Ontem Agnes participou da primeira audiência pública comunitária da Comunidade Maravilha. Como há um trecho da estrada da beira que oferece perigo iminente de desbarrancamento, fomos até o km 4,5 e demos a grande volta por trás, passando inclusive pela fundiária do Jairo.
Mesmo chegando tarde, não fomos os últimos a chegar. Chovia e não tinha luz. Microfone e caixas de som se tornaram obsoletas e o esquecimento da impressora deixou de ser trágico. As pessoas foram se achegando aos poucos. Quando vieram as autoridades da prefeitura, a audiência começou e foi conduzida por dois jovens da Comunidade Maravilha. Uma audiência é um momento de se ouvir. E a comunidade se organizou para falar o que afligia as famílias:
- desde a cheia de 2014, ainda há pessoas morando em barracas, com medo de construir casa nova e a Defesa Civil tirar, porque depois da cheia tudo às margens do Madeira foi batizado de área de risco;
- uma área atrás do lago Maravilha, destinada a um assentamento para desalojados da cheia de 2014, está sendo ocupada por pessoas que estão praticando roubos, furtos, largando lixo e poluindo o lago;
- a estrada da beira está desbarrancando progressivamente por causa das balsas e barcos que aportam nas margens do rio;
- energia é um problema;
- o fornecimento de água mineral pela Defesa Civil foi interrompido;
- a especulação imobiliária está esticando seus braços em direção à margem esquerda do rio, que é APA (Área de Proteção Ambiental) - e os ribeirinhos não necessariamente possuem título das terras.
O prefeito mesmo não veio, mas duas secretarias importantes (Meio Ambiente e Assistência Social) se fizeram presentes, além da Defesa Civil municipal, Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo de Estado e EMATER.
Nesse formato de audiência convocada pela comunidade, a comunidade se manifestou primeiro. Em seguida, representantes de
entidades como CPT, Madeira Vivo, Igreja Católica, UNIR e Coletivo
Popular Direito à Cidade reforçaram o apoio à comunidade, declarando suas alianças com a comunidade Maravilha na frente das autoridades do governo (da cidade e do estado). Por fim, os representantes do governo assumiram o compromisso de
resolver ou ajudar a encaminhar as demandas da comunidade. Ficou acordado que é preciso formar uma comissão/associação da comunidade Maravilha que seja independente e representativa.
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