sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os dentes


Dois dentes na arcada inferior já estão visíveis. E quando ela morde meus dedos, dói mais que quando Mustafá me mordia. Mustafá sabia que era brincadeira. Agnes morde pra aliviar a própria dor dos dentes.
Mustafá

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Suco de caju furado


Todo dia colhemos caju dos nossos dois cajueiros

O melhor suco não é batido, mas espremido. Para tanto, o garfo faz furinhos na pele do caju.

Caju é praticamente suco com uma pele em volta!

domingo, 25 de setembro de 2016

Despedida de Gramado

Luis veio nos buscar em Gramado e a melhor forma de nos despedirmos da família e do frio foi no Serra Grill (só pra manter a rima).
Helena e Agnes

Dieter e Denise

Gerhard
Denise, Luis e Agnes
Agnes Maria e Marie Agnes

sábado, 24 de setembro de 2016

Frio em Gramado

Ruth e Agnes na loja de roupas para bebês
As piores partes da nossa estada em Gramado se resumem aos momentos em que Agnes ficava exposta ao frio: as trocas de roupa (especialmente de manhã) e depois do banho, depois de sair da banheira e antes de secar na toalha. Ela tremia e chorava e esperneava de frio.

Ruth me levou numa loja de roupa de criança e dei um banho de loja na menina. Comprei roupas de frio que eu não acharia em Porto Velho. Escolhi números maiores que ela, pra que durem até a nossa próxima grande viagem, no fim do ano.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Rosélia

Helena (quase 7 anos, filha do Dieter e da Denise), Agnes e eu fomos passear no jardim dos vizinhos.
- Sabe como chama essa flor, Helena?
- Rosa.
- Não, rosa não dá em árvore. Isso é uma camélia.
- Vamo levar uma camélia pra minha vó? Acho que ela vai gostar.
- Vamo, pega essa aqui.

Mais adiante:

- E essa flor aí, Helena, como chama?
- Não sei.
- É igual essa que você tem na mão, mas só que branca.
- Ah! Rosélia!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Kleppa Novoa e o velho Kleppa

Agnes e Harro
Fomos visitar Harro no asilo. Ficou contente em conhecer a neta e ficou com vontade de nos visitar num clima quente.

A última vez que eu tinha telefonado com ele, anunciei nossa ida.
- Vocês, quem?
- Agnes e eu.
(murmurou)
- Marie Agnes, Agnes.
(exclamou)
- A pequena Agnes!

Se é Alzheimer, eu não sei. Toda vez pergunta onde eu moro e quem é o Luis, mas lembrou que a filha que eu tava esperando (conversei mais com ele quando tava grávida) se chama Agnes Maria.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Primeira grande viagem

Pela primeira vez, viajamos com a nossa pequena Agnes de taxi, avião e ônibus. Em Porto Alegre nos separamos: Luis seguiu pra Chapecó, onde participa (e também organizou) do IV Encontro Internacional de Ciências Sociais e Barragens e eu segui com a menina pra Gramado.   
Pela primeira vez na vida Agnes sentiu frio (trocar fralda e tomar banho agora são processos muito mais ágeis e conto com a ajuda dela!), viu um gato e conheceu a avó de 97 anos. Todos aqui estão encantados com a menina. Tudo é diferente, mas Agnes é curiosa e está levando bem a mudança de casa, clima e pessoas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

5 meses

Hoje não teve tradicional foto com Maria Nayara porque ela ficou sem carro e não pode passar aqui.

Agnes já fica em pé, ensaia todos os dias pra cantar na ópera chinesa, senta, se equilibra, passa objetos de uma mão pra outra, baba muito e é linda. Nesse mesversário de 5 meses eu senti um dentinho afiado vindo na gengiva de baixo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O resgate da Amarilda

Damian, Guará e Jairo formam o trio de artesãos da Arirambas. Estão quase sempre juntos e moram bem perto um do outro.

Damian estava indo de bicicleta para a igreja, atravessando a cidade de norte a sul, quando viu a Amarilda pedalando pela zona sul. Seguiu o rapaz que entrou num salão de beleza, constrangeu o moço na frente de todo mundo, pedindo explicações pela bicicleta amarela.
 
Damian
O rapaz afastou Damian do salão e das clientes, mas Damian não largou. Ligou pro Jairo, que teve a Amarilda roubada, avisando que tinha encontrado a Amarilda e deu o endereço onde tava. Jairo imediatamente ligou pra polícia, mas o policial disse que não iria até o local porque Jairo não estava no local. Jairo ligou pra mim, pedindo pra eu ligar pra polícia. Liguei e ele perguntou se eu estava indo no local. Disse que não, porque eu tava com a minha bebê no colo. Já desanimou. Demorou um tanto e disse que o endereço não existia. Mas pro Google Maps o endereço existia.

Enquanto isso, Damian foi com o cabeleireiro até a casa dele, conversou com a mãe dele e passou também esse endereço pro Jairo. O rapaz tinha ficado com medo da ameaça de ser confrontado com a polícia, não sabia que a bicicleta era roubada e queria ajudar a resolver a situação. Jairo me ligou dizendo que era pra eu ir até a portaria aqui da Vila que Damian passaria com o rapaz e a bicicleta, pra eu reconhecer a bike e dizer se era mesmo a Amarilda. Disse que não era pra eu dar nenhum centavo pro rapaz do salão, que dizia ter pago R$ 500,- nela.

Fui na portaria e esperei um bocado. Um segurança foi chamado pra me dar apoio caso eu precisasse. O guarda me deu o telefone dizendo que era o meu esposo. Luis me pediu pra voltar pra casa, porque Jairo tinha ligado dizendo que Damian tinha os endereços todos, mas que tava difícil de convencer o cara a vir até aqui. Voltei e tentei fazer a Agnes dormir. Quando eu tava amamentando, tocou o telefone de novo. Era Damian, dizendo que estava chegando na portaria.

Entreguei a Agnes pro pai e fui voando pra portaria. Damian estava lá e a tempestade se formando. O rapaz tinha um irmão cadeirante que tava vindo junto, de carro, e eles deviam ter se atrasado. Com os primeiros pingos grossos chegou o cabeleireiro de carro. Durante a conversa a chuva engrossou e ele nos convidou a entrar no carro. Os vidros embaçaram imediatamente.

O rapaz ficou assustado quando soube quanto eu tinha pagado pela bicicleta dez anos atrás e que Jairo quase perdeu a vida por ela. Comprou a bike no bairro da Balsa (onde agora fica a ponte, de onde Jairo foi jogado no rio Madeira). Queria me devolver a bicicleta, só não queria ficar no prejuízo. Baixaria o preço pra R$ 300,-. Pedi pra ver a bicicleta (apesar de confiar plenamente que Damian não se enganaria) e fomos pra casa do rapaz. Ele e o irmão cadeirante foram de carro, eu segui esse carro e Damian foi de bike. Adivinha quem chegou primeiro? Damian.

O rapaz de nome composto por partes de nomes entrou no portão e voltou com a Amarilda. Ela já não tinha mais as duas correntes, nem o bagageiro (nem o alforje Ortlieb à prova d'água). O selim (que o rapaz chamava de sela) tava bem baixo e a combinação de marchas um horror. Desmontamos a roda da frente e colocamos a Amarilda no meu porta-malas. Damian tava atrasado e se foi pra igreja. Eu paguei os R$ 300,- que eu tinha conseguido sacar de manhã num caixa eletrônico que não tinha fila nem cartaz avisando que não fazia saque (os bancários estão em greve, os caixas eletrônicos estão disputadíssimos).

Voltei pra casa pensando que coragem Damian teve pra resgatar a Amarilda. E eu tive que pagar o resgate.

domingo, 11 de setembro de 2016

Video da oficina


A resistência das comunidades ribeirinhas e de pescadores aos grandes projetos: paralelos e pontos de apoio.
Reserva Arirambas, 10 de setembro de 2016
Som: Motion Trio.

sábado, 10 de setembro de 2016

Oficina na Reserva Arirambas

Biojoias em diferentes estágios
Começou hoje uma série de oficinas na Reserva Arirambas. São quatro sábados e um domingo em torno de biojoias e formas de resistência aos grandes projetos implantados aqui (refiro-me às usinas e à ponte da 319).
Fomos recepcionados com café da manhã

Pescador do mar e ribeirinho
Do Rio de Janeiro veio um pescador da Baía de Sepetiba, atingido pela siderúrgica TKCSA para dar seu depoimento. Os paralelos foram muitos.
Nosso almoço
Depois de uma roda de conversa com os moradores mais antigos da comunidade sobre como era o Maravilha antes das usinas e da ponte (e da própria estrada da beira) teve peixe assado, moquiado e de caldeirada.
A casa do Jairo
O tempo está quente e seco, com cheiro forte de fumaça. Agnes suava em bicas, quase não dormiu e tá no terrível pós-vacina rotavírus, que exige que ela seja banhada toda vez que faz cocô e que use fraldas descartáveis (que convidam ao banho, porque vazam que é uma desgraça). Por isso tudo voltamos para o conforto do lar depois do almoço.
Reconheço Narcísio, Flor, Ivo e Miguel

Como ela não vai ser comilona?
Amanhã tem mais, com direito a trilha na mata para reconhecer árvores que dão as sementes usadas para confeccionar biojoias.
Guará na mesa

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cadê a Amarilda?

Amarilda foi roubada no dia 02 de setembro em cima da ponte da BR 319, que passa por cima do rio Madeira. Deve ser a única Canadian amarela em Porto Velho. Se alguém avistar, por favor avise.

domingo, 4 de setembro de 2016

Nossos dois milagres

Jairo diz que nasceu de novo. Então ele e Agnes estão mais ou menos com a mesma idade.

sábado, 3 de setembro de 2016

"Não vai ser o rio Madeira que vai me levar"

Jairo ligou de manhã dizendo que tinha uma notícia ruim pra dar: tinha sido assaltado e roubaram a minha bicicleta, os folders e o banner. E ele foi jogado no rio Madeira de cima da ponte.
Demorei a digerir tudo isso. Recentemente emprestei a minha bicicleta amarela pro Guará, que está morando na casa do Jairo, pra ele não ficar tão isolado. Aí Jairo voltou pra ajudar a preparar as oficinas que faremos na reserva Arirambas a partir do fim de semana que vem. Pegou os folders e o banner com o Luis pra divulgar na comunidade Maravilha e, de noite, ao atravessar a ponte, aconteceu uma série de eventos que a gente custa a entender.

A ponte não tem acostamento dos dois lados, apenas de um, e mesmo assim ele some no pé da ponte, quando se chega do outro lado. Isso significa que ciclistas poderiam trafegar pelo acostamento para ir da cidade para o outro lado do rio - mas não de volta -, mas teriam que compartilhar a via com os carros na hora em que a ponte chega no chão. Existe uma calçada estreita para pedestres que compartilham o espaço com ciclistas. Não existe iluminação na ponte inteira.

Jairo estava pedalando a bicicleta na calçada quando avistou um grupo de pessoas. Quando passou pelos 4, foi agarrado pelas costas e jogado por cima da grade pra dentro do rio Madeira. Teve uma queda de uns 30m, mergulhou fundo na água escura, subiu à superfície e foi rebocado por um garimpeiro que achou que se tratasse de um suicida. Boca Rica foi trazendo o Jairo até perto da margem e Barba Azul o trouxe para terra firme.
Jairo conversando com um barqueiro à procura de Barba Azul. Olha a altura da ponte. O rio está seco, aumentando ainda mais a distância entre ponte e água. Foto: Luis.

Jairo não lembra bem como chegou na casa da mãe na noite de ontem. O raio X não mostra fraturas, mas ele está com dores na perna, cotovelo inchado e tórax dolorido. Nunca vi o Jairo tão quieto. Ele sobreviveu a uma tentativa de homicídio. Eu gosto muito da Amarilda, mas ela não vale a vida do Jairo. Ele que cresceu na barranca do rio Madeira, tirou sua matéria-prima do rio, ele que sempre soube navegar pelo Madeira até as usinas assumirem o controle da vazão, não perderia a vida no rio Madeira.

Hoje Luis e Jairo voltaram na ponte com a televisão. Encontraram os dois que resgataram o Jairo e fizeram uma matéria que infelizmente não saiu no Jornal local de hoje. Talvez segunda-feira.