domingo, 26 de julho de 2015

Do outro lado do rio

Quando chegamos no sítio, Tucumã rosnou para nós. Conforme Luis conversava com o cachorro mencionando os nomes de Jairo, Siomara, Damian, Syrius (todos os alertas ligaram ao som desse nome), Tucumã se acalmava. Notamos a ausência das galinhas, mas elas são espertas: assim que a gente foi pra cozinha, elas apareceram.
O peixe grudou (o couro do tambaqui) na grade, então a solução foi assar o peixe como os gaúchos fazem churrasco. As galinhas não tiveram medo do fogo para resgatar o espólio.
Grande parte do nosso cuidado envolveu o coelho - que é coelha. Limpamos a casinha dela, demos água limpa e tentamos adivinhar o que ela come. Ela beliscava gramíneas e comeu um cará roxo cozido. Siomara ajudou, indicando por mensagem de celular o que ela come: poeirara, uma trepadeira que dá na beira do rio, estava com favas de feijão como ela descreveu e florzinhas roxas. A outra coisa que a coelha gosta de comer - para nossa surpresa - são flores de hibisco. O olhar, a curiosidade e a sabedoria da coelha me lembraram muito a Akari.
Cozinha ribeirinha: limão galego e macaxeira na bancada; lista de compras escrita na tábua, fósforos e vela para o caso de acabar a luz, ouriço de castanha para conter coisas variadas, panelas dependuradas, artesanal misturado com comprado pronto.

domingo, 19 de julho de 2015

Disk fogueira


Antes mesmo de escurecer, os meninos tinham coletado galhos e gravetos para a fogueira. Os palitos de fósforo e o óleo foram se acabando conforme progrediam as tentativas de acender a fogueira. Álcool não tinha, porque a porcentagem era baixa.
Lembro de terem tentado acender pão com óleo, latinha com óleo, jornal, mas nada pegava. Cada um de nós abanou aquelas chaminhas que não viravam brasa e logo se apagavam.
De tanto pelejarem, a mãe do Junior chamou um vizinho que trouxe um kit-fogueira: caixa de feira, palha seca, galhos secos. O rapaz agiu tão rápido, de forma tão determinada e profissional, que Luis brincou que tinham chamado o disk-fogueira.
Soraya Bolaños tocando sax
As batatas estavam ótimas, as conversas também. Para coroar, Soraya (namorada do Ruy) tocou um pouco de sax para nós. E assim os meus amigos e os amigos do Luis se misturaram.

Oca sempre viva

A Oca da Tapioca foi batizada assim pelo Ruy em 2002. Na época éramos muitos: Ruy, Hagar, Ferrone, Lígia, Ingrid, Rorô, Pablares, Junior e eu. Depois, em 2006 (acho), mudamos para uma casa menor. Eu estava na Holanda e todos praguejaram quando tiveram que carregar minhas caixas e caixas de livros. Se não fosse a minha mudança empacotada e o compromisso de levar as coisas da Lou para uma nova república, talvez cada um teria ido para o seu canto.

Agora no Gel, quando sentamos na mesa para contar quantas pessoas já passaram pela Oca, Ruy, Sales e eu chegamos a uns 26 - que eu não serei capaz de recuperar agora: Caldinho, Vanessa, Livinha, Elisabeth, Du, Gustavo, Kenia, Renata. Em 2009 fui pra Rondônia - com breve passagem por São Paulo, na Mônica, que me deu de presente a Akari. Quando o Junior foi pra China, a Oca da Tapioca se dissolveu.
Junior jogando bola com o cão: cãobol
Dia desses, Junior voltou da China depois de 4 anos. Ruy e Sales, que mantiveram contato com o gafanhoto na China por Whatsapp, foram ao seu encontro em Ribeirão (onde mora a família do Junior) e me avisaram. Expliquei pro meu marido que eu tinha muitas saudades dos meus irmãos tapioquenses. Marcão nos levou.
Sales querendo jogar
Junior continua o mesmo, o que me surpreendeu foi a irmãzinha dele, que virou uma exímia cozinheira. Ela fez um caldo de mandioca bem caipira, cocada, chocolate quente, tudo para garantir a comida caso a tradicional batatada não desse certo.

A pequena irmã do Junior é ótima cozinheira
Apesar de Ruy dizer que agora tem uma nova relação com os alimentos (palavras dele!), ele continua consumindo Coca-Cola e pedindo pizza de 4 queijos sem tomate e sem orégano. É verdade que ele emagreceu, mas não vi ele comendo nada de diferente.
Ruy e a Coca-Cola
Sales e Luis travaram uma longa conversa sobre o universo circense enquanto Junior jogava bola com o Ruy e os cachorros. Sem ter visto nenhuma apresentação do Jerônimo, Luis virou fã dele.
Sales, ou o palhaço Jerônimo
Foto: Ruy Braz
Quando Marcão veio nos buscar, convidamos nosso anfitrião a ficar para a fogueira e tradicional batatada. Aceitou de pronto.

sábado, 18 de julho de 2015

Em Ribeirão Preto

Kika e Pedro
Luis e eu fomos a Ribeirão Preto, visitar Marcão, Kika e as crianças. Os dois meninos são espoletas, muito ativos e, como se vê pelas camisetas que usam, adeptos do futebol.
Miguel e Kika
Kika e Marcão foram muitíssimo atenciosos conosco durante nossa estadia.
Marcão
Enquanto as crianças brincavam, nós tecemos longas conversas. Agradecemos por fazer parte da rotina deles por uns dias!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Boldrini

Rafael e o pai
Madá (minha sogra) vinha a Campinas para acompanhar o Rafael (sobrinho do Luis) por causa de uma cirurgia no braço. Apesar do Rafael já ser maior de idade, diz o lema: uma vez Boldrini, sempre Boldrini. Rafael não tinha paciência para os hospitalhaços e seus presentinhos. Voltei de São Paulo a Campinas para dar uma força para a Madá.

Madá e eu fomos de ônibus até o Boldrini e ficamos mais tempo esperando nos pontos do que viajando dentro dos ônibus. Quando Luis chegou, alugamos um carro - o que facilitou bastante a vida da Madá e do Rafael - que saiu do hospital com muita dor na bacia, de onde parte do osso foi retitrada para ser enxertada no braço.

Dali a duas semanas Rafael tiraria os pontos. Como não valia a pena voltar a Cachoeiro e depois voltar a Campinas, ficaram em Campinas, na casa de Ernesto (irmão do Luis).

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pastor de férias: dois cultos num domingo

Olga assumiu a tarefa de levar o pastor de Diadema a Santos, para fazer o culto, porque o pastor de Campo Grande está de férias. Convidou uma amiga da comunidade, a Márcia. Pra aumentar a trupe, me convidou também e fomos em 4 para Santos.
Eu ainda estava de cachecol e casaco, tossindo muito e tomando composto de mel e própolis.
 Almoçamos na volta, em Demarchi, num restaurante em que estava acontecendo um casamento.
De tardezinha, Olga e mais duas mulheres da comunidade Campo Grande celebraram o culto na Capela de Cristo no lugar do pastor Guilherme. Pra mim, igreja sempre foi comunidade. E a comunidade sempre foi uma segunda família.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Falando alemão no Museu da Língua Portuguesa

Prof. Dr. Rainer Enrique Hamel, Dep. Antropologia da UAM, México
No último dia do Gel, Rosana veio pedir a um dos seus orientandos se não podiam acompanhar o prof. Hamel até o Museu da Língua Portuguesa no sábado. O motorista levaria, tudo cortesia do evento. Nenhum deles reagiu animadamente, então me dispus: estarei em São Paulo no sábado, pode marcar na porta do museu.
Exposição Poesia Agora
Prof. Hamel proferiu (no Gel) conferência sobre o plurilinguismo e políticas linguísticas no tocante a publicações científicas. É fluente em portunhol, mas se sentiu mais à vontade para falar alemão comigo. E assim visitamos o Museu da Língua Portuguesa falando em alemão. E viva a diversidade linguística, não é mesmo?
Desafio: escrever poemas de acordo com a palavra-título do livro

terça-feira, 7 de julho de 2015

63. Gel

Minha apresentação no GEL (Grupo de Estudos Linguísticos) na sessão de Neurolinguística foi logo no primeiro dia, primeiro horário, de manhã. Aqueles que apresentaram depois de mim falaram sobre assuntos bastante heterogêneos: linguagem no envelhecimento, na afasia, na escola e mutismo (em diversas situações). Num simpósio (modalidade em que apresentei no ano passado), o tema era mais focado: jargonafasia.

Muitas perguntas e sugestões foram feitas sobre o que apresentei: interações fictivas na afasia. Percebo que nunca estou no mainstream do que se faz no IEL. Que eu saiba, sou a única no Brasil que abraçou e explorou até seus limites a Teoria da Adaptação (Kolk e colaboradores) e que eu saiba, sou uma das poucas que está fazendo a ponte entre a Neurolinguística Discursiva e a Linguística Cognitiva.
Além dos 4 (fora eu) que apresentaram, havia no público mais outros 4 orientandos da Rosana. As fotos foram feitas pela fotógrafa do evento e estão no site do Gel.
Pra mim, o Gel é um lugar de reencontro. Ilari, Ataliba, Pablo, Renato, Rosana, os orientandos da Rosana estão sempre no Gel. Elenir não pode ir nesse ano, uma pena. O Gel também proporciona reencontros fora do congresso: ano passado, fiquei na casa de Telmo e Milena; este ano fiquei hospedada na casa do Sales (também conhecido como palhaço Jerônimo), antigo morador da nossa república. Ruy, um dos mais antigos tapioquenses, me reconheceu na rua e colocamos as memórias da Oca da Tapioca em sintonia.

domingo, 5 de julho de 2015

Tempo e cuidado

04 jun 2015

fim de abril de 2015

dezembro de 2014