sábado, 12 de junho de 2010

Nove noites


"(...) pois o segredo, sendo o único bem que se leva para o túmulo, é também a única herança que se deixa aos que ficam, como você e eu, à espera de um sentido (...)" (p. 6, que é a primeira página!)

Estou escrevendo um livro didático sobre Linguística Geral para índios de várias etnias que têm a língua portuguesa como segunda língua (ou terceira, mas o importante é que seja uma língua estrangeira). Depois de ler Language Death do David Crystal, a minha postura não é neutra ou puramente acadêmica. Entendo que a minha tarefa seja instrumentalizar esses índios para que sejam minimamente capazes de refletir sobre suas línguas maternas. O passo seguinte seria que descrevessem e documentassem as suas línguas, para que as línguas indígenas não corram risco de extinção.

Terminado o Language Death, comecei o Nove noites, do Bernardo Carvalho. Que viagem! Ainda não fui muito longe, mas o narrador tenta entender o suicídio de um antropólogo norte-americano que viveu entre os índios krahô, no Tocantins, e cometeu suicídio in loco. Tem até Franz Boas na estória.

Enquanto eu escrevo o meu livrinho didático para os índios, fico pensando nas línguas indígenas que morreram na minha leitura anterior e no antropólogo que morreu na aldeia nessa minha leitura atual. Espero sobreviver o processo de escrita.

2 comentários:

Mônica disse...

Oi, Lou

Esse livro é um projeto pessoal ou faz parte das obrigações como professora da Unir?

bjs

iglou disse...

Estamos oferecendo curso de licenciatura para indígenas do estado de Rondônia.
Será um curso presencial, mas com material e procedimentos dos cursos à distância. Sendo presencial e tendo os índios direito a uma sede fora da cidade, vou passar duas semanas (no segundo semestre) na aldeia, ministrando essa disciplina que estou escrevendo.