segunda-feira, 28 de junho de 2010

Lucidez

Sou o que sou por causa do outro
Posso não conhecer a mim
mas reconheço o não-eu no outro

A porta se abre
A passos lentos, um novo mundo é explorado
As sensações são outras
A visão expande, o tato se aguça, a mente viaja

Faz-se urgente voltar ao paraíso
Não importa o preço
Não é só a substância que tem um preço
Não é só a graça que se perde
Não adianta culpar o porteiro
Não faz sentido culpar a fraqueza
A dependência do prazer é escravidão

Estar lúcido é não perder-se de si
Estar lúcido é ver o outro se perdendo por aí

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sorte de passarinho

Mais uma vítima da Akari. Quando abri a mão, saiu voando. 
Os calangos costumam não ter essa sorte, os grilos são lesados a ponto de não coseguirem se locomover e as borboletas morrem entre os dentes da gata. Akari ficou miando sua inconformação pra cima de mim, mas pôxa... é o que dá trazer a caça pra dentro do escritório.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tempo é trabalho

Houve um tempo em que eu repetia a frase de efeito "Tempo é dinheiro". Naquele tempo, o meu tempo tinha preço. Hoje o salário é mesmo, independente do volume de trabalho. E quando eu ganho tempo (por exemplo, quando uma reunião é cancelada, o Brasil joga na Copa ou um prazo é adiado), logo penso como preencher esse tempo extra com trabalho (ufa, vou conseguir terminar o livro, vou poder avançar os trabalhos finais do alunos, vou ter tempo para preparar a minha apresentação no congresso).
Nos últimos tempos, "tempo é trabalho". É de chorar na pia.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estiagem

Isso aconteceu no dia do último jogo que parou o Brasil. Às 10 da manhã a parede externa da casa estava tomada de formigas. Achei super doido, porque eu nunca tinha visto isso.

Reparei que a umidade relativa do ar tava alta, quase opressiva. Liguei o computador pra conferir a previsão do tempo. Já fazia um mês, mais ou menos, que não chovia. A previsão praquele domingo era de 0mm de chuva. 

Ao meio-dia as formigas tinham se recolhido. Heloisa veio e ficamos trabalhando. Na casa dela, seria assado um carneiro, um telão tinha sido instalado na cozinha e a parentada já estava fazendo barulho. Ela tinha perguntado se na minha casa haveria silêncio. Garanti a ela que a TV ficaria desligada. 

Pouco antes do jogo, o céu desabou. Choveu forte e por meia hora. Depois disso, contamos os três gols do Brasil. O da Costa do Marfim não registramos. Achei legal que algumas previsões pouco óbvias se concretizaram: (i) as formigas anunciaram a chuva em pleno período de seca, (ii) ignorei mais um jogo que hipnotizou o Brasil todo, (iii) não trabalhei sozinha no domingo de tarde.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Agilidade acadêmica

Em meados de 2008, submeti um artigo numa revista que tenho em alta consideração. Escolhi essa revista porque dez anos antes, uma moça tinha publicado um artigo sobre a natureza da preposição naquela revista. Como eu tinha uma outra abordagem para oferecer, achei que seria uma boa dialogar com o texto dela, mesmo que num lapso temporal de dez anos.

As revistas internacionais dão aos seus pareceristas um prazo de três meses para avaliarem os artigos submetidos. As nacionais, como é o caso desta revista, não contam o tempo dessa maneira. Depois de um ano sem resposta da revista, dei uma cutucada. Responderam logo que eu teria notícias em breve. Meio ano depois, voltei a cutucar. Pediram que eu aguardasse os pareceres. Semana passada, sugeri que publicassem o meu artigo na ocasião de um workshop internacional sobre gramaticalização (de que eu não vou participar), sediado na universidade em que a tal revista é mantida, já que o meu artigo é sobre a gramaticalização de preposições.

Responderam que a revista não está vinculada ao evento, e que o meu artigo ficou sem resposta por dois anos porque estavam tendo dificuldades para encontrar um segundo parecerista. Eu poderia retirar o meu artigo dessa revista e submetê-lo em outra, ou exercer mais um pouco de paciência. Como eu sou uma pessoa muito tranquila, optei pela paciência e fui recompensada. O segundo parecerista logo foi arranjado e eu obtive uma resposta.

Concordo com grande parte das observações e reclamações dos pareceristas. Lendo hoje o artigo escrito dois anos atrás, não o considero mais um bom texto. Quando o escrevi, cada palavra tinha um peso diferente. Uma observação de um parecerista, no entanto, me sacudiu. Ele afirma que a bibliografia está desatualizada, e que eu poderia por exemplo consultar Castilho. Não mencionou ano, título, nada, só 'Castilho'. Imagino que ele se refira ao capítulo sobre a preposição na Gramática do Português Falado, organizada pelo Ataliba Castlilho. Essa gramática (GPF) saiu no ano passado. Eu até já recebi uma certa quantia em dinheiro pelos direitos autorais, porque o capítulo da preposição foi escrito por mim, Castilho, Ilari, Basso e Leitão. 

A GPF não consta na bibliografia do artigo submetido em 2008 porque só foi publicada em 2009. O detalhe é que o nosso capítulo da preposição foi escrito em 2004, quando eu ainda estava no mestrado, o Renato na graduação, o Ilari na Unicamp, a Maria Lúcia no pós-doc e o Ataliba no sétimo pós-doutorado.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Teatro

Imagem roubada daqui

Fui ao teatro. Em Porto Velho não existe Teatro Municipal, Nacional ou universitário. Mas eu fui no Teatro e não era no SESC. Natalie tinha me recomendado (muito tempo atrás) que eu fosse ver a peça chamada Cárcere quando o ator Vinícius Piedade viesse pra cá. E eu fui.

Engraçado que eu não sei explicar por que gostei da peça. Talvez tenha sido porque me senti em casa ouvindo o sotaque paulista do ator. Talvez tenha sido porque o ator me lembrou o Sales, meu palhaço preferido. Talvez tenha sido porque fiquei curiosa em relação a Thelonious Monk. Talvez tenha sido o sentimento de ter encontrado uma resposta para uma dúvida vaga.

Do mesmo lugar

Quando discutimos, no cineclube, quais seriam as 10 temáticas durante o ano, eu tinha sugerido que 'cárcere' fosse uma delas. Eu tinha até pensado em quatro filmes interessantes (Bicho de sete cabeças, Salve geral, Das Experiment, Meu nome não é Johnny), mas não soube defender a temática. Sentada lá, no auditório do SEST/SENAT, senti uma espécie de resposta, entendi por que o cárcere é um tema interessante. Não saberia explicar esse lance, porque a parada foi mais uma questão de identificação com o texto que já não retenho na memória e com o ator que me evoca outras memórias, do que qualquer outra coisa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A caracterização do vilão


Em Dick Tracy, os vilões são claramente caracterizados: têm algum tipo de deformação física. Ou têm a pele do rosto vulcânica, ou lábios grosseiramente salientes, ou cabeças balonicamente inchadas, ou sobrancelhas constantemente levantadas, ou têm os ombros tão largos que usam ternos em que caberiam duas pessoas jogando frisbee. Daí a dificuldade de reconhecer a Madona como vilã (ih, contei o final).

Quando vi Corpo fechado (Unbreakable), tive que prestar atenção na estória para identificar o vilão. Meu amigo Paulo Punk foi mais prático e se orientou pelo figurino. Quem é que usa sobretudo roxo? Só o vilão usa sobretudo roxo!

Ok, os dois filmes são intimamente ligados às HQs, em que o exagero é uma ferramenta de trabalho: o herói é altamente musculoso, a musa é impossivelmente (em termos anatômicos) esculturada, os olhos dos personagens de mangá são descaradamente abertos e grandes. Existem formas mais sutis do diretor marcar suas preferências e posições: trilha sonora ou filtros de cor.
 
Quando vi Cruzadas (Kingdom of Heaven) pela primeira vez, nem reparei no filtro azul aplicado em algumas cenas. Depois, conversando com uma moça da Pedagogia na Unicamp que estuda filmes, fiquei sabendo que havia um filtro azul e outro vermelho no filme, e que eles serviam a um propósito. Bom, é um filme de guerra, e quem conta a história de uma guerra não se furta a tomar partido. A moça me disse que o filtro azul era usado pra marcar o mocinho e o filtro vermelho pra marcar o vilão.

Depois de ver Prince of Persia, me deu vontade de rever Kingdom of Heaven. Reparei no filtro azul, sim, mas não identifiquei o vermelho. Também não percebi nenhuma sistematicidade no uso do filtro azul. O filme começa azulado com Balian, o ferreiro. O filme acompanha Balian, o cavaleiro, mas sem filtro. Não percebi a alternância de filtro azul e não-filtro azul quando as cenas se alternam entre os cristãos e os árabes. 

Fui procurar na internet uma razão que explicasse aquela afirmação da moça da Pedagogia que estuda filmes. Achei uma explicação convincente aqui. O filme que eu vi não era a versão do diretor, mas do estúdio. A versão do diretor tem 3 horas e meia de duração, e nele a aplicação dos filtros deve ser coerente, seja pra destacar os vilões ou outra coisa nessa direção. Não sei, não vi. Quero crer que a moça da Pedagogia e eu vimos diferentes versões do mesmo filme e confio que ela tenha feito uma análise sóbria.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Definições pela negativa

I'm no philosopher
I am no poet
I'm just trying to help you out

Gomez
Hamoa Beach

Eu não pareço com você

O Rappa
Lado A lado B


I am no superman
I have no answers for you
I am no hero, oh that’s for sure
But I do know one thing for sure
Is where you are, is where I belong
I do know, where you go
Is where I want to be

Dave Matthews Band
Where are going?

I'm not king of comedy,
I'm not your magazine,
I'm not your television,
I'm not your movie screen
I'm not commodity 

REM
King of comedy

Tecnicamente, as definições pela negativa são mais exaustivas, mas pouco precisas. Tente definir um livro por negativas: não é um cadarço, não é um lápis, não é uma mesa, não é uma história, não é uma bola e assim vai, ad nauseam.

Pois é, mas mesmo assim elas são eloquentes, porque tentam desconstruir uma imagem: não sou poeta, super-homem ou parecido com você. Sou outra coisa que eu não sei definir ainda, mas não sou o que você pensa que eu sou. 

Nas músicas acima citadas, a definição do eu-lírico não acontece; nem pela negativa - porque já sabemos que definições pela negativa são pouco eficientes - nem pela positiva - não há menção a 'sou x' ou 'sou y'. Depois de desconstruída a imagem que se tem do eu-lírico, é construída a ideia do que ele faz (só estou tentando ajudar, só quero estar com você).


Às vezes é difícil mesmo definir algumas coisas. Às vezes a melhor orientação é pela negativa mesmo: não sei te dar a receita de um bom texto, mas sei reconhecer um texto ruim. Não sei dizer o que é uma boa atuação, mas sei reconhecer um ator ruim. Não sei o que é o ideal, mas percebo que esse não é o caminho.

A vida (língua) é cheia de indefinições e vaguezas, né? Sendo linguista, percebo que elas existem e me empolgo com essa aventura que é a comunicação através desse mar de incertezas. Se eu fosse lógica, acho que me desesperaria.

terça-feira, 15 de junho de 2010

3.666

De 22 de dezembro de 2009 pra cá foram mais de 1000 km rodados na Amarilda. A corrente já rodou 2000 km e só está com 50% de desgaste.

domingo, 13 de junho de 2010

Ar condicionado

O progresso tecnológico chegou à casa das mulheres de nome esquisito. Agora que a fiação foi mudada pra 220, o ar condicionado do escritório pode ser usado. Não é mais preciso transportar computador, estabilizador, roteador e cabos pra sala (onde tem ventilador e não bate sol de tarde). O drama agora é manter o escritório fechado. Akari mia pela fresta da porta que eu deixo aberta pra ouvir os barulhos da casa. Fora isso, o ar condicionado é bem barulhento. A solução é música.

Confesso que o ar condicionado me ajuda a produzir de tarde. Tudo bem que estou escrevendo um livro e estou mó putz empolgada com ele, ao invés de corrigir redações, mas ainda assim tenho a impressão de que a qualidade da minha vida sedentária melhorou.

sábado, 12 de junho de 2010

Recycling

Nove noites


"(...) pois o segredo, sendo o único bem que se leva para o túmulo, é também a única herança que se deixa aos que ficam, como você e eu, à espera de um sentido (...)" (p. 6, que é a primeira página!)

Estou escrevendo um livro didático sobre Linguística Geral para índios de várias etnias que têm a língua portuguesa como segunda língua (ou terceira, mas o importante é que seja uma língua estrangeira). Depois de ler Language Death do David Crystal, a minha postura não é neutra ou puramente acadêmica. Entendo que a minha tarefa seja instrumentalizar esses índios para que sejam minimamente capazes de refletir sobre suas línguas maternas. O passo seguinte seria que descrevessem e documentassem as suas línguas, para que as línguas indígenas não corram risco de extinção.

Terminado o Language Death, comecei o Nove noites, do Bernardo Carvalho. Que viagem! Ainda não fui muito longe, mas o narrador tenta entender o suicídio de um antropólogo norte-americano que viveu entre os índios krahô, no Tocantins, e cometeu suicídio in loco. Tem até Franz Boas na estória.

Enquanto eu escrevo o meu livrinho didático para os índios, fico pensando nas línguas indígenas que morreram na minha leitura anterior e no antropólogo que morreu na aldeia nessa minha leitura atual. Espero sobreviver o processo de escrita.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mary & Max


Mary & Max foi pra mim a catarse pra entender o incômodo Harvie Krumpet. A técnica de animar figuras (massinha em stop motion) é a mesma nos dois filmes, os traços dos personagens até são parecidos, mas o que é novidade é a patologia declarada.

Tanto o mundo de Harvie Krumpet como o de Mary & Max é povoado por pessoas perseguidas por fobias, atormentadas por detalhes e sem muita noção do quanto podem interferir na vida alheia. A diferença é que em Mary & Max a síndrome de Asperger é declarada e o psicólogo se faz presente. Mary, Max, Harvie Krumpet, a mãe e o vizinho da Mary e a vizinha do Max são personagens que poderiam ter saído de um livro de Oliver Sacks.

A pergunta inicial da Mary, que impulsiona o desejo de resposta e consequente amizade de Max é "de onde vêm os bebês?" Na versão que a Mary ouviu de seus pais, os bebês eram encontrados pelos seus pais (fathers, not parents) em canecos de cerveja, no bar. Na versão que Max ouviu de seus pais, os bebês são chocados pelo rabino. Se você não for judeu (repare na flexibilidade do argumento!), são chocados por freiras velhas. Se você não for católico (e viva a diversidade!), então os ovos de onde saem os bebês são chocados por prostitutas solitárias.

Segundo os meus alunos, os bebês são fruto de contágio. Ou osmose. Nas resenhas de Eu Tu Eles tava lá: "Darlene se aproximou de Zezinho e engravidou. Depois aproximou-se de Ciro e engravidou de novo". Esqueci de perguntar qual é a distância segura pra evitar a gravidez.

domingo, 6 de junho de 2010

Parece primavera

Em lugares onde faz frio a ponto de nevar, a primavera é uma estação fabulosa. Depois de um inverno frio e cinza, que causa depressão, sedentarismo e apatia, renasce a vida. Depois que a neve derrete, despontam folhas verdes, botões de flor, voltam os pássaros e as borboletas. As pessoas voltam a sorrir porque o dia está bonito.

Um fenômeno semelhante está se desenrolando no meu modesto jardim: as flores de todas as plantas compradas morreram. Tiveram seu inverno de adaptação ao solo, ao sol e às rações de água no fim da tarde. Agora brotam para alegrar a minha triste vida de corretora de redações.

sábado, 5 de junho de 2010

Sinistro

Imagem roubada daqui
A referência é ao Incredibly loud and extremely close do Safran Foer

Semana passada teve palestra do Chassot sobre ciência. Eu li o "A ciência é masculina? É sim, senhora!" dele e teria ido à palestra se não coincidisse com o cineclube. Quem recepcionou o professor gaúcho de 70 anos foram os químicos e alguns biólogos da Unir, portanto tive a oportunidade de sentar à mesa de jantar com o homem (depois do cineclube).

Lembrando de temas da palestra, alguém na mesa brincou com a imagem de uma mulher cientista, ainda mais uma mulher canhota. Como eu não entendi o drama, pedi esclarecimento:
- O canhoto é estigmatizado?
- "Canhoto" é um dos nomes do diabo. Outro sinônimo de canhoto é "sinistro".
- Sim, em italiano "sinistro" é a palavra para "esquerda".
- Em português também. 

Não insisti na minha pergunta, porque percebi que a análise que estava sendo feita de "canhoto" era linguística (diacrônica, não sincrônica) e não empírica. Não tenho a impressão de que os canhotos sofram preconceito na sociedade atual. Há estudos sobre canhotos e talentos especiais (concepção espacial, facilidade com a linguagem matemática), canhotos e sexo (há mais homens canhotos que mulheres canhotas) canhotos e propensão a doenças imunológicas (seja lá o que isso for), canhotos e linguagem (tanto deficiências como talentos, seja lá o que isso for). 

Quando vejo um canhoto, procuro perceber se é só a mão esquerda que assume as funções exercidas pela minha mão direita. Já reparei que num ciclista canhoto, os pés também são trocados: ele sistematicamente apoiava o pé direito quando parava a bicicleta.

Hoje existem tesouras, teclados, carteiras (escolares), guitarras, abridores de lata e outros instrumetos em versão "para canhoto". Existe o dia internacional do canhoto (13 de agosto) e em alguns esportes, os canhotos são valorizados (esgrima, beisebol, futebol e boxe).

Em algum momento na história, ser canhoto foi tido como ruim, fora do padrão, desvantajoso. Ser diferente costuma ser um problema social (vide homossexuais). Nesse momento, a ação de resolver problemas de motricidade fina com a mão esquerda foi associado ao diabo, o canhoto; e ao obscuro, o sinistro.

Retomando a leitura do Language Death, do David Crystal, me veio a faísca que explica o comportamento do Chassot: "as pessoas esquecem, a língua não esquece". As pessoas que vivem na sociedade atual não lembram mais por que ser canhoto é considerado ruim, mas a língua registrou que o canhotismo esteve ligado a um universo de sentidos negativos (o diabo, não-direito, agourento). O palestrante lembrou o que a língua registrou, mas que seus falantes já esqueceram.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Recriação da Amazônia

Fiquei intrigada com essa placa. Qual é o conceito de recriação desse povo? O que eu vejo é a ausência da mata amazônica no trecho imediatamente atrás da placa. Será que a ideia é devastar a floresta amazônica para vê-la renascer das cinzas, como se fosse Fênix?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Parque Natural de Porto Velho

No total, o meu velocímetro registrou 33,15 km em 1h 38min. 

Eu tinha pedido pra Miyuki que avisasse aos biólogos do círculo de amizades dela que eu estava super afim de entrar na mata - mas não sozinha. Se algum biólogo fosse coletar material na floresta, eu estava disposta a acompanhar (e trabalhar). Achando que eu não daria conta de caminhar na mata o dia todo, ela não intercedeu por mim.
Fui com a Amarilda. É bem da hora perceber a paisagem mudando conforme se sai do perímetro urbano. A própria Av. Rio Madeira já tem paisagem diversificada: Shopping, Alphaville, zona de transição e borda da mata.
Quando entrei no parque, quase dei as costas e voltei. O que pude ver era assustador: um trio elétrico, um palhaço barrigudo anunciando a Semana do Meio Ambiente no microfone e brinquedos para crianças (gangorra, balanço, casinha etc.). Eu não tinha pedalado aquilo tudo pra ficar surda. Me afastei da parte "civilizada" do parque e achei uma trilha depois do viveiro de mudas.
Caminhei nessa trilha por mais ou menos uma hora. Saciei minha vontade de caminhar na mata, de pisar na terra, de ouvir os sons da floresta, de respirar o verde e estar perto das árvores. Vi borboletas exóticas, libélulas excêntricas, alguns mosquitos, um lagarto e uma família de selvagens vestidos com camisetas de time de futebol cujos filhotes corriam gritando e jogando pedras ao léu.
Muitas árvores estavam identificadas. Assim fiquei sabendo que breu branco, copaíba e macuco são árvores (e não matinhos ou pássaros). A árvore com o nome mais estranho eu registrei: