domingo, 19 de fevereiro de 2017

Humaitá

Perguntei pro Luis o que a gente ia fazer no sábado de tarde. Ele respondeu: passear. Pensei no Parque Ecológico, no Parque Circuito, até no shopping. Mas não imaginei o que ele tinha em mente. Ele disse que Humaitá fica a 2 horas daqui. A placa informa que são 189 km. Saímos de casa às 15h e pegamos o estradão retão em terreno ondulado.
Humaitá tem dois campi universitários: UEA e UFAM. Duas universidades públicas numa cidade tão pequena. E tem mais de uma praça e tem uma beira-rio. Enquanto Porto Velho está de costas para o Madeira, Humaitá dispõe bancos de praça na frente dele, pra que as pessoas possam acompanhar o que acontece no rio Madeira.
Tomamos açaí (bem melhor que o daqui, porque não tem gosto de xarope de guaraná) e depois deu vontade de jantar. Comemos um tambaqui minúsculo - a julgar pelo tamanho das costelas. E aí, já escuro, era pegar a estrada de volta. A estrada era bem sinalizada. O medo era a gasolina acabar. Fomos com meio tanque, e pela lógica a outra metade do tanque deveria ser suficiente pra voltar pra casa. Mesmo assim fiquei preocupada a viagem inteira (porque não há nenhum posto de gasolina no trecho). Fiquei tão aliviada quando vimos as luzes da cidade de Porto Velho, que acho que nunca senti essa emoção antes.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Que Maravilha!

A gente só ia buscar uma coisinha esquecida na casa do Seu Arnaldo. Acabamos sentando pra tomar café e comer tapioca e bolo. Como dali a gente ia na casa do Jairo, buscar outra coisa deixada muito tempo atrás, Luis pediu pro Seu Arnaldo separar um pé de João Gomes (que ele chama de carirú), que pegaríamos na volta.

No sítio, fomos juntando jambo, cupuaçu caído no chão e limão; pegamos a assadeira e a tábua. Ainda passamos no Damian, sentamos, tomamos outro café e voltamos no Seu Arnaldo que estava nos esperando com essa fartura da foto.
Cheiro verde, espinafre (na bacia rosa), couve, chicória, pimentas variadas, quiabo, manjericão, João Gomes e farinha torrada ontem. Perdemos a feira de sábado e de domingo, mas fizemos a feira no Maravilha.

Audiência Pública Comunitária

 
Ontem Agnes participou da primeira audiência pública comunitária da Comunidade Maravilha. Como há um trecho da estrada da beira que oferece perigo iminente de desbarrancamento, fomos até o km 4,5 e demos a grande volta por trás, passando inclusive pela fundiária do Jairo.
Mesmo chegando tarde, não fomos os últimos a chegar. Chovia e não tinha luz. Microfone e caixas de som se tornaram obsoletas e o esquecimento da impressora deixou de ser trágico. As pessoas foram se achegando aos poucos. Quando vieram as autoridades da prefeitura, a audiência começou e foi conduzida por dois jovens da Comunidade Maravilha.
Uma audiência é um momento de se ouvir. E a comunidade se organizou para falar o que afligia as famílias:
  • desde a cheia de 2014, ainda há pessoas morando em barracas, com medo de construir casa nova e a Defesa Civil tirar, porque depois da cheia tudo às margens do Madeira foi batizado de área de risco;
  • uma área atrás do lago Maravilha, destinada a um assentamento para desalojados da cheia de 2014, está sendo ocupada por pessoas que estão praticando roubos, furtos, largando lixo e poluindo o lago;
  • a estrada da beira está desbarrancando progressivamente por causa das balsas e barcos que aportam nas margens do rio;
  • energia é um problema;
  • o fornecimento de água mineral pela Defesa Civil foi interrompido;
  • a especulação imobiliária está esticando seus braços em direção à margem esquerda do rio, que é APA (Área de Proteção Ambiental) - e os ribeirinhos não necessariamente possuem título das terras.
 
O prefeito mesmo não veio, mas duas secretarias importantes (Meio Ambiente e Assistência Social) se fizeram presentes, além da Defesa Civil municipal, Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo de Estado e EMATER.
Nesse formato de audiência convocada pela comunidade, a comunidade se manifestou primeiro. Em seguida, representantes de entidades como CPT, Madeira Vivo, Igreja Católica, UNIR e Coletivo Popular Direito à Cidade reforçaram o apoio à comunidade, declarando suas alianças com a comunidade Maravilha na frente das autoridades do governo (da cidade e do estado). Por fim, os representantes do governo assumiram o compromisso de resolver ou ajudar a encaminhar as demandas da comunidade. Ficou acordado que é preciso formar uma comissão/associação da comunidade Maravilha que seja independente e representativa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Objeto: livro

Foucault é uma boa base para ficar de pé

Intimidade com gramáticas e dicionários desde cedo