terça-feira, 1 de julho de 2008

As aventuras do meu pé direito - um ano se passou

Era uma vez uma árvore muito alta na borda de um jardim maravilhoso. Exatamente um ano atrás, o dia primeiro de julho era domingo, e Pequena Lou voltava de um passeio em que tinha tomado chuva e visto um arco-íris abraçando o céu. Subiu na árvore no jardim com a ajuda de uma corda, viu o vilarejo em que moram seus pais de lá de cima, ouviu o vento, deitou numa forquilha de galhos, ouviu os pássaros e decidiu descer de outro modo: pendurando-se no galho mais baixo.
Caiu uma queda de dois ou três metros, com todo o peso do corpo sobre o pé direito e foi levada ao hospital de ambulância. A cirurgia foi um sucesso, as enfermeiras e os enfermeiros uma maravilha, as colegas de quarto interessantes. Depois de 13 dias internada, Pequena Lou voltou à casa dos pais, com muita saudade do hospital Bremen Mitte.
Passou uma semana em estado contemplativo. Sentava-se no jardim e entregava-se completamente à captação de sons: o vento, uma maçã caindo da árvore, uma vaca mugindo ao longe, o vizinho cortando a grama, os pássaros cantando e as abelhas zunindo. Passou um mês na casa dos pais, que cuidaram dela com muita atenção e dedicação.
Considerou que a maior dor não era a dor do osso se espatifando, não era a dor da queda. A maior dor era não conseguir se lembrar de como é andar, caminhar, correr, pular, dançar. Todas as memórias de si executando qualquer uma dessas atividades tinham sido apagadas. Talvez como forma de compensar, sonhava que corria, pedalava, voava.

Aprendeu a usar as muletas de maneira eficiente, os 'pontos' foram tirados, compressas diárias de ricota e massagens com cânfora eram aplicadas e lentamente ela foi se acostumando às novas condições de mobilidade. Voltou pra sua república na Holanda, fez fisioterapia, foi logo incentivada a pedalar, prendendo as muletas na bicicleta. Vivenciou o milagre de caminhar sem muletas (ou a ajuda do fisioterapeuta) e deu seus primeiros passos sozinha no jardim da Groesbeekseweg 167.
Considerou que a maior dor não era a frustração de perder a mobilidade, mas pisar no chão de novo. O caminho até a fisioterapia devia ser de 1 quilômetro. Fez este caminho de ônibus apenas 3 vezes. Nas outras, foi pedalando, e depois, pra seu sofrimento e alegria do fisioterapeuta, foi caminhando (mesmo com muletas).
Voltou ao Brasil já caminhando, fez quiropraxia, mas não levava os exercícios propostos muito a sério. Preferia medir suas capacidades em caminhadas de vários quilômetros, pedaladas de mais quilômetros ainda, começou a fazer natação e retomou a Yoga. Mas, apesar das atividades todas, pedalava muito e ficava muito tempo sentada, sem exercitar o tendão de Aquiles, que estava bem atrofiado. Gradativamente o calcanhar não emitia mais sinais de dor em forma de um feixe de agulhadas. Depois que Stephanie foi embora, Pequena Lou notou que seu pé direito tinha desinchado um certo tanto e que não sentia mais dores ao pisar. As duas tinham feito muitos exercícios em duas semanas: caminharam, pedalaram, remaram, nadaram e subiram uma montanha de 2.892 m.Se exercício era o segredo da melhora, resolveu investir em mais exercícios. Adotou o costume de fazer caminhadas diárias de uma hora, deixou a bicicleta um pouco de lado e passou a ir à Unicamp de pé 2.

Aprendeu a nadar, e que o segredo da natação está nas extremidades: mãos e pés (não tanto o braço ou a perna) movimentam a água e fazem o corpo deslizar. Reparou que o pé continuava desinchando e que já não tinha mais receio de descer escadas, caminhar rápido e pular de guias altas. Os 7 parafusos de titânio não causam mais dor a cada chuva que esfria o mundo. Agora só se manifestam ocasionalmente em São Paulo, onde é mais frio e úmido que Campinas.

O prazo dado pelos médicos em Bremen tinha sido de 1 ano de recuperação. Um ano se passou e o pé está muito bom, mas ainda não está perfeito. Ainda não tentei correr, por exemplo, porque temo pelo meu tendão de Aquiles, que ainda não está em boa forma. Cogitei fazer acupuntura, pra ver se libera o canal das energias, mas tenho medo de agulhas. De qualquer forma, continuarei com minhas caminhadas diárias, alongamentos do tendão e Yoga.

2 comentários:

Anônimo disse...

pow vc ´´e uma pessoa muito forte!!
parabéns!!

Anônimo disse...

Ameeeeeeeeeeei seus pés .... lindos D+ .. rs ..