quarta-feira, 16 de agosto de 2017

The long way home

Agnes conseguiu dormir em todas as viagens de avião, inclusive nesse bercinho acoplado à parede da cozinha do avião que cruzou o oceano. O berço era bem do tamanho dela e ela tinha pouco espaço para se virar, esticar e dobrar.

Ficamos muitíssimo aliviados ao saber que mesmo tendo sido comprados em separado, os voos de Bremen a Frankfurt e de Frankfurt a Guarulhos podiam ser conjugados. Isso significava então que as nossas malas foram despachadas em Bremen e não tiveram que ser resgatadas e despachadas em Frankfurt, mas seguiram direto pra GRU. Não era só a questão prática, mas também o tempo: tínhamos pouco tempo em Frankfurt e aquele aeroporto é imenso.

Em São Paulo pegamos (eu pela primeira vez) um Uber pra casa da Olga. Que viagem... O cara perguntou se eu sabia o caminho, eu disse Marginal Tietê, Pinheiros, Interlagos e sobe pro bairro. Ele decidiu seguir as instruções do GPS. Fomos margeando toda a periferia da Zona Leste, feia e sem verde, cheia de buracos e quebradas. Daí saímos em Diadema, margeamos a represa Billings e quando eu me localizei, porque lembrei do caminho que se fazia pra casa da Fini Polzer (que fazia o melhor Apfelstrudel de São Paulo), ele pegou outras curvas pra trás e demorou mais meia hora pra sair na rotatória do Hospital Pedreira. Cheguei dizendo pra Olga que trafegamos por caminhos que nem ela conhece.

Essa foi, pra nós, a pior viagem, porque estava claro que o motorista não sabia pra onde estava indo. Custou menos que o ônibus, mas demorou mais que o dobro.

Despedida da casa dos avós

Pouco antes de partirmos de Bruchhausen Vilsen, meus pais ainda tocaram música para Agnes. Minha mãe na clarineta, meu pai no violão, tocaram e cantaram algumas canções, dentre elas uma especial, que eles batizaram de "Canção para Agnes" (Du bist Du).

Deve ter contribuído para acalmar a menina, porque a viagem de volta foi bem tranquila.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Universum

Eu tinha muito boas lembranças do Universum, o museu interativo e científico que fica na Universidade de Bremen, onde estudei por um ano (1999). Luis topou, Philip também, então fomos todos explorar a nova exibição.
Tudo mudou, mas ao mesmo tempo a ideia permanece a mesma. O museu pode ser comparado a um grande parque de diversões, e se aprende brincando.
Agnes logo entendeu a pegada do museu e passou a se divertir, apertando botões e esperando se surpreender.

Foi aqui que ela mais se empolgou e vibrou. Andava e gesticulava, provocando imagens bem psicodélicas.
Gostamos muito da experiência!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Papai chegou!

Oma, Opa, Agnes e papai. Churrasco de comemoração
Havíamos nos separado em Frankfurt: eu segui com Agnes para Bremen e Luis foi de trem a München, visitar a prima e família. E a saudade foi crescendo conforme o tempo ia passando. Ao final de uma semana, Agnes dizia papai papai papai pras paredes.
Minha dupla preferida
Enquanto papai estava longe, Agnes foi dando seus primeiros passos desassistidos, aumentando cada vez mais os percursos e diminuindo as paradas no meio do caminho. Agnes ganhou confiança para caminhar sozinha na casa dos avós. Luis ficou muito impressionado com o desenvolvimento rápido dela.

sábado, 5 de agosto de 2017

Maria-Fumaça

Esperando o trem
Em Bruchhausen Vilsen tem um trem (que faz parte do Museu) que funciona de fim-de-semana. Apita, cospe fumaça fedorenta e fica cheio de turistas da terceira idade.
O trem
Embarcamos e seguimos para Asendorf, a poucos quilômetros daqui. O trajeto durou mais que o previsto e Agnes começou a gritar de fome, mas isso foi na volta. Na ida, ela curtiu as sensações de andar de trem-museu.

Os campos de trigo
As fotos são de Karin Rosenbaum.

No jardim

As fotos são de Karin Rosenbaum.


Brombeeren. Ela gosta mais de Heidelbeeren (mirtilo).

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A bateria da máquina fotográfica

Danke, Ulla!
Eu tinha esquecido o carregador da bateria da minha máquina fotográfica e tirei a última foto (antes da bateria acabar) no zoológico de Frankfurt. Daí a minha tia (Ulla) mandou um zap perguntando se ainda estamos vivos, porque não vinha mais nenhuma foto. Contei do carregador e passei a usar mais o celular.

Na casa dos meus pais não tinha nenhum cabo que fizesse a bateria recarregar dentro da máquina, e o carregador Canon que a minha mãe tinha era de outro tamanho. Fomos na loja de fotografias e máquinas fotográficas de Bruchhausen Vilsen e a moça me disse que não tinha nem cabo nem bateria pra vender, mas que com sorte eu acharia alguma coisa em shoppings de informática tipo Mediamarkt ou Saturn.

Sexta-feira era dia de visitar o Philip em Bremen, então eu podia correr atrás de bateria. Mas não foi preciso, porque de manhã chegou um pacote pelo correio contendo um carregador universal. Minha mãe logo concluiu que isso era coisa da Ulla. E era mesmo. Ulla, a resolvedora de problemas.
Foto tirada com a minha máquina no trailer do Philip
Assim Agnes teve tempo de tocar violão, baixo e outros instrumentos cujo nome não me recordo. Esse da foto, por exemplo, foi o Philip que fez com base numa botija de gás.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Spielplatz

Isso é um instrumento musical
Os meus pais estão conhecendo novas facetas de Bruchhausen Vilsen ao levar a pequena Agnes para os parquinhos locais.

Agnes se divertiu muito tirando diversos sons desses metais que compõem um xilofone. Se divertiu mais ainda com a areia (até o ponto de enfiar areia na cara) e gritava de alegria com a água, apesar de gelada.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Freibad

Todas as fotos desta postagem foi Opa que fez.
Hoje de tarde Agnes experimentou duas coisas completamente novas: piscina e caixa de areia.
Quando ela tentou comer a areia, tiramos a menina de lá, mas até então tava legal de ver ela se admirando com a areia que escorria pelos dedos, que escondia o pé dela, que podia ser moldada.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Bruchhausen Vilsen

Comendo mirtilo. Foto: Walter Rosenbaum
Eu não tinha visto a casa pronta ainda (e provavelmente ainda falta um pouco pra ela ficar de fato pronta) e fiquei admirada com o tamanho do jardim. Agnes se interessou muito mais pelas frutinhas que ela colheu e comeu aos quilos.
Comendo framboesa (Brombeere). Foto: Walter Rosenbaum
A recepção em Bruchhausen Vilsen foi muito calorosa. Agnes estava sendo acompanhada pelos meus pais de longe, via Skype, e agora a interação real se tornou possível. Estão encantados com a menina, com a alegria dela, como dorme, come e brinca bem.
Brincando no escritório do Opa. Foto: Walter Rosenbaum
Agnes e os avós

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Zoo & Palmen Garten

Fomos ao zoológico de Frankfurt, que eu guardava com muito carinho na memória. Quando crianças, Philip e eu fomos conduzidos pelo zoológico pelo padrinho do meu irmão - que é cego. Tudo foi legal: andar de trem com Willausch, ver ele abrindo a carteira e pedindo pra moça do caixa tirar o necessário pra pagar a entrada, andar pelo maior zoológico que eu já tinha visitado.
Mas com Agnes a experiência não foi tão encantadora: a maioria dos animais estava dormindo (ou de saco cheio) no domingo de manhã, dia de mais intensa visitação. Muita criança e pouca instalação para crianças, como pudemos concluir depois de termos visitado o Jardim Botânico.

O Palmen Garten não tem, em si, atrativos para crianças. Imagino que poucas crianças sejam tão fascinadas por árvores e flores como Agnes. Por isso o Jardim Botânico investiu pesado em playgrounds (tradicionais e com água, muito simpáticos e cheios de crianças incapazes de soltar a água), trenzinho e laguinho com pedalinho.

Temos a sensação de que Agnes curtiu mais o Palmen Garten que o zoológico.

sábado, 29 de julho de 2017

Cidade grande

Innenstadt em Frankfurt
A viagem a Frankfurt foi bem difícil, porque Agnes quase não dormiu no avião. E quem tava em volta também não conseguiu descansar, então foi pesado. Mas daí, depois de chegarmos e nos instalarmos no hotel, ela fez o cochilo da tarde (quando achávamos que ela dormiria até o dia seguinte...).

Hoje quase perdemos o café da manhã, de tanto que dormimos manhã adentro. Tínhamos feito planos de visitar várias coisas, anotado itinerários, ruas, meios de transporte, mas acabamos perdendo a manhã dormindo e esperando a roupa lavar/ secar na lavanderia. Eu fui e voltei duas vezes na lavanderia onde só tinha homens estrangeiros. Foram muito solícitos pra me ajudar a operar as máquinas.
Eisener Steg, sobre o Main - rio que identifica a cidade
Não executamos nenhum dos planos feitos na véspera, mas conhecemos o sistema de transporte e o esquema da cidade. Luis achou que seria uma boa ideia visitar um museu de arte moderna e se arrependeu. Pagamos 9 euros cada para ver uma exposição conceitual chamada *PEACE dentro de um museu. A outra exposição dentro do mesmo museu custaria o mesmo valor mais uma vez. O curioso é que tinha tipo uma creche dentro museu (pros pais poderem desfrutar da arte sem os filhos?).

Não sei se é porque estamos perto da estação central, ou porque fomos a lugares turísticos, mas o número de estrangeiros aqui é muito grande. Eu me sinto como mais uma estrangeira falando português com a filha.

E a nossa filha chama muita atenção porque é muito alegre, se encanta com pessoas, água e outras coisas, e porque grita muito alto quando não quer comer, quando se sente contrariada, quando bate a cabeça no poste depois de dar vários passos sozinha. Uma senhora africana me disse no bonde que Agnes é uma criança muito ativa pra idade dela. Mas a gente sente que Agnes incomoda os alemães.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Conhecendo a família

Madá e Agnes
A viagem a Campinas com a Agnes foi bem tranquila, mesmo acordando de madrugada, fazendo conexão em Brasília, esperando pelo ônibus em Guarulhos e viajando de Lirabus pra Campinas. Quando Eliza nos buscou, foi amor total entre Agnes e ela.
Brincadeiras de neném
Mas Agnes gostou mesmo foi do Pedro (11 anos). Rodrigo (15 anos) até tocou violão pra menina, mas não adiantou: suas atenções estavam voltadas para o Pedro. No dia seguinte chegou a Madá com o Rafael e foi um encantamento recíproco.
Ernesto, Pedro, Eliza, Rodrigo e Agnes entretida
Ficamos bem contentes da Agnes ter conhecido os primos e tios e Madá, e que todos se sentiram tão bem com a nossa pequena menina.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Diversão total

E o meu celular não caiu aqui dentro? Foi.
Levamos a Agnes pro parquinho no shopping por 20 minutos. Piscina de bolinha, escorrega e cama elástica fizeram tanto sucesso, que foi difícil tirar a menina de lá. Na cama elástica, ela dava vários passinhos antes de cair. E quando caía, logo levantava pra pular e atravessar a cama elástica. De noite foi difícil fazer ela acalmar e dormir, mas gostamos muito de ver a menina completamente entregue às novas descobertas.

domingo, 16 de julho de 2017

Nós

Em tupi existem dois pronomes pessoais de segunda pessoa do plural que expressam o que traduziríamos como nós. Îandé é o "nós inclusivo", ou seja, refere a quem está falando, inclusive quem está ouvindo. Se eu dissesse, por exemplo, "nós temos reunião amanhã" a quem de fato vai se reunir comigo no dia seguinte, eu usaria a forma îandé. Oré é o "nós exclusivo", ou seja, refere a quem está falando e mais outra pessoa/ coletividade, excluindo o ouvinte. Se eu dissesse, por exemplo, "nós casamos primeiro no civil e depois na igreja" para uma amiga, essa amiga saberá que não está incluída no nós, e que nós refere a mim e meu marido. Em português tudo é nós, ao passo que em tupi é feita uma distinção - relativa ao ouvinte, que é incluído ou excluído no pronome - que nós entendemos com base no contexto.

Quando meu marido diz: "precisamos lavar/ limpar isso" ou "acho que a gente podia cozinhar isso", ele dá um significado próprio ao nós: exclui-se dele e fica o ouvinte apenas. Quando ele me pede ajuda para digitar/ preencher formulário/ transcrever ou traduzir qualquer coisa, ele espera que eu assuma a tarefa sozinha. Quando ele propõe que a gente leia um livro junto, ele lê o livro inteiro numa velocidade impressionante e fica me perguntando quando é que eu vou começar a ler o livro.

Tupi não é estranho quando diferencia îandé de oré.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Por que morfologia é tão difícil?

Terminei de corrigir as provas repositivas (recuperação) dos meus alunos de Letras. Um exercício em especial, bem bobinho, me revelou que eles não entenderam o que é um morfema: eu pedia para que derivassem palavras da palavra dada:

dia (eu esperava exemplos como diário/ diarista/ diária)
amar (eu esperava exemplos como amável/ amoroso/ amante)
verde (eu esperava exemplos como verdejante/ esverdeado/ verdinho)
sapato (eu esperava exemplos como sapataria/ sapateiro/ sapatear)

No entanto, apareceram:

dia - diálogo, dialeto, diagrama, diamante
amar - amargo, amargura, amarula
verde - verdade, verdadeiramente, venda, vendário, vendeiro
sapato - sapo.

No caso de dia e amar, imagino que eles simplesmente tenham pensado em palavras que começam com essa sequência de letras. Não atentaram para o fato de dia- ser, nos exemplos deles, um prefixo, não o radical ao qual se pendura prefixos e/ou sufixos. E confesso que tenho dificuldade de compreender qual foi a lógica aplicada para derivar verdade de verde, pra não falar em sapo de sapato.

Desconfio que eles teriam absorvido melhor a ideia do que é um morfema se examinássemos/ estudássemos uma língua estrangeira. Me parece que conhecer a língua que se toma como objeto de estudo é um obstáculo, porque cada um tem suas intuições e entende que elas bastam para analisar palavras. Nesse sentido, não é preciso compreender os conceitos vindos de uma ciência chamada Linguística, basta aplicar regras intuitivas.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

65. GEL

Essa foi a minha primeira viagem solo desde que Agnes nasceu. Entrei num avião em Porto Velho > desembarquei em Guarulhos > entrei num ônibus que me deixou em Congonhas > embarquei em outro avião com destino a Presidente Prudente > aluguei um carro e dirigi 130 km altamente vigiados por radar e câmeras (com 3 pedágios) até Assis.

Na conferência de abertura, Rajagopalan (Raja, para os alunos e colegas) falou sobre o discurso científico na Linguística que não mudou muito desde o século XIX, apesar da língua e da sociedade terem mudado. Fiquei pensando na reunião tensa que tivemos semana passada no Departamento de Vernáculas sobre a mudança da matriz curricular e como eu fui voto vencido quando propus que não se usasse o nome "Introdução às Ciências da Linguagem" para a disciplina "Introdução à Linguística". O argumento que convenceu os meus colegas foi que o aluno veria no nome da disciplina que o estudo da linguagem é científico, que seria confrontado com a ciência ao estudar a linguagem.

Lembrei também do Ethnologue, o catálogo de línguas do mundo que recentemente chegou lá em casa. Como se trata de inventariar as línguas quando muitas delas correm risco de não serem mais faladas (e muitas línguas de fato não são mais faladas), são adotadas classificações como: moribunda, extinta, vívida.

Raja atentou para o fato de a ciência dominante na época em que a Linguística ganhou status de ciência ter sido a Biologia. Neste sentido, conceitos da Biologia foram exportados para outras ciências. Estrutura, por exemplo, é um termo que a Linguística importou da Biologia. No Curso de Linguística Geral não é usada a palavra estrutura nenhuma vez, mas Saussure é considerado estruturalista quando postula que a língua é um sistema. Outro exemplo de importação de conceitos biológicos é entender as línguas como organismos que nascem (pidgins), se desenvolvem e morrem (passando antes pelo estágio de morbidez).

No dia seguinte, vi uma conferência de Roger Chartier (falando portunhol!!!) sobre tradução e o intraduzível. A impossibilidade de tradução logo deu lugar, na sua fala, aos diversos esforços de tradução e a aventura que é traduzir algo de uma língua e cultura para outra língua e cultura.

Reencontrei a Larissa (orientanda da Rosana) que eu tinha conhecido no 63. GEL, na Unicamp. Nós duas éramos as únicas a apresentar comunicação individual em Neurolinguística. Rosana não veio, Maza não veio, Elenir não veio, o pessoal da Dudu não veio, o povo da PUC não veio. Só Larissa e eu pra representarmos a Neurolinguística no GEL. Como eu estava de carro e Natália (do meu departamento e da Revista RE-UNIR) precisava ir pra rodoviária depois do almoço, fomos as três almoçar no centro. Foi divertidíssimo ser o pivô entre essas duas, que se deram super bem.

Fui ver uma mesa redonda com um nome curioso: algo como Da tradução de Gabriel García Márquez à terminologia da Química. Pois é. Um conferencista apresentou sobre a tradução para o português de uma obra de García Márquez e a outra apresentou sobre as traduções que ela faz para empresas de pesticidas. Fiquei assustada quando ela abriu a fala dela anunciando e repetindo os sucessos de safra de grãos e como o Brasil era um grande exportador de soja. Comecei a entender onde ela ia chegar quando ela mencionou a quantidade de agrotóxicos e pesticidas que o Brasil importa todo ano. O objeto dela eram as traduções de nomes de compostos e pesticidas, que não seguiam um padrão, portanto alguns produtos eram adquiridos apesar da lei proibi-lo.  

Reencontrei Cláudia e Pascoalina, ambas (e eu também) ex-orientandas da Fausta. Perdi toda a conferência sobre Torquato Neto (a opção era uma mesa-redonda sobre a Linguística queer - sabe-se lá o que é isso) conversando com elas. De fato, o mestrado está mais longe que o GEL do ano retrasado ou a reunião de departamento da semana passada, e me diverti com algumas distorções: não é em Roraima que você está? Você não fez o doutorado com o Ilari?

Fiquei contente de ouvir Edson Rosa, que tinha organizado dois volumes sobre Linguística Funcional, me dizendo que queria muito encontrar uma teoria em Linguística Funcional que ele pudesse usar para analisar seus dados. E também fiquei super orgulhosa de ouvir que ele usa um artigo meu sobre gramaticalização de preposições em sala de aula.

Fui na conferência de Antônio Suárez Abreu sobre cognitivismo e fiquei entediada com a aulinha meio desconexa que ele deu (com muitas imagens plásticas, recortadas de propaganda de revista) sobre metonímia - com longas divagações sobre nomes de cidades - e fiquei enjoada com o público pedindo, na hora do debate, pra ele falar mais sobre frames e scripts. Larissa teve a mesma impressão que eu que não aprendemos muito com ele - ou o público.

Na hora da nossa apresentação, estávamos convencidas de que apresentaríamos uma pra outra e até chegamos a combinar com o monitor da sala que podíamos usar mais que 15 minutos pra apresentação, já que as outras seções tinham em média 5 apresentadores. Mas foi chegando gente assim que Larissa começou a falar sobre circunlóquios enquanto estratégia para contornar dificuldade de encontrar palavras em idosos.

A apresentação dela ainda contava com dados preliminares e intuições. Eu apresentei um trabalho que venho remoendo há 10 anos: telegramas e 'fala telegráfica'. A proposta de usar 'fala reduzida' nem mesmo foi feita, mas o importante é que consegui desconstruir com clareza a ideia de que a fala do sujeito com agramatismo é semelhante a um telegrama, ou seja, telegráfica. Como tínhamos muito tempo, Larissa e eu ficamos ainda conversando com o nosso público (alunos da Unesp de Assis e da Unicamp) sobre Neurolinguística no IEL e no Brasil.

Foi muito bom estar num congresso, acompanhar discussões, ver livros, autores e velhos amigos. Mas me senti muito mal de estar longe da Agnes e do Luis. Chorava de saudade toda vez que ouvia a voz dela no telefone. Dois dias viajando, dois dias de congresso. Desconfio que isso não vá se repetir antes de ela completar 15 anos...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Gesundheit gut, alles gut

Ontem Agnes tomou a última dose de antibiótico. Assim que regularizou a comida, tudo melhorou. Agnes voltou a ser ela mesma, inclusive grita por comida. Enquanto ela teve infecções, questionávamos a nossa capacidade de alimentar a menina. Agora que está sadia de novo, nos sentimos sãos e salvos.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Aqui!

A primeira palavra da Agnes (fora papa, mama ou ) é aqui! Especialmente quando eu visto mangas compridas nela, pergunto:
- Cadê a mão da Agnes?
Ela responde:
- Aqui!!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Hospital

A primeira vez que levamos a Agnes no hospital foi no dia 04 de junho, porque desde o dia anterior ela estava com febrão (38,6). O pediatra de plantão pediu hemograma e raio-x (porque de tanto a menina chorar com o estetoscópio, ele não conseguiu ouvir o pulmão dela). Passamos a manhã toda no hospital e o diagnóstico foi inconclusivo: tem uma inflamação, mas não sabemos de que. Os pulmões estão limpos, então não é pneumonia. No final da consulta, Agnes enfiou dois dedos nos cantos da boca e mostrou os dentes novos nascendo. O pediatra de plantão assumiu que todos os sintomas podiam levar à erupção dos dentes. Pediu que eu coletasse a urina dela e descreveu o coletor como um saquinho embutido numa fralda.

Não achei esse coletor em nenhuma farmácia. Eles não sabiam do que eu estava falando. Comprei um termômetro que funciona com sinal infravermelho, porque dá o resultado imediatamente. Agnes tem pavor de estetoscópio, termômetro, nebulizador, salsep, dedo com gel que se aproxima do rosto dela e avental branco.

A febre alta permaneceu por 5 dias. Administrávamos paracetamol para baixar a febre, mas o efeito só durava 3 horas. Como ela estava com o nariz entupido, não conseguia dormir. Voltamos ao hospital e o diagnóstico foi que era gripe, porque era isso que tava dando em todo mundo. O pediatra de plantão ensinou a lavar o nariz dela com injeção de soro fisiológico e previu que teríamos mais uns dias de febre pela frente. Explicou que o coletor de urina é distribuído no laboratório do hospital. Peguei dois. Perdi os dois, porque aquilo é um adesivo que não pode ficar muito tempo na genitália da criança. Uma vez ela fez xixi e tudo foi pra fralda, outra vez não fez.

Nenhum pediatra acreditava que não estávamos conseguindo alimentar a nossa filha. Ela rejeitava tudo, cuspia, se defendia com as mãos, virava o rosto, vomitava. Sim, ela enfiava os dedos na goela e vomitava.

Daí ela teve diarreia e vômito, febre alta, nariz escorrendo e a gente não conseguia dar comida nem bebida pra ela a não ser que fosse na injeção. Comida virava caldo e ia pra injeção. Terror total. Voltamos pro hospital. O pediatra de plantão disse que é assim mesmo e nos dispensou. Continuei tentando coletar urina da Agnes, mas ela fazia muito pouco xixi.

Luis pediu ajuda pra Berenice, que garantiu um encaixe com uma pediatra de confiança dela. A consulta foi longa, e ela reparou que um ouvido estava avermelhado. E de novo vieram receitas de maçã, banana, bolacha maizena. Insistiu que coletássemos urina e disse que toda farmácia vende os saquinhos coletores.

Comprei os saquinhos coletores e continuei não conseguindo coletar urina, até ter a brilhante ideia de botar na Agnes uma fralda de pano (que não usamos mais, porque 14 delas rasgaram subitamente depois de 1 ano de uso). Quando ela finalmente fez um xixizinho, torci o absorvente pra dentro do saquinho coletor. Levei no hospital.

A febre da Agnes continuava alta, portanto fomos os três de volta ao hospital. Antes de sermos atendidos pelo pediatra de plantão, busquei o resultado do exame de urina: infecção urinária. Com esse resultado na mão, a pediatra de plantão perguntou se queríamos internar nossa filha. A alternativa seriam 5 injeções intramusculares de antibiótico. Mas o plantão dela estava terminando, então ela nos passou pra outra pediatra de plantão. Essa, por sua vez, esclareceu que 5 injeções na bunda eram piores que dois saquinhos de antibiótico na veia por dia. E internar tinha outra vantagem: soro, já que Agnes estava desidratada.

Internamos na noite do dia 15. Luis voltou pra casa pra dormir porque estava com conjuntivite. Eu dividi a cama de hospital com a Agnes. Na noite de sexta, esqueceram nossa janta. Luis reclamou e veio. Depois entramos na rotina do hospital, aprendemos o jargão usado e nos acostumamos com a comida, o espaço, a falta de sono. Percebemos que Agnes não teve dificuldade para ignorar o braço direito, em que estava conectado o soro. Usava os pés e a mão esquerda.

Na primeira visita, o pediatra diagnosticou uma inflamação nos ouvidos. Somando tudo, temos erupção dos dentes, gripe, infecção urinária e otite. E tudo isso não começou depois que internamos, só não foi diagnosticado.

Na segunda noite, Agnes acordou chorando à 1 da manhã. Tudo em volta dela estava molhado. A fralda não deu conta de segurar aquele soro todo. O enfermeiro de plantão me ajudou a trocar a Agnes e a cama. 4 horas e meia depois, a cena se repetiu. Pouco depois, o pediatra visitador passou. O pediatra visitador só passa uma vez ao dia e ainda estava escuro e eu morta de sono.

Gradualmente, Agnes foi se interessando por comida. Comeu meia fatia de pão pela primeira vez na vida (antes só comia pedaços bem pequenos), gostou da bandeja com compartimentos diferentes e chegou a pedir comida.

Na manhã de sábado fomos informados que havia surgido uma vaga na ala pediátrica e que subiríamos para o terceiro andar. Imediatamente ficou claro que não havia padrão entre os enfermeiros no tocante a soro e acesso (onde o soro/antibiótico é conectado na pessoa). Uns tiravam os fios e tampavam o acesso pra gente tirar a roupa dela e dar banho, outros passavam o saquinho de soro pela manga da camiseta. Uns aceleravam o pingamento, outros retardavam. Uns colocavam um controlador de velocidade de gotejamento intermediário, outro ia lá e tirava.

Aí a enfermeira viu que o braço em que estava instalado o acesso estava inchado. Era preciso encontrar outra veia. Tentaram o pé, não deu, ficaram com o braço esquerdo. O problema era que Agnes chupa dois dedos da mão esquerda pra se acalmar. Nessa noite eu fui pra casa, dormir. Luis e Agnes dividiram a cama do hospital e foram acordados às 4 da manhã para coletar sangue.

Pouco antes do domingo anoitecer, o pediatra visitador passou. Olhou o hemograma e deu alta - com o compromisso de continuarmos dando antibiótico via oral a cada 12 horas por mais 7 dias.

Em casa, Agnes está bem melhor. Comida e bebida continuam sendo um desafio.

domingo, 11 de junho de 2017

Pra mim?!

Recentemente Luis desenvolveu uma compulsão por comprar livros online. Isso teve como consquência que o carteiro vem aqui pra casa no mínimo duas vezes por semana, sempre trazendo pacotes pesados para o Seu Luis. Em alguns pacotes vinham livros pra Agnes, pra mim, pro futuro, pra resolver anseios urgentes de leituras programadas há anos.

Uma vez o carteiro disse que logo precisaríamos de estantes novas. Eu lhe segredei que meu marido tinha gasto quase todo o salário em livros. Riu desacreditado.

Já aconteceu mais de uma vez de interceptarmos o carro amarelo dos Correios quando saíamos do condomínio. E tinha livro pro Luis e o carteiro nem pedia o RG porque já nos conhece.

Ontem o carteiro que vem de bicicleta me entregou um pacote. Li quem era o destinatário e me surpreendi: Pra mim?! O carteiro riu e disse que finalmente tinha chegado um livro que não era pro meu marido. Olhei o carimbo e vi que era da Holanda. Imaginei que fosse o livro organizado pela Esther Pascual e Sergeiy Sandler sobre interações fictivas em que Christine e eu temos um capítulo sobre interações fictivas na fala de sujeitos com afasia.

Quando abri o pacote, outra surpresa: era a tese da Christine.
No final do livro tem um currículo em que consta que ela começou o doutorado em 2003. Dentro do livro tem um convite pra defesa, que foi no dia do meu aniversário. Essa moça passou 14 anos fazendo doutorado: teve dois filhos no percurso, trabalhou como fonoterapeuta, lecionou na universidade e conseguiu publicar comigo aquele texto que começamos a escrever em 2006 ou 2007 (quando eu estive na Holanda, sob orientação do Kolk e ela também). Nos agradecimentos, estou eu lá, como alma gêmea da pesquisa. Que honra!

E achei curioso que ela tem uma sessão de capítulo sobre construções de tópico-comentário - que estão nos nossos dados do capítulo que escrevemos sobre interações fictivas, mas que só entraram na roda porque eu identifiquei essa construção nos meus dados, em 2006. Até então, Kolk, nosso orientador, descrevia uma ordem de palavras caótica. Christine ficou encantada com a possibilidade de ver sistematicidade onde ele via desordem. E passou a enxergar construções de tópico nos dados dela também.

Esses dias, Rosana, minha orientadora no doutorado, me mandou um texto do Kolk com uma leve suspeita: vocês divergem, não? Sim. Tanto eu como Christine nos aventuramos nas bordas da Teoria da Adaptação. Inclusive eu vou para um congresso no mês que vem, defender que se abandone o termo 'fala telegráfica' para descrever a fala afásica, porque, comparada a um telegrama, ela apresenta características próprias. Talvez esse rompimento intelectual com o orientador tenha dado a ela a sensação de que somos almas gêmeas da pesquisa.

Em todo caso, fico muito feliz por ela (nos correspondemos há mais de 10 anos). Esse belo livro encerra uma longa etapa da vida dela e é um ótimo presente pra mim.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Hashi

Quando eu saí de casa, Luis tava ensinando a Agnes a comer com palitinhos.

Depois ele me contou, maravilhado, como ela tem boa coordenação para espetar macarrão. É, Agnes está desafiando nossa criatividade no quesito comida. Principalmente quando estamos os dois na mesa junto com ela, é complicado oferecer comida que não seja fruta. Fruta vai bem sempre, independente de qual for. Até maracujá ela come de colher. Mas almoço e janta... tem que ter a temperatura certa, textura agradável e gosto bom. E de preferência tem que ser do tamanho certo para que possa ser espetado no garfo - porque agora ela desenvolveu autonomia para comer com garfo.

domingo, 21 de maio de 2017

Brincadeiras sensoriais

Nem Agnes nem eu estamos nessa foto.
Maternar e Brincar ofereceu essa oficina de brincadeiras sensoriais hoje de tarde no espaço de eventos chamado Quintal. E é mesmo um grande quintal. Gabrielle, do Maternar e Brincar, dispôs tintas à base de cenoura, beterraba e espinafre ao lado de painéis no chão, dependurou garrafinhas de água com grãos/sementes dentro; e espalhou muitas bacias de coisas pelo gramado.
Nas bacias tinha terra, lama, água e pedras brancas (uma cinza no meio), água e folhas de hortelã, cascas de árvore, buritis, caroços de tucumã, folhas e flores de caju, folhas secas, ouriços de castanha do Pará. Agnes gostou dos buritis, reconheceu os caroços de tucumã, conseguiu equilibrar três pedras brancas em cada mão e ainda alcançar a pedra cinza e fez a festa na bacia de água com folhas de hortelã. Ela batia na água como faz aqui em casa, na banheira ou na bacia. Ela foi quem mais se molhou. Teve um momento que quatro outras mães trouxeram seus bebês praquela bacia. Foi água gelada na cara de todo mundo. E Agnes feliz da vida.
Agnes e eu estamos nessa foto.
O que Agnes mais gostou de fazer (além de se esbaldar na água) foi sentar na grama e puxar as folhas de grama.

As brincadeiras não foram guiadas, ou seja, cada par de mãe e criança era livre para explorar o espaço novo. A única regra era: "mães, permitam que seus filhos explorem, experimentem, se sujem." Algumas mães tiveram que dar banhos extensos em seus filhos enlameados... Eu tive que trocar Agnes duas vezes por causa da água.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Asilo e medicamentos

É a segunda vez que "acaba um medicamento que Harro toma" que eu nunca fiquei sabendo que tomava. Na primeira vez, foi o Memantina, indicado para Alzheimer. De repente fui informada que acabou o Memantina. Harro não tinha diagnóstico de Alzheimer na época, nem receita pra tomar remédio para Alzheimer.

Fiz com que ele fosse submetido a exames; e um enrugamento do cérebro, característico da senilidade, "comprovou" que ele tem Alzheimer. O neurologista que atestou que Harro tem Alzheimer receitou dois remédios pra Alzheimer. E não são baratos e deixam a pessoa "mais tratável" - pra não dizer meio dopada.

Insisti que ele tomasse apenas o Memantina.

Agora acabou o Carbamazepina - que eu nem sabia que ele tomava. Para os ossos, a enfermeira-chefe disse. Olhei no Google e vi que se trata de mais um neurotrópico, indicado para crises de abstinência alcoólica, epilepsia, transtorno bipolar etc. Perguntei se era isso mesmo, e a resposta foi que ele sempre tomou esse medicamento, desde que entrou no asilo, por causa da herpes que ele teve. Meu pai teve herpes? O médico foi chamado por whatsapp e foi feita uma lista de remédios que poderiam ser tomados para aliviar a dor.

Ossos, herpes, dor. Mais um medicamento cujo efeito colateral mais comum é sonolência e que Harro toma desde sempre, mas eu não sabia. Fico sabendo quando acaba no posto e tem que comprar. Outra hipótese é que muitos medicamentos sejam comprados/buscados no posto para todos os idosos do asilo em pacote. Isso explicaria como Harro tomou Memantina e Carbamazepina sem receita por dois anos.

Eu sei que os médicos ganham comissão pelos medicamentos que receitam. Nesse sentido, trabalhar para um asilo deve dar muito dinheiro. Não só pelos medicamentos para Alzheimer, mas todos os outros, de pressão a depressão.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Documento perdido

Num sábado desses, fui no mercado central levando no bolso da calça a carteira de motorista e o dinheiro necessário pras compras. Fiz as compras e voltei pra casa. Guardei as compras e o troco. Senti que faltava alguma coisa: a carteira de motorista. Depois do almoço, voltei no mercado pra perguntar se alguém (dentro do mercado) tinha visto a minha carteira de motorista. Nada.

Muito tempo depois, fui fazer B.O. da carteira perdida. Luis me explicou onde fica a delegacia mais próxima e fui lá. Só a carcaça da delegacia. Nem cadeira nem mesa dentro. Simplesmente abandonada. Lembrei da outra delegacia no Cohab e fui lá. Mesma coisa.

Liguei pra Polícia e a moça atendeu dizendo "flagrantes". Perguntei se eu podia fazer B.O. lá, onde ela estava. Não podia. Perguntei o que tinha acontecido com as duas delegacias em que eu tinha ido e ela me disse que houve uma mudança, mas ela não sabia dizer onde era a nova delegacia. Só tinha o número de telefone. Liguei e ficou chamando até eu entender que esse era o número antigo da delegacia desativada. Retornei pros flagrantes e ela lembrou que tinha uma UNISP atrás da Faculdade São Lucas.

Na fachada está escrito apenas UNISP central, sem explicação de que se trata de uma Unidade Integrada de Segurança Pública. Todas as polícias foram aglomeradas num prédio que, segundo o delegado que me atendeu, já está caindo aos pedaços. Eu só concordava, enquanto ele desfiava o rosário de reclamações. Porto Velho tinha 8 delegacias. Em vez de construir mais duas, que precisa, construíram quatro prédios mal planejados pra abrigar duas delegacias (em cada) mais todas as polícias (militar, civil, marinha, aérea). Aí fica cada um no seu quadrado e não tem integração nenhuma, só no nome. Quem fez isso aqui não pensou nas necessidades do servidor da Polícia. E não teve nenhuma consulta à população ou aos servidores. Simplesmente amontoaram a gente aqui nesse prédio que nem parece Polícia. Nós parecemos uma faculdade. Paulista ainda por cima... Olha essa sala, toda grande e aberta. A pessoa vem registrar um estupro e todo mundo que tá na fila fica ouvindo; daqui a pouco o sujeito tá dando opinião! Tinha que ter um lugar mais reservado pra fazer qualquer boletim de ocorrência.

Saí de lá com o coração pesado. No meu aniversário eu inventei de fazer B.O. Quando olhei no papel, mais um suspiro: metade das informações sobre mim constavam como "não informado" - porque ninguém me perguntou onde moro, qual a minha profissão etc. A vítima, inclusive, constava como "não presente". O parágrafo anterior prova que estive lá. O último golpe foi ver a minha idade: 38 anos. Era o dia do meu aniversário, ou seja, o dia em que eu completava 39 anos.

Mesmo não concordando bem com o B.O., resolvi andar com ele na carteira até tomar coragem de ir na auto escola. Daí o Luis foi no mercado. Ao sair, perguntou pro guardador de carros se ele tinha visto uma carteira de motorista perdida. Vi, sim. A carteira de motorista da minha mulher? É dela, sim, eu vou pegar. E não é que trouxe a minha carteira de motorista? Eu teria devolvido pra ela, mas ela nunca mais voltou aqui. Luis rapou todos os trocos de dentro da carteira. Nessa altura, todos os moradores de rua da região do mercado estavam em volta, agradecendo e comemorando que o documento perdido tinha sido recuperado e que o almoço de todos tava garantido.

domingo, 16 de abril de 2017

1 ano de vida!

Inaê, Brena, Betânia (atrás), Thaís (segurando a Agnes), Suellen e Ingrid.
O primeiro aniversário da Agnes coincidiu com a Páscoa. Por isso, fizemos a festa um dia antes. Na véspera da festa, Luis e eu ficamos na cozinha até tarde da noite. Fiz uma torta vegana pra Agnes que fez mais sucesso que o bolo de morango de dois andares. Mas o campeão mesmo foi o bombom de uva.
Bolo vegano sem açúcar ou glúten
Sabíamos que Agnes gosta muito de flores, especialmente da cor roxa. Na quinta-feira, deixamos Agnes com a Rose e entramos os dois no carro. Luis me perguntou quando foi a última vez que saímos de casa só os dois. Isso foi antes da Agnes nascer. Fomos em diversas floriculturas e enchemos o porta-malas de flores. No dia da festa, arranjamos os vasos numa estante e a cobrimos com uma toalha. Depois de cantar o parabéns, Luis tirou a toalha. Foi tão bonito de ver a surpresa e alegria da nossa pequena.

No total, vieram bem umas trinta pessoas, mas cada um a seu tempo. Teve gente que veio antes de tudo e só deixou presente pra Agnes, e teve gente que veio só depois que todo mundo tinha terminado de comer a sobremesa.
Paula, mãe da Paula, Priscila, Nayara segurando a Agnes, eu e Luis.

Mesmo que ela não se lembre depois, foi uma festa em que ela se sentiu muito à vontade.