quinta-feira, 30 de março de 2017

Aquisição de linguagem: observando a Agnes

Gestos

Antes de enunciar palavras em língua portuguesa (ou alemã), Agnes fez gestos significativos. Enquanto a minha primeira palavra - segundo o relato da minha mãe - foi "nein" (não), o primeiro gesto da Agnes foi balançar a cabeça em sinal negativo. Recentemente aprendeu a balançar o dedinho indicador para mostrar que sabe muito bem que "não pode" fazer o que ela está fazendo. E faz e repete e ri e balança o dedinho.

Quando a gente diz qualquer uma das variantes de "não" (por exemplo /'á 'á/, tsc, tsc, /mh mh/), ela ou balança a cabeça ou o dedinho.

Agnes conquista corações dando tchauzinho, pedindo pra vir e mandando beijos que começam com a imitação de um peixe.

Moramos na rota dos aviões que chegam a Porto Velho. Toda vez que passa um avião, ela assopra e estica o braço pra frente e traz a mão aberta até a altura da cintura.

Quando a comida está quente ou ela vê o fogo (no fogão ou na churrasqueira), ela também assopra.

Vocabulário ativo

Ela já disse "mama" e "papa" algumas vezes, mas nunca nos contextos certos, ou seja, não nos dá a impressão de que conhece o significado e uso dessas palavras. Mas tem uma palavra - que ela mesma inventou - que ela usa sistematicamente: "mé". E quando ela tá com muita fome, querendo muito mamar, ela enfatiza o [m]: mmmmmmmmé!

Meu marido nunca me chamou pelo nome. Agora, ao lado de "mô" e "meu bem", eu também sou "memé".

Vocabulário passivo

O colo do pai dela é o melhor lugar no mundo. Quando eu estico os braços na direção dela, fazendo menção de pegá-la, ela se agarra nos ombros do pai. Só uma coisa convence a menina a deixar o colo do pai: "vamo mamá?"


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