segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Um pouco de filologia

Uma das disciplinas que me foram atribuídas é completamente nova pra mim: oficina de produção e edição de livros. Como meu conhecimento a respeito desse universo é de consumidora de livros, não de editora ou impressora, colorista ou qualquer outra pessoa que conhece de perto as etapas da confecção de um livro, recorri à literatura especializada.

Fiquei encantada com a clareza e simplicidade de Emanuel Araújo, em A construção do livro. Apesar de ter sido editado em 1986 (e apenas reimpresso, não reeditado, portanto não alterado) - e justamente por isso não tratar de impressoras coloridas, scanners, que dirá e-books e softwares de editoração - apresenta toda a engrenagem do processo.

Um paralelo que posso fazer é com a fotografia. Mesmo que eu me interesse apenas por fotografia digital, qualquer curso de fotografia vai me ensinar a revelar fotos no modo analógico. Não sabemos mais o que acontece no mundo digital: apertamos botões sem entender a mecânica da coisa (acho que é por isso que eu gosto de bicicletas: entendo como funcionam e sei consertar - se tiver as ferramentas).

Lendo sobre as quatro (principais) formas de impressão, entendi como funciona a máquina de xerox! Mais que isso, vislumbrei como funcionam a tipografia, rotogravura e offset. Ao contrário do xerox, essas três maneiras implicam na geração de "chapas" em que o texto/ a imagem é gravado/a para depois ser passado/a ao papel. Na seção sobre tipografia, lê-se:

Os chineses, na realidade, desde cedo já usavam chapas às quais se fixavam os tipos (...). (...) obtido o número desejado de exemplares, as chapas eram facilmente guardadas para o caso de reimpressão.
Embora confinado em território chinês, esse processo era de fato aquilo que os europeus do século XVIII chamariam de 'estereotipia' (do grego stereós, 'sólido', i.e., 'firme, compacto, estável, imóvel, constante', e typos, 'sinal, imagem, molde, representação' (...).
Até a introdução das impressoras rotativas, na década de 1840, muitos pesquisadores desenvolveram a noção moderna de estereotipia, processo através do qual uma fôrma de composição tipográfica é reproduzida numa superfície única que contém uma página ou um conjunto de páginas para impressão. Essa superfície, em fins do século XVIII, passou a ser conhecida como 'clichê', do vocábulo francês cliché, particípio passado do verbo clicher, que no sentido tipográfico, empregado pela primeira vez em 1785 por Joseph Carez (1753-1801), significa 'estereotipar', designando o ato específico de coar matéria derretida (metálica ou não) sobre a matriz de uma página composta, o que resulta em uma placa sólida, da qual se tira grande número de exemplares (...). (p. 546) 

Quem diria que o conceito de 'esterótipo', que a Semântica explora muito bem, na verdade vem de outro campo orbitando em volta da linguagem: a confecção de livros.

3 comentários:

Mônica disse...

Lou, a faculdade tem gráfica? Se tiver, veja se vc pode fazer um tour. Não importa se o equipamento é muito moderno ou não, pois o princípio é o mesmo. Eu tinha um vídeo de como o livro é feito. Vou ver se encontro.

bjs

Mônica disse...

Achei: http://m.youtube.com/#/watch?v=ZLiF2i7ndM4&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3DZLiF2i7ndM4&gl=BR

Esta é a impressão offset. E aqui vc tem só a impressão, aquilo que eu faço é o processo de pré-impressão.

iglou disse...

Mônica, que video bonito! Gostei, obrigada.
Sim, a universidade tem gráfica e os meus alunos já foram na gráfica. Eles sabem mais que eu... Eu é que não consigo encontrar a editora que faria o tour comigo porque nossos horários estão difíceis de compatibilizar.