quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Pobre de mim

Depois de meio ano de doutorado-sanduíche na Holanda, escrevi um artigo com o meu orientador e o submetemos a uma revista inglesa. Dois meses depois, recebemos a notícia de que ele foi recusado. Pobre Pequena Lou, ela não sabe lidar com críticas dos outros.
Depois de passado o baque inicial, estabeleceu-se uma constante correspondência entre Pequena Lou e seu orientador, na tentativa de resubmeterem um artigo revisado e melhor.
O artigo foi novamente submetido e no dia seguinte os rumos das duas pessoas envolvidas se separaram. Uma voltou para a sua terra natal, o outro começou a fazer as malas para o lugar onde ele fez o seu primeiro estágio no estrangeiro.
Antes do Natal veio a notícia de que o artigo havia sido recusado mais uma vez. Dessa vez haveria um prazo para uma nova submissão. Pequena Lou pediu uma prorrogação deste prazo, para poder curtir as férias em seu estado natal. O prazo lhe foi concedido, e assim que ela voltou das férias, atirou-se ao conserto do famigerado artigo. Reescreveu tudo, mudou a contagem e análise dos dados, reorganizou as sessões e mexeu tanto no texto, até que finalmente teve a impressão de ter terminado o trabalho. Mandou o texto para o orientador, pedindo que ele revisasse erros de inglês, uma constante reclamação dos pareceristas. O orientador respondeu que não tem tempo de ler o artigo novo no prazo, e sugeriu que seu nome fosse retirado da lista de autores. Lá se foi meu revisor, pensou nossa heroína cansada.
Procurou por falantes nativos de inglês que topassem ler um texto sobre fala telegráfica e afasia. Perguntou ao seu amigo não-nativo, lingüista e tradutor, mas ele está dando a volta ao mundo, e quando voltar, vai precisar se adaptar às condições locais. Encontrou um semi-nativo, lingüista, namorado de amiga, que cobra mais que o aluguel da nossa protagonista. Resolveu procurar mais e encontrou um nativo, interessado em psico-coisas que cobra quatro vezes o aluguel da nossa pobre coitada. Ainda não atingimos o desenlace da estória, mas já sabemos que essa história vai sair caro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Momento lúdico

Não foi fácil jogar futebol, porque uma das jogadoras, a Baroneza, sempre parava o jogo, dominando a bola.Pus as inúmeras fotos e recortes dos vídeos que eu fiz na minha galeria de vídeos. Pena que a qualidade da imagem não é boa, mas o vídeo é divertido.

Pode segurar jogador? Não é falta, seu juíz? Ah, não tem juíz, é verdade.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Pelo caminho

Considerando que o fruto nada mais é que a proteção da semente, isso deve ser o que restou do fruto: a casca em volta da semente. A forma de estrela é bem recorrente na natureza...
Um.
Dois.

Fungo ou cogumelo. Em alemão os dois teriam o mesmo nome: Pilz.
Gramídeas.

Espinhos

Tronco de paineira.
Urtiga que me picou enquanto eu tirava essa foto.
Macaúba, uma palmeira com coquinhos.
Tudo bem, não são exatamente espinhos, mas o urucum é espinhoso.

Lianas



Caminhando na mata

Os visitantes deste sábado assistiram a um vídeo, ouviram uma palestra e responderam perguntas sobre a conservação do meio-ambiente. Depois, foram divididos em dois grupos e guiados por um trecho do aceiro e pela trilha leste. O aceiro é uma faixa de nada entre a mata e a vizinhança, com 9 km de comprimento. Não caminhams isso tudo, infelizmente.
Fizemos paradas em árvores com características peculiares, tipo os nós nesse tronco.
Reparamos que as lianas proliferam desenfreadamente.

A vizinhança

Tanto o condomínio de luxo como a favela que estão situados nas margens da mata jogam seu esgoto na mata. Sem dó ou consciência ecológica.
As crianças da favela ao lado participam de um programa oferecido pela fundação que visa a educação ambiental, mas os estagiários reclamam que são biólogos, não pedagogos.
A favela que margeia a mata. A monitora do meu grupo se referia a uma 'invasão', ao passo que ouvi o monitor do outro grupo mencionando uma 'ocupação'. Não se trata de sem-terras, já que uma reforma agrária no meio do mato não parece dar muitos frutos. Tampouco parece ser uma coisa provisória, já que as casas são de tijolo. Aconteceu que uma área foi tombada e reservada para o reflorestamento da mata atlântica, mas antes que a prefeitura de Campinas conseguisse se articular, as terras foram invadidas/ ocupadas por uma galera.
Os lixos da civilização. Além do despejo de entulho, poluição sonora (ouvimos funk em alto e bom som...), poluição das águas e do ar e a caça de animais silvestres, a mata sofre com um outro problema causado pela vizinhança: a presença de animais domésticos na mata. Gatos e cachorros passam a cerca e caçam na mata, perturbando a cadeia alimentar do ecosistema, além de transmitirem suas doenças aos animais autóctones.
A vizinhança ocasionalmente comete atos de vandalismo. Rasgaram as telas do borboletário. Será que foi divertido ver um montão de borboletas coloridas voando na mesma direção? Será que esse prazer vale o trabalho que os estagiários e biólogos de plantão tiveram pra coletar e criar as borboletas? O viveiro de borboletas reabrirá em março deste ano. Enquanto isso, fotos de algumas das 700 espécies catalogadas na mata podem ser vistas aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Mata Santa Genebra

Barão Geraldo era uma enorme fazenda chamada Santa Genebra. Lentamente a fazenda foi sendo urbanizada, a Unicamp foi chamando habitantes novos pra esses lados, e o progresso foi justificando o desmatamento. Mas sobrou a Mata Santa Genebra - que aliás também vem diminuindo com o tempo. É a segunda maior mata urbana no Brasil. Pra que seja preservada, é relativamente fechada a visitação. Abre no último sábado do mês, às 9:30 e as visitas são guiadas.
Há 48 espécies de mamíferos na mata, sendo que o animal mais visto é o macaco-prego. Ele não é só visto no território da mata, mas também nas casas da população que se estabeleceu em volta da mata. Pra eles, a cerca de arame farpado é pouca coisa pra conseguirem comidas doces que não achariam na mata.
Tem um viveiro de mudas, que serve meio que de garantia de diversidade genética.
E um borborletário que foi vandalizado semana passada. Abriram a tela e as borboletas escaparam.
Na mata há um desequilíbrio entre as lianas (cipós) e árvores, de modo que as lianas cobrem grande parte das árvores. Mas dão frutos em épocas em que nenhuma árvore floresce, alimentando assim os animais.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Names hold the keys

Os títulos das coisas devem dizer muito sobre as obras que encabeçam. Devem sintetizar a obra, conduzindo ou quebrando as expectativas do público. Um exemplo de título que conduz o público a interpretar a obra é Dogville, pois o filme toma a cidade de Dogville quase como personagem. Um exemplo de título que intriga o observador é dado no romance de Salman Rushdie, O chão que ela pisa. Um dos personagens é fotógrafo, e um dia ele vai a uma competição de pipas. O céu está um festival de cores e formas. O fotógrafo aponta a sua lente para o céu quando o chão começa a tremer. Um terremoto assusta as pessoas, que saem correndo desorganizadamente, largando suas linhas, abandonando suas pipas. Ele bate a foto das pipas e chama a fotografia de O terremoto. Viu? Títulos desse naipe precisam da história, precisam ser contextualizados, porque tomam um acontecimento secundário de um processo como título da obra.

Existe uma outra categoria de títulos: aqueles que enfeitam a obra, que atraem atenção, que são engraçadinhos. Vamos do mundo das artes para o universo acadêmico, mais precisamente, os títulos de teses que ganharam o prêmio Capes ano passado. Na categoria Música/ Artes, ganhou a tese com o seguinte título: Poéticas líquidas: A água na arte contemporânea. Uau, poéticas líquidas, que pegajoso! Na categoria Letras/ Lingüística, ganhou a tese intitulada: A porosidade poética de Riobaldo, o cerzidor: ritmo, transcendência e experiência estética em Grande sertão: Veredas. Porosidade poética, que dureza...
Não quero discutir que Música e Artes, assim como Letras e Lingüística formam uma categoria, ao passo que há cinco categorias diferentes para Engenharia e quatro para Medicina. Vamos sair das humanas e dar um passo em direção às exatas, entrando no campo da Astronomia/ Física. O título da tese premiada é: Raman spetroscopy of Nanographites. Pela preposição, percebemos que o título não está em português, mas inglês. Será que, pra ganhar o prêmio Capes, uma tese das humanas precisa ter um título todo metaforizado e um título das exatas precisa estar em inglês?

A última categoria de títulos é aquela que toma uma frase que foi proferida ao longo de todo o texto, mas que não é representativa para a obra como um todo. A culpa é do Fidel! é um desses títulos. O filme é muito bom, o título também, mas um não é referência para o outro. O filme é contado através da perspectiva de uma guriazinha francesa de 9 anos que tenta entender aspectos da época politicamente conturbada que vivencia. Num dado momento, conclui que a causa da desgraça da babá cubana foi causada por Fidel. O diálogo das duas é muito pano de fundo. Muito mais recorrentes são as tentativas da pequena Anna de compreender o significado da palavra solidariedade. Mas o título ficou A culpa é do Fidel! Bom, voltemos ao mundinho acadêmico. A minha dissertação de mestrado também carrega no título uma frase proferida pela minha sujeita Raquel. Tem o título técnico, depois esse frase, que é pra quebrar a tensão prepositiva: Preposições ligadas a verbos na fala de uma criança em processo de aquisição de linguagem - ou - Vamo de a pé no carro do vovô? Esse título me rendeu uma entrevista pro Jornal da Unicamp.

E tem mais: o título deste post é parte do refrão de uma música do Morphine, chamada Souvenir. Mas é do tipo 1, resumindo o conteúdo do texto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Die schwarzen Brüder

Liza Tezner escreveu um romance sobre um menino de 13 anos que foi vendido e forçado a trabalhar como limpador de chaminés na Itália. Entre os anos de 1800 e 1920 a venda de meninos por causa da seca ou outra catástrofe que causasse a miséria no cantão de Ticino, na Suíça, era comum.
Setenta anos depois de publicar seu romance, Hannes Binder recontou a mesma estória em gravuras de Giorgio, Alfredo e tantas outras crinças. A técnica se chama scraping, e do fundo preto o artista raspa partes brancas. O resultado é Irmãos pretos, um romance ilustrado.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Bambi

Quem diria, Pequena Lou assistindo Bambi! Pois é, essas coisas acontecem. Tem uma caixa cheia de fitas VHS de filmes infantis no canto da sala. Não sei de quem são, nem como foram parar numa república onde a moradora mais velha completa 30 anos este ano. O fato é que a caixa está lá, chove lá fora há dias e fiquei com vontade de uma experiência radicalmente diferente. Assisti Bambi.
Barbaridade, essa é a velha Walt Disney, que se preocupa em sincronizar os movimentos dos personagens com os sons da orquestra. O filme todo é uma aula de ecologia, mostrando que o homem (que não aparece no filme, apenas é indicado pelos seus sinais: disparos de tiro, fumaça saindo de chaminés, corvos, cães de caça, um acampamento abandonado e o fogo se alastrando pela floresta) é o topo da cadeia alimentar.
Tem música, mas é música clássica, e às vezes tem cantoria, mas não são os personagens que cantam (que é o que eu acho mais detestável nos musicais: do nada, a personagem desata a cantar). As cores são em tons quase pastel, e a técnica parece ser predominantemente aquarela. Um filme bonito, se comparado com a Disney mais atual.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Vallat

Este é Vallat, um espião suíço envolvido numa investigação dadaísta. Minha compulsão por histórias em quadrinhos continua me obrigando a adquirir quadrinhos de toda espécie. Na maioria dos casos, a arte gráfica é mil vezes mais sofisticada que a arte narrativa. A estória raramente é cativante, interessante, envolvente. Exceções raras são Persépolis da Marjane Satrapi, Palestina do Joe Sacco e Sandman do Neil Gaiman. Nestes casos, a estória vale muito mais que o desenho, porque ou o desenho é tosco (Persépolis e Palestina), ou o desenhista de Sandman sempre muda, e nem sempre é Miguelanxo Prado.
Mas eu estava falando de Vallat. A estória não é ruim, trata-se de um detetive meio sem característica marcante tendo que resolver um caso que ele mal entende, e acaba se envolvendo com um grupo de dadaístas, só pra aumentar a confusão mental do homem.
O que mais chama atenção nesta HQ é a arte gráfica. Massimo Milano usa a página inteira, sem as subdivisões em quadrinhos, pra criar seqüências de ações. O resultado é um painel muito bem arquitetado, com movimentos fluidos. Preto e branco, elegante e levemente dadaísta.

Tapioquenses

Ruy fez tapioca pra nós, tapioquenses e agregadas. Agregadas são as namoradas dos tapioquenses. Ruy é um dos primeiros tapioquenses, e por causa da tapioca dele a nossa casa se chama Oca da Tapioca. Naqueles tempos de casa grande e nove nego debaixo do mesmo teto, aconteceu de ter tapioca toda sexta-feira, pelo menos 3 vezes.

Pablares, tapioquense de primeira geração, também compareceu. Visita ilustre de BH. Pois é, cada um acabou seguindo o seu rumo, mudando pra outra cidade, mas sempre volta pra Oca. A Oca da Tapioca tem, inclusive, duas filiais: uma a 3 quadras daqui, onde duas tapioquenses dividem uma casa (Livinha e Vanessa), e uma outra em São Paulo, onde três tapioquenses dividem um apartamento (Lígia, Hagar e Ferrone).
Luciana e Junior, o casal zen. Muito poucos de nós não fizeram aulas de Tai Chi Chuan com o Junior. Ele foi o primeiro tapioquense que veio depois de mim, o que faz de mim a mais antiga tapioquense desta Oca.
Ju e Dani. Dani pra Ju, porque a gente chama ele de Caldo ou Caldinho. Aconteceu de ligarem pedindo pra falar com o Daniel e eu não saber que tínhamos um Daniel em casa.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

No Vale das Sombras

Clint Eastwood, Sean Penn e Tommy Lee Jones se tornaram muito parecidos pra mim. Os três são ótimos atores e diretores de cinema, e fazem filmes muito bons, mas predominantemente marrom-acinzentados. O cenário é escuro, o figurino é discreto, os diálogos são escassos e as explosões afetivas muito raras.
Detesto filmes de guerra, e acho uma pena que os filmes anti-guerra precisam mostrar a guerra e ocupação de territórios distantes com todos os seus absurdos pra nos mostrar como não vale a pena obedecer ordens cegamente, ser patriota, levar a "democracia" ao Iraque.
O filme não mostra a guerra, mas a ocupação das tropas americanas no Iraque. Não só a ocupação, mas o próprio esquema militar são criticados. Ser "homem" no serviço militar significa abusar de autoridade perante civis, abusar do próprio corpo para acompanhar os hábitos dos companheiros e perder a própria identidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Alta

O meu fisioterapeuta me deu alta hoje.
Foi assim:
- Se você quiser, pode voltar daqui uns dois, três meses.
- Precisa?
- Não, eu estou satisfeito com o seu pé.
- Então chega de fisioterapia e chega de me sentir deficiente.
- Então eu te dou alta.
- Feliz ano novo!

Conhece-te a ti mesmo

Normalmente, quando ouvimos, lemos, escrevemos ou dizemos esta frase, pensamos num conhecimento da psiqué. Pensamos que o imperativo é voltado ao conhecimento da alma, do espírito, do caráter, da personalidade da pessoa humana. Mas não pensamos nunca na parte fisiológica do homo sapiens.

O que me interessa no momento são as relações entre as manifestações observáveis no corpo e seus processos internos, e chego à conclusão de que tudo seria mais fácil se o nosso corpo falasse uma língua que compreendemos, tipo português. Não entendo o que o meu corpo quer dizer quando tenho dores de cabeça. Não entendo o que foi que eu fiz de errado quando vomito de hora em hora, inclusive quando já tenho o estômago vazio. Não consigo interpretar a informação que o medidor de pressão sangüínea da Oma me dá. Por que tenho uma média de 50 batimentos cardíacos, quando o normal para uma pessoa da minha idade é 65? Não sei até onde posso forçar o meu tendão de Aquiles, antes que ele se rompa. Devo tentar correr?

Se o meu corpo falasse português, eu talvez pudesse previnir mal-estares. Mas ele não teria autorização pra me falar tudo o que acontece (hm, oxigênio e gás carbônico entrando pelas fossas nasais, ai, bexiga enchendo rapidamente, ui, batimentos cardíacos acelerados), porque aí eu teria uma sobrecarga de informações e ficaria louca. Não, ele teria que apenas responder às minhas perguntas. Hm, mas se fosse assim, eu não descobriria nunca que tenho uma baixa taxa de batimentos cardíacos, porque eu nunca pensaria em perguntar ao meu coração como ele está.

Pelo visto, conhecer-se a si mesmo no sentido fisiológico depende da ajuda de profissionais que ajudam a pessoa a interpretar os sinais que o corpo dá.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Will

Cheguei tarde em Curitiba. Tarde demais pra pegar um ônibus a São Paulo e chegar num horário em que houvesse qualquer meio de transporte à disposição de uma Pequena Lou cansada. Duas possibilidades se abriam diante desta viajante sonolenta: procurar um hotel em Curitiba e seguir pra Sampa no dia seguinte, ou pegar um ônibus mais tarde ainda, que chegasse em SP de manhãzinha. Optei pela segunda alternativa e comprei passagem pras 22:30, botei a mochilona no malex e peguei um taxi pro centro.
O taxista ia me mostrando a cidade: aqui é muito perigoso andar de noite, aqui, moça sozinha, nem pensar, esse shopping fica aberto até às 22:00, aqui também não é legal de andar mais à noite, mais pra baixo tem outro shopping, e aqui é o calçadão.
Desci no calçadão e fui até uma ponta. Passei por um clown interagindo com a galera de um bar. No fim do calçadão, resolvi voltar e filmar o clown.
Caminhei em sua direção, ele tinha acabado de brincar com um casal e estava à procura de sua próxima vítima. Nossos olhares se encontraram. Não, peraí, eu vim pra ser público, pra te filmar, não pra me expor. Rapidamente identifiquei um banco vazio. Caminhei até o banco tão concentrada no banco, que não percebi que um moço fazia o mesmo. O moço hesitou, eu olhei pro palhaço e o moço disse: Bitte, setzen Sie sich. Olhei pro chão, sentei. Sprechen Sie Deutsch? Woher kommen Sie? Olhei pro moço. Um mulato com herança genética bem misturada: pele de negro, olhos de índio e sorriso amarelo. Conversamos sobre como ele foi parar na Alemanha, rap, hip hop, pixação e graffiti, projetos sociais e como passar o tempo sem muito esforço. Num dado momento, decidimos que era hora de ele voltar pra casa e eu pra rodoviária. Will me acompanhou pelo calçadão inteiro até o ponto de ônibus dele, e no caminho ia cumprimentando os mano, as mina, os tio e as prima. Um barato, caminhar com tão ilustre figura pelo calçadão de Curitiba que ia se desertificando lentamente.
Depois de me despedir do Will, andei por todos os lugares desrecomendados pelo taxista.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ciclistas curitibanos

Uhuuuu, será que todos os ciclistas curitibanos têm speed e se identificam com esta imagem?

Pra refrescar

Chafariz na frente da prefeitura de Blumenau. Eu achei esse humor quase sarcástico. As imagens européias da árvore de Natal e do soldadinho de chumbo se refrescando no chafariz, fugindo do calor congolês da Blumenau tropical.

Blumenau

Blumenau não é pequena e passear por lá sem saber o que te espera é meio furada. Como eu não conheço ninguém em Blumenau, Oma fez com que eu conhecesse. O meu Opa era de Blumenau e ainda tem uma irmã morando lá. Essa Ingried é madrinha da minha mãe e o filho dela, Carlos, é primo da minha mãe. Pode ser que eu já os tenha visto, mas não lembro.
Cheguei numa segunda-feira às 6 da manhã em Blumenau, e Carlos me buscou na rodoviária pra me levar pra casa e tomarmos café da manhã. Depois de conversar um pouco com a Ingried sobre encontros familiares, a idade, a família, as doenças e o noivo que eu não tenho, Carlos me deixou no centro e foi trabalhar. Achei meio estranho conhecer membros da família assim, com os minutos contados, mas agradeço ao Carlos por ter me dado esse tempo. Itajaí-açu, o rio chocolatoso que corta a cidade. Blumenau fica num caldeirão, entre monhtanhas verdes. Não sopra um ventinho sequer, e quando chove, o rio transborda e metade da cidade alaga. É quente pra dedéu e chove violentamente quase todo dia no verão. A chuva eu senti vindo já às 10 da manhã, quando comecei a mancar pela cidade. Não vi chuva até meio-dia, mas garanto que choveu.
Fachwerk decorando a parte comercial da cidade.
Castelinho. Hoje o Fachwerk é falso, mas os imigrantes que construíram a cidade sob a direção do Dr. Blumenau, ergueram casas de Fachwerk de verdade.
A prefeitura decorada.
Ponte estreita por onde passava o trem. Hoje não tem mais trem, mas os carros podem passar, num único sentido.
Internet. Achei essa casa quando procurava pelo Parque São Francisco. Perguntei prum monte de gente onde fica a entrada do parque localizado no centro da cidade, e ninguém soube me responder. Não sei, não sou daqui, não faço idéia. Achei o parque depois de muito perambular, seguindo instruções vagas de um mapa não muito preciso e me deparei com uma placa enorme anunciando que o parque estava fechado devido às chuvas do dia anterior. Maravilha.
Os nomes das famílias escritos nas paredes das casas. Hering e Odebrecht são as mais famosas.
Não tirei foto da igreja luterana, que tem um formato octogonal, é toda de madeira e fica no topo de um morro, mas garanto que a católica é seu oposto. Grande, clara e iluminada, cheia de colunas, é antagônica ao estilo gótico da pequena igreja luterana.