segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Espírito Santo, Amém

Itabira, o símbolo de Cachoeiro de Itapemirim
Depois do Natal em família (família Novoa) em Campinas, Luis e eu subimos de ônibus para o Espírito Santo. Fizemos uma parada rápida no Rio e passamos algumas horas naquele que foi noticiado no dia seguinte como o dia mais quente da história do Rio (43°C). Chegamos cedo em Cachoeiro, onde o sol já mordia às 7 da manhã.

Areia preta
Em Cachoeiro, na casa dos pais do Luis, havia um carro. Pegamos a chave desse carro na outra ponta da cidade e nos dirigimos a Marataízes, local de veraneio dos cachoeirenses. As praias são enseadas curtinhas, que se transformam completamente conforme a maré (mostrando ou cobrindo suas pedras). Uma das praias se chama Praia da Areia Preta, que tem uma areia famosa por seus poderes terapêuticos (contra reumatismo).
Ponta do Siri lá longe, Marataízes aqui
A água do mar parece não ser poluída, já que se vê muitas (mesmo!) tartarugas marinhas bem perto dos banhistas. Fiquei feliz de ver tantas colocando a cabecinha de fora pra respirar.
Maria-mijona
Logo nos instalamos nas pedras e acompanhamos a maré baixando. Nessas pedras, há universos inteiros de moluscos, algas, ouriços, peixinhos e tantas outras coisinhas coloridas. Luis relembrou a infância pescando com linha.
Pesca artesanal: com linha e caramujo na isca
Luis pegou dois peixes, mas o mar os pegou de volta quando uma onda derrubou o potinho em que eles estavam.
O primeiro peixe pescado

Olha o céu
Na volta para casa, paramos numa outra ilha de pedra e pegamos um peixinho com a camiseta (várias técnicas de pegar peixe!), que funcionou como rede. A graça era cercar e pegar o peixe. E quando isso foi alcançado, Luis deu o peixe pra criança que se encontrava mais perto de nós. Comoção geral, aquele peixinho minúsculo virou ímã de atenção. O problema é que o menino que ganhou o peixinho tinha um irmão. A mãe dos meninos veio na lagoa da pedra e se pôs a caçar peixinhos com a mão. E conseguiu! Ela chegou a pedir a minha ajuda, mas ela pegou peixinhos e carangueijinhos sozinha - pra surpresa e alegria dela.
Peixinho do tipo tainhazinha
Luis se distanciou de nós, à procura de um segundo peixinho, e acabou achando caracois (que neste momento estão em suas mãos, na cozinha, prestes a morrer na panela). E depois dos caracois, achou um carangueijinho preto.
Me senti muito corajosa pegando esse bicho
O ano de 2012 terminou bem colorido e alegre. O ano de 2012 foi de mudanças radicais na minha vida. Que em 2013 eu consiga me equilibrar entre Santa Maria e Rio.
Feliz 2013 pra todos nós!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ainda bem

que o mundo não acabou hoje!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Biguá


Imagem coletada em algum canto da internet
Hoje de manhã eu tava lá na editora da UFSM, sendo apresentada ao modus operandi da editora, quando chegou um aluno de Biologia com uma prova de livro. As provas de livro são as bonecas, as versões que ainda podem sofrer alterações antes da impressão pra valer. O livro era sobre a avifauna do Rio Grande do Sul e a prova que vimos era com capa dura, encadernada, costurada e com imagens de alta qualidade.

Todos ali na mesa (editora, diretor, bolsista e eu) ficamos bem impressionados com a qualidade do livro e ficamos admirando as cores e formas dos pássaros. Quando meu olho bateu no biguá, exclamei: "já comi biguá!" Senti que desviei a atenção de todos e expliquei que a minha vida em Rondônia tinha sido uma aventura.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Paralelos

Percebo alguns paralelos entre Porto Velho e Santa Maria: (i) ambas têm fortes bases militares (tanto é que quando eu estava procurando transportadora pra fazer a minha mudança e anunciava que ia pra Santa Maria, um tanto de gente adivinhou - mas não acertou - que eu era militar); (ii) em ambas, a universidade fica a 10 km da cidade (com o diferencial que em Santa Maria existe um bairro em volta da UFSM); (iii) dizem que em Santa Maria faz tanto calor como em Porto Velho, mas eu não acredito. Vejo as pessoas reclamando de calor aqui, mas pro meu corpo chegar a sofrer é pouco.

O Camobi, bairro que se desenvolveu em volta da UFSM é comparável a Barão Geraldo. Ambos são autossuficientes em relação à cidade e ambos são predominantemente habitados por pessoas ligadas à universidade. Isso significa que há muitas repúblicas, kitnets, bicicletas e porções pequenas de alimentos nos supermercados. Mas enquanto a Unicamp era bem vazia nos finais de semana (e por isso eu me refugiava lá), a UFSM vira parque - tipo Ibirapuera - nos fins de semana.

No domingo, saí de casa às 20:00 e fui caminhar na UFSM. Escurece às 20:30 aqui. Enquanto o céu se coloria de cores quentes, vi meninas treinando andar de bicicleta sem as mãos, meninos andando de patins, rapazes jogando futebol, moças jogando vôlei, famílias fazendo piquenique, gente lendo sentada em cadeira de praia. Acho que não erro muito se disser que um terço da população que vi ali estava tomando chimarrão. Mesmo as pessoas que caminhavam, carregavam sua térmica e cuia. Esse hábito de tomar chima não tem paralelo com outro lugar que eu conheça fora do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Um pouco de filologia

Uma das disciplinas que me foram atribuídas é completamente nova pra mim: oficina de produção e edição de livros. Como meu conhecimento a respeito desse universo é de consumidora de livros, não de editora ou impressora, colorista ou qualquer outra pessoa que conhece de perto as etapas da confecção de um livro, recorri à literatura especializada.

Fiquei encantada com a clareza e simplicidade de Emanuel Araújo, em A construção do livro. Apesar de ter sido editado em 1986 (e apenas reimpresso, não reeditado, portanto não alterado) - e justamente por isso não tratar de impressoras coloridas, scanners, que dirá e-books e softwares de editoração - apresenta toda a engrenagem do processo.

Um paralelo que posso fazer é com a fotografia. Mesmo que eu me interesse apenas por fotografia digital, qualquer curso de fotografia vai me ensinar a revelar fotos no modo analógico. Não sabemos mais o que acontece no mundo digital: apertamos botões sem entender a mecânica da coisa (acho que é por isso que eu gosto de bicicletas: entendo como funcionam e sei consertar - se tiver as ferramentas).

Lendo sobre as quatro (principais) formas de impressão, entendi como funciona a máquina de xerox! Mais que isso, vislumbrei como funcionam a tipografia, rotogravura e offset. Ao contrário do xerox, essas três maneiras implicam na geração de "chapas" em que o texto/ a imagem é gravado/a para depois ser passado/a ao papel. Na seção sobre tipografia, lê-se:

Os chineses, na realidade, desde cedo já usavam chapas às quais se fixavam os tipos (...). (...) obtido o número desejado de exemplares, as chapas eram facilmente guardadas para o caso de reimpressão.
Embora confinado em território chinês, esse processo era de fato aquilo que os europeus do século XVIII chamariam de 'estereotipia' (do grego stereós, 'sólido', i.e., 'firme, compacto, estável, imóvel, constante', e typos, 'sinal, imagem, molde, representação' (...).
Até a introdução das impressoras rotativas, na década de 1840, muitos pesquisadores desenvolveram a noção moderna de estereotipia, processo através do qual uma fôrma de composição tipográfica é reproduzida numa superfície única que contém uma página ou um conjunto de páginas para impressão. Essa superfície, em fins do século XVIII, passou a ser conhecida como 'clichê', do vocábulo francês cliché, particípio passado do verbo clicher, que no sentido tipográfico, empregado pela primeira vez em 1785 por Joseph Carez (1753-1801), significa 'estereotipar', designando o ato específico de coar matéria derretida (metálica ou não) sobre a matriz de uma página composta, o que resulta em uma placa sólida, da qual se tira grande número de exemplares (...). (p. 546) 

Quem diria que o conceito de 'esterótipo', que a Semântica explora muito bem, na verdade vem de outro campo orbitando em volta da linguagem: a confecção de livros.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A mudança chegou

No domingo, o meu contato na Transportadora me ligou confirmando que a mudança chegaria na sexta. Na sexta, passei a manhã inteira esperando e ligando pra saber do caminhão. Às 14:00, o motorista me ligou do trevo da saída da cidade. Disse que arrumaria dois ajudantes e já viria. Suspeito que eu tenha entendido o que significa aquela placa anunciando "chapa" nessa hora. E entendi que desse jeito a Transportadora economiza custos. 

Alguns minutos depois, vi o caminhão na esquina e o polegar levantado do motorista.   
Escritório com tudo embalado
Fui postada no portão do prédio com a prancheta e o inventário, o motorista entrou no caminhão e distribuía os volumes. Conforme os carregadores iam passando, me diziam o número do objeto que seguravam. Eu conferia e dizia para que cômodo era mais conveniente levar. Errei várias coisas de lugar, especialmente as que eram identificadas com descrições do tipo "diversos". Achei graça no nome que deram pras minhas bicicletas: uma era a amarela, outra a laranja e a terceira levou o nome do adesivo: one less car! Com o ponto de exclamação incluso.
Escritório mais funcional
Depois que tudo estava dentro do apartamento, o motorista dispensou os dois e se pôs a montar o guarda-roupa. Enquanto ele montava, eu desembalei todos os volumes (exceto as caixas), montei a cama de solteiro que servirá de sofá e as estantes.
Tudo amontoado na sala
Antes de ir embora, ele me alertou que aqui as tomadas são 220v. Putz! Tudo que eu tenho de enfiar na tomada é 120v. Fui correndo na loja de ferragens (saí pela lateral, porque a loja fechou comigo dentro) e deixei uma grana preta em transformadores power.
Sala um pouco mais habitável
Ainda deu tempo de pedir gás. Enquanto o cara rosqueava a mangueira no butijão de gás cheio, ele conversava comigo sobre a incomodação que a máquina de lavar roupa dele igual à minha tinha dado a ele. E eis que acaba a água. Depois de trabalhar a tarde toda, suja e cansada, tive que me deparar com a falta d'água.
Cozinha impraticável
Passei o sábado abrindo caixas, organizando livros, calculando espaços pra mim e pro Luis, lembrando das coisas que tenho e tentando adivinhar onde estavam. Varri a casa mais vezes do que o número de dias em que estou nela. Lavei a geladeira que mofou apesar do pedaço de carvão e fiquei feliz com a volta da água. Liguei a geladeira (por intermédio do transformador) e pela primeira vez (em 2 semanas) comprei comida de verdade.

Achei que eu não fosse soltar um pio sobre o fato de não ter pia na cozinha, mas tá difícil viver assim. Como não tem onde colocar o escorredor, não tem onde colocar a louça que lavo no tanque. Daí tenho que secar cada item logo depois de enxaguar, o que significa que só solto cada peça depois de alocada seca numa das caixas que se amontoam por falta de armários.
Cozinha do jeito que está
Inventariei as coisas de enfiar na tomada e decidi que era mais prático comprar ferro de passar e torradeira aqui do que dividir transformador. Por sorte o som pode ser enfiado na tomada aqui. A manhã de hoje foi musical.
Eh, saudade!
Não aguento mais fazer faxina nem gastar dinheiro. Semana que vem começo a dar aula.