quinta-feira, 30 de março de 2017

Aquisição de linguagem: observando a Agnes

Gestos

Antes de enunciar palavras em língua portuguesa (ou alemã), Agnes fez gestos significativos. Enquanto a minha primeira palavra - segundo o relato da minha mãe - foi "nein" (não), o primeiro gesto da Agnes foi balançar a cabeça em sinal negativo. Recentemente aprendeu a balançar o dedinho indicador para mostrar que sabe muito bem que "não pode" fazer o que ela está fazendo. E faz e repete e ri e balança o dedinho.

Quando a gente diz qualquer uma das variantes de "não" (por exemplo /'á 'á/, tsc, tsc, /mh mh/), ela ou balança a cabeça ou o dedinho.

Agnes conquista corações dando tchauzinho, pedindo pra vir e mandando beijos que começam com a imitação de um peixe.

Moramos na rota dos aviões que chegam a Porto Velho. Toda vez que passa um avião, ela assopra e estica o braço pra frente e traz a mão aberta até a altura da cintura.

Quando a comida está quente ou ela vê o fogo (no fogão ou na churrasqueira), ela também assopra.

Vocabulário ativo

Ela já disse "mama" e "papa" algumas vezes, mas nunca nos contextos certos, ou seja, não nos dá a impressão de que conhece o significado e uso dessas palavras. Mas tem uma palavra - que ela mesma inventou - que ela usa sistematicamente: "mé". E quando ela tá com muita fome, querendo muito mamar, ela enfatiza o [m]: mmmmmmmmé!

Meu marido nunca me chamou pelo nome. Agora, ao lado de "mô" e "meu bem", eu também sou "memé".

Vocabulário passivo

O colo do pai dela é o melhor lugar no mundo. Quando eu estico os braços na direção dela, fazendo menção de pegá-la, ela se agarra nos ombros do pai. Só uma coisa convence a menina a deixar o colo do pai: "vamo mamá?"


domingo, 26 de março de 2017

Yes, temos bananas

É o mesmo cacho (penca), visto de ângulos diferentes. Essa é a banana comprida, da terra ou de fritar.
Um ano e meio atrás, encomendamos uma mesa e quatro cadeiras de madeira. A marcenaria fica na Rua Venezuela, onde morei os primeiros meses em Porto Velho. O rapaz me deu prazo de um mês pra fazer as cadeiras e a mesa. Terminado o prazo, fui lá. Não tavam prontas porque deu problema na serra. Uma semana depois, liguei. Não tavam prontas ainda, porque deu problema na lixadeira. Outra semana depois, fui lá de novo. Faltava pouca coisa pra terminar o serviço. Quando fui lá pela terceira vez, levei as cadeiras e a mesa.

Constrangido, o rapaz me perguntou se tinha como compensar a gente. Eu disse que tinha, sim: me dando uma muda de banana. Me deu duas mudas de banana prata e duas de banana comprida. E agora temos bananas!!!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Preço e valor

Fomos comprar uma cadeira de alimentação pra Agnes porque a de plástico que ficava em cima da mesa estava ficando perigosa. Depois que Agnes descobriu que tem pernas, começou a se empurrar pra trás, sentada na cadeirinha. O risco de tombar pra trás era grande.

As cadeiras mais caras apresentavam etiquetas com preços em torno dos R$ 600,-. As mais baratas custavam metade disso e todas eram de plástico. No canto da loja, vimos uma cadeira de madeira, dessas que tem em restaurante. Não tinha etiqueta de preço e estava meio torta, mas aos nossos olhos, valia mais que as de plástico. O vendedor foi conferir o preço e constatou que a cadeira de madeira custava um pouco mais da metade que a de plástico mais barata. Nossa reação foi de surpresa e ele explicou que é porque as de plástico têm marca. Isso agrega valor e assim aumenta o preço.

Na mesma loja, procuramos sapatinhos pra Agnes. O primeiro desafio foi descobrir qual é a numeração do pé dela. O segundo - e muito mais complicado - foi encontrar um calçado que não tivesse brilhantes, fitas, corações ou fosse cor de rosa. Naquela loja não tinha nenhum calçado normal, neutro, que não fosse sexy - ou pelo menos feminino. E assim a criança aprende desde cedo os valores da sociedade.

quinta-feira, 16 de março de 2017

11 meses

De presente de 11 meses, Agnes ganhou um quarto. O antigo quarto de hóspedes foi esvaziado e ganhou uma (bi)cama de solteiro, um tapete imenso, trocador e cômoda. Como esse quarto é mais vertical que a sala (tem muito mais opções pra se segurar em pé), Agnes está se exercitando bem mais. Engatinha entre cama e trocador, se põe de pé e tenta abrir as gavetas. Colocamos um colchão no chão, então ela dorme embaixo e eu em cima. Quando ela acorda, ou eu desço, ou ela sobe e continuamos dormindo juntas.

Pra que a cama de casal - que estava no quarto de hóspedes - tivesse espaço no meu escritório, tivemos que mudar estantes de livros e muitos livros. Duas estantes foram pra sala, e assim Luis aproveitou para colocar os livros dele em ordem também.

Criar um ambiente novo na casa provocou uma grande revolução!

quarta-feira, 8 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Pernas, pra que te quero!

Agnes Maria já anda - mas com ajuda. Ela já coloca pé ante pé e muitas vezes nos dá a direção.
E quando ela consegue se segurar em alguma coisa, ela fica em pé numa boa. Balança um pouco, mas não cai. As pernas estão se acostumando com novas tarefas.