segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo

Que consigamos cumprir as metas que nos impusemos!

Última pedalada do ano

O Keki tinha uma bici (não é bike, é bici) encostada numa parede da lavanderia. Enchi os pneus, repuxei os cabos dos freios e removi as teias de aranha e o pó. A bici é muito pequena pra mim, e apesar de me sentir como um urso de circo, embarquei numa grande pedalada em direção do Caracol, em Canela. As nuvens carregadas iam se amontoando devagarzinho, mas eu nem dei bola. Entrei na estrada de terra e observei como os meus braços iam ficando vermelhos. Ou do sol de chuva, ou de tanto chacoalhar. A bici do Keki não tem suspensão.
Num dado momento, o céu rasgou e começou a chover. A minha preocupação era a câmera que não podia molhar. Achei essa pilha de lenha e enfiei a pochete com a câmera dentro numa das frestas e apreciei um bom banho de chuva. Bah, que coisa mais gostosa, tomar banho de chuva com água limpa e fresca num dia de calor abafado!
Não cheguei até o Caracol, nem tenho noção de quantos quilômetros pedalei, porque o mais da hora foi o banho de chuva mesmo.

Caras e caretas




Tamanho 37

Pequena Lou calça 37. E a Pequena Gabiroba vestida de Fada Sininho?

Oma

Raras são as vezes em que ela sorriu pra lente da minha câmera. Normalmente ela só me nota de sobressalto e continua a fazer suas atividades.
Aos 88 anos ela ainda cavoca terra no jardim, cuida das plantas, ralha com os gatos, cozinha, caminha pelo bairro e viaja por aí.

Furdúncio felino

Essa é Nina, a gata da Oma. As duas se fazem companhia e participam de um balé eterno de abrir e fechar janelas, oferecer e recusar atum, abrir portas de armários com a pata e esquecer o animal de estimação em algum lugar pequeno e fechado.
Nina agora não é mais o centro das atenções da Oma. Primeiro porque eu estou aqui, e segundo porque a outra gata, mãe dos dois filhotes, recebe comida e atenção da Oma, mas não pode entrar na casa. Isto é privilégio da Nina.
As duas ficam se observando por horas a fio, e às vezes brigam, o que tira a minha vó do sério.

Feliz Natal

Não me lembro de muitos natais com tanta gente em casa. Gostei dessa foto, porque a pequena Gabi meio que concentra em si a atenção do observador.

Natal Luz

De dia, era possível perceber a cidade se preparando para o Natal. Os turistas já estavam presentes, entupindo as ruas, lotando os estacionamentos, calçadas e lojas. Achar lugar para estacionar sua caixa de metal automotora era uma longa frustração.
Como todo ano desde muito tempo, acontece o desfile de Natal. Não é uma antecipação do carnaval, mas Joãozinho Trinta já foi contratado pra estilizar uns anjos. A galera compra ingressos por mais ou menos 40 pila, senta nas arquibancadas da avenida e vê um monte de renas, anjos e Papais Noéis passando ao som de soprano gritando músicas natalinas. Todo ano é diferente, mas é sempre a mesma coisa.
Desfile de Natal prestes a começar. Nós nos sentamos num bar e pedimos 3 cervejas e um chocolate quente.

Grande parte da decoração natalina é de material reciclado para tal fim. O resultado é uma cidade cheia de plásticos pendurados em tudo quanto é canto. Tem gente que se encanta com isso. Mas gosto não se discute, se impõe. Árvore cantante. Na frente dela é que um coral de crianças bontinhas se empilha pra cantar.
Breguice no meio da rua.

Termômetro que marca a temperatura em Fahrenheit e Celcius. Outra breguice de Gramado.
Começou pelas vacas pintadas espalhadas pelas grandes cidades. Aqui temos renas. Bah...
Uma multidão se juntou na rótula central na noite de 25 de dezembro, esperando dar 21:00. Naquela hora, as luzes da árvore se acenderam paulatinamente, e as luzes de toda a decoração natalina da cidade foram acendendo gradativamente, num crescendo com a música que saía dos alto-falantes espalhados na avenida principal.
Sim, não dá pra ouvir aqui, mas é fato que na avenida principal há caixas de som a cada não sei quantos metros, tocando músicas natalinas em várias línguas. A distância entre as caixas de som é tal que uma pessoa que se desloca na Borges de Medeiros não deixa nunca de ouvir o som. Não sei se desligam as caixas de noite.

Gramado

É aqui, no único cinema de Gramado, que acontece o grandioso Festival de Cinema de Gramado. Aqui, neste cinema pomposo que dispõe de apenas uma sala de cinema. Toda forrada de carpete verde-escuro que exala um cheiro forte de mofo. Maravilha.
Não dá pra ver o cartaz azul muito bem, mas eu digo que filme está em cartaz: Tá dando onda. Um filme infantil em plena época de Natal, temporada em que Gramado infla de turistas. Espetacular.
Não escapei do culto de Natal. Pelo menos Oma não reclamou que eu fui à igreja de tênis. E também não notou que eu só conhecia dois hinos.
Gramado é uma cidade de casas vazias. O que mais brota da terra são condomínios residenciais de alto luxo, máxima segurança e conforto garantido. (Quando tem assalto aqui, a notícia sai no jornal.) Tem até um Alphaville aqui. Poucas casas são de madeira, como essa, que fica de frente pra casa da minha família.

No jardim

Encontrei essa formação incomum no jardim.
De tarde, sempre aparece um lagarto mostrando a língua com uma empolgação sem igual.
Ao mesmo tempo que ficavam fascinadas e queriam chegar perto, as crianças tinham medo desse animal diferente.
Dália no fim da tarde.
Fuchsia, que já virou nome de cor. Qual das cores da flor corresponde ao nome é um mistério pra mim.
Funcionário público é o nome popular, porque a flor abre às 11:00 e se fecha de tarde. Hm... mas eu lembro de ter tirado fotos dessas flores mais pro fim da tarde...
Chuva de ouro crescendo no pé de limão. Limão daqueles cor de laranja.
Outra Dália.

Companheiras de quarto



Elas são todas diferentes e menores que um punho fechado, mas ainda assim de tamanho assustador. Convivo com elas numa quase boa, porque às vezes me pergunto se é melhor adormecer sabendo onde estão ou sem tê-las visto.

Katzen und Kinder

Adivinha com o que eu sonhei na primeira noite em Gramado!
Apareceu uma gata por aqui, que deu cria desses dois gatinhos. Eles já têm dono, mas a gata adulta niguém quer. Oma já tem uma gata, que vive tentando expulsar a intrusa. Minha vó arranjou sarna pra se coçar e as pulgas vêm todas pra cima de mim!
Pequena Gabi, de 4 anos e meio, brincando na caixa de areia. Filha do meu primo Keki.
Pequeno Kiko, de 7 anos agora (completa anos dia 25 de dezembro e escapou de carregar o nome de Natalício), filho do meu outro primo Micha.
Talvez chame atenção que esses nomes não são prototípicos nomes de gente. São apelidos, claro, mas olha, eu estranhava toda vez que eu ouvia o meu nome. Não sei se eu esperava ouvir o meu apelido de infância...

Odisséia desvairada

Foram 24 horas de viagem pra vir a Gramado, a terra das hortênsias e araucárias.
Saí de casa debaixo de chuva, sem saber que havia chovido o dia todo - e forte - em São Paulo. Devia ser proibido chover em São Paulo. A água do Tietê ultrapassou as bordas da Marginal e invadiu a pista. O meu ônibus em direção ao terminal Tietê precisou de duas horas pra se locomover apenas 5 km. Eu olhei no relógio. Não me restava muita coisa a fazer, presa dentro do ônibus, no meio de um imenso congestionamento. Que ódio dessa cidade entupida. 19:05 o ônibus partiria pra Porto Alegre. Eu cheguei 40 minutos atrasada, mas fui à plataforma 37, conforme estava escrito na minha passagem. Um ônibus estava lá. Poderia ser o das 20:00. Eu teria que trocar a passagem, pagar a diferença, isso já me aconteceu. Mas naquela época não era dezembro, quando todo mundo viaja. Perguntei se aquele era o das 20:00. Não, esse aqui é o das 19:05, é que deu uma pane elétrica, e não sabemos se vai dar pra consertar ou se vamos ter que chamar outro carro. Dá aqui a tua passagem e aguarda mais um pouquinho.
Fui comprar pão de queijo, porque eu não tinha nem almoçado nem tinha perspectivas de janta. Olhei pro ônibus e notei que a galera tava entrando. Moça, o meu ônibus tá saindo, quanto é que custa esse pão de queijo? Fica com o troco e feliz Natal pcê!
Colocamos a minha mochila no bagageiro e entrei. A mulher sentada na minha frente perguntou se eu tinha chegado atrasada. Foi. Até parece que a gente te esperou! Hm.
Desci em Caxias do Sul, comprei a passagem pra Gramado, liguei pra Oma e já entrei no ônibus da Citral parado no setor 4 (que plataforma, que nada, é setor aqui!). Muitas curvas depois, passei o pórtico de Gramado e puxei a cordinha. O motorista me pediu a passagem de volta. Aqui as coisas são assim. Lanchonete é lancheria, coca-cola é refri, vitamina é batida, brigadeiro é negrinho, pãozinho é cacetinho e às vezes a segunda pessoa do singular é conjugada conforme a Gramática Tradicional.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Claro demais

Trabalhar de madrugada é muito legal. Não há distrações, só silêncio, concentração e escuridão. De madrugada não aparecem e-mails te informando de prazos curtos, e não há nada pra se fazer fora de casa em Barão Geraldo. Tudo bem, não precisa trabalhar de madrugada. Ficar acordado assistindo seriado americano em DVD também vale, pra se ter uma sensação quase heróica de que se vai dormir depois das 3 da manhã.

O problema é acordar no meio do dia seguinte, em plena claridade e pleno calor. É esmagadora, a sensação de que está tudo errado, de que o dia está completamente perdido, de que é preciso voltar a se acostumar ao ritmo mais natural.

Amanhã (hoje, na verdade) embarco para uma longa viagem a Gramado. Minha vó será condescendente comigo no primeiro dia, me deixando dormir até às 9 da manhã, em virtude da noite mal-dormida no ônibus. Mas nos dias seguintes, espera que eu tome café da manhã às 8. Maldita hora em que fui me encantar com a madrugada!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Conversas com ex-namorados

Puxa, que coisa mais ârgh, ngh, nhãf conversar com ex, porque invariavelmente vão aparecer coisas tipo:

'cê não lembra disso?'

'quando a gente tava junto'

'cê ficou muito brava'

'a gente se divertia'.

Sim, querido, mas acabou. Não sei por que estamos aqui, desencavando o passado, lembrando só das partes boas e esquecendo as partes desagradáveis ou por que acabou.

Pedalando na cidade

Percebo agora que passei um ano no 'país das bicicletas' e me acostumei com as regras de trânsito de lá. Agora que pedalei com uns caras que não fazem o que os holandeses todos fazem, percebi como internalizei coisas básicas do trânsito, como por exemplo
  1. sinalizar que vou mudar de direção
  2. pedalar sempre pelo lado direito da via,
  3. não me deixar espremer na direita, mas ocupar o meu espaço na rua
  4. não pedalar na contramão
  5. não pedalar na calçada.
Fomos em 3 até os estádios. Nunca tinha ido no estádio da Ponte Preta ou do Guarani (um do lado do outro), subido até a linha do trem pra ver os estádios de cima e ver o trem de carga passar. Nenhum de nós estava usando capacete, mas isso não me incomodou. Me incomodou não saber o caminho e não ser avisada previamente pelos meus companheiros. Me incomodou eles pedalarem muito na defensiva, meio que pedindo licença aos motorizados por usarem a rua num fim de tarde de domingo. Me incomodou eles não terem luzinhas (um só tinha a traseira, o outro não tinha nenhuma).
Tenho plena consciência de que os motoristas não estão acostumados a dividir a via com ciclistas, mas percebo que sou respeitada quando sinalizo as minhas intenções com o braço. Sou encarada como parte integrante do trânsito.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Conserto máquinas

Na Oca da Tapioca não tem máquina de lavar roupa. Não. Na Oca tem tanquinho e centrífuga. Quando pedi pra me explicarem como funciona, e quando torci o nariz pra essa tecnologia de ponta, Kenia riu, concordando: é bem manual mesmo.

As duas máquinas já deixaram de funcionar enquanto as minhas roupas estavam dentro delas. Como me senti responsável pelo seu não-funcionamento, virei-as de ponta-cabeça, tirei os parafusos, olhei praquele vazio, pensei, refleti, matutei e encaixei a peça certa no lugar adequado.

Nada de chamar assistência técnica, serviço autorizado, ou o Seu Reginaldo. Aqui se quebra, aqui se conserta.