sexta-feira, 23 de junho de 2017

Aqui!

A primeira palavra da Agnes (fora papa, mama ou ) é aqui! Especialmente quando eu visto mangas compridas nela, pergunto:
- Cadê a mão da Agnes?
Ela responde:
- Aqui!!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Hospital

A primeira vez que levamos a Agnes no hospital foi no dia 04 de junho, porque desde o dia anterior ela estava com febrão (38,6). O pediatra de plantão pediu hemograma e raio-x (porque de tanto a menina chorar com o estetoscópio, ele não conseguiu ouvir o pulmão dela). Passamos a manhã toda no hospital e o diagnóstico foi inconclusivo: tem uma inflamação, mas não sabemos de que. Os pulmões estão limpos, então não é pneumonia. No final da consulta, Agnes enfiou dois dedos nos cantos da boca e mostrou os dentes novos nascendo. O pediatra de plantão assumiu que todos os sintomas podiam levar à erupção dos dentes. Pediu que eu coletasse a urina dela e descreveu o coletor como um saquinho embutido numa fralda.

Não achei esse coletor em nenhuma farmácia. Eles não sabiam do que eu estava falando. Comprei um termômetro que funciona com sinal infravermelho, porque dá o resultado imediatamente. Agnes tem pavor de estetoscópio, termômetro, nebulizador, salsep, dedo com gel que se aproxima do rosto dela e avental branco.

A febre alta permaneceu por 5 dias. Administrávamos paracetamol para baixar a febre, mas o efeito só durava 3 horas. Como ela estava com o nariz entupido, não conseguia dormir. Voltamos ao hospital e o diagnóstico foi que era gripe, porque era isso que tava dando em todo mundo. O pediatra de plantão ensinou a lavar o nariz dela com injeção de soro fisiológico e previu que teríamos mais uns dias de febre pela frente. Explicou que o coletor de urina é distribuído no laboratório do hospital. Peguei dois. Perdi os dois, porque aquilo é um adesivo que não pode ficar muito tempo na genitália da criança. Uma vez ela fez xixi e tudo foi pra fralda, outra vez não fez.

Nenhum pediatra acreditava que não estávamos conseguindo alimentar a nossa filha. Ela rejeitava tudo, cuspia, se defendia com as mãos, virava o rosto, vomitava. Sim, ela enfiava os dedos na goela e vomitava.

Daí ela teve diarreia e vômito, febre alta, nariz escorrendo e a gente não conseguia dar comida nem bebida pra ela a não ser que fosse na injeção. Comida virava caldo e ia pra injeção. Terror total. Voltamos pro hospital. O pediatra de plantão disse que é assim mesmo e nos dispensou. Continuei tentando coletar urina da Agnes, mas ela fazia muito pouco xixi.

Luis pediu ajuda pra Berenice, que garantiu um encaixe com uma pediatra de confiança dela. A consulta foi longa, e ela reparou que um ouvido estava avermelhado. E de novo vieram receitas de maçã, banana, bolacha maizena. Insistiu que coletássemos urina e disse que toda farmácia vende os saquinhos coletores.

Comprei os saquinhos coletores e continuei não conseguindo coletar urina, até ter a brilhante ideia de botar na Agnes uma fralda de pano (que não usamos mais, porque 14 delas rasgaram subitamente depois de 1 ano de uso). Quando ela finalmente fez um xixizinho, torci o absorvente pra dentro do saquinho coletor. Levei no hospital.

A febre da Agnes continuava alta, portanto fomos os três de volta ao hospital. Antes de sermos atendidos pelo pediatra de plantão, busquei o resultado do exame de urina: infecção urinária. Com esse resultado na mão, a pediatra de plantão perguntou se queríamos internar nossa filha. A alternativa seriam 5 injeções intramusculares de antibiótico. Mas o plantão dela estava terminando, então ela nos passou pra outra pediatra de plantão. Essa, por sua vez, esclareceu que 5 injeções na bunda eram piores que dois saquinhos de antibiótico na veia por dia. E internar tinha outra vantagem: soro, já que Agnes estava desidratada.

Internamos na noite do dia 15. Luis voltou pra casa pra dormir porque estava com conjuntivite. Eu dividi a cama de hospital com a Agnes. Na noite de sexta, esqueceram nossa janta. Luis reclamou e veio. Depois entramos na rotina do hospital, aprendemos o jargão usado e nos acostumamos com a comida, o espaço, a falta de sono. Percebemos que Agnes não teve dificuldade para ignorar o braço direito, em que estava conectado o soro. Usava os pés e a mão esquerda.

Na primeira visita, o pediatra diagnosticou uma inflamação nos ouvidos. Somando tudo, temos erupção dos dentes, gripe, infecção urinária e otite. E tudo isso não começou depois que internamos, só não foi diagnosticado.

Na segunda noite, Agnes acordou chorando à 1 da manhã. Tudo em volta dela estava molhado. A fralda não deu conta de segurar aquele soro todo. O enfermeiro de plantão me ajudou a trocar a Agnes e a cama. 4 horas e meia depois, a cena se repetiu. Pouco depois, o pediatra visitador passou. O pediatra visitador só passa uma vez ao dia e ainda estava escuro e eu morta de sono.

Gradualmente, Agnes foi se interessando por comida. Comeu meia fatia de pão pela primeira vez na vida (antes só comia pedaços bem pequenos), gostou da bandeja com compartimentos diferentes e chegou a pedir comida.

Na manhã de sábado fomos informados que havia surgido uma vaga na ala pediátrica e que subiríamos para o terceiro andar. Imediatamente ficou claro que não havia padrão entre os enfermeiros no tocante a soro e acesso (onde o soro/antibiótico é conectado na pessoa). Uns tiravam os fios e tampavam o acesso pra gente tirar a roupa dela e dar banho, outros passavam o saquinho de soro pela manga da camiseta. Uns aceleravam o pingamento, outros retardavam. Uns colocavam um controlador de velocidade de gotejamento intermediário, outro ia lá e tirava.

Aí a enfermeira viu que o braço em que estava instalado o acesso estava inchado. Era preciso encontrar outra veia. Tentaram o pé, não deu, ficaram com o braço esquerdo. O problema era que Agnes chupa dois dedos da mão esquerda pra se acalmar. Nessa noite eu fui pra casa, dormir. Luis e Agnes dividiram a cama do hospital e foram acordados às 4 da manhã para coletar sangue.

Pouco antes do domingo anoitecer, o pediatra visitador passou. Olhou o hemograma e deu alta - com o compromisso de continuarmos dando antibiótico via oral a cada 12 horas por mais 7 dias.

Em casa, Agnes está bem melhor. Comida e bebida continuam sendo um desafio.

domingo, 11 de junho de 2017

Pra mim?!

Recentemente Luis desenvolveu uma compulsão por comprar livros online. Isso teve como consquência que o carteiro vem aqui pra casa no mínimo duas vezes por semana, sempre trazendo pacotes pesados para o Seu Luis. Em alguns pacotes vinham livros pra Agnes, pra mim, pro futuro, pra resolver anseios urgentes de leituras programadas há anos.

Uma vez o carteiro disse que logo precisaríamos de estantes novas. Eu lhe segredei que meu marido tinha gasto quase todo o salário em livros. Riu desacreditado.

Já aconteceu mais de uma vez de interceptarmos o carro amarelo dos Correios quando saíamos do condomínio. E tinha livro pro Luis e o carteiro nem pedia o RG porque já nos conhece.

Ontem o carteiro que vem de bicicleta me entregou um pacote. Li quem era o destinatário e me surpreendi: Pra mim?! O carteiro riu e disse que finalmente tinha chegado um livro que não era pro meu marido. Olhei o carimbo e vi que era da Holanda. Imaginei que fosse o livro organizado pela Esther Pascual e Sergeiy Sandler sobre interações fictivas em que Christine e eu temos um capítulo sobre interações fictivas na fala de sujeitos com afasia.

Quando abri o pacote, outra surpresa: era a tese da Christine.
No final do livro tem um currículo em que consta que ela começou o doutorado em 2003. Dentro do livro tem um convite pra defesa, que foi no dia do meu aniversário. Essa moça passou 14 anos fazendo doutorado: teve dois filhos no percurso, trabalhou como fonoterapeuta, lecionou na universidade e conseguiu publicar comigo aquele texto que começamos a escrever em 2006 ou 2007 (quando eu estive na Holanda, sob orientação do Kolk e ela também). Nos agradecimentos, estou eu lá, como alma gêmea da pesquisa. Que honra!

E achei curioso que ela tem uma sessão de capítulo sobre construções de tópico-comentário - que estão nos nossos dados do capítulo que escrevemos sobre interações fictivas, mas que só entraram na roda porque eu identifiquei essa construção nos meus dados, em 2006. Até então, Kolk, nosso orientador, descrevia uma ordem de palavras caótica. Christine ficou encantada com a possibilidade de ver sistematicidade onde ele via desordem. E passou a enxergar construções de tópico nos dados dela também.

Esses dias, Rosana, minha orientadora no doutorado, me mandou um texto do Kolk com uma leve suspeita: vocês divergem, não? Sim. Tanto eu como Christine nos aventuramos nas bordas da Teoria da Adaptação. Inclusive eu vou para um congresso no mês que vem, defender que se abandone o termo 'fala telegráfica' para descrever a fala afásica, porque, comparada a um telegrama, ela apresenta características próprias. Talvez esse rompimento intelectual com o orientador tenha dado a ela a sensação de que somos almas gêmeas da pesquisa.

Em todo caso, fico muito feliz por ela (nos correspondemos há mais de 10 anos). Esse belo livro encerra uma longa etapa da vida dela e é um ótimo presente pra mim.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Hashi

Quando eu saí de casa, Luis tava ensinando a Agnes a comer com palitinhos.

Depois ele me contou, maravilhado, como ela tem boa coordenação para espetar macarrão. É, Agnes está desafiando nossa criatividade no quesito comida. Principalmente quando estamos os dois na mesa junto com ela, é complicado oferecer comida que não seja fruta. Fruta vai bem sempre, independente de qual for. Até maracujá ela come de colher. Mas almoço e janta... tem que ter a temperatura certa, textura agradável e gosto bom. E de preferência tem que ser do tamanho certo para que possa ser espetado no garfo - porque agora ela desenvolveu autonomia para comer com garfo.

domingo, 21 de maio de 2017

Brincadeiras sensoriais

Nem Agnes nem eu estamos nessa foto.
Maternar e Brincar ofereceu essa oficina de brincadeiras sensoriais hoje de tarde no espaço de eventos chamado Quintal. E é mesmo um grande quintal. Gabrielle, do Maternar e Brincar, dispôs tintas à base de cenoura, beterraba e espinafre ao lado de painéis no chão, dependurou garrafinhas de água com grãos/sementes dentro; e espalhou muitas bacias de coisas pelo gramado.
Nas bacias tinha terra, lama, água e pedras brancas (uma cinza no meio), água e folhas de hortelã, cascas de árvore, buritis, caroços de tucumã, folhas e flores de caju, folhas secas, ouriços de castanha do Pará. Agnes gostou dos buritis, reconheceu os caroços de tucumã, conseguiu equilibrar três pedras brancas em cada mão e ainda alcançar a pedra cinza e fez a festa na bacia de água com folhas de hortelã. Ela batia na água como faz aqui em casa, na banheira ou na bacia. Ela foi quem mais se molhou. Teve um momento que quatro outras mães trouxeram seus bebês praquela bacia. Foi água gelada na cara de todo mundo. E Agnes feliz da vida.
Agnes e eu estamos nessa foto.
O que Agnes mais gostou de fazer (além de se esbaldar na água) foi sentar na grama e puxar as folhas de grama.

As brincadeiras não foram guiadas, ou seja, cada par de mãe e criança era livre para explorar o espaço novo. A única regra era: "mães, permitam que seus filhos explorem, experimentem, se sujem." Algumas mães tiveram que dar banhos extensos em seus filhos enlameados... Eu tive que trocar Agnes duas vezes por causa da água.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Asilo e medicamentos

É a segunda vez que "acaba um medicamento que Harro toma" que eu nunca fiquei sabendo que tomava. Na primeira vez, foi o Memantina, indicado para Alzheimer. De repente fui informada que acabou o Memantina. Harro não tinha diagnóstico de Alzheimer na época, nem receita pra tomar remédio para Alzheimer.

Fiz com que ele fosse submetido a exames; e um enrugamento do cérebro, característico da senilidade, "comprovou" que ele tem Alzheimer. O neurologista que atestou que Harro tem Alzheimer receitou dois remédios pra Alzheimer. E não são baratos e deixam a pessoa "mais tratável" - pra não dizer meio dopada.

Insisti que ele tomasse apenas o Memantina.

Agora acabou o Carbamazepina - que eu nem sabia que ele tomava. Para os ossos, a enfermeira-chefe disse. Olhei no Google e vi que se trata de mais um neurotrópico, indicado para crises de abstinência alcoólica, epilepsia, transtorno bipolar etc. Perguntei se era isso mesmo, e a resposta foi que ele sempre tomou esse medicamento, desde que entrou no asilo, por causa da herpes que ele teve. Meu pai teve herpes? O médico foi chamado por whatsapp e foi feita uma lista de remédios que poderiam ser tomados para aliviar a dor.

Ossos, herpes, dor. Mais um medicamento cujo efeito colateral mais comum é sonolência e que Harro toma desde sempre, mas eu não sabia. Fico sabendo quando acaba no posto e tem que comprar. Outra hipótese é que muitos medicamentos sejam comprados/buscados no posto para todos os idosos do asilo em pacote. Isso explicaria como Harro tomou Memantina e Carbamazepina sem receita por dois anos.

Eu sei que os médicos ganham comissão pelos medicamentos que receitam. Nesse sentido, trabalhar para um asilo deve dar muito dinheiro. Não só pelos medicamentos para Alzheimer, mas todos os outros, de pressão a depressão.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Documento perdido

Num sábado desses, fui no mercado central levando no bolso da calça a carteira de motorista e o dinheiro necessário pras compras. Fiz as compras e voltei pra casa. Guardei as compras e o troco. Senti que faltava alguma coisa: a carteira de motorista. Depois do almoço, voltei no mercado pra perguntar se alguém (dentro do mercado) tinha visto a minha carteira de motorista. Nada.

Muito tempo depois, fui fazer B.O. da carteira perdida. Luis me explicou onde fica a delegacia mais próxima e fui lá. Só a carcaça da delegacia. Nem cadeira nem mesa dentro. Simplesmente abandonada. Lembrei da outra delegacia no Cohab e fui lá. Mesma coisa.

Liguei pra Polícia e a moça atendeu dizendo "flagrantes". Perguntei se eu podia fazer B.O. lá, onde ela estava. Não podia. Perguntei o que tinha acontecido com as duas delegacias em que eu tinha ido e ela me disse que houve uma mudança, mas ela não sabia dizer onde era a nova delegacia. Só tinha o número de telefone. Liguei e ficou chamando até eu entender que esse era o número antigo da delegacia desativada. Retornei pros flagrantes e ela lembrou que tinha uma UNISP atrás da Faculdade São Lucas.

Na fachada está escrito apenas UNISP central, sem explicação de que se trata de uma Unidade Integrada de Segurança Pública. Todas as polícias foram aglomeradas num prédio que, segundo o delegado que me atendeu, já está caindo aos pedaços. Eu só concordava, enquanto ele desfiava o rosário de reclamações. Porto Velho tinha 8 delegacias. Em vez de construir mais duas, que precisa, construíram quatro prédios mal planejados pra abrigar duas delegacias (em cada) mais todas as polícias (militar, civil, marinha, aérea). Aí fica cada um no seu quadrado e não tem integração nenhuma, só no nome. Quem fez isso aqui não pensou nas necessidades do servidor da Polícia. E não teve nenhuma consulta à população ou aos servidores. Simplesmente amontoaram a gente aqui nesse prédio que nem parece Polícia. Nós parecemos uma faculdade. Paulista ainda por cima... Olha essa sala, toda grande e aberta. A pessoa vem registrar um estupro e todo mundo que tá na fila fica ouvindo; daqui a pouco o sujeito tá dando opinião! Tinha que ter um lugar mais reservado pra fazer qualquer boletim de ocorrência.

Saí de lá com o coração pesado. No meu aniversário eu inventei de fazer B.O. Quando olhei no papel, mais um suspiro: metade das informações sobre mim constavam como "não informado" - porque ninguém me perguntou onde moro, qual a minha profissão etc. A vítima, inclusive, constava como "não presente". O parágrafo anterior prova que estive lá. O último golpe foi ver a minha idade: 38 anos. Era o dia do meu aniversário, ou seja, o dia em que eu completava 39 anos.

Mesmo não concordando bem com o B.O., resolvi andar com ele na carteira até tomar coragem de ir na auto escola. Daí o Luis foi no mercado. Ao sair, perguntou pro guardador de carros se ele tinha visto uma carteira de motorista perdida. Vi, sim. A carteira de motorista da minha mulher? É dela, sim, eu vou pegar. E não é que trouxe a minha carteira de motorista? Eu teria devolvido pra ela, mas ela nunca mais voltou aqui. Luis rapou todos os trocos de dentro da carteira. Nessa altura, todos os moradores de rua da região do mercado estavam em volta, agradecendo e comemorando que o documento perdido tinha sido recuperado e que o almoço de todos tava garantido.

domingo, 16 de abril de 2017

1 ano de vida!

Inaê, Brena, Betânia (atrás), Thaís (segurando a Agnes), Suellen e Ingrid.
O primeiro aniversário da Agnes coincidiu com a Páscoa. Por isso, fizemos a festa um dia antes. Na véspera da festa, Luis e eu ficamos na cozinha até tarde da noite. Fiz uma torta vegana pra Agnes que fez mais sucesso que o bolo de morango de dois andares. Mas o campeão mesmo foi o bombom de uva.
Bolo vegano sem açúcar ou glúten
Sabíamos que Agnes gosta muito de flores, especialmente da cor roxa. Na quinta-feira, deixamos Agnes com a Rose e entramos os dois no carro. Luis me perguntou quando foi a última vez que saímos de casa só os dois. Isso foi antes da Agnes nascer. Fomos em diversas floriculturas e enchemos o porta-malas de flores. No dia da festa, arranjamos os vasos numa estante e a cobrimos com uma toalha. Depois de cantar o parabéns, Luis tirou a toalha. Foi tão bonito de ver a surpresa e alegria da nossa pequena.

No total, vieram bem umas trinta pessoas, mas cada um a seu tempo. Teve gente que veio antes de tudo e só deixou presente pra Agnes, e teve gente que veio só depois que todo mundo tinha terminado de comer a sobremesa.
Paula, mãe da Paula, Priscila, Nayara segurando a Agnes, eu e Luis.

Mesmo que ela não se lembre depois, foi uma festa em que ela se sentiu muito à vontade.

domingo, 9 de abril de 2017

Nós duas

Minha mãe e eu

Eu e minha filha

quarta-feira, 5 de abril de 2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

Aquisição de linguagem: observando a Agnes

Gestos

Antes de enunciar palavras em língua portuguesa (ou alemã), Agnes fez gestos significativos. Enquanto a minha primeira palavra - segundo o relato da minha mãe - foi "nein" (não), o primeiro gesto da Agnes foi balançar a cabeça em sinal negativo. Recentemente aprendeu a balançar o dedinho indicador para mostrar que sabe muito bem que "não pode" fazer o que ela está fazendo. E faz e repete e ri e balança o dedinho.

Quando a gente diz qualquer uma das variantes de "não" (por exemplo /'á 'á/, tsc, tsc, /mh mh/), ela ou balança a cabeça ou o dedinho.

Agnes conquista corações dando tchauzinho, pedindo pra vir e mandando beijos que começam com a imitação de um peixe.

Moramos na rota dos aviões que chegam a Porto Velho. Toda vez que passa um avião, ela assopra e estica o braço pra frente e traz a mão aberta até a altura da cintura.

Quando a comida está quente ou ela vê o fogo (no fogão ou na churrasqueira), ela também assopra.

Vocabulário ativo

Ela já disse "mama" e "papa" algumas vezes, mas nunca nos contextos certos, ou seja, não nos dá a impressão de que conhece o significado e uso dessas palavras. Mas tem uma palavra - que ela mesma inventou - que ela usa sistematicamente: "mé". E quando ela tá com muita fome, querendo muito mamar, ela enfatiza o [m]: mmmmmmmmé!

Meu marido nunca me chamou pelo nome. Agora, ao lado de "mô" e "meu bem", eu também sou "memé".

Vocabulário passivo

O colo do pai dela é o melhor lugar no mundo. Quando eu estico os braços na direção dela, fazendo menção de pegá-la, ela se agarra nos ombros do pai. Só uma coisa convence a menina a deixar o colo do pai: "vamo mamá?"


domingo, 26 de março de 2017

Yes, temos bananas

É o mesmo cacho (penca), visto de ângulos diferentes. Essa é a banana comprida, da terra ou de fritar.
Um ano e meio atrás, encomendamos uma mesa e quatro cadeiras de madeira. A marcenaria fica na Rua Venezuela, onde morei os primeiros meses em Porto Velho. O rapaz me deu prazo de um mês pra fazer as cadeiras e a mesa. Terminado o prazo, fui lá. Não tavam prontas porque deu problema na serra. Uma semana depois, liguei. Não tavam prontas ainda, porque deu problema na lixadeira. Outra semana depois, fui lá de novo. Faltava pouca coisa pra terminar o serviço. Quando fui lá pela terceira vez, levei as cadeiras e a mesa.

Constrangido, o rapaz me perguntou se tinha como compensar a gente. Eu disse que tinha, sim: me dando uma muda de banana. Me deu duas mudas de banana prata e duas de banana comprida. E agora temos bananas!!!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Preço e valor

Fomos comprar uma cadeira de alimentação pra Agnes porque a de plástico que ficava em cima da mesa estava ficando perigosa. Depois que Agnes descobriu que tem pernas, começou a se empurrar pra trás, sentada na cadeirinha. O risco de tombar pra trás era grande.

As cadeiras mais caras apresentavam etiquetas com preços em torno dos R$ 600,-. As mais baratas custavam metade disso e todas eram de plástico. No canto da loja, vimos uma cadeira de madeira, dessas que tem em restaurante. Não tinha etiqueta de preço e estava meio torta, mas aos nossos olhos, valia mais que as de plástico. O vendedor foi conferir o preço e constatou que a cadeira de madeira custava um pouco mais da metade que a de plástico mais barata. Nossa reação foi de surpresa e ele explicou que é porque as de plástico têm marca. Isso agrega valor e assim aumenta o preço.

Na mesma loja, procuramos sapatinhos pra Agnes. O primeiro desafio foi descobrir qual é a numeração do pé dela. O segundo - e muito mais complicado - foi encontrar um calçado que não tivesse brilhantes, fitas, corações ou fosse cor de rosa. Naquela loja não tinha nenhum calçado normal, neutro, que não fosse sexy - ou pelo menos feminino. E assim a criança aprende desde cedo os valores da sociedade.

quinta-feira, 16 de março de 2017

11 meses

De presente de 11 meses, Agnes ganhou um quarto. O antigo quarto de hóspedes foi esvaziado e ganhou uma (bi)cama de solteiro, um tapete imenso, trocador e cômoda. Como esse quarto é mais vertical que a sala (tem muito mais opções pra se segurar em pé), Agnes está se exercitando bem mais. Engatinha entre cama e trocador, se põe de pé e tenta abrir as gavetas. Colocamos um colchão no chão, então ela dorme embaixo e eu em cima. Quando ela acorda, ou eu desço, ou ela sobe e continuamos dormindo juntas.

Pra que a cama de casal - que estava no quarto de hóspedes - tivesse espaço no meu escritório, tivemos que mudar estantes de livros e muitos livros. Duas estantes foram pra sala, e assim Luis aproveitou para colocar os livros dele em ordem também.

Criar um ambiente novo na casa provocou uma grande revolução!

quarta-feira, 8 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Pernas, pra que te quero!

Agnes Maria já anda - mas com ajuda. Ela já coloca pé ante pé e muitas vezes nos dá a direção.
E quando ela consegue se segurar em alguma coisa, ela fica em pé numa boa. Balança um pouco, mas não cai. As pernas estão se acostumando com novas tarefas.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Humaitá

Perguntei pro Luis o que a gente ia fazer no sábado de tarde. Ele respondeu: passear. Pensei no Parque Ecológico, no Parque Circuito, até no shopping. Mas não imaginei o que ele tinha em mente. Ele disse que Humaitá fica a 2 horas daqui. A placa informa que são 189 km. Saímos de casa às 15h e pegamos o estradão retão em terreno ondulado.
Humaitá tem dois campi universitários: UEA e UFAM. Duas universidades públicas numa cidade tão pequena. E tem mais de uma praça e tem uma beira-rio. Enquanto Porto Velho está de costas para o Madeira, Humaitá dispõe bancos de praça na frente dele, pra que as pessoas possam acompanhar o que acontece no rio Madeira.
Tomamos açaí (bem melhor que o daqui, porque não tem gosto de xarope de guaraná) e depois deu vontade de jantar. Comemos um tambaqui minúsculo - a julgar pelo tamanho das costelas. E aí, já escuro, era pegar a estrada de volta. A estrada era bem sinalizada. O medo era a gasolina acabar. Fomos com meio tanque, e pela lógica a outra metade do tanque deveria ser suficiente pra voltar pra casa. Mesmo assim fiquei preocupada a viagem inteira (porque não há nenhum posto de gasolina no trecho). Fiquei tão aliviada quando vimos as luzes da cidade de Porto Velho, que acho que nunca senti essa emoção antes.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Que Maravilha!

A gente só ia buscar uma coisinha esquecida na casa do Seu Arnaldo. Acabamos sentando pra tomar café e comer tapioca e bolo. Como dali a gente ia na casa do Jairo, buscar outra coisa deixada muito tempo atrás, Luis pediu pro Seu Arnaldo separar um pé de João Gomes (que ele chama de carirú), que pegaríamos na volta.

No sítio, fomos juntando jambo, cupuaçu caído no chão e limão; pegamos a assadeira e a tábua. Ainda passamos no Damian, sentamos, tomamos outro café e voltamos no Seu Arnaldo que estava nos esperando com essa fartura da foto.
Cheiro verde, espinafre (na bacia rosa), couve, chicória, pimentas variadas, quiabo, manjericão, João Gomes e farinha torrada ontem. Perdemos a feira de sábado e de domingo, mas fizemos a feira no Maravilha.

Audiência Pública Comunitária

 
Ontem Agnes participou da primeira audiência pública comunitária da Comunidade Maravilha. Como há um trecho da estrada da beira que oferece perigo iminente de desbarrancamento, fomos até o km 4,5 e demos a grande volta por trás, passando inclusive pela fundiária do Jairo.
Mesmo chegando tarde, não fomos os últimos a chegar. Chovia e não tinha luz. Microfone e caixas de som se tornaram obsoletas e o esquecimento da impressora deixou de ser trágico. As pessoas foram se achegando aos poucos. Quando vieram as autoridades da prefeitura, a audiência começou e foi conduzida por dois jovens da Comunidade Maravilha.
Uma audiência é um momento de se ouvir. E a comunidade se organizou para falar o que afligia as famílias:
  • desde a cheia de 2014, ainda há pessoas morando em barracas, com medo de construir casa nova e a Defesa Civil tirar, porque depois da cheia tudo às margens do Madeira foi batizado de área de risco;
  • uma área atrás do lago Maravilha, destinada a um assentamento para desalojados da cheia de 2014, está sendo ocupada por pessoas que estão praticando roubos, furtos, largando lixo e poluindo o lago;
  • a estrada da beira está desbarrancando progressivamente por causa das balsas e barcos que aportam nas margens do rio;
  • energia é um problema;
  • o fornecimento de água mineral pela Defesa Civil foi interrompido;
  • a especulação imobiliária está esticando seus braços em direção à margem esquerda do rio, que é APA (Área de Proteção Ambiental) - e os ribeirinhos não necessariamente possuem título das terras.
 
O prefeito mesmo não veio, mas duas secretarias importantes (Meio Ambiente e Assistência Social) se fizeram presentes, além da Defesa Civil municipal, Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo de Estado e EMATER.
Nesse formato de audiência convocada pela comunidade, a comunidade se manifestou primeiro. Em seguida, representantes de entidades como CPT, Madeira Vivo, Igreja Católica, UNIR e Coletivo Popular Direito à Cidade reforçaram o apoio à comunidade, declarando suas alianças com a comunidade Maravilha na frente das autoridades do governo (da cidade e do estado). Por fim, os representantes do governo assumiram o compromisso de resolver ou ajudar a encaminhar as demandas da comunidade. Ficou acordado que é preciso formar uma comissão/associação da comunidade Maravilha que seja independente e representativa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Objeto: livro

Foucault é uma boa base para ficar de pé

Intimidade com gramáticas e dicionários desde cedo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Quando a nossa visita vira visita do nosso amigo

Philip na casa do Damian
Finalmente meu irmão veio nos visitar. Em 2014 ele já esteve no Brasil, com passagem pra PVH, mas desistiu de última hora e voltou pra Alemanha antes do planejado. Em outras palavras, ele me devia essa visita há tempos. E quando ele veio, perguntamos a ele se queria passar uma noite na floresta.
Luis e Agnes
Ele topou na hora. Eu não estava bem (eu tinha tomado três tigelas de açaí que tava saindo como entrou, fora a gripe que me pegou) e achei que não seria confortável pra Agnes dormir na casa do Jairo. Como eu estava mal, Luis teve medo que eu não conseguisse cuidar da menina. Damian convidou o Philip para dormir lá e assumiu o nosso hóspede.
Philip e Damian
Debaixo de chuva, voltamos lá na manhã seguinte com um bolo de milho. Tinha chovido grande parte da noite e toda a manhã. Me senti mal de deixar o meu irmão assim, no meio do mato, com um sujeito que recém tinha conhecido. Mas ele tava feliz da vida. Tinham feito trilha na floresta de noite, apagaram todas as luzes e escutaram os sons da mata. Philip disse que se sentiu numa catedral.

Meus dois amores

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Monitoramento do rio Madeira

Fonte: CPRM. Clicando na imagem, ela aparece maior
O rio Madeira sai da calha quando a cota chega a 14 metros. Atualmente o rio está (em Porto Velho) na cota 12. O gráfico acima, coletado na CPRM, mostra que o nível do rio (linha azul) se manteve na cota 10 até a noite do dia 11 de janeiro. As linhas pretas verticais na parte superior do gráfico indicam o volume de chuva. Pouca chuva pra muita elevação de nível.

No dia 30 de dezembro de 2016, o Ibama autorizou a elevação da cota da usina de Santo Antônio de 70,5 para 71,3m, para que as 50 turbinas instaladas possam funcionar melhor. O plano original prevê 44 turbinas e cota 70,5m. O Gerente de Operação da SAE disse pra câmera que durante a cheia de 2014 a cota de 70,5 m foi mantida. Elevação de cota significa mais água armazenada, mais energia e mais área alagada a montante (antes da barragem). Entre os dias 03 e 10 de janeiro ocorreu grande estabilidade no nível do rio Madeira a jusante: a usina estava segurando água para chegar na cota 71,3. Pra subir 80 cm na régua da barragem, é preciso acumular água por uma semana!

O Diário da Amazônia de hoje traz uma matéria sobre aumento anormal de chuvas. Não menciona o nível do rio. A cidade está voltada de costas para rio.

O aumento do nível do rio Madeira está acontecendo muito rápido. De ontem pra hoje subiu um metro. De ontem pra hoje choveu 10 milímetros. O jornal prepara o leitor pra chuvas que virão, a usina comemora o aumento da cota. Não encontro boletins de monitoramento nem na ANA nem na CPRM, apenas informes diários. É preciso fazer o exercício de juntar esses fragmentos e entender o cenário que se desenha: risco de outra cheia - e não é por causa da chuva. Quem controla o rio Madeira não é o clima, mas as duas usinas hidrelétricas instaladas nele.