sábado, 27 de outubro de 2012

Do mal

Ano passado, quando minha mãe e minha tia estiveram aqui, tentamos torrar as castanhas dos cajus colhidos aqui em casa. Como era a primeira vez e não tínhamos a manha, só conseguimos salvar três castanhas em meio aos carvões. Dessa vez que Luis esteve aqui, eu já tinha juntado outro tanto considerável de castanhas pra torrar. Foram pra grelha, soltaram óleo, fumaça e cheiro ruim, esfriaram e foram processadas. Enquanto as mãos trabalhavam, Luis se perguntava por que nunca tinha ouvido falar em óleo (de castanha) de caju.
Não foi fácil separar a castanha da casca: usamos alicate, faca e até unha pra, no final, juntar um mísero punhado de castanhas. Como tava difícil de separar a pele da casca da castanha, nem chegamos a descascar tudo. E como o trabalho com as castanhas tinha dado fastio, nem comemos o fruto do nosso trabalho. Botei as castanhas na geladeira, joguei o resto das castanhas com casca engordurada e fedida fora e fomos pro Rio de Janeiro.
Em seguida, nossas mãos começaram a descascar. Toda uma camada de pele morreu, esfarelou e caiu. Passamos uma semana tirando peles das mãos, especialmente depois de ter tido contato com água. Luis descobriu que o óleo do caju é tóxico e que as pessoas que manipulam o caju (colheita e torra) apresentam todas o mesmo problema de saúde causado pelo óleo. Ou seja, decidimos que o óleo da castanha do caju é do mal.

Quando voltei do Rio, Marcelo estava cozinhando e Heliene fazendo faxina. Perguntei a ela (porque afinal de contas ela é que tinha dado a ideia de torrar castanha na brasa) se era normal a mão descascar depois de manusear castanha de caju torrado. Ela disse que era normal, que o óleo provocava mesmo esse tipo de reação alérgica e que queimava peles mais sensíveis. Pra completar, contou que uma amiga dela tinha feito uma tatuagem com o óleo da castanha de caju. Ouvindo todo esse papo sobre castanha de caju, Marcelo acrescentou que as castanhas que estavam na geladeira tinham ficado ótimas.

Um comentário:

Leonardo disse...

eu assei muita castanha quando era criança e não me lembro de nada de extraordinário no processo de assar. E também nunca fiquei com as mão assim rsrs