não é bem uma calçada). O motorista e passageiro estavam cobrindo a caixa de som com um plástico. O amplificador continuava fazendo propaganda:

... você está desencantado com a Medicina? Venha para uma sessão de descarrego, sentir o poder de Deus.

Parei no cruzamento e reparei na fachada de uma mansão de esquina:

Assembléia de Deus Central
Uma igreja Cristocêntrica

Sei não, viu, mas acho que Marx estava certo. Essas igrejas são uma droga. Como é que o cara que fez cirurgia espiritual, ou foi agraciado com um milagre que consertou suas sequelas de um acidente de trânsito vai lembrar que existe Dia Mundial Sem Carro? Como é que o cara que está tentando decifrar a centralidade de Deus ou Cristo vai se mobilizar pra pensar em atividades para o 22 de setembro? Vão todos de carro pras suas respectivas igrejas.

O tempo virou


Está fazendo 23°C e estou usando calças jeans e estou até de cabelo solto. Choveu várias vezes ao longo do dia e, segundo a previsão, vai continuar chovendo por mais uma semana. Começo a considerar a possibilidade de comprar um chuveiro elétrico.

A chuva não é problema. A lama é que é um desconforto. Uma parte da BR 364 está em obras. Vão construir um elevado que guia o trânsito diretamente pro centro da cidade. Por enquanto estão lá algumas centenas de metros de lama.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

E tome serviço

Acho que eu não tinha noção do tanto de trabalho burocrático que faz parte dos afazeres do professor universitário. Acho que eu só prestei atenção na parte que o professor dá aula, orienta alunos, coordena projetos de pesquisa e publica trabalhos. Mas eu não tinha me ligado nas milhares de comissões que há, em como o povo perde tempo se processando mutuamente, nos memorandos que precisam ser elaborados e assinados para que eu por exemplo possa me cadastrar no órgão que lida com educação à distância.

Os colegas já me envolveram numa pá de coisa:
- relatora do processo de promoção funcional do meu chefe de departamento (conferi e relatei toda a documentação que ele apresentou até agora para pedir uma promoção de Adjunto II para III)
- membro da comissão de criação do mestrado em Letras na Unir
- revisora ortográfica do material didático desenvolvido pelos professores que fazem ensino à distância
- membro da equipe que vai criar (pro Ensino Fundamental) e reformular (pro Ensino Médio) as referências curriculares (tipo os PCNs) do estado de Rondônia.

Fora isso dou aula nas minhas três turmas e vou substituir uma aula pra uma outra professora do departamento que dá aula pras meninas da Pedagogia.

domingo, 20 de setembro de 2009

Bicicleta no trânsito

Em São Paulo aconteceu, dia 17, o Desafio Intermodal. Esta é a quarta edição do evento que foi concebido por cicloativistas que queriam evidenciar que o carro não é o veículo mais eficiente numa cidade altamente congestionada como São Paulo. Trata-se de uma competição entre diferentes modais. O ponto inicial e o de chegada são pré-definidos, o caminho cada qual traça para si. Isso significa que um pedestre tem mais liberdade de escolher seu caminho que um motorista.

No ranking dos resultados, André Pasqualini alistou os tempos dos competidores e os custos por viagem e para o planeta. Uma moto e duas bicicletas foram mais rápidas que o helicóptero. Mas tanto a moto como o helicóptero bebem combustível e cospem fumaça. E a bicicleta que ganhou o desafio era uma fixa, ou seja, uma bicicleta sem marcha.

Willian Cruz escreve muito mais e melhor sobre o assunto. O que eu quero dizer é que a bicicleta é um ótimo meio de transporte. Quando os meus alunos perguntam por que eu venho de bicicleta pra Unir, consigo apresentar um bom argumento quando digo que só demoro meia hora. Poluição, qualidade de vida, custo e outras coisas são argumentos que fariam pouco sentido pra eles.

* * *

Aqui em Porto Velho as pessoas reclamam do clima e do trânsito. De fato, rotatórias são um grande causador de congestionamentos. Há sinalização de PARE no chão, dentro da rotatória, na faixa interna. Isso pra mim é um contra-senso. Aprendi que numa rotatória, a preferência é de quem está dentro dela. Mesmo reclamando das filas de carros parados nos "trevos", os rondonienses continuam comprando carros. Quanto maior, melhor. Estimo que a proporção de SUVs para carros normais é de 1 para 3. Mentalidade de coroné.

Bicicleta é coisa de pobre. Vejo Barras Fortes de todas as cores, transportanto toda sorte de coisas, inclusive famílias de 4 cabeças. Algumas possuem placas de trânsito, mas isso não garante que o condutor da bicicleta obedeça a (ou mesmo conheça) as leis de trânsito.
Fonte: Yehuda Moon

Ei, você não pode andar entre duas faixas desse jeito! Encoste aí.

*suspiro* Era só uma questão de tempo.
Não, não, tudo bem. Eu só preciso passar estes carros que estão impedindo o trânsito-
Encosta agora!
Não achei mesmo que ia dar certo.
Fonte: Yehuda Moon

Eu conheço vocês, ciclistas.

Ficam gritando coisas sobre leis de trânsito para os motoristas e depois pedalam no trânsito de qualquer jeito.
Isso é porque as leis de trânsito não foram feitas pra nós.
Faça bom proveito.

Ok, perdi a piada do 'suit you', mas o argumento continua válido. As ruas foram feitas para veículos motorizados e velozes, o acostamento sempre é a parte negligenciada da estrada, o ciclista não é instruído para conduzir seu veículo e considerado como um ser menos evoluído na escala do consumismo desenfreado.

sábado, 19 de setembro de 2009

Colheram açaí

Vieram antes de eu tomar café da manhã e subiram nos pés de açaí. Mostrei as marcas de cupim na casca do caule e indiquei as marcas de queimada na base das palmeiras, mas os dois homens não se deixaram intimidar. O açaí é forte, a gente não vai cair. Um saco de farinha torcido e com as pontas amarradas serviu de instrumento para subir no açaí. Passaram a alça pelos pés e pronto. Para o alto e avante!
Um subia com o facão, cortava um cacho (ou dois) e descia escorregando, segurando o(s) cacho(s) na mão. Quando chegava no muro, o outro lhe vinha ao encontro e lhe tirava o(s) cacho(s) da mão.
Pro açaí soltar do cacho, batiam o cacho numa lona. Açaí verde não solta assim, o que é bom, porque aí não mistura com os maduros. Açaí verde "tranca" boca.  
Olha quantos cachos eles tiraram de lá de cima. Em duas semanas voltarão, pra pegar mais.
Esse saco de farinha de 50kg me rendeu R$ 25,-. Parte desse valor me foi pago em litros de açaí batido. Perguntei com o que se come o açaí, e me recomendaram farinha de tapioca. São bolinhas feitas de goma de tapioca. Estou me entrosando com a culinária local.

Segunda e terceira

Parece que estou ensaiando uma metáfora entre as minhas primeiras aulas dadas na Unir e o vôo das brabulets. Mas isso é coisa que não consigo fazer, por mais que sonhe que sei voar. Talvez o paralelo não seja com a atividade de voar, mas com a própria borboleta, que sai do casulo e abre suas asas. Me senti muito anunciada, quase esperada. Os físicos sabiam o meu nome e sobrenome e perguntaram se eu tinha vindo de bicicleta hoje.

Os meninos da Física foram uma grande decepção pra mim. Transitavam pela sala, passeavam entre a aula e a cantina, não se moviam em silêncio, apareciam e sumiam em grupos. Se mostraram muito mais interessados em ouvir uma frase qualquer em alemão do que realizar as atividades que eu tinha proposto. Não sei como passaram pela peneira do vestibular escrevendo tantos erros de ortografia. Não sei como conseguiram contar uma estória sem nenhuma ação. O entrosamento na turma era quase escolar: todos contra o Fábio.

As pessoas da Biblioteconomia são um meio-termo entre os físicos e o povo de Letras.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Primeira aula

Ontem foi a minha primeira aula enquanto professora universitária. Eu achava que tinha preparado uma aula de 3 km, que daria tranqüilamente pra cobrir as 3 horas e 20 que eu tinha com a turma, mas o meu fôlego acabou 20 minutos antes da reta final.

São mais ou menos 40 pessoas, das quais apenas uns 4 são do sexo oposto. Estão no primeiro ano de Inglês ou Espanhol. Quando perguntei por que prestaram essas línguas, a maioria respondeu 'porque eu gosto'. Ainda não consegui decorar todos os nomes, mas Luis, Jones, Emerson, Adeilson, Equitéria e Terra estão pra sempre gravados na memória. Minha aula foi colorida e animada porque eles participaram das atividades que eu tinha proposto. Acho que vamos nos dar bem.

Depois da aula, vieram os elogios e perguntas. A primeira pergunta da Maria Simone foi: a senhora é casada? As perguntas seguintes foram referentes a coisas menos pessoais, tipo 'o que é semântica?'

Hoje dou aula (sobre assuntos parecidos) para físicos e bibliotecônomos. Já me alertaram que os físicos gostam de números, não de Letras, e que os bibliotecônomos precisam de uma orientação mais pra área deles. Vou descobrir como lidar com isso hoje.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Poucos móveis

Ainda temos muito chão e muitas paredes em casa. Akari gosta de móveis que ela possa arranhar, escalar, cheirar, usar como esconderijo ou local para dormir.

Importados

Só soube que a goiabada Ritter vem do Rio Grande do Sul quando reparei no 'tipo Schmier'. Eu nunca tinha visto essa palavra escrita, mas ela é corrente no sul do país. É uma dessas palavras Chico-prosa (lixolatte, poltronne, janelle, gramme, ameschen) que só fazem sentido pras pessoas de cultura misturada (brasileiros com imigrantes alemães).

Mas não é só o doce de goiaba que vem de longe. Pedalando pela cidade, reparo em
Chaveiro Mato Grosso
Tapeçaria Paraná
Sapataria Mossoró
Eletrônica São Paulo
Lanches Olinda
Autopeças Parintins
Pão de Queijo Goiano
Guaporé Turismo
Panificadora Nordeste
Transportadora Araçatuba
Xerox Ceará
Funilaria e Pintura Recife
Churrasco Gaúcho
Soparia Maceió

Notei que os estabelecimentos comerciais batizados pelos imigrantes não são drogarias, boutiques, pet shops, lojas de móveis e eletrodomésticos, livrarias, lan houses ou igrejas.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

You are not alone

Havia mais um ciclista no acostamento da BR 364
De capacete vermelho, todo bonitinho
Bebendo água da caramanhola
Descendo só no embalo
Era até cabeludo - eu reparei
Mas passei pedalando na descida
Porque eu aprendi a dirigir em São Paulo
E não consigo me movimentar devagar
Gritei um bom dia
Porque vi naquele moço (que mal vi)
Quase um companheiro de acostamento

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Banho de chuva

Quando eu saí da biblioteca já estava ventando forte e relampiando. Quando troquei a calça pelo short (molhado da vinda) a Unir ficou sem energia. Se eu fosse menos teimosa, teria esperado a chuva passar. A chuva foi forte e durou 40 minutos. Justo o tempo que eu demorei pra pedalar contra o vento até em casa. Tenho 2 alforjes e 1 mochila à prova d'água. Ambos tinham ficado em casa e eu estava só com a mochila de todo dia e um corta-vento que finge ser capa de chuva nos primeiros 10 minutos de água.
Quando cheguei na cidade, a Rua Venezuela estava transformada num lago. Já não chovia mais, mas eu pingava pela casa.

Surpresa boa

Eu tava tranqüila, concentrada na última subidona antes de chegar a Unir, quando um Uno vermelho me ultrapassou. Dentro do Uno estava uma moça que eu conheço. Ana Carolina, que fez Química com o Ruy e se casou com o Vagner, filósofo natural de Porto Velho, amigo da Mazu e do Ruy, concluiu que aquela ciclista no acostamento não fazia parte da paisagem de todo dia. Parou o carro na entrada da Unir e me esperou chegar. Depois dos abraços, risos e alegria trocamos informações geográficas sobre nossos locais de trabalho. Me explicou onde fica o laboratório dela, eu indiquei onde fica o meu departamento.

Quando reparei que a biblioteca se esvaziava aos poucos, lembrei que isso acontece na hora do almoço. Quis ir ao meu departamento, caçar alguém pra ir almoçar e topei com a Ana Carolina na porta da biblioteca. Almoçamos juntas no centro da cidade. Muito bom ver um rosto conhecido e interagir com uma pessoa agradável como ela.

domingo, 13 de setembro de 2009

No more lan house

Agora tenho Interneta em casa. E telefone também. O processo de instalação de ambos foi altamente complicado e acho que já perdi o fio da meada pra recapitular a ordem dos acontecimentos. Mas o fato é que tudo só demorou quase um mês e meio porque aconteceram vários desencontros de informação.

Primeiro a Brasil Telecom agora é Oi, o que significa que as meninas na loja Oi não se comunicam com os técnicos da Brasil Telecom (que não existe mais). Os técnicos que apareceram aqui pra instalar o telefone e internet usavam uniformes da Telemonte. Me ligaram quando eu tava em Florianópolis, consumindo vários créditos do meu celular. Combinei a data da instalação com uma moça, mas logo em seguida um técnico me ligou perguntando se tinha árvore na frente da minha casa. Dispensei o cara e disse que dia 11 ele podia voltar, porque então eu estaria em casa. Voltaram dia 9, 10 e 11.

O técnico que instalou o telefone na sexta-feira (dia 11) me disse que é claro que eu posso ter internet, só preciso ter linha telefônica e se as meninas da Oi insistirem em dizer que eu não tenho 'porta de internet', é pra eu explicar que isso não existe. Liguei na Oi pra pedir internet. Mas a senhora já pediu. Sim, mas eu não tinha linha telefônica. Mas agora tem, então já podemos mandar um técnico.

Por sorte eu já tinha comprado o roteador quando o técnico da internet veio no sábado (ontem) à tarde. Ele teve lá suas dificuldades com o roteador, que não era do Norte, mas de outro estado (ou do Paraguai, vai saber). Quando ele quis saber se eu já tinha provedor, achei que ele estava me zoando. Depois que ele foi embora, virei assinante da UOL. Isso me obriga a ter um e-mail uol. Quis que me dessem o seguinte endereço: lou@uol, mas não rolou. Fui transferida para um técnico que trabalha num setor em que ninguém é capaz de lidar com roteadores D-Link, que é o que eu tenho. Cobraram mais um tanto pelo atendimento especializado e tive que esperar pendurada no telefone até eu lembrar que tinha esquecido de almoçar.

Daí em diante as coisas se embaralham e fiquei ligando entre UOL e Oi até anoitecer. E além dos caras da UOL dizerem que os caras da Oi precisam dar uma autorização especial pra senha funcionar, eu seguia digitando errado as minhas senhas, os códigos do roteador e traduzindo mal o que o meu computador me dizia em alemão. Os técnicos não foram simpáticos. Interagir com eles foi tão maquinal como lidar com o meu computador.

Ok, agora tenho telefone e internet, mas num cômodo meio nadavê. Aqui não tem janela, o que significa que a luz é da lâmpada e que não passa ventinho. Mas o cabo do telefone estava aqui, então mudei a escrivaninha pra cá.

Parede pintada

Tem umas latas de tinta sobrando aqui em casa. Pincel é o que não falta e idéias não são necessárias. A mão vai misturando o corante na tinta, conduzindo o pincel que gerencia quantidades de tinta e pronto: a parede da sala tem mais vida.

Só um nome

O papel higiênico Fofinho só é fofinho no nome.

* * *

Quando Berg me contou da cama que ele queria me vender, mencionou o espelho dela. Tive pensamentos pornográficos e perguntei que coisa era essa, de ele me oferecer uma cama com espelho. Explicou que tem o pé da cama, não tem? E na outra ponta tem o espelho. Concluí que espelho era só um nome.

* * *

Quando vi as mulheres de Porto Velho caminhando por aí com o guarda-chuva aberto (debaixo desse sol bravo que temos aqui), imaginei que estivessem entretidas numa espécie de dança da chuva. Mas aí me liguei que elas, ao andarem por aí com o guarda-chuva aberto, tinham criado uma sombra portátil. E finalmente o nome sombrinha fez sentido pra mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Empossada

A cerimônia de posse foi um momento solene, mas em tom de conversa. O reitor da Unir lamentou a demora da nossa contratação, explicou que estamos em estágio probatório por 3 anos e lembrou que entramos em regime de dedicação exclusiva, o que nos impede de trabalhar para as universidades particulares, que podem vir a nos assediar.

Pedalei até a Unir com um memorando na mochila. A paisagem até lá fantástica, mas o cheiro de carniça, o lixo (pedrinhas, cacos de vidro, arames, parafusos etc.) no acostamento, o sol do meio-dia e as duas subidas respeitáveis conduziram os meus pensamentos à borda externa do meu otimismo. Cheguei muito vermelha e muito suada. A mulher na cantina me deu a garrafa de água gelada informando: Você vai estourar.

O meu chefe é o chefe de departamento de Línguas Vernáculas. Por enquanto o departamento só tem Português, mas quer introduzir os vernáculos indígenas daqui, o que eu acho muito supimpa. As aulas já foram atribuídas aos professores, portanto só vou pegar os excessos do próprio chefe de departamento. Pelo que entendi, vou dar aulas de Texto pra galera da Biblioteconomia, Física e Letras Português. Começo semana que vem.

Minha vaga é da UAB, o que significa que eu precisaria dar aula de Ensino à Distância, mas acaba que eu sou da Unir, respondo ao meu chefe de departamento e não tenho obrigação de fazer EAD. Mas como quem está assumindo a EAD é a Iracema, que está precisando de ajuda braçal, vou dar uma mão pra ela, porque ela é gente boa. O que eu tenho que cumprir são 2 turmas por semestre, entrar prum grupo de pesquisa, publicar 1 artigo por ano e esperar a Extensão se recuperar.

Fotoalbum

Renato.
Avô Carpena, Helga, Micha e Francisco (sentado no colo do pai), Dieter, Denise, Helena (escondida na barriga da Tia Dê) e Gabriela (no colo da tia).

Ulla, Hans Jürgen e Oma.

Siddhu e Ravi.
Mama com um corte de cabelo que me lembra os desenhos animados japoneses e Hans Jürgen.

Quanta mudança

Quanta mudança
Alcança o nosso ser?
Posso ser assim daqui a pouco?
Não.

O Teatro Mágico

 

Plátanos, magnólias, araucárias, ipês amarelos e roxos,
a primavera desabrochando a olhos vistos
cheiro de forno a lenha,
casas de madeira tipo chalé,
gente bonita, alta de pele clara,
o uso do tu, a fala cantada,
calças, moletom e meias de lã,
banho de água quente,
o canto do mar, o tubo da onda,
cinamomos, bromélias e orquídeas,
abraços na família que não se via faz tanto tempo,
acompanhar o crescimento das 3 crianças dos 3 primos
ouvir a minha mãe falando português (na farmácia)
ver aquela novela com os 2 primos indianos
café da tarde, chocolates pra dividir
dias chuvosos, regados a neblina
aquecedor a gás.
Confesso que me senti mais perto de casa a 4 mil km daqui. Prolongando-se em mim, me deram livros, música, chocolates e memórias do 90. aniversário da Oma.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Eu vou voando

Daqui uma semana tô de volta. Vou atravessar o Brasil com vários meios de transporte e volto pra ser empossada. Só espero não quebrar um pé no caminho...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Móveis

Berg veio com uma cama de casal, um armário de solteiro e um armário de casal. O armário pequeno vinha de presente, porque ninguém consegue dar fim a ele. Na hora do almoço ele foi embora e nunca mais voltou. Me deixou com a casa cheia de peças de móveis.

O armário de solteiro é a coisa mais feia que eu já montei na minha vida. Sabe como se monta um armário? Eu sei. Primeiro deitado, depois levanta ele, o que é um problema quando só se tem dois braços. Sabe como compensado reage a pregos e parafusos? Eu sei: nem liga. Sabe como se encaixa as dobradiças das portas? Posso te ensinar, porque eu aprendi na marra. Montei o armário sozinha e ele ficou todo torto porque é ruim mesmo. As gavetas estão faltando porque as prateleiras caíam e quebravam os trilhos de plástico das gavetas. Sentiu o pretérito imperfeito? Sim, a ação se repetiu. Está no quarto da Akari.


A cama foi mais fácil de montar. O armário de casal vai ter que esperar por ajuda, porque eu não dou conta de montar aquele monstro.

Mais céu


Esconde-esconde

Agora ela deu pra brincar de caverna no tapete... Finalmente entrou no clima. Agora que já não me considero mais tão habitadora de caverna...