quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Autoajuda e TV

Os livros de autoajuda surgiram depois do final da Segunda Guerra Mundial, ganharam terreno nos EUA e hoje estão no topo das vendas das livrarias brasileiras. Enquanto fenômeno da pós-modernidade, são objeto de estudo de uma tese de doutorado: Adail Sobral aposta na emergência de um novo gênero textual.

A televisão entrou devagar nos lares brasileiros na década de 50, mas hoje praticamente todas as casas estão equipadas com pelo menos uma televisão. Enquanto símbolo da modernidade, transformou processos cognitivos básicos como atenção, memória e captura pela imagem audiovisual.

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O termo 'autoajuda' é paradoxal, porque os leitores desse tipo de textos procuram ajuda externa (no livro). A ideia de que o leitor vai achar em si mesmo todos os elementos para solucionar seus problemas e os problemas do mundo é ilusória.

A televisão não é um meio de comunicação, porque não existe interação entre quem está na TV e o público.



Os que sabem ler, mas não ligam para a Literatura, os que se importam com o conteúdo e não percebem a forma, os que consomem informação sem atentar para estilo leem autoajuda. No gênero autoajuda (já assumindo que seja mesmo um gênero) cabe muita coisa: manual para educar os filhos, receita para o sucesso, conselhos de como viver em harmonia com o cosmos, reflexão mística, cura para os males, confissões, pseudo-ciência e muita ficção.

Os que não sabem o que fazer com o tempo livre, os que acreditam que a televisão informa notícias, fatos e a verdade, os que buscam entretenimento passivo, os que se divertem com pouca arte assistem TV. Na televisão cabe muita coisa: além de cada canal oferecer uma programação diversificada, o número de canais cresce constantemente.

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Livros de autoajuda custam menos que uma sessão de terapia. Sentar na cadeira não custa o esforço de deslocar-se ao local onde a ajuda é oferecida. Ler em silêncio não custa o desgaste emocional de pedir ajuda, explicar o problema, dialogar com outra pessoa.

Ver televisão custa menos que ir ao cinema. Trocar de canal custa menos que o esforço mental de inventar novas atividades ocupacionais. Sentar no sofá custa menos que o esforço físico de interagir com o meio ambiente.



No caso dos livros de autoajuda, quem alcança o sucesso são o escritor e a editora, não o leitor de fé pequena. Fé na ciência que é vestida da vagueza das inúmeras possibilidades da física quântica.

No caso da televisão, a informação é editada, manipulada e transformada em entretenimento. Aqui, a ciência se manifesta através da tecnologia e seus vários bens de consumo.

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Segundo Sobral, os livros de autoajuda propõem "uma espécie de sujeito coletivo global-cósmico-subjetivo não muito definido". (p. 47).

Televisão é cultura de massa.


Os livros de autoajuda mais vendidos no Brasil são traduzidos principalmente do inglês. Segundo Sobral, os originais escritos no Brasil são simulacros de originais norteamericanos bem-sucedidos.

Os programas, formatos e esquemas da televisão brasileira são americanos. Tipicamente brasileiros são as novelas e os canais que ninguém assiste.

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A tragédia alheia é o ponto de partida dos livros de autoajuda para mostrar ao leitor como os seus próprios problemas são insignificantes. Preparado para agir, o leitor é instruído pelo escritor a conformar-se. Desconfio que essa geração consumidora de autoajuda talvez nem tenha problemas facilmente identificáveis. Suponho que quando terminam o livro, contentam-se em perceber, conformados, que seu maior problema era o tédio.

A tragédia humana é a principal atração da televisão. Notícias de massacres, desastres, corrupção, violência, ignorância e guerra disputam a atenção do telespectador com a banalização da sexualidade, estupidificação da infância e exposição do ridículo.  A tragédia alheia lá longe cria no público a sensação de impotência. Depois de desligar a TV, os telespectadores não tomam as ruas nem o poder público, porque a TV lhes mostrou que o mundo é um lugar inseguro.

domingo, 28 de agosto de 2011

Chuva

No dia em que voltei de Porto Alegre, choveu aqui. Não vi a chuva, nem achei rastros das goteiras na casa, mas disseram que foi muita água. Essa chuva tinha esfriado o Norte, de modo que a volta pra casa não foi equivalente a uma visita ao inferno.

No dia seguinte, quando levantei da cama, meu pé direito ficou no chão. O calcanhar parecia não ter força nem impulso para levantar-se. Quando o pé puxava o calcanhar pelo joelho para o alto, sentia dor nos sete parafusos de titânio. Mancava durante a preparação do café da manhã e sentia mais segurança e menos dor dentro dum tênis.

A cena e a dor no pé ruim se repetiram por uns três dias. Achei estranho sentir essa dor em Rondônia, na época de seca. No primeiro ano depois do acidente, eu podia prever chuvas e mudanças de temperatura com uma certa precisão. Mudanças de umidade, temperatura e pressão atmosférica causavam dilatação do metal, o que me fazia mancar. Mas agora já faz quatro anos que quebrei o pé e a última vez que os parafusos me forçaram a mancar foi quando fui surpreendida pela neve em München. Como que sinto dor depois de voltar dos 10°C que tava fazendo no Rio Grande do Sul? Deveria ter sentido dor lá, não aqui.

Não consultei sites de previsão de tempo, horóscopo ou os jornais para entender essa dor descontextualizada. Também não acreditei quando ouvi uma conversa do Marcelo com a mãe no telefone em que ele informava que agora tinha começado a época de chuva. Igualmente não achei estranho que a linha do horizonte tivesse se transformado numa nuvem marrom-acinzentada.

Ontem de noite fez um calor congolês. Nem o ventilador me impedia de suar. Me instalei no quarto de hóspedes e liguei o ar condicionado. Desliguei o ar quando ouvi a chuva, às duas da madrugada. A chuva engrossava e parava. Crescia, vinha com o vento, derrubava os jambos no telhado, parava. Saltei da cama pra tirar tudo das tomadas. Voltei pro meu quarto, armei o mosquiteiro, mas não consegui dormir enquanto chovia. Porque chovia muito forte. Entendi que a dor no pé tinha sido um anúncio dessa chuva e que o calor da noite tinha sido a preparação pra mudança de temperatura. Até fechei os olhos, mas prestei atenção nas goteiras gotejando. Afastei móveis, coloquei potes pra coletar a água e fui na janela, ver a água. A rua tinha virado rio, um lago havia se formado na porta de casa.

Depois que parou de chover, ainda esperei pela prorrogação, depois das quatro da manhã. Não veio, e finalmente consegui dormir. Sonhei que a casa alagava.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Outra percepção

Semestre passado dei aula de Linguística Geral. Quem presentificou esse fato na minha memória foi a minha chefe de departamento. Os alunos reprovados em Linguística Geral não puderam se matricular no curso de Fonética, porque Linguística Geral é pré-requisito. Foram na Dirca (Diretoria de Registro e Controle Acadêmico) pedir peloamordedeus. O responsável lá disse que o sistema não permitia matrícula em matéria que tinha pré-requisito não cumprido (leia-se: o sistema não é maleável) e sugeriu que esses alunos conversassem com a chefe de departamento (leia-se: as pessoas são maleáveis).

Minha chefe achou esse papo de quebrar pré-requisito muito estranho e explicou que ela não tem esse poder de mudar a grade curricular e suas condições. Eles não entenderam e continuaram a insistir peloamordedeus que ela abrisse uma exceção.

Hoje uma dessas alunas me parou no corredor, explicou a situação e me pediu pra melhorar a nota dela em Linguística Geral. Dei risada na cara dela. Daquelas risadas que sai mais ar do que som. Daquelas risadas que sopram na cara do outro o absurdo que é o pedido.

Que percepção distorcida da vida acadêmica é essa? Não estudaram pra prova, não estudaram pra repositiva e se conformaram com a reprovação. Daí, quando não conseguiram fazer a matrícula de uma matéria, acham que o mundo vai acabar e que é preciso, a qualquer custo e de qualquer maneira, conseguir acompanhar a turma. Será que essas tentativas de burlar o sistema já eram praticadas na escola? Reprovar na escola significa repetir um ano. Reprovar na universidade significa repetir uma disciplina.

E repetir se faz necessário, já que a pessoa não conseguiu passar essa etapa de forma proveitosa. Se não aprendeu na primeira, vai na segunda.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Traduttore = traditore

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Ich bin lieber diese wandernde Metamorphose
I'd rather be this walking metamorphosis
Eu queria ser essa metamorfose caminhante

Perde-se informação, graça e beleza na tradução, sabemos disso. Se eu tivesse usado o Google translator, a aventura teria sido maior que essa, que experimentei acima. Estou ainda impressionada com o seminário avançado e a conferência de Gustavo Bernardo
Gustavo Bernardo no Seminário Avançado sobre a Ficção de Flusser
sobre Vilém Flusser, um tcheco que publicou em quatro línguas, mas nunca na sua língua materna. A maior parte das publicações de Flusser, e as de maior peso, foram escritas em alemão (na máquina de escrever, nunca à mão ou no computador). Enquanto judeu que teve familiares mortos em Auschwitz, fez questão de aprender e dominar a língua do inimigo. Como viveu durante aproximadamente 30 anos no Brasil e teve seus filhos aqui, publicou também em português. Escrevia muito para jornal, especialmente a Folha. Em menor quantidade, publicou em inglês e francês.

Mais interessante que ter um filósofo poliglota é ter um filósofo das mídias que traduz (e assim modifica) os próprios textos. A filosofia da fotografia, por exemplo, seu livro de maior projeção, foi escrito em alemão (e hoje é tomado como base pras outras traduções). Só que o próprio Flusser traduziu (modificando e arredondando) o texto do alemão pro português, sob o título A filosofia da caixa preta.

Não é à toa que um dos grandes temas do Flusser seja a escrita. O trabalho que eu apresentei no Colóquio Leitura e Cognição tenta tocar justo nessa veia de que as imagens técnicas (video) estão cada vez mais empurrando a palavra escrita pro escanteio.

No aeroporto, comecei a ler o Memória do Iván Izquierdo:

"O próprio conceito de memória envolve abstrações. Podemos lembrar de maneira vívida o perfume de uma flor, um acontecimento, um rosto, um poema, a partitura de uma sinfonia inteira, como fazia Mozart quando criança, ou um vastíssimo repertório de jogadas de xadrez, como fazem os grandes mestres desse jogo. Mas a lembrança não é igual à realidade. A memória do perfume da rosa não nos traz a rosa; a dos cabelos da primeira namorada não a traz de volta, a da voz do amigo falecido não o recupera. Há um passe de prestidigitação cerebral nisso; o cérebro converte a realidade em códigos e a evoca também através de códigos.
[...]
Existe um processo de tradução entre a realidade das experiências e a formação da realidade respectiva; e outro entre esta e a correspondente evocação. (...) [N]ós os humanos usamos muito a linguagem para fazer essas traduções; os animais não." (p. 20 - 21)

O ponto em que quero chegar é a constatação de que portadores de Alzheimer com ensino superior são mais resistentes à dissolução da memória. O que uma pessoa faz no ensino superior? Estuda. Como a civilização ocidental estuda? Lendo. Flusser chega a afirmar que a civilização ocidental pensa por escrito. Durante qualquer graduação (mesmo que seja de Educação Física ou Artes Plásticas), a exposição ao texto escrito é grande.

De alguma forma, parece que a escrita funciona como muleta da memória. E a muleta traduz o movimento da perna. Claro que não se trata de uma tradução literal, fiel: muletar é diferente de caminhar sozinho.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Santa Cruz do Sul

Estava chovendo a potes quando tirei a foto
No coração da cidade pulsa a catedral
A espinha dorsal carrega o nome de uma figura militar
O pulmão é o parque da gruta
O cérebro fica um pouco distante e cobra mensalide dos estudantes
As fábricas de tabaco ficam ao redor

A variedade de cucas é notória
As pessoas se cumprimentam nas ruas
As calçadas ficam escorregadias quando chove
Os restaurantes se esvaziam perto das 13:00
Sagu de sobremensa é cortesia

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Fofinhas

Na mesa Leitura e Processos Cognitivos, dois trabalhos envolviam leitura nas novas mídias: internet e tablet (Ipad). A discussão que se seguiu, sobre as tecnologias touch, se deu num nível que pressupunha que o Ipad está tão disseminado quanto o celular.

Eu nunca vi um troço desse de perto, mas dizem que faz sucesso na comunidade autista.

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A moça que apresentou sobre processos de leitura na internet comentou, detrás de seu Macintosh, que se a Linguística quiser ter um futuro, precisa reforçar sua interface com a Informática e as Neurociências.

Como se a Linguística de campo, de texto, a aquisição, fonética, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática tivessem sido esgotadas e não oferecessem mais nada de novo.

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A moderadora da minha mesa encerrou os trabalhos da primeira parte da tarde dizendo que "a tecnologia está em toda parte, até mesmo dentro de nós, haja vista o marca-passo".

Será que ela tem essa tem essa tecnologia no coração?

* * *

A conferencista da noite, depois de recontar todas as suas publicações - como chegou às ideias e depois como foi a repercussão dos textos publicados - afirmou que "o ser humano é a criatura mais frágil da face da Terra, e ainda assim sobreviveu ao dinossauro".

Pena que os humanos e os dinossauros não existiram no mesmo período de tempo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Do Velho pro Alegre

Neblina e chuvisco
Kikito, mascote do Festival de Cinema de Gramado
Saí de Porto Velho de avião e depois de muitas horas, muitas escalas, dois aviões e alguns sonhos esquisitos, cheguei em Porto Alegre. Do aeroporto de lá embarquei no ônibus pra Gramado. Minha tia me esperava na rodoviária, minha vó me esperava na sala aquecida. O 39° Festival de Cinema de Gramado não esperou por mim.
Oma
Época de bergamotas, laranjas e limões
Em Gramado fazia muito frio - especialmente pra quem vinha dos 38°C secos de Porto Velho. Mas o cheiro de fogão a lenha misturado com o cheiro das acácias em flor, a pureza do ar molhado e as flores do jardim me fizeram curtir a temperatura baixa.
Fez 12°C na noite de sábado pra domingo: 3 cobertores
Mimosen

Magnólias

Cereja, pêssego ou ameixa?
Helena, de quase dois anos
Helena cresceu, ficou cabeluda e muito falante. Ainda não entendemos o que ela fala, mas ela é bem divertida e esperta.
Invertida 
De Gramado já me despedi, já passei por Porto Alegre e estou em Santa Cruz do Sul, onde começa amanhã o Colóquio sobre Leitura e Cognição.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Deve ser patológico

Devo ter alguma disfunção em relação a números. Minhas contas não batem, anoto medidas que a régua não mostra, me perco em contagens simples.

Logo no primeiro mês depois de entrar na casa, pus o pé na pia do banheiro e levei ao chão a cuba junto com parte do mármore. Durante muito tempo, fiquei com medo de cair pra trás ao ouvir o valor da prancha de mármore e desencanei de consertar o estrago. Passei a usar o outro banheiro da casa. O outro banheiro era até mais interessante: além de ter pia, tem uma descarga ecológica, que puxa a água por baixo, tipo banheiro de avião. Mas daí passei a dividir a casa com o Marcelo. Tomei vergonha na cara e fui na marmoraria.

O preço do metro do mármore nem era de outro mundo, e a vendedora me disse que o mármore branco era o mais vagabundo (palavras dela) que tinha. Mostrei uma foto do mármore pra vendedora e relatei as medidas que eu tinha anotado num caderninho. Algumas medidas eu não sabia, como por exemplo o diâmetro mais longo da pia, já que toda a parte da direita tinha se despedaçado. Mas estimei 38cm.

Ela deu prazo de oito dias pra entrega. Depois de oito dias, consegui um carro emprestado e fui comprar a cuba. A medida do diâmetro maior não batia com a medida que eu tinha informado na marmoraria: 5 cm de diferença. A moça da loja de coisas de banheiro me mandou pra marmoraria com a cuba. Chegando lá, a vendedora agradeceu a visita e disse que tava pra me chamar, já que eu tinha indicado medidas fora do padrão.

No dia seguinte, a vendedora da marmoraria me ligou perguntando como as faixas pretas se encaixavam no mármore: se eram recortadas, encravadas, sei lá. Tirei foto do mármore por baixo e voltei na marmoraria.
Chegando lá, a vendedora me levou na produção. Rodeada de homens escondidos atrás de máscaras, fiquei surda e mergulhada numa nuvem de pó branco. Quando o funcionário pegou a minha prancha, me espantei com o tamanho dela: era muito maior do que eu esperava. E se fosse instalada do jeito que tava, não daria pra sentar na privada. O papel das medidas foi recuperado, o mestre veio, gente foi aglomerando e eu tentava falar com as mãos, pra driblar o barulho. Decidiram que um funcionário tinha que ver com os próprios olhos o que tinha nas fotos que eu tava mostrando.

- Eu tô de bicicleta.
- Tudo bem, eu também.
- Minha casa é lá no Cohab e a gente vai pedalar 5 km.
- Tem problema, não.

Ele veio pedalando a Barra Forte azul dele na minha frente (furando todos os faróis). Olhou pra pia e entendeu que a prancha de mármore tinha um metro, não um metro e meio. Que vergonha... Duas das sete medidas que forneci estavam erradas. Só conseguiram fazer a peça quando receberam a cuba e quando o funcionário veio medir o mármore aqui em casa.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um mês em casa

Mustafá chegou em casa faz um mês. Veio de bicicleta, via veterinário. Chegou com virose e ficou instalado no quarto de hóspedes enquanto tomava remédio. A vida da casa mudou completamente quando abri aquela porta.

Só duas janelas ficavam abertas pra Akari, que logo sacou que é melhor ficar fora da casa do que passar o dia sendo perseguida por um filhote louco pra cravar as unhas afiadas em tudo. Todavia, quando lá fora é mais quente que dentro da casa, os dois se abraçam, rolam pelo chão e tufinhos dos pêlos da Akari flutuam pelo piso.

Aos poucos, Mustafá entende o conceito de carinho - que por definição exclui garras e dentes afiados. Ultimamente ele não tem mais se enganchado no meu mosquiteiro, me expondo aos mosquitos, e tem respeitado o meu sono. Mas ele continua tirando plugs da tomada (principalmente do computador), derrubando o potinho de água enquanto demarca território, comendo a ração da Akari (e vice-versa) e crescendo. Na verdade, ele dobrou de peso (está com 1,4 kg) em um mês.

sábado, 6 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Malabarista

Mustafá: malabarista
Eu: arranhada

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O resgate vem com ar condicionado

Ontem de noite seria apresentado o segundo documentário da Mostra Marília Rocha no SESC (A falta que me faz). Marcelo chegou em casa a tempo de decidir se ia ou não no SESC. Pensamos qual era o melhor jeito de ir: de ônibus ou de bicicleta. Seria um ônibus só, que passa a cada 20 minutos a duas quadras daqui e nos deixaria na porta do SESC. Contudo, dois fatores contavam a favor da bicicleta: o tempo que demora pra chegar no outro lado da cidade é o mesmo que o ônibus demora (pelo menos quando eu pedalo a Amarilda); e eu precisava comprar ração na pet shop perto do SESC (porque só lá tem a ração dos meus gatos), que não fica no trajeto do ônibus.

Fomos de bicicleta. Eu de Amarilda, Marcelo de Laranja Mecânica. Escolhi um caminho plano, tendo em vista o fato de que a bicicleta que ele tinha era mais pesada e não tinha marcha. Chegamos 8 minutos atrasados no SESC. Depois do filme, as duas bicicletas tinham ganhado um companheiro no bicicletário normalmente vazio (e inacessível por causa das motos estacionadas na entrada do bicicletário: faroeste...).

Tinham dito que tinha uma outra mostra, de curtas, na praça Madeira-Mamoré. Colocamos a praça na nossa rota e vimos dois curtas esquisitos. Pegamos a 7 de Setembro e entamos na Campos Sales. Na subida, chegando no cruzamento com a Almirante Barroso, percebi que o meu pneu de trás estava furado. Era o segundo furo na mesma semana. Desci e empurrei, Marcelo me acompanhou. Descemos e subimos e descemos e subimos aquela avenida sem calçada, em que o mato seco beira o asfalto irregular nas bordas. Pelos meus cálculos, tínhamos 6km de chão pela frente.

Antes do trevo da Eletronorte, uma pickup com caçamba grande parou na beira da estrada. Pressenti um resgate, cuja aceitação eu negociaria com o Marcelo. Quando chegamos perto, ouvi:
- Oi, professora! Quer ajuda?

O motorista tinha sido meu aluno exatamente dois anos atrás. Botamos as bicicletas na caçamba e voltamos pra casa no ar condicionado da cabine. Pra ele, que é obeso, a imaginação de Marcelo e eu empurrando bicicletas de noite até o Cohab era aterrorizante. Eu fiquei impressionada que ele me reconheceu de costas, de noite; e com a solidariedade dele.