domingo, 12 de fevereiro de 2017

Audiência Pública Comunitária

 
Ontem Agnes participou da primeira audiência pública comunitária da Comunidade Maravilha. Como há um trecho da estrada da beira que oferece perigo iminente de desbarrancamento, fomos até o km 4,5 e demos a grande volta por trás, passando inclusive pela fundiária do Jairo.
Mesmo chegando tarde, não fomos os últimos a chegar. Chovia e não tinha luz. Microfone e caixas de som se tornaram obsoletas e o esquecimento da impressora deixou de ser trágico. As pessoas foram se achegando aos poucos. Quando vieram as autoridades da prefeitura, a audiência começou e foi conduzida por dois jovens da Comunidade Maravilha.
Uma audiência é um momento de se ouvir. E a comunidade se organizou para falar o que afligia as famílias:
  • desde a cheia de 2014, ainda há pessoas morando em barracas, com medo de construir casa nova e a Defesa Civil tirar, porque depois da cheia tudo às margens do Madeira foi batizado de área de risco;
  • uma área atrás do lago Maravilha, destinada a um assentamento para desalojados da cheia de 2014, está sendo ocupada por pessoas que estão praticando roubos, furtos, largando lixo e poluindo o lago;
  • a estrada da beira está desbarrancando progressivamente por causa das balsas e barcos que aportam nas margens do rio;
  • energia é um problema;
  • o fornecimento de água mineral pela Defesa Civil foi interrompido;
  • a especulação imobiliária está esticando seus braços em direção à margem esquerda do rio, que é APA (Área de Proteção Ambiental) - e os ribeirinhos não necessariamente possuem título das terras.
 
O prefeito mesmo não veio, mas duas secretarias importantes (Meio Ambiente e Assistência Social) se fizeram presentes, além da Defesa Civil municipal, Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo de Estado e EMATER.
Nesse formato de audiência convocada pela comunidade, a comunidade se manifestou primeiro. Em seguida, representantes de entidades como CPT, Madeira Vivo, Igreja Católica, UNIR e Coletivo Popular Direito à Cidade reforçaram o apoio à comunidade, declarando suas alianças com a comunidade Maravilha na frente das autoridades do governo (da cidade e do estado). Por fim, os representantes do governo assumiram o compromisso de resolver ou ajudar a encaminhar as demandas da comunidade. Ficou acordado que é preciso formar uma comissão/associação da comunidade Maravilha que seja independente e representativa.

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