quinta-feira, 30 de junho de 2011

Dormindinho

Akari
Os habitantes do jardim
Desde domingo tem feito frio por aqui de noite e de manhãzinha. Frio é modo de dizer, porque continuamos de camiseta e short, mas dessa vez achamos o clima agradável.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sem o capacete

Durante o passeio ciclístico, eu tinha reparado num policial de moto. A função dele era de pastorear a massa de ciclistas. Não se via muito da pessoa escondida na farda e no capacete. Eu só tinha informações sobre a parte do rosto que seu capacete permitia ver.

Seus olhos eram tão firmes, que magnetizaram os meus. O olhar dele era tão concentrado, que tive até vontade de perturbar seu equilíbrio.

Quando ele tirou o capacete, vi que seu pescoço era curto demais, a testa alongava o topo de sua cabeça, o corte de cabelo acompanhava a calvície e as orelhas despontavam. Seus lábios eram finos demais pro meu gosto, seu queixo quadrado não combinava com o nariz pequeno e seus olhos se perderam na paisagem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Fotos alheias

Foto: Calixto
Foto: Calixto
Foto: Calixto
Eis o vegano com a criança loirinha no caixote. Atrás, a única reclinada do passeio. Essas fotos são da Amazônia Adventure.

domingo, 26 de junho de 2011

1° Ecobike em Porto Velho

A Amazônia Adventure (agência de turismo e esportes radicais) organizou hoje o primeiro Ecobike. Para comemorar o mês do Meio Ambiente, um passeio ciclístico foi aliado ao plantio de mudas. A saída estava marcada no Parque Circuito (perto do aeroporto) e a chegada era o Parque Madeira-Mamoré, às margens do Rio Madeira.
Partida
Diferentemente dos outros dias claros, nítidos e coloridos, o dia de hoje amanheceu nublado. O vento fez chover pétalas de flor de jambo na minha casa. De tarde, a cortina de nuvens se abriu, mas ninguém sofreu de calor.
Foto: Marcelo

Quando Marcelo e eu chegamos no Parque Circuito, tinha pouca gente e muito som. Além do carro de som, tinha o som alimentado por uma bateria e preso numa bicicleta dos mano das acrobacias. Claro que os sons eram diferentes e se mordiam. Fomos dar uma volta pela estradinha sombreada que dá acesso ao aeroporto. Reparamos que um caminhão da prefeitura depositava mudas ao lado de buracos no chão. Adivinhamos que faziam parte do passeio ecológico.
Marcelo
Um carro de polícia e o carro de som encabeçavam a modesta massa. A imprensa, a prefeitura e a polícia estavam motorizados, ao passo que nós pedalávamos devagar. Ocorreu de um carro da imprensa pressionar os ciclistas com buzinadinhas. É difícil assimilar as coisas...
O que mais me impressionou foi que o plantio aconteceu de maneira relativamente organizada e espontânea. O sujeito atrás do microfone (no carro de som) dizia: "Tem que plantar essas mudas tudo aí, ó!" Enquanto passávamos pelas mudas, as pessoas paravam e plantavam. Achei legal que as pessoas conseguiram coordenar pedal e plantio.
Chegada
Chegamos no Parque Madeira-Mamoré ao entardecer. O palco estava montado pro Beradelia, o cabo da tirolesa era longo, havia uma parede portátil de escalada e as pessoas estavam dispostas a conversar. Marcelo e eu conhecemos um vegano rastafari que levava uma criança loirinha no caixote da bicicleta e depois trocamos ideia com o bicampeão de elite de Porto Velho, "no caso: Divino" (foi assim que ele se apresentou). Valeu.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Presos na língua

Li Aula, de Roland Barthes, na minha graduação. Li com o dicionário do lado, um lápis na mão e um marcador de texto ao alcance das pérolas. Mastiguei e ruminei o texto, fiquei impressionada, mas não garanto que tenha entendido. Eu não tinha maturidade teórica pra entender o que ele dizia quando proferia a sua aula.

Reli Aula faz pouco tempo e fiquei impressionada com as marcas que eu tinha deixado no texto 15 anos atrás. Mas dessa vez consegui deixar decantar melhor as palavras do francês.

"(...) Assim, por sua própria estrutura, a língua implica uma relação fatal de alienação. Falar, e com maior razão discorrer, não é comunicar, como se repete com demasiada frequência, é sujeitar: toda língua é uma reição generalizada." (p. 13).
Em outras palavras, estamos presos à nossa língua materna. Mais à frente:
"(...) Mas a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer." (p. 14).

Os estruturalistas se veem presos na estrutura da língua. Se impressionam menos com o que é impossível de dizer numa língua, mais com aquilo que a língua obriga o falante a dizer. Em português, por exemplo, somos obrigados, pela nossa língua, a ser redundantes: precisamos marcar o plural em todos os elementos relacionados ao nome. A marca de plural vai no artigo, no nome, no adjetivo e no verbo. Não quero dizer que Barthes seja estruturalista (esse francês é meio liso), mas afirmações como a que segue são caracterizadoras dos estruturalistas:

"(...) Se chamamos de liberdade não só a potência de subtrair-se ao poder, mas também e sobretudo a de não submeter ninguém, não pode então haver liberdade senão fora da linguagem. Infelizmente, a linguagem humana é sem exterior: é um lugar fechado." (p. 15 - 16).

Igualmente não sendo estruturalista, quero me impressionar com as garras da língua materna. Não conseguimos escapar de interpretar algo que faz sentido em nossa língua. Os meus exemplos são de palavras na língua materna que imediatamente despertam significados, mesmo quando se trata de uma mera coincidência.

Perto de casa (em São Paulo) tinha uma loja de presentes chamada Gift House. Apesar do desenho do presente quadrado com fita e laço, e apesar de saber que Gift House é inglês e significa "casa de presentes", a primeira associação que fiz foi outra: Gift = veneno em alemão. Nunca entrei na loja e passei muito tempo fantasiando as poções e ervas que são vendidas lá. A associação da palavra inglesa com um significado em alemão foi compulsória: não tive escapatória.

Tenho uma amiga que mora numa casa em que mora um menino. Eu já tinha ouvido o nome do guri, mas nunca tinha visto escrito. Quando fui na casa dela, ela me mostrou todos os cômodos. Na porta do quarto do moleque estava escrito, em letrinhas coloridas e alegres: Hassen. Fiquei paralisada diante do nó que deu: Hassen = detestar, odiar (em alemão) estava escrito em cores inocentes.

Quando visitei Amsterdam, participei do free walking tour. O guia era um cara descolado, cheio dos piercings, tatuagens e tinturas. Um dos pontos turísticos que ele sempre mostrava era a menor casa de Amsterdam. Logo em frente à casa havia uma estátua de bronze em homenagem a algum escritor cujo nome (ou nacionalidade) não consigo lembrar. A estátua, apesar de não ter nenhum significado para os turistas em geral, entrou para o roteiro do guia, porque o nome do escritor evocava gargalhadas histéricas de turistas finlandeses. Em finlandês, o nome do homem era algo como "vou gozar".

Apesar do descontexto, o significado vem na língua materna, sem ser convidado.

domingo, 19 de junho de 2011

Cor é luz

Se de noite todos os gatos são pardos,
Na luz do entardecer todas as flores são aves.
Não voam nem andam,
mas seu brilho atravessa todo o jardim.
Na luz do entardecer, algumas folhas viram caverna
cuja luz se concentra no fundo do caracol.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Formatar sonhos

Quando entramos de mudança e tudo na terceira casa em São Paulo, achei uma torneira na garagem. A garagem logo se transformou num misto de ateliê da minha mãe (casa de escultor vira ateliê) e estúdio do meu irmão (casa de baterista vira estúdio). A torneira eu preguei na parede do meu quarto, na altura da cama. Na minha adolescência, achava engraçado pregar coisas na parede.

Aquela torneira formatou os meus sonhos durante os seis anos que moramos naquela casa. Todos os meus sonhos envolviam água: ou eu nadava no mar, ou eu navegava um barco no rio, ou chovia, ou eu mergulhava numa piscina. Era legal.

Eu não tava usando a Caloi 10 porque o pneu da frente está querendo rachar e não acho pneu igual em Porto Velho. Para não deixá-la exercendo pressão sobre os pneus murchos, resolvi suspendê-la. Virou artigo de decoração. Agora espero ter sonhos ciclísticos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cool number

Pelas minhas contas - confesso que sou ruim de número, afinal fiz Letras, não Números - rodei 4 mil km na mesma corrente nos dois últimos anos. Dava pra ir pra São Paulo...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Depois do pós-modernismo

Depois do pós-modernismo vem a contemporaneidade. Da dança contemporânea eu desisiti durante um festival de dança contemporânea em Barão Geraldo, enquanto eu tava sentada na arquibancada do Teatro Barracão. A música provocava vibrações no corpo de cada membro do público, menos no infeliz deitado no palco. Depois dessa apresentação sem dança, uma moça que dançou sem música dominou o palco. Desisti da dança contemporânea.

Semana passada, desisti do teatro contemporâneo. Vi uma peça experimental, fragmentada, com cenas de suruba, desespero, nudez e histeria revolucionária. Não havia fio narrativo, apenas a repetição de fórmulas. Aforismos eram repetidos, assim como os esquemas do teatro contemporâneo (sair do teatro com o público, usar palavrões no atacado, mostrar o corpo nu no varejo, mudar de assunto constantemente, mostrar trocas de roupa/ cenário, provocar o público). Não tive a impressão de que o público tenha gostado. Não interagiram com os atores durante a peça, algumas pessoas saíram logo no começo e menos da metade ficou pro bate-papo no final.
Acabo de ver Scott Pilgrim against the world. Indicação do Bill, que "sempre quis ser um gênio" e se identificou com o personagem principal. Não tenho visto muitos filmes adolescentes (o último foi Juno), mas este certamente é o melhor. Enquanto Lola rennt flertava com a organização do video-game e os quadrinhos, Scott Pilgrim cruza video-game (não me pergunte quais, nunca joguei nenhum), quadrinhos (originalmente é uma HQ), música (indie, que é o que a garotada toca e ouve) e efeitos especiais. Muitas cenas são descontínuas, fragmentadas e mosaicas, mas a narrativa sustenta a troca de cenários. Som e imagem estão sob os holofotes, enquanto a palavra e a estória de amor adolescente são o pano de fundo. Música e imagem que muda rapidamente é o que os jovens de hoje conseguem processar bem simultaneamente. Por isso acho que Scott Pilgrim against the world é um bom exemplo de obra contemporânea que consegue reproduzir a contemporaneidade - e agradar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O nome das coisas

Como se pode conferir na enciclopédia para todas as coisas difíceis, esta flor que enfeita o meu jardim é a Rosa de Porcelana.
Obrigada, Laila!

domingo, 5 de junho de 2011

Na onda do surf

A porta de entrada foi um livro, claro. Um livro escrito ao longo de cinco anos por uma jornalista. No livro, a jornalista procura ver as ondas de diversos pontos de vista. Susan Casey escreveu A onda (The wave: In pursuit of the rogues, freaks and giants of the ocean) depois de entrevistar executivos que trabalham em seguradoras de navios, capitães de navio, físicos que estudam o comportamento caótico das ondas, meteorologistas, cinegrafistas, fotógrafos e surfistas. Que ela puxa a sardinha pra brasa dos surfistas é evidente, tanto é que ela os acompanha a alguns lugares do globo em que quebram ondas gigantes.


Susan não é uma escritora, mas seu livro foi bem traduzido. O trabalho de Casey não é com o "poder criativo" das palavras, mas com a informação. Sua preocupação não é a relação entre significado e significante, mas a explicação do que são as ondas. Tampouco é uma narradora, no sentido de Walter Benjamin. Não vivencia a adrenalina do surf para chegar a uma moral, conselho ou transmissão de conhecimento prático. Escreve para compartilhar o que aprendeu sobre as ondas. Escreve como uma jornalista: usando uma vasta paleta de cores para despertar sensações.

Foto: Clark Little

Acima de tudo, fica evidente que quem escreveu o livro é uma mulher. Ela descreve os surfistas em detalhes (cor de cabelos, olhos, bermudas, altura, brancura do sorriso e cicatrizes no corpo) e guarda os momentos poéticos para Laird Hamilton, o guru do surf de ondas gigantes. Quando a autora foi a um congresso sobre ondas, contou que ficou surpresa ao ver tantas mulheres como homens no congresso. Mas só entrevistou os homens e os descreveu fisicamente (cor de olhos, cabelo, sorriso, roupa). No livro inteiro, Susan Casey só deu voz a duas mulheres: duas pesquisadoras de ondas que foram pegas de surpresa por uma tormenta em alto mar. Ah, desculpa! Tem uma vez que ela dá voz à esposa de Hamilton, deixando-a dizer: "Ele é assim mesmo".
Foto: Don King

Susan Casey faz o leitor leigo acreditar que Laird Hamilton é 'o cara'. O cara que é grande, forte, habilidoso e louco o suficiente para surfar as maiores ondas do planeta. O cara que, junto com seus parceiros, desenvolveu uma nova técnica de chegar na onda: tow-in. (Deitado em cima de uma prancha e remando, não dá pra pegar ondas de mais de dez metros, por causa da velocidade dessas ondas gigantes. O surfista é rebocado até a onda em alto mar por um jet ski. Como muita coisa pode dar errado, o parceiro do jet ski é o resgate, portanto rebocador e surfista formam uma equipe. Assim, o surfe de ondas grandes não é um esporte individual, mas de dupla.) Laird Hamilton é o cara que pensa o treino de surf, inovando com a técnica stand-up (o surfista fica em pé no pranchão com um remo na mão) e a prancha hydrofoil, em que o contato da prancha com a superfície da água é quase zero.

Foto: Tony Harrington

Como eu sou leiga nessas águas e não era capaz de mobilizar a minha imaginação para visualizar ondas de 30 metros, tow-in, stand-up, hydrofoil e a fúria das ondas, recorri às imagens. Vi o filme Billabong Odissey. Bill Sharp, idealizador da competição chamada Billabong XXL, que prometia - de início - um prêmio de 500 mil dólares a quem surfasse (e pudesse prová-lo) a maior onda da Terra, é o narrador do filme. O filme documenta a competição e mostra que o primeiro vencedor (Mike Parsons) recebeu só 60 mil dólares. Pra minha surpresa, Laird Hamilton não foi mencionado nem mostrado durante o filme. Eu já tinha entendido que o heroi da Casey era avesso às competições, que era um surfista quase zen, integrado com a Natureza, mas esperava que fosse ao menos mencionado quando Bill Sharp descreveu a evolução do surf.

Foto: Tom Servais
As estórias de surfadas históricas, a importância dos interpretadores climáticos, a relevância dos cinegrafistas e fotógrafos, a ausência de uma teoria que forneça instrumentos matemáticos para que os físicos calculem ondas e todas as tonalidades de azul da paleta de Casey me conduziram ao fim do livro. Pra comemorar, vi o filme brasileiro Surf Adventures 2 (eu já tinha visto o 1 alguns anos atrás porque os surfistas sempre me encantaram). Gostei bem mais do 2 do que do 1. Entendi tudo (!) e até reconheci o jeito de filmar de Mike Prickett (descrito pela Susan Casey) e dois figurões do surf (Carlos Burle e Kelly Slater). Estacionada na Amazônia, me apaixonei pelo surf.

sábado, 4 de junho de 2011

Barbie

A primeira vez que me senti uma Barbie foi quando saltei de pára-quedas pela segunda vez e me vestiram uma roupa (de corpo inteiro) cor de rosa. Fui a última a saltar do avião (portanto longe do aeroclube) e não reconheci nada da geografia nunca dantes vista daquele ângulo. Pousei num canavial recém-cortado, seco e com vacas - muitas vacas. No horizonte, um Gol branco esperava na estrada deserta. Achei que fosse a equipe de resgate, mas era uma família tentando adivinhar se aquele paraquedista desgarrado era homem ou mulher. E isso que eu estava vestida de Barbie! Não sei quem ganhou a aposta, mas o fato é que quem chamou a atenção da família no carro pra mim pousando no pasto foi um paraquedista vindo do aeroclube de carona com a família. Como não cabia todo mundo no carro, o carona ficou na estrada deserta e eu fui levada de volta ao aeroclube. Sou eternamente grata aos desconhecidos que se empenharam em me resgatar (mesmo porque o Leo, que tinha ido me resgatar, atolou o jipe e tava precisando ser resgatado. Teve que se desenroscar sozinho e chegou bem depois de mim, todo coberto de lama).

A segunda vez que me senti uma Barbie foi quando a minha bicicleta foi sequestrada. A bicicleta estava na casa de uma amiga, me esperando. Voltamos de carro, tarde da noite, para casa dessa amiga. Pouco antes de chegar na casa dela, ela ofereceu de me deixar na minha casa de carro. "E a Amarilda fica na tua casa?" Recusei e expliquei que eram só 4 km da casa dela até a minha, que eu tinha luzinhas e nenhum motivo pra não pedalar até a minha casa. Não teve jeito. Ela deu meia-volta e me depositou na minha casa. No dia seguinte, tive que pegar um ônibus pra resgatar a minha bicicleta.

A terceira vez que fizeram com que eu me sentisse uma Barbie foi essa semana. Estávamos todos num restaurante, comemorando um aniversário que seria só no dia seguinte. Esperamos dar meia-noite e cantamos os parabéns. Quando decidimos voltar pra casa, peguei a minha bicicleta que estava junto com as bicicletas dos garçons do restaurante. Os amigos começaram: "a gente bota a bicicleta no carro", "Eu posso te dar carona, já que moramos no mesmo bairro", "É perigoso atravessar a cidade de bicicleta depois da meia-noite". (Nem comentei que eu achava mais perigoso dirigir com álcool no sangue.) Até o garçom veio oferecer de deixar a bicicleta trancada - em segurança - na garagem do restaurante. Bati o pé, mas tive que prometer ligar pra minha amiga assim que chegasse em casa. (E esqueci.)

Fico tocada com a preocupação dos meus amigos, mas, diferentemente do primeiro episódio narrado aqui, não preciso de resgate quando estou de bicicleta.

Não fale mal de PVH

Percebo pelas notícias de bike anjo e mapeamento de rotas cicláveis, que os ciclistas (potenciais, iniciantes e amadores) estão sendo incentivados a escolher ruas vicinais para fugirem do trânsito pesado das avenidas.
Aqui em Porto Velho, prefiro andar pelo asfalto mesmo.

Meia bicicleta

- Cê vai lá?
- Tô indo.
- Vai buscar a mesa que eu pedi?
- Vou. Quer que traz mais alguma coisa?
- Se tiver um garfo bom dando sopa, pode trazer.
- Tá.
- Vixe, esse quadro aqui tá muito feio.
- Vai querer outro quadro?
- Hahaha. Mesa, garfo, quadro: isso dá meia bicicleta!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Obscuridades na Claro

Na metade de abril eu estava sem internet. Recebi uma ligação de uma moça que alegou haver uma parceria entre Oi e Claro e que a previsão era que eu ficasse sem internet Oi por seis, sete meses. Impressionada com essa perspectiva, dei-lhe meus dados cadastrais e me cadastrei na promoção de internet móvel. Para finalizar o contrato, eu teria que aguardar a ligação de outro atendente da Claro. A abordagem já não foi muito às claras.

Pensando sobre essa conversa, e depois contando pras pessoas, me convenci que tinha sido vítima de trote. Até fiz BO pro caso do meu nome aparecer na lista negra do SPC. Choveram ligações da Claro, mas eu não atendi. E as que atendi, desliguei assim que a pessoa se identificava como funcionário da Claro. A insistência deles tornou a minha vida opaca. O modem 3G de internet móvel nunca chegou, as ligações cessaram e eu achei que tivessem me esquecido. Afinal de contas, eu não tinha assinado nada.
Eis que a Claro manda a conta do plano de internet que eu nunca usei. Minha vista escureceu. Liguei lá e quase desanimei diante do menu de opções: disque 1 se você é cliente ou disque 2 se você quer conhecer nossos produtos. Eu definitivamente não queria conhecer os produtos Claro, mas poderia me considerar cliente? Tudo bem, recebi a conta deles, o que me qualifica como cliente, mas não usei nada deles, o que me desqualifica como cliente. Diquei 1. O passo seguinte era ainda mais no escuro: digite o número da sua linha. Digitei no número do meu telefone fixo, que é o canal pelo qual me acharam. Dados incorretos. Por coincidência, tenho um celular Claro. Digitei esse número. Pacientemente ouvi o meu saldo, a validade dos meus créditos, bônus, as promoções em que estou cadastrada e suas definições. Só depois desse túnel escuro e frio é que se abriu um menu de possibilidades. Depois de ouvir todas as possibilidades, disquei 9, "para falar com um dos nossos atendentes".

A moça do atendimento geral me ouviu, me fez esperar um tempão e me transferiu para o setor de contas. Demorou muito para atenderem no setor de contas. Essa moça me ouviu, me fez esperar, me explicou que o meu problema não era a especialidade dela e me transferiu para outro setor. Depois de muito esperar, uma moça do suporte técnico atendeu. Duvidei que ela pudesse me ajudar, mas mesmo assim ela conferiu os meus dados, me ouviu, me fez esperar e transferiu para a Cristiane, que não me revelou em que setor trabalha. A antipática Cristiane me ouviu cuspindo veneno, me fez esperar soltando fumaça e me transferiu para o setor de cancelamentos. Quando cheguei ao fim do labirinto, a moça com dicção péssima e falando rápido demais me ouviu, me fez esperar e anunciou que estava tudo bem, que era pra eu desconsiderar aquela conta. Ela teve que repetir tudo duas vezes e até ofereceu de retornar a ligação, já que os meus ouvidos não estavam acompanhando o que ela dizia. Com medo que ela nunca ligasse, pedi pra ela repetir tudo devagar, quase soletrando. Meus ouvidos haviam se transformado num buraco fundo e escuro que ecoava sons difusos.

Toda essa estória começou obscura (parceria entre Oi e Claro). Eu não assinei nenhum contrato para adquirir o modem 3G, e quando chegou a conta e a "contestei", novamente não assinei nada, nem recebi nenhuma confirmação por escrito de que aquele contrato foi cancelado e estou isenta de pagar a conta de um produto que não usei. A moça da voz cinza e dicção fanha em alta velocidade me disse que o número do protocolo dessa ligação (que passou por 5 atendentes) era a minha garantia de que o contrato tinha sido desfeito.