segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Me acostumando


Estou me acostumando
Ao calor
Aos meus cheiros
À cidade
Aos barulhos dos gatos feios no forro
Ao ritmo dos dias de água
A fazer faxina
À demora dos serviços
Ao fuso horário daqui
A uma hora diária de internet.

Mas continuo sem entender
Onde moram os sapos que aparecem em dias de chuva
Quem usa todos aqueles edredons que eu vejo na lavanderia

domingo, 30 de agosto de 2009

Minha prisioneira

Ela não sai de casa, mas ouve intensa atividade rolando fora das paredes de casa. No começo, eu pegava ela no colo e ficávamos na janela, vendo os passarinhos, os gatos feios e sentindo o ventinho fresco na cara. Mas aí eu fui ficando tão Felícia, que ela não queria mais colo. Pulava na janela, furava a tela e fazia escândalo.

Botei umas caixas de livro na janela da sala, pra ela poder olhar o movimento na rua, mas na primeira madrugada ela brigou com o gato preto em alto em bom som. Botei as caixas na janela do quarto vazio, a uma distância segura da janela e pronto. Ela passa a maior parte do dia aí em cima. Ou sentadinha, observando a vida no jardim, ou dormindo.

sábado, 29 de agosto de 2009

Negociadores

Enquanto prendo a bicicleta num poste, ouço um senhorzinho se aproximar.

(blá blá blá) ... Severino
bom pra homem, mulher e menino.
Vai querer?
Estica duas garrafas de água mineral com um líquido parecido com urina dentro.
Vou, não.
Então é porque ainda não tá na hora.

* * *

Bom dia, patroa! Vai mandioca hoje?
Sim, mas eu só quero essas duas aqui.
Vamo inteirar um quilo?
Não, um quilo é muito.
Vamo inteirar um real? Porque o que tem aqui eu não posso lhe cobrar.
Que seja um real de mandioca, então.

* * *

Vou atravessar uma avenida movimentada, tão movimentada que mais parece um rio. Abre uma brecha e consigo chegar até o canteiro central. Paro no meio da passagem e espero pra poder atravessar a segunda parte. Um carro que esperava do lado de lá vem para o espaço onde eu estou. Buzina. Não penso que é comigo. Buzina de novo e olho pra trás, ao longo da minha bicicleta que está a 5cm da lataria do carro dele. Procuro pelo motorista atrás do vidro escuro e vejo uma mão apontando para a minha bicicleta. Epa! Quem chegou nesse espaço entre as vias da avenida fui eu, portanto você deveria se orientar por mim e ocupar o resto dessas largas avenidas de Porto Velho. Mas não digo nada disso, porque o sujeito se esconde atrás do insulfilm. Levanto o queixo e lhe ofereço a orelha, fazendo movimentos circulatórios com a mão. Ele entendeu que eu pedi pra ele abaixar o vidro. Saiu cantando pneu. Não quis negociar espaço com uma ciclista.

* * *


Berg não vem mais pra terminar a obra, porque percebeu que se terminar a obra, não tem mais como pressionar a Iza, que ainda lhe deve um terço do pagamento. Iza não paga porque não consegue extrair o dinheiro da inquilina anterior. E eu fico sem esgoto, uma torneira curta demais pra pia e um portão feio. Sem essas coisas consertadas não tem vistoria, e sem vistoria não tem contrato. Mas o contrato é o meu comprovante de residência que a Unir quer ver, então preciso fechar contrato mesmo sem vistoria. Isso posterga mais uma vez o pagamento do Berg, porque o que a Iza quer é fechar contrato comigo, não pagar o pedreiro. Berg precisa bolar outros jeitos de conseguir dinheiro.

Veio aqui pra me oferecer um armário e uma cama. Disse que eram de madeira e beiges. Se dissesse que eram marfim, eu teria menos dificuldade pra aceitar, mas assim, comprar uma cama e um armário sem ver as peças, me pareceu difícil. Disse que trazia ainda hoje, tava usado, não tava 100%, mas tava bom e o preço era baratinho. Não precisava do pagamento com urgência, mas precisava urgentemente tirar os móveis de uma casa onde ele tava trabalhando. Pedi o endereço e fui de Amarilda enquanto ele ia de moto.
A 1km da casa, já na rua certa, ouvi um ‘é aqui mesmo’ gritado na minha direção. Eu estava atenta ao carro manobrando na minha frente, e só três giros de pedal mais à frente é que caiu a ficha: era a voz do Berg. Parei, olhei pra trás e era ele mesmo. Já ia descendo da bicicleta, mas ele fez sinal que eu seguisse em frente. Me ultrapassou mais à frente e me mostrou os móveis. Sim, eu poderia ter escolhido aquela cama e aquele armário numa loja.

O preço da mensagem

“(...) Tudo começou com as tentativas de [Claude] Shannon, nos Bell Telephone Laboratories, para definir e medir quantidades de informação transmitidas pelas linhas de telégrafo e de telefone, a fim de conseguir estimar eficiências e de estabelecer uma base para fazer a cobrança das mensagens transmitidas.”
(Capra, 1996, p. 65)

Esse seria um ótimo começo para uma história. Já fizeram filmes sobre Einstein, peças de teatro sobre Heisenberg e até coloriram um filme sobre mágica com pitadas da biografia de Tesla. Por que não uma história sobre a informação e seu preço? Quais são as unidades mínimas de informação? Uma palavra? Um silêncio revelador? Cobra-se pela mensagem ou pelo tempo de interação? Ou ainda pela distância que a mensagem viaja?

O que vem depois desse primeiro passo não é enfadonho, porque os meios de comunicação à distância se multiplicam com o passar do tempo. E os custos para a transmissão de informação variam conforme os modos de comunicação, o tempo e a distância que a informação percorre.

Darei um exemplo prático.
60 minutos de lan house, em que eu posso fazer uso das minhas contas de skype e e-mail, me custam R$ 1,50.
4 minutos no orelhão de conversa com a minha vó em Gramado me custam 28 unidades no cartão telefônico. O cartão de 40 unidades custa R$ 6,00, portanto gastei R$ 4,20.
3 minutos e 24 segundos de conversa com o meu pai na Alemanha pelo celular custaram todos os meus R$ 14,44 de crédito.
Você duvida da minha sanidade mental quando digo que liguei para a Alemanha do celular. Mas o fato é que R$ 14,44 de crédito são mais que 40 unidades no cartão telefônico.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Junta Médica de novo

Fui na Junta Médica, aquele lugar onde não se pode entrar trajando bermuda e regata, para que me dessem um laudo a partir de todos os meus exames médicos, confirmando que estou apta para assumir o cargo de professora. A gordinha baixinha de regata e cara de sapo me disse: pode sentar, porque aqui demora bastante.

40 minutos depois, com o semblante totalmente transformado pelo tédio, ouço alguém murmurando o meu nome. Era ela, ensaiando um chamado enquanto alisava os meus documentos com ... eu diria carinho. Sou encaminhada para uma sala onde estão sentados seis ou sete médicos gordos e velhos. O doutor que me tinha sido indicado não me cumprimenta, mal me olha, mas estuda o meu RG minuciosamente. Demorou esse tempo todo para formular a sua primeira pergunta: você fala alemão?

Um por um, desdobrou os laudos e examinou os carimbos dos médicos. Por fim, perguntou pelo meu laudo toxicológico. Não está aí? Mandou eu procurar na papelada. Eu não sabia por o que procurar, e expliquei que eu não entedia aquelas siglas todas. Chegamos à conclusão de que os exames de maconha e cocaína não estavam na minha coleção de exames. Com essa minha cara de bicho grilo, como que eu ia provar que não há nem vestígio de entorpecentes no meu corpo?

Voei pra casa, confirmei que eu não tenho esses exames, nem mesmo os fiz. Fui no consultório em que eu tinha feito o pacote de exames médicos e mostrei que o exame toxicológico tinha sido esquecido. O laboratório que analisou a minha urina semanas atrás vai emitir o laudo.

Sobre a suspensão do edital 11

Quando prestei concurso pra Unir, fiz as provas sob o edital 11/2008. Uma informação importante é que este edital diz respeito a todas as pessoas que fizeram prova ao mesmo tempo que eu, para diferentes unidades da universidade.
Durante a semana de provas, toda e qualquer decisão por parte da universidade pode ser contestada pelos candidatos, que apresentam um recurso (reclamação) que pode ser aceita ou não. As provas eram: escrita, entrevista e aula. Por algum motivo obscuro, o edital previa que as provas escritas não seriam recorrigidas, ou seja, ninguém tinha o direito de reclamar da avaliação de sua prova escrita.

Enquanto única inscrita, fui aprovada na mesma semana em que fiz as provas, mas a nomeação teve que esperar o MEC liberar as verbas para contratação. Foram meses de desamparo e ignorância, em que eu não sabia se já ia pra Porto Velho ou se ficava em São Paulo, me virando com aulas de alemão e inglês. Fiquei em São Paulo porque pude assumir algumas turmas de imediato em duas escolas onde eu já tinha trabalhado e já tinha criado vínculos afetivos com os donos/coordenadores.

Em Julho foi anunciada a liberação da verba e as pessoas que prestaram concurso em 5 editais (olha quanto concurso acumulou sem que as pessoas fossem nomeadas) foram convocadas para se apresentarem. Nossos nomes foram divulgados no Diário Oficial da União, e a partir da data da publicação do nome no DOU cada candidato tinha um prazo de 30 dias para apresentar toda a documentação exigida para a posse. Essa documentação inclui os exames médicos.

Um dia depois da publicação do meu nome no DOU, o meu edital foi suspenso por ordem judicial. Como o edital 11/2008 estava suspenso, a universidade não poderia, em princípio, receber nenhuma documentação nossa. Mas ela se dispôs a receber nossa documentação e a emitir encaminhamentos para a Junta Médica.
A universidade retirou do edital a cláusula que impossibilita a recorreção das provas escritas e abriu prazo para receber recursos de quem quer que tivesse se sentido prejudicado na correção das provas escritas realizadas em fevereiro. Uma nova banca de avaliadores foi instalada e o resultado da recorreção foi divulgado. E esse novo resultado não mudou em nada o resultado que já tínhamos.

Provavelmente alguém que não foi aprovado no concurso esperava ser aprovado agora, depois da recorreção das provas escritas. E provavelmente não adiantou recorrigir prova nenhuma. Mas num edital, todos estão juntos, e enquanto a pendência judicial de um não for resolvida, 51 candidatos precisam esperar. 6 novos cursos, que contavam com a contratação de pessoas enquadradas no edital 11/2008 foram suspensos por falta de professor. E agora a universidade estava sendo penalizada por ter aceitado a documentação dos candidatos mais velozes. A Justiça obrigou a Unir a devolver toda a documentação recebida em 24 horas e a condenou a um longo prazo de espera. No dia da devolução de documentos, muitos dos 51 candidatos se viram pela primeira vez. Decidiram se unir e contratar advogado para lutar pelo nosso direito de trabalhar. Recebi e-mail de um, perguntando se eu sabia por que estavam querendo anular o nosso edital.

Anular? Mas aí as provas seriam invalidadas, eu teria vindo em vão e gastado todas as minhas economias em vão. Eu teria suado em vão, eu teria sonhado em vão, eu teria esperado em vão. Uma semana depois, o mesmo candidato que tinha me escrito, nos deu a boa notícia que o nosso edital não seria anulado. O próprio reitor publicou uma nota de esclarecimentos na página da Unir e garantiu que as devidas medidas tinham sido tomadas em nosso favor. Intercederiam por nós, mas ainda faltava a decisão final, porque o prazo para essa decisão ainda não tinha acabado. Mais um teste de paciência.

E agora a decisão final veio a nosso favor: a universidade tinha obedecido a todas as ordens judiciais e os 51 candidatos podiam ser empossados. Nos e-mails trocados entre os 51, as despedidas são assim: até a posse!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Aleluia

A suspensão do edital empacado foi revogada. Posso ser contratada. Ainda preciso aguardar a universidade me chamar pra entregar a documentação. Mas já não vivo mais nessa incerteza. Já não tenho mais motivos para ter sonhos desassossegados.
Agora ainda tenho 29 dias pra me apresentar na universidade com toda a documentação. Mas não sei se me apresento já ou vou a Gramado, festejar os 90 anos da minha Oma. Minha mãe está a caminho de Gramado com a minha tia. Faz 2 anos que eu não vejo a minha mãe. E faz 6 meses que eu estou esperando esse emprego sair.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Frutos do ócio


Não, eu não preciso de mais cestas. Eu preciso de uma ocupação. Um emprego, por exemplo, seria bom. Daquele tipo que eu faço o que gosto de fazer e ainda por cima ganho salário no fim do mês.

Mas veja como a minha habilidade para fazer cestas evoluiu. Na primeira cesta, não soube lidar de maneira elegante com as rebarbas. Na segunda cesta este dilema foi resolvido, mas a técnica de levantar as bordas ainda me era um mistério. Na terceira cesta, consegui enterrar as rebarbas e subir as bordas. Programa de índio, hein...

Enquanto as minhas mãos estavam ocupadas, minha mente passeou por sítios arqueológicos, em que são desenterrados inúmeros vasos e jarros. Será que eles de fato usavam isso tudo pra armazenar mantimentos – se pergunta o aprendiz de arqueólogo. Imaginei a seguinte cena:

O homem chega todo sujo de barro, trazendo para dentro da cabana suas pegadas de lama. A mulher, amamentando uma criança, olha para a figura que se aproxima com um sorriso de orelha a orelha, estourando de alegria e orgulho.
- Veja mulher, fiz um vaso perfeito.
A mulher, com mais senso prático que estético, responde:
- Ãghm. Mais um? Não precisamos de mais vasos. Vá plantar coquinho, homem!
Ela pensa que assim consegue despachar o companheiro.
- Ahm. Mas este é perfeito.
Diz, com os olhos arregalados de surpresa pela falta de atenção da parceira.
- Ponha-se daqui pra fora, seu inútil!
Vocifera a mulher enfurecida.
Magoado, enquanto caminha de cabeça baixa até sua oficina, o homem tem uma brilhante idéia:
- Humpf. Inútil. O vaso é perfeito... E plantar coquinho não me parece nada útil. Quê que eu posso fazer agora, que já dominei a arte de fazer vasos perfeitos? Já sei! Vou pintar o vaso. Vai ficar bonito, você vai ver. Vou retratar você e eu, você vai gostar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Chuva

Os sete parafusos de titânio encravados no osso do meu pé direito tinham me avisado logo de manhã que ia chover. Passou o período de almoço, e nenhuma gota tinha caído do céu nublado. Só quando Porto Velho se preparava para anoitecer que a chuva caiu. Veio de mansinho e ficou por horas irrigando a vegetação verdejante.

Em tempo: agorinha, a temperatura é de 34°C, mas a sensação térmica é de 37°C. Chuva é a melhor coisa do mundo!!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Soletrando

Eu não tenho um nome muito óbvio, comum e que se veja por aí todo dia. Ponha o meu nome Google e só vai dar eu nas 6 primeiras páginas. Por isso sempre preciso soletrar o meu nome a quem quiser anotá-lo. Quando a pessoa está munida de papel e caneta, normalmente peço pra eu mesma escrever. Mas quando a pessoa está diante de um teclado, prefiro não me intrometer tanto na tarefa de registrar esse meu nome.

- Seu nome?
- Lou, escreve L – O – U.
Acompanho a pessoa escrevendo ‘Ellen’ e me olhando confusa. Aí eu explico que vou soletrar o meu nome.

O hífen eu já aprendi a deixar de fora do meu nome, porque já vi colocarem apóstrofe e asterisco no lugar. Também já notei que o fim do primeiro nome e o início do sobrenome sempre precisam ser anunciados. Já percebi também que o maior problema é inserir o O entre o L e o U, porque afinal de contas ele não é muito intuitivo. Que sejam dois Ns também não é fácil de processar. Depois que o primeiro nome está garantido, o sobrenome flui melhor. Ainda assim, a letra K é problema para alguns, que preferem escrever C.

Pra ajudar nessa missão difícil que é escrever o meu nome, soletro dando exemplos de uso da letra: N de nariz, mas a pessoa não confia nos próprios ouvidos. M de Maria? T ou P?
Pra me divertir, acho que vou começar a soletrar o meu nome assim, conforme elaborei nas minhas horas de ócio:

L de fácil
O de sorte
U de mau

deixa um espaço, isso, vai, coragem!

A de banana
2 N de saxofone

agora vem o sobrenome, ei, estamos na metade do caminho! Quer fazer uma pausa?

K de Yakisoba
L de mal
E de peixe
2 P de sopa
A de
lambada.

Pronto, terminou. Posso ver?

domingo, 23 de agosto de 2009

Vieram

Mamão papaya, que eu sempre arrancava lá em Barão Geraldo, é festejado aqui. O mamão que tem aqui não é o papaya, não é doce como ele.
Essas devem ser as sementes de limão do tipo cor de laranja. E as debaixo devem ser de laranja lima. Se me enganei, então é ao contrário.
Só as sementes de maracujá doce, flamboyant e coisas incertas que ainda não vieram. Mas que o maracujá não queira vir me deixa triste. Por isso botei umas sementes na serragem e outro tanto na areia. Sei lá se ajuda, mas me dá esperança.

Fruta do conde

A primeira árvore do jardim não tinha frutos, nem vestígios deles, só essas flores discretas.
Aí, depois de um tempo, reparei que a flor virava fruto. Mas ainda não era capaz de determinar qual.
A frutinha foi crescendo...
Até eu me convencer que tenho 3 pés de fruta do conde no jardim.

sábado, 22 de agosto de 2009

Açaí: mil e uma utilidades

Caiu um cacho de açaí hoje. Tem pouquíssima carne e a fruta é quase só caroço.
Hoje, dia de feira, um homem com cara de índio apareceu aqui, dizendo que sempre comprava o açaí dessa casa. Pagava R$ 5,- a lata (lata de tinta), mas ele mesmo colhia. Aí a cunhada dele batia o açaí e vendia na feira. Se eu quisesse fazer negócio, ele ia querer ver o açaí mais de perto. Entrou, olhou, calculou e disse que voltaria semana que vem. Explicou onde fica a sua barraca na feira e concordou em trocar açaí in natura por açaí batido.


Daí eu fiz essa cesta (que mais parece um ninho, admito, mas pô, deu trabalho!) com as folhas de palmeira do açaí. Agora sim, cabe tudo que eu trouxe da feira:

Companheira

Quando fico muito tempo na rede, olhando prum livro, ela pula pra dentro da rede e deita onde for menos quente. Quando mudo de um cômodo pra outro na casa, ela vem atrás (não há muitas portas dentro da casa, e todas sempre estão abertas). Quando fico um tempo sem vê-la, vou à sua procura e vice-versa. Quando converso com ela, ela responde miando. Quando ela deita comigo, sempre encosta uma patinha em mim. Quando lhe ofereço a cordinha ou a bolinha de tênis, ela brinca e se enrola no tapete que pus pra ela (sozinha, ela não interessa por nenhum dos objetos). Quando ponho comida em seu potinho, ela só come quando me ouvir mastigando também (a minha comida, não a dela). Quando faço os meus exercícios de yoga, ela assiste. Mas antes afunda as garras na minha manta, se roça na minha perna, deita na manta e se enrola nela e por fim deita nas minhas costas quando estou na posição da vela:

Sorte que saiu quando eu estava contando o terceiro minuto, senão teria medo de esmagá-la ao descer as pernas.

Lembrei do Tatit:

...
Sempre ao meu lado
Não se afastava um segundo
Uma companheira
Que ia fundo
Onde eu ia
Ela ia
Onde eu olhava
Ela estava
Quando eu ria
Ela ria
Não falhava
...
De repente a vida ganhou sentido
Companheira assim nunca tinha tido
O que pinta sempre é uma coisa estranha
É companheira que não acompanha

Minha Laranja Mecânica

Agora o nome da Laranja Mecânica está inscrito nela, apesar de eu saber que o Kubrik é uma referência pouco corrente por essas bandas...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em bicas

Não sou uma pessoa que sua fácil. Lembro do meu parceiro de escalada, Tanguy, com inveja de mim nos dias quentes de alta umidade na academia de escalada holandesa. O francês não invejava as minhas habilidades de montanhista, porque nunca passei de uma mera iniciante (com potencial, vá lá, mas ainda assim aprendiz). O moço que nasceu aos pés dos Alpes e que pode se considerar ótimo escalador invejava a capacidade do meu corpo para lidar com o calor e a umidade sempre alta na Holanda. Eu conseguia segurar as agarras, ele escorregava. Todos os seus poros transpiravam. Quando voltava a tocar os pés no chão, estimava quantos litros tinha perdido no caminho vertical e observava gotas de suor pingando pelo queixo. Eu só dava risada e seguia sem suar.

Mas aqui não tenho mais superpoderes. Enquanto não houver vento na minha cara, vou sentir pérolas de suor na ponta do meu queixo e nariz. Os outros usam toalhas para se enxugar, eu fico passando a mão. Se eu me movimentar muito dentro de lugares fechados e sem ar condicionado, tipo a minha casa, e tipo fazendo faxina, meus braços e pernas vão começar a brilhar. Não ando de cabelo solto nem depois do banho gelado, porque o calor na nuca é molhado.
Mudei os meus hábitos alimentares porque achei muito desagradável comer suando em bicas. Porque a via que a comida quente faz dentro de mim é retraçável por fontes instantâneas de suor que brotam na superfície da pele. Agora troquei o almoço pela janta, como fazem os holandeses. De noite não é tão quente assim. De noite faz uns 24°C. De madrugada deve fazer 20°C. Ou seja, a minha mínima está acima da sua máxima, se você estiver em São Paulo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Primeira correspondência

O carteiro não me achou em casa, então deixou um aviso de tentativa de entrega de encomenda na minha caixa de correio. Avisava que voltaria no próximo dia útil. Liguei nos Correios na tarde do dia seguinte, perguntando onde estava a minha encomenda. A moça me explicou que o que determina a freqüência das entregas é a quantidade de Sedexes. Encomendas vão de carona com Sedex. Como não tinha havido nenhum Sedex naquele dia, minha encomenda tinha ficado na sede dos Correios. Pedi o endereço e ela me explicou que ficava a caminho da balsa para Manaus.


Voltei a ligar hoje de tarde, reclamando a minha encomenda. Isabela me disse que ainda estava lá, porque chegou pouco Sedex. Sem saber quem era o remetente da minha encomenda, nem qual era o seu tamanho, fui de Amarilda e uma mochila vazia no rumo da balsa. 


O pacote era enorme e não cabia na mochila. Quase pedi pra deixar a encomenda lá e que o carteiro me trouxesse aquele pacote gigantesco quando houvesse Sedexes suficientes para o carteiro se dignar a entregar a minha encomenda em casa. Mas ela disse: é levinho, ó. Prendi o pacote entre a mochila e as costas e lá fui eu, trazer minha primeira correspondência e ao mesmo tempo o meu primeiro presente pra casa. 


Ferrone e Kit, vocês alegraram a minha vida. Só de poder olhar pras montanhas, sinto que a minha vida aqui é menos chata.

Magellan

Um terço da minha mudança é composto por livros. Muitas caixas de livros ainda estão fechadas, embaixo do fogareiro, da louça limpa, dos mantimentos, do som. Abri algumas caixas à procura dos meus dicionários (me sinto mais eu olhando pra eles) e livros técnicos, porque eu planejava ler ‘A teia da vida’ do Capra. Achei um livro de Stefan Zweig intitulado ‘Magellan’. Ignorei a ilustração de um navio na capa e fui lendo as primeiras páginas. Sentei na rede virando páginas, deitei, e quando procurei um marcador de páginas, já estava tomada pelo estilo apaixonado do autor que relata o que provavelmente aconteceu na época das grandes expedições náuticas, dando vida a este ilustre argonauta: Magalhães.

Fernão Magalhães foi um português que em 1519 finalmente conseguiu zarpar para o ocidente para alcançar as Índias (e suas especiarias) pelo oriente. Muito mais interessante que colonizar as Américas distantes era obter cravo, canela, pimenta, gengibre, noz moscada. O que valia agora era desbravar outros caminhos até as especiarias que aquele aberto por Vasco da Gama.

Os mapas mundi mudavam toda vez que um capitão aventureiro voltava para contar das terras que tinha descoberto. Em 1513 Nuñez de Balboa foi o primeiro europeu a avistar o Oceano Pacífico do alto de uma montanha no Panamá. Mas não havia abertura para navios passarem de um oceano a outro. Baseado num folheto alemão, em relatos de navegantes arquivados em Lisboa e nos cálculos mirabolantes de seu amigo cosmólogo, Magalhães acreditava na existência de um ‘paso’ ao sul do Brasil.

A agonia para conseguir financiamento com os reis de Portugal e Espanha; o desafio de suprir cinco navios de tamanhos diferentes com mantimentos para um período de tempo indeterminado e inestimável; a dificuldade para conseguir marujos dispostos a embarcar nessa viagem ao desconhecido; a frustração de perceber que o La Plata é um rio e não o desejado ‘paso’; o frio crescente e a paisagem cada vez mais desértica; o motim dos espanhóis; a deserção do maior galeão a poucos metros da saída do Estreito de Magalhães; a explicação para os nomes Montevideo, Patagônia, Terra do Fogo e Oceano Pacífico fazem com que este livro me faça companhia nesses últimos dias.

E no final das contas, o escravo malaio de Magalhães, Enrique, foi o primeiro a completar a volta ao mundo, maior feito daqueles tempos idos, sonho irrealizado de Critóvão Colombo.

Magellan é o meu consolo por nunca ter comprado nenhum dos livros sobre (ou de) Shackelton, Amundsen ou Scott e porque esse sujeito sofreu muito mais incertezas que eu aqui, esperando pra ser contrata numa terra inóspita.



Olhos nos olhos

Mônica, cuidado!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O céu

A coisa mais linda daqui é o céu.

O piso

Berg (de Gutemberg, não podemos esquecer) veio de manhã pra avisar que voltaria logo depois do almoço 'pra terminar logo esse trem'. Chegou às 16:00, depois da chuva e saiu da minha casa às 20:40 (alimentando fantasias dos vizinhos sobre a minha pessoa. Todos já repararam que eu não carrego aliança). Faltaram duas 'pedras' e sobraram dois sacos de areia.

Hoje Berg veio na surdina às 14:00, passou as duas 'cerâmicas' pelo portão e já ia saindo. Peguei o homem no pulo. Fazendo cara de desgosto, disse que não podia terminar o serviço nem hoje nem amanhã de manhã.
Se fosse só o piso que falta...

Choveu

Fortes rajadas de vento, nuvens cinzentas, trovões e relâmpagos anunciaram a chuva. Quando veio, impregnou o chão, despertando sementinhas adormecidas e derrubando um açaí da minha coleção. Enfraqueceu depois de meia hora, em que Akari miou a meios tons meio mal definidos, mas certamente assustados.

Gosto de sair pra fotografar depois da chuva. Reparo numa fauna que eu não veria num dia de sol intermitente.
Quando estávamos no portão, entrando ou conferindo o movimento, ou ainda esperando o céu avermelhar, (cada um tinha os seus motivos, mas o fato é que de repente tinha muita gente parada no portão) a vizinha que me chama de 'vizinha' passou pedalando sua Barra Forte vermelha. Chuva maravilhosa, hein vizinha! Deveras, deveras.

Navigare necesse est

Segui as placas que indicavam a balsa para Manaus e pedalei 16 km no total. A balsa estava chegando quando eu aportei nas margens do Madeira.

domingo, 16 de agosto de 2009

Encaixando partes

Quatro cadeiras e uma mesa montados com muito suor.

Evolução

Levanto, acordada pelos barulhos da minha gata que pede que eu limpe sua caixa de areia. Não são bem miados, mas certamente são urgentes.
Saio da minha caverna pra ver os passarinhos se alegrando com os coquinhos de açaí e decido limpar o jardim.
Conforme vou arrancando matos, vou achando que estou ficando cada vez mais habilis, mas acabo não me movendo muito erectus.
Meu almoço inclui algumas agricolae que eu plantei na lata de tinta.
Passo a tarde toda esperando a geladeira chegar. Uso o meu instrumentum modernum para me telecomunicar com o vendedor da loja que diz que viu, ipsis oculis, a geladeira sendo carregada no caminhão. Canso de jogar paciência no computador e me transformo num mero stand by.
Pouco antes das 20:00 chega a tão esperada encomenda. Se eu fosse mais sapiens, saberia como lidar com o fio terra da geladeira. Fiquei com temor terribilis de tudo explodir, que nem liguei a geladeira nova.

Folhas



Ela dorme

Agora ela deu pra dormir a maior parte do dia. Também, nesse calor...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

De Amarilda

Rapaz, que diferença.
Dá pra esticar as pernas, dá pra apostar corrida, não faz barulho.
Hoje, que pedalei de Amarilda por Porto Velho, me senti a ciclista mais rápida e mais notada da cidade.
Só tive dificuldade pra descer dela no começo, porque eu já tinha me acostumado com o quadro feminino da Laranja Mecânica. Mas de resto, good old mountain bike.
Até ouvi uma cantada: ráu ari iu? rélôu, uáts iór neimi?

Esperança

Ando rezando
Pra que chova
Pra que Berg atenda o telefone
Pra que a suspensão do edital 11 seja revogada logo
Pra que não se preocupem comigo
Pra que eu não me arrependa de ter vindo

Estou torcendo
Que gotas gordas de água fria me animem
Que Berg me diga que está hospital ou dê outra desculpa torta
Que eu possa ocupar o meu tempo trabalhando como professora
Que venham me visitar
Que eu consiga sustentar essa casa.

Primeira flor

A primeira flor que deu no jardim de trás. Sua forma é meio estranha, e provavelmente se trata de Unkraut (planta não-consumível = erva daninha?).

Acabou a olimpíada

Acabou a maratona de exames médicos. Sou uma pessoa saudável. Muito bem.

Os diagnósticos mais intrigantes foram os ginecológicos. A mamografia acusou que tenho 'mamas densas' (eu também estou chorando de rir, não se sinta mal por rir desse resultado). E a ultrassonografia acusou que a minha vagina é 'acusticamente normal'. Fazem sentido, mas recorrem a um vocabulário inusitado.

Com água e luz

De manhãzinha cheguei na imobiliária antes da Iza. Queriam fazer contrato primeiro e botar as contas no meu nome, mas expliquei que era urgente que eu tivesse água e luz. Me deu as contas atrasadas e me ensinou o caminho até a Caerd (equivalente a Sabesp, Sanasa) e Ceron (equivalente a Eletropaulo, CPFL). Fui lá, e me ensinaram o caminho até a casa lotérica mais próxima. Paguei todas as quatro contas, voltei na Caerd e pedi pra religarem a água. Me deram 24 horas pra religar a água. Fui na Ceron e religaram a luz. Minhas aulas de japonês podem prosseguir. Tsugoi!


De tarde aquele lacre vermelho ainda estava no meu relógio. Já comecei a achar que o rapaz que liga a água só viria amanhã de manhã, dia de não-água. Mas antes de vir pra lan house, ouvi a caixa d´água transbordando. É que ela não tem bóia, e aí quando enche, rega o chão. O moço veio, afinal, ligou a água e abriu o registro, sem eu perceber. Terei banho de gente hoje (não de gato), que coisa boa!


Segunda-feira levo os comprovantes de pagamento na imobiliária, junto com a conta de luz que chegou hoje. Sei que tem a taxa pra religarem a luz, mas essa vem na próxima fatura e a imobiliária (ou o proprietário) vai pagar. Vão descontar as contas que eu paguei também. 


Bom, a minha situação é esquisita. Não tenho contrato, mas já paguei 3 meses adiantados e as contas atrasadas. Quando fizermos contrato, será a partir do dia em assinarmos o mesmo papel. E essas duas semanas que estou habitando a casa saem de grátis.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sem água e luz

Quando eu vi a casa que estou habitando pela segunda vez, recolhi a correspondência e levei as contas de água e luz pra imobiliária. Não eram referentes ao tempo em que eu tinha estado na casa, portanto a imobiliária se responsabilizaria por isso. De fato, me foram tomadas da mão e arquivadas em algum lugar. Nós cuidamos disso, ainda bem que não desligaram a água e luz.

Hoje foi dia de não-água. Isso quer dizer que a minha caixa d´água deve estar pela metade. 


De tardezinha veio correspondência. Aviso de corte de energia ainda hoje. Tudo bem, vou ficar sem luz e sem animes japoneses que eu estava vendo todas as noites no computador. Tsubasa estava ficando interessante. Também não vou poder colocar o negocinho contra mosquitos na tomada.


Antes do sol se pôr, veio um cara olhando no portão e agachando na frente do meu relógio de água. Fui lá ver o que era. Ia cortar a água, porque as contas não são pagas faz 2 meses. Expliquei que a minha caixa estava quase vazia, que eu tava alugando a casa e resolveria tudo amanhã, indo na imobiliária. Sem chance. Vou cortar agora e amanhã, quando o sistema acusar pagamento, eu mesmo volto e religo a água.


Eu vim pra cá no dia 29 do mês passado, achando que já podia habitar uma casa reformada, afinal o Berg tinha tido uma semana pra colocar o piso, trocar torneiras, fechaduras, canos, colocar vidros nas janelas, pintar e envernizar o que fosse preciso. Iza só firmaria um contrato de aluguel depois que o Berg tivesse terminado e que ela tivesse feito uma vistoria. Estimava que isso fosse acontecer lá pelo dia 4. Berg não entrou na minha casa faz uma semana. Duvido que a Iza vá pagar as contas de água e luz amanhã mesmo. Provavelmente eu vou ter que arcar com isso.


Agora é oficial: moro numa caverna. E hoje não é sexta-feira 13.

Lembrei do Esteves, meu amigo maluco que passou uma temporada em Granada, Espanha, morando nas cuevas (cavernas). Divertida, eu disse: Esteves, você está morando como um urso! Ele ficou indignado: Não, meu! Tem porta na caverna!!!


É, a minha caverna também tem porta. Só não tem piso, água e luz. Geladeira vem no sábado. Espero que até então faça efeito enfiar seu plug na tomada.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Plantando

Pus o mini bambu pra fora de casa, porque a Akari tava se esbaldando demais nele e algumas folhinhas estavam ficando amarelas. Agora terá um tempo para se recuperar.

No meu último dia em São Paulo eu juntei sementes de laranja lima, papaia e aquele limão de fundo de quintal que é laranja e não tão azedo. Coloquei tudo em papel alumínio. Não deu tempo delas secarem, e quando cheguei aqui demorei uns dias pra lembrar delas. Quando fui plantá-las, estavam mofadas. Mas plantei mesmo assim, torcendo pra que venham me dar frutos.

Demorei quase o dia todo pra achar o esconderijo secreto das sementes de maracujá. Às vezes coloco as coisas em lugares tão seguros e pouco óbvios, que achar coisinhas pequenas vira uma aventura. Mas achei as sementes do maracujá doce que me fez tão feliz em Barão Geraldo numa caixinha de cartuchos de caneta tinteiro.

Numa caixinha de clips estavam outras sementes, envolvidas em papel. Só duas sementes grandes, possivelmente de alguma fruta que eu curti, estavam embaladas num guardanapo.

Pelo fato de achar sementes nas coisas de escrivaninha, ficou claro como a minha vida se concentra no lugar em que escrevo, estudo e guardo instrumentos de trabalho (me refiro a lápis, borracha, post-its, papel, clips, canetas e tal).

Numa caixa de madeira em que estão umas colheres de prata, broches e colares enormes que a Oma me deu, estavam outras sementinhas pretas pequenas, envoltas num papel em que o meu primo anotou o seu e-mail. Imaginei Micha e eu caminhando pelas ruas de Gramado e só uma árvore me veio à mente: mimosa, a flor do aniversário da minha mãe. Pode não ser, mas torço que seja.

Enquanto esperava a minha roupa secar na lavanderia, dei um passeio pelo bairro atrás da Av. Calama. Achei três sementes de flamboyant, que enfiei no bolso. Seria muito bom pro solo ter sombra no meu jardim.

Na feira comprei manjericão, hortelã e alecrim, que também plantei em garrafas com a terra quase preta do meu jardim. Salsinha e cebolinha eu não vi na feira nem como cheiro verde. Vi uma coisa parecida com cebolinha, mas num maço muito mais farto que estou acostumada a ver e com folhas muito mais firmes. Descobri que é um tempero que todo mundo usa. Deve ser um tempero do nordeste, só não sei o nome.

Não sei se as sementes que eu plantei vão vingar, nem mesmo lembro o que está plantado em qual garrafa. Se nascer grama e açaí também vou ficar feliz. E se não der em nada, pelo menos me diverti plantando planos de flores e frutas.

Vocativos

A mulher da imobiliária, Iza, acha o meu nome muito difícil, portanto só me chama de ‘coração’, ‘meu amor’, ‘meu anjo’ e ‘minha linda’. Mas não sou só eu que sou aderessada desse jeito. O Berg ela chama de ‘coraçãozinho’.
O Berg me chama de ‘dona Lu’. É sempre um ‘ôh, dona Lu’ cansado, que logo emenda em descrições de dores de cabeça, cansaço e desculpas por não ter vindo ontem nem anteontem.

O meu vizinho Leandro, que estuda administração ou coisa parecida na Unir, me chama de ‘professora’ quase sempre. A vizinha da verruga no nariz que faz bolo de macaxeira me chama de ‘vizinha’ talvez por não saber o meu nome.

O cara da transportadora em Guraulhos, que eu achava que se chamava Osani, na verdade se chama Osvani. Esse me chamava de ‘filha’ e ‘meu bem’ e só dizia pra eu não me preocupar.
A Daiane da mesma transportadora, mas aqui em Porto Velho, me chamava de ‘minha flor’ enquanto tentávamos localizar a minha mudança. Depois passou pra ‘amada’, quando a mudança chegou.

Quando a minha mudança chegou, o meu nome completo estava desenhado em todas as caixas e grampeado em todas as malas e mochilas. Aí sim eu senti que era comigo!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Melhor agora

Minha mudança finalmente chegou!!! Demorou uma semana a mais que o planejado, ficamos alguns dias tentando localizar as minhas coisas sem documentação alguma e quiseram me cobrar R$ 600,-, quando o justo seria R$ 400,-.
Amarilda veio inteirona, todas as minhas caixas, malas e mochilas também. Não quebrou uma xícara das tantas que fui adquirindo ao longo da minha vida de república. Aqui parecem obsoletas.
Já comprei um botijão de gás e posso cozinhar no meu fogareiro. Viu? Estou literalmente acampada no meu loft sem móveis.

Mas ainda tenho que esperar os resultados de certos exames, e os meus sentimentos em relação ao Berg já se transformaram em rancor. Faz 4 dias que não vejo a cara dele e o piso ainda não foi assentado.

Alvorada

Alvorada lá no morro
que beleza
ninguém chora, não há tristeza
ninguém sente dissabor

O sol colorindo
é tão lindo, tão lindo
e a natureza sorrindo
tingindo, tingindo

Todo dia acordo com o mundo assim. Akari me acorda com seus barulhos. Quando enterra seus excrementos na sílica, quando coloca uma barata em cheque, quando mia pra me acordar, quando derruba alguma coisa.

domingo, 9 de agosto de 2009

Números

Em Porto Velho está fazendo 30°C às 6 da tarde. O ponto de orvalho é 22°C (em Campinas o vapor condensa a ). Como o ar aqui carrega mais umidade que em Campinas, precisa esfriar menos pra virar água.
A temperatura média anual é de 25°C, mas de dia está fazendo sempre acima dos 30°C. Não tive acesso às médias de chuva, mas aposto que em agosto não terão caído mais de 20 mm de chuva.
O município de Porto Velho é maior que o estado de Sergipe. Tem uma população de quase 380.000 habitantes que se distribuem assim: 11 habitantes por quilômetro quadrado. Estamos a 85 m do nível do mar, a pelo menos 2.600 km do mar.

Nós duas



sábado, 8 de agosto de 2009

O tempo e o homem


Nuvens de cirros

Meu livrinho de Previsão do Tempo e Clima da coleção Prisma, de 1969 ainda não acabou. Eu enlouqueceria se não tivesse livro pra ler nesse acampamento no meu loft, por isso vou lendo aos pouquinhos.

Muitas coisas são novas pra mim, especialmente a conexão entre os elementos climáticos. Mas quando começam a juntar o grau de civilização de um povo com o clima, acho o texto meio indigesto. Lembro que a minha vó tem um livro sobre banana. Isso mesmo, tem milhares de receitas com banana. Já fiz gnocchi de banana e a galera da Oca curtiu. Mas voltando à vaca fria: lá na introdução do livro da banana o cara explica como e onde cultivar bananas, concluindo que só mesmo os negros são fisiologicamente capazes de suportar o calor tropical das plantações de banana, portanto são os mais indicados para trabalhar no bananal.


Meu livrinho de Previsão do Tempo e Clima não pula a tais conclusões socialmente excludentes, mas chega perto:

“Mais longe do equador, os dois períodos mais chuvosos tendem para juntar-se num só; de maio a julho no hemisfério norte e de novembro a março no hemisfério sul. As condições de vida nessas regiões são muito difíceis para aqueles habituados aos climas temperados, em virtude do calor combinado com umidade muito elevada. Antigamente, esse ambiente era insalubre, por causa dos pântanos quentes e estagnados, onde abundavam insetos transmissores de infecções e doenças, como a malária e a febre amarela. A costa da Guiné, na África ocidental, era conhecida pelo nome de “Sepultura dos Brancos”. Agora, com drenagem, mais higiene e medidas tomadas contra os mosquitos, o clima equatorial é bastante saudável, embora enervante, tendo o ar condicionado melhorado em muito o conforto dentro de casa.” (p.126)

Der Mensch ist ein Gewohnheitstier. O ser humano é capaz de se acostumar com tudo, até mesmo o calor combinado com umidade.
Os insetos transmissores de doenças fazem parte do clima? Pela argumentação acima, o clima ficou mais saudável com a eliminação dos mosquitos.
Isso, e viva o ar condicionado, melhor invenção climática para facilitar a nossa vida no planeta!

“Os climas temperados são aqueles que não têm extremos, sejam eles de calor ou de frio, de umidade ou de secura, permitindo que as atividades humanas comuns sejam realizadas, pelo menos durante a maior parte do ano, sem qualquer grande desconforto ou inconveniência. As mudanças entre verão e inverno são estimulantes e, contudo, não tão extremas a ponto de serem frustrantes. Assim, talvez não seja por acidente que a maioria das comunidades mais desenvolvidas se encontrem nas zonas temperadas, especialmente na Europa e na América do Norte.” (p. 128)

O que são atividades humanas comuns? Andar, comer, dormir etc.?
Quais condições climáticas estimulam e quais frustram o ser humano? Vento e chuva?
Se esse livro tivesse sido escrito pelos egípcios ou maias, as comunidades desenvolvidas estariam um pouco abaixo da Europa e América do Norte. E afinal, como se mede o desenvolvimento de uma comunidade? Cadê a escala e quais são os valores dela? Se não sabemos nem mesmo por que estamos aqui, como vamos saber qual o nosso objetivo, nossa meta na escala? Dominar a Natureza e controlar o clima são indicativos de desenvolvimento humano?

Akari e a cordinha

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ciclos predatórios

Margem do Rio Madeira.
Agora tem mirante no Mirante I. Antes não tinha.
O primeiro grande ciclo de exploração predatória e desenfreada de recursos naturais abundantes foi o do látex. Depois veio a exploração do ouro que tinha no Rio Madeira. Dizem que ainda tem, mas que não pode mais explorar. O ciclo que se inicia agora é o da usina. Não dá pra ver na foto, mas ali, depois da curva, está sendo construída a usina hidrelétrica. Quando vim aqui em fevereiro, não dava pra ver nada. Agora já dá pra intuir uma obra faraônica.
O peixe mais apreciado aqui é o Dourado. Peixe grande da carne branca. Uma usina interfere no fluxo da água e do lodo de um rio. A água vira uma piscina de transparente, os peixes grandes acham suas presas facilmente e proliferam que é uma beleza. Até que os peixes grandes ficam sem ter o que comer e o equilíbrio despenca pra cabos elétricos, ar condicionado, asfalto, plástico e isopor. Do jeitinho que Mamãe Natureza sempre imaginou uma vida confortável.

Festival de flores de Holambra

Sim, Holambra veio me seguindo. Hoje fui lá, no Ginásio Cláudio Coutinho, ver o festival de flores de Holambra. Não tinha tulipas.

Comprei um mini bambu. O vendedor me disse que esse tipo de bambu não vai crescer. Ok, botei o vaso na sala. Akari já foi lá, degustar a novidade.

Não comprei nenhuma flor, porque tive dó delas. Não sei se dão conta de viver nessa fornalha.

Lixo

A coleta de lixo funciona todo dia, menos segunda-feira. O caminhão de lixo é mais presente que a água aqui. E ainda assim retirei dois baldes de lixo plástico do meu jardim.
O povo daqui tem costume de queimar o lixo. Em dias quentes e empoeirados como todos esses últimos, a tarde fica poluída e esfumaçada. Quando fui ver o pôr do sol, vi fuligem caindo do céu.

O entulho na frente de casa estava disputado, mas o Berg não estava querendo pagar R$ 150,00 pra um, não estava confiando no outro que tinha recém saído da prisão e tava precisando de serviço e não tava achando o terceiro, que faria o serviço mais barato de todos. Ontem o vizinho que cobraria mais caro encostou aqui, me deu o celular dele e pediu pra eu ligar pro Berg, dizendo que ele faria a retirada do entulho por R$ 120,00. Berg concordou com o preço, autorizou o serviço e disse que viria de tarde. O caminhão de entulho viria na madrugada do dia seguinte (hoje).

Desconfiando que o Berg não viria de tarde, coletei todo o lixo plástico que achei no jardim, limpei todos os restos de trancas de porta, azulejos quebrados e tocos de madeira e adicionei à montanha de entulho. O caminhão veio às 5 e depois às 6. Ouvi cada pedaço de vidro e cerâmica caindo no caminhão como se fosse no meu quarto. E ainda assim tem um monte de entulho que foi deixado lá na frente. Esse monte está aumentando, porque Berg veio e mexeu nos canos podres, desenterrou uns entulhos e lixou o muro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Parece um não sei o quê

O ônibus parece uma rodoviária
Tem gente indo e vindo e poucos permanecem sentados, esperando


A rodoviária parece sala de espera de médico
As pessoas estão caladas, esperando e lembrando dos dias bons

Sala de espera de médico parece igreja
As pessoas têm medo do mal e rezam pra ouvir seu nome anunciado

Igreja parece banco
As pessoas depositam a fé, pagam o dízimo e investem num pedaço do céu

O banco parece uma feira
Abre cedo e oferece atendimento personalizado a todos os desorientados

A feira parece uma cidade
É uma muvuca que ocupa blocos de quadras e oferece de tudo, até galinha viva

A cidade parece um deserto de asfalto
Aos pés da Amazônia.

Tela na janela

Essas foras as primeiras telas que eu instalei. Eu queria fazer o quadrado de madeira primeiro e depois prender a tela na estrutura e por fim pregar a estrutura com tela no espaço. Penei, viu. Acabou que preguei a tela nas 4 madeiras soltas e encaixei tudo na janela. A pressão segura as telas.

Uma janela eu arregacei. Wenn etwas mit Gewalt nicht funktioniert, versuch es mit mehr Gewalt.

Nunca mais

Deixo o potinho de comida da gata dentro do quarto em que eu durmo.
Ela faz muito barulho quando mastiga de madrugada.

Eu seguro a Akari no colo enquanto algum entregador vem trazer alguma coisa.
A luta foi sangrenta.

Eu confio nas telas que instalei a duras penas e muito suor.
Nessa noite tinha mais muriçoca (carapanã, mosquito, pernilongo) que nas outras.

Consumi café, manteiga ou leite de soja.
Não tem fogão, geladeira, mesa ou cadeira.

A vizinhança

Do lado direito tem uma família barulhenta que tem muita sombra no quintal. Entre palmeiras e pés de jaca tem outras árvores grandes e doadoras de sombra fresca.
Do lado dessa casa tem uma senhora que faz bolo de macaxeira, milho verde e côco pra vender. Coloca tudo na cesta da Barra Forte dela e sai por aí oferecendo seus bolos. Foi a primeira a se apresentar como vizinha.
Do lado esquerdo da minha casa tem mãe e filho mais umas crianças agregadas. Ela chama Lúcia e fala muito palavrão. Vai muito na igreja também, provavelmente pra balancear o saldo. O filho é o Leandro, que trabalha na PM. Ainda está em estado probatório (que dura 3 anos), que ele está cumprindo na penitenciária. Conhece todos os bandidos que andam por aí. Apontou pra casa em frente à minha e disse que ali mora um moço que é dependente químico. Conversei bastante com ele enquanto eu esperava o Berg e ele uma ligação da namorada. Perdi a aposta porque o Berg chegou antes.
Quando olho pra fora do meu portão, vejo crianças soltando pipas e meninos menores de cueca correndo com um saco plástico amarrado numa linha (preparação para empinador de pipa). Ocasionalmente ouço um forró repetitivo às 2 da manhã vindo daquela direção, mas não vou conferir se o dependente químico está delirando.
A Francimar, que é amiga da Lúcia e mora de frente pra ela, veio se apresentar e pedir pra eu podar o Ficus na frente de casa. Faz muita sujeira.
O Geneci que mora na quadra ao lado viu o entulho amontoado na frente de casa e veio de bicicleta, oferecer os serviços de papa-entulho dele por um preço que o Berg achou muito caro.
Sou visitada por gatos magros e feios. Mônica disse que não existem gatos feios, só mal cuidados, mas esses são feios mesmo e não tem conversa. Um tem as manchas tão mal distribuídas na cara que dá dó. O outro é um siamês meia-boca estrábico, se não vesgo. O último é preto e só vem de noite, portanto não sou capaz de fazer nenhum julgamento estético.E todo sábado a feira se instala a duas quadras de casa.

Ainda não

Minha mudança ainda não chegou. Foi despachada na terça da semana passada e deveria ter chegado ontem. Depois de muitas ligações entre eu no orelhão e a sede da transportadora em PVH e em GRU e depois entre eu no celular e os dois pontos, descobrimos que a minha mudança só saiu de SP no domingo e provavelmente chega no sábado.

O piso ainda não está assentado. Faz uma semana que estou habitando aquela casa e ainda falta botar o piso na cozinha e no quarto que não será o quarto de dormir.
O edital 11 (o meu) ainda não foi des-suspendido e a galera que já entregou documentação terá que esperar a Justiça entender o caso da Unir pra tomar posse. Eu ainda não terminei com os meus exames. Seis novos cursos foram suspensos porque 51 professores ainda não foram contratados.

Passei a tarde toda na sala de espera do cardiologista. Peguei o finzinho da Sessão da Tarde e fui até o Jornal Nacional. Enquanto esperava, li a Contigo! de agosto de 2008 de cabo a rabo. Sei todas as novidades desatualizadas de celebridades desconhecidas. E o doutor me disse que eu tenho sopro no coração. Mas isso eu já sabia.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Akari e a rede

Na falta de móveis, vai a rede mesmo.

Telefone

A 'Telefonica' daqui é a 'Brasil Telecom'. Por ela eu instalo telefone e internet, tenho dores de cabeça e fico sem o serviço, mesmo pagando. Quando passei na loja ontem de manhã, me disseram que só abria às 11:00. Tarde demais.

Passei lá hoje e tive o primeiro susto quando vi os combos que eles tinham de telefone e internet banda larga. 1 mega ou 2 mega. Hm... Acho que em São Paulo se chegava a 12, se não me engano. Como vou ter que fazer ensino à distância, preferi escolher a banda mais larga e rápida. O de dois mega, por favor. Ah, vai depender do bairro em que a senhora mora, porque nem toda a cidade tem internet e nem todos os bairros têm a mesma velocidade disponível. Ok, como tem lan houses no meu bairro, quero ser otimista.

Preenchi a ficha, orgulhosa de ter um endereço. Telefone para contato? Não tenho, por isso quero que vocês instalem um telefone na minha casa. Não tem celular? Não. Mas a gente precisa de um telefone para contato, pra quando os técnicos forem na sua casa, eles poderem combinar um horário com a senhora. Então me passa o telefone de um dos técnicos. Não conhecemos os técnicos, só vendemos os produtos.

Atravessei a rua e fui na loja da Claro, comprar o celular mais barato que tinha, de R$ 69,00. Botei R$ 30,- de crédito e acabei com R$ 53,- de crédito, pra espanto de todos. Graças à necessidade de ter um telefone fixo, tenho um celular móvel. Acho que se eu tentasse explicar isso pra minha vó, ela não entenderia. Eu mesma tenho dificuldades.

Subindo a Venezuela

Breve passeio de bicicleta com uma mão no guidão morro acima e depois morro abaixo. Pros meus pais poderem apreciar a vizinhança calma e tranqüila que habita a Rua Venezuela.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dirigindo perigosamente

Eu quero botar telas nas minhas 7 janelas, portanto fui na loja de material de construção. Comprei a tela, o martelo, os pregos e só faltavam as ripas de madeira. Fui lá na marcenaria lá longe e pedi que me cortassem ripas de 1,10 e 1,30. Esperei dar 15:00, horário combinado, e voltei lá.

Aqui é quase tudo plano. Quando a Av. Amazonas cruza com a Av. Rio Madeira, tem uma leve elevação. Uma batida policial estava parando e controlando os carros e motos que passavam. Blitz daquelas de abrir porta-malas, verificar documento do carro e identidade.

Cheguei na marcenaria e logo pedi serragem, pra minha super composteira, que está se fazendo dentro de uma lata de tinta. Me deram um saco de serragem, que eu coloquei na cesta da minha Laranja Mecânica, bicicleta de carga. Mas e as ripas? Cortaram toras. Levei as menores no braço. Naquelas, né. Depositei as ripas no saco de serragem e fui empurrando a bicicleta até o alto do monte. Sentei no selim, pus as toras embaixo do braço e desci no embalo. Apoiei uma ponta das toras no meio do guidão e fui, rezando pro farol estar aberto quando eu precisasse passar por ele. Os policiais da blitz me ignoraram completamente, apesar da mobilidade do guidão limitada.

Deixei as madeiras em casa e tirei a cesta da Laranja Mecânica. Voltei lá e prendi as toras mais compridas no bagageiro. Achei que dava pra pedalar com as toras entre as pernas, como eu tinha feito com as minhas muletas na Holanda, mas não deu. Empurrei a bicicleta até o topo, sentei com o pé direito em cima do quadro (feminino) e o esquerdo no pedal e fui no embalo. Os policiais nem tchum pra mim, apesar de eu não poder pedalar. Quando voltei ao plano, desci e empurrei tudo até em casa.

Quando a minha mudança chegar com a tesoura de costura, começo a recortar tela e pregar ripas nas janelas.

Na lan house

Acabo de vir da lan house que fica mais perto da minha casa pra essa, a uma quadra de casa. Sim, aqui estamos muito bem servidos de lan houses e igrejas. No final das contas, ambas são templos.

Na lan House daqui é 'Proibido site pornô'. Na lan house Eros (aquela que fica na minha esquina) é 'proibido falar palavrão devido a presença de menores'. São bem menores, os habitantes da Eros. Tudo pivete de nem 10 anos de idade, viciados em jogos de computador. Tive que sair de lá porque não havia uma letra reconhecível no teclado. Não consegui botar a senha do meu e-mail, olha só como sou péssima digitadora. E não dava pra trocar o teclado do computador que me tinha sido designado porque todos eram iguais.

Enquanto não tiver internet em casa, vou virar cliente da lan house inter @ tiva. Aqui é mais calmo e o teclado tem todas as letrinhas. O preço é o mesmo em qualquer lugar.

domingo, 2 de agosto de 2009

Telhado sem telha


É, o telhado é de Brasilit mesmo, o dos vizinhos também. Mas do quintal dá pra ver algumas casas com telhas. Botar telhado na casa e enfiar a caixa d´água embaixo das telhas deve custar caro pra caramba. E fazer mudanças drásticas assim na casa requer negociações com a imobiliária.
Já comecei a fazer composteira e já saquei de que lado tem sombra em que parte do dia. Assim que entrar uma grana, começo a trabalhar no jardim.

Melhor parte da casa



O canto mais fresco da casa fica do lado de fora. Aqui sopra uma brisa boa e tem sombra. O melhor som que eu ouvi foi a caixa d´água enchendo hoje às 15:00. Eu tava quase pensando em virar mulher das cavernas, quando a água acabou às 12:00. Hoje eu tinha tirado o dia pra lavar roupa, chão e o banheiro da Akari.
Tem um filme - que eu não vi - que acho que se chama "A casa de areia", que vai mais ou menos assim: umas pessoas se instalam numa casa que enche de areia todo dia. Limpar a casa, além de virar rotina, passa a ser a função da vida dos moradores da casa de areia.
Ontem Berg teve que cortar uns azulejos que quebraram, e ficou faltando cerâmica, então ainda não estou com o piso completo. Eu limpo a casa todo dia, mas no dia seguinte tudo começa na estaca zero.

Meu chaveiro


Tem 3 chaves da minha casa e 4 dos cadeados das bicicletas.

Chuva

Tem chovido pouco, mas no dia em que cheguei choveu 3 vezes e hoje duas. É aquela chuva de dez minutos, que vem de uma nuvem só e nada mais.
Quando chove, os passarinhos fazem uma putz festa. Ema São Paulo, os passarinhos só faziam festa quando acabava de chover. Aqui tomam banho na maior farra.