sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Professor eventual

O Júnior é esse moço zen aí da foto. Ele é formado em Educação Física, dá aulas de Tai Chi, tem uma empresa e continua não conseguindo pagar as dívidas. Tem ambições de ser professor de Educação Física na rede pública e fazer a diferença. Prestou concurso em Jaguaraiúna, a 16km e um pedágio de R$ 7,50 (na ida e na volta) daqui, mas ainda não foi chamado. Enquanto espera, decidiu ver o que é essa coisa aí de professor eventual.

Júnior escolheu uma escola grande, em que há muitos professores que abusam do seu direito de faltar. Ele aparece na escola às 7 da manhã e descobre quais professores faltaram, decide qual professor vai substituir, entra na sala de 40 adolescentes apáticos e dá aula. Há dias em que ele dá as seis aulas, há dias em que ele prefere ficar em casa, deitado no sofá e vendo seriados americanos. Esse é o lance de ser eventual: ele vai quando quer e dá aula do que vier.

Ele volta pra casa cansado, dizendo que deu aula de português, filosofia, matemática e educação física. Pergunto o que ele deu na aula de português, e ele responde que ele não precisava ensinar nada, que a função dele era apenas manter os alunos em sala de aula e quietos. Se ele pudesse usar a quadra, daria ótimas aulas de jogos, massagem e outras experiências corporais, mas ele deve ater-se à sala de aula. Decepcionada com o sistema de ensino e com o desempenho do Júnior, comecei a pensar em aulas que eu daria se estivesse na pele dele. Propus enigmas (lingüísticos, lógicos e matemáticos) e sugeri que ele os lançasse em sala de aula. Imaginei que fossem despertar a curiosidade e competitividade dos adolescentes, estimulando ao mesmo tempo o seu raciocínio. Sugeri material para as aulas de português, pensei em jogos e gincanas.

Mas ele não tem tempo nem motivação para preparar essas aulas eventuais. Não são os alunos dele, são sempre desconhecidos muito mais interessados no celular, Ipod, chiclete ou colega que no Gafanhoto Júnior. E é assim que boas chances de remendar o soneto são perdidas...



13 comentários:

Anônimo disse...

Desculpe-me a sinceridade, mas, o Júnior precisa rever alguns conceitos sobre intervenção educacional e social. O Educador tem que se automotivar para o que está em suas mão agora. Sou formado a dois anos e ministro aulas eventuais nesse período, faço da minha aula a única chance que os alunos têm de se expressar e pensar sobre a sua situação. Não importa quando voltarei a vê-los o importante é fazer a diferença quando estou em sua sala de aula.
Um dia passarei num desses concursos e serei o melhor professor de Educação Física que existe, hoje sou o melhor Professor Eventual que existe.
Os exageros são brincadeira. Demora um tempo para se acostumar, mas, faça a diferença.
Um Abraço
Eraldo Firmino

iglou disse...

Concordo contigo e te dô mó força. O que tá distorcido é o sistema que precisa de professores eventuais não-especializados e sem formação didática pra tapar os buracos deixados pelos professores que abusam das suas faltas abonadas.

Marina disse...

Oi Lou, tudo bem? O Carlos me mostrou o seu blog e este relato chamou a minha atenção. Descobri que você tem ótimas idéias para trabalhar conteúdos formais, de maneira inovadora e atraente, instigando o raciocínio lógico e estimulando a participação dos alunos.
O que você acha de conhecer os adolescentes da instituição onde eu trabalho e colocar em prática essas idéias, em caráter experimental?

Beijos,
Marina

Anônimo disse...

Pessoal, a Lou deu um resumo do que ocorre, mas muitos detalhes faltaram. Ela escreveu isto logo no início desta experiência e muitas coisas mudaram depois disto.

Sugiro que vocês me escrevam e posso dar mais informações e sugestões e compartilhar melhor esta experiência. juniortcc@yahoo.com.br

Implantei aulas de lógica, praticas de discusaão sobre asuntos polêmicos que até eles mesmo sugeriam.

Fizemos assembéias na sala para resolução de problemas do grupo.

Convermos sobre sexo, drogas, fizemos jogos, fizemos nada, fizemos enrolação.

Tudo foi possível e até impossível.

Muitos pontos são extremamente desmotivantes, como por exemplo você receber R$ 5,00/ hora. Receber o salário três meses depois. Não saber se vai receber.
Não saber se vai dar aula. Que aula? quantas aulas ? Ficar de plantão e não dar aulas. Aguentar um monte de professores fumando e falando elas costas um dos outros. A maioria desanimado e cansado co o sistema, com o salario etc.

Ser obrigado a dar aulas de matérias que você desconhece, que você não teve condições de preparar.
O sistema de substituição é péssimo.
Os alunos não merecem este sistema.

A experiência pessoal é ótima para quem deseja ser professor.Indico a todos que desejam entender melhor o que é o sistema educacional do país.


Resumindo, parei de dar estas aulas a pouco tempo e decidi prestar outros concursos na área para ver se é possível fazer um trabalho de construção.

O trabalho eventual não permite uma verdadeira construção com os alunos.

Se quiser saber mais estou a disposição.

Agradeço a Lou por abrir este espaço de discussão, assim podemos compartilhar isto.

Um abraço a todos.

Junior

sanidell disse...

sou professora récem-formada e estou sentindo na pele o que o Junior descreveu.Concordo que o sistema é ruim, mas tambem procuro inovar quando estou em cena, não tenho costume de ministrar o que os alunos esperam, mas surpreendê-los com algo novo. Como já disse, acabei de me formar e desconheço muitas coisas como po exemplo: prof.eventual tem direito a
13ºsalário, fundo de garantia? onde devo me informar?

Anônimo disse...

eu também sou, e tenho o mesmo sonho que o seu. vamos vencer!!!
leia o texto:"Eventual é professor", no site:www.recantodasletras.com.br, do autor gutenbergfeitosa.
aguardo tecer comentário.

erika disse...

oi....tb sou professora eventual...e faço da minha aula unica....mais....as xs sim bate um desanimo..por saber ..que somos tapas buracos....hum qto ao 13..nao temos direito nao..e isto e uma injustiça..pq trabalhamos igual.....beijus

gutenberg disse...

Eu sou o Gutenberg, autor do texto "eventual é professor", e apenas gostaria de ressaltar que ninguém é professor eventual porque sonhou ser, no entanto, apenas por uma mera questão empregatícia, mas os que nos descopnsideram são aqueles que não passaram por isso. Agora não se surpreenda em saber que muitos entre nós são mais amorosos e competentes para ministrar uma aula. e o proximo concurso vai lhes responder essa questão.

Anônimo disse...

olá, meu nome é Dhony o 13 (jd-rosa@hotmail.com) tive uma experiência destas em sala como prof. eventual mas confesso, me sai muito bem sem cerimônia, cheguei lá perguntando que aula é esta então vamos lá ao trabalho, misturava tudo com música e lia verdadeiros ditados, contava estórias pessoais e mantinha os alunos ocupados na matéria, não dei moleza, dava visto nos cadernos e prometia nota para quem realizasse os trabalhos e pasmem consegui, os professores faltantes validavam minha aula, alguns torciam o bico mas aceitavam porque era bom, inovador, ousado e assim foi, acho que falta aí pro gafanhoto é um pouco de ousadia e sair do tradicional, se bem que pu de contar com minha experiência com música etc... mas tem que ser ousado, vá na internet e ache temas para todas as disciplinas. A vantagem do professor eventual é que ele pode trabalhar a interdisciplina livremente, então aqui vai uma dica para professor eventual, crie uns trabalhos para uma aula e nunca dê as costas para os alunos, dite a matéria.

Anônimo disse...

Gostei muito dos comentarios ,concordo com aqueles que querem manter os alunos atentos,quero ser a diferença gostaria de orientações sobre o que ministrar para poder ter a atenção dos alunos ,e fazer com que eles tenham interesse em algo criativo e enriquecedor para almentar se saber.
Valéria Alves

Inprint! disse...

Meu nome é Luciane, atualmente sou professora eventual em uma escola estadual aqui próximo da minha casa. Percebo que desde 2008 quando foi a ultima postagem deste blog, as coisas não mudaram muito...
Quando aceitei eventuar, no estado, imaginava que conseguiria fazer a diferença também, mas o que encontrei foram alunos indisciplinados, mal educados, e nada a fim de aprender. Por maior que seja o meu esforço, eles não querem participar, seja de jogos, brincadeiras ou o que for, eu não dou moleza, passo texto, recolho a tarefa feita, mas nem todos fazem e os poucos que fazem fazem com muita má vontade. Percebo, que algum alunos são muito carentes e criaram afeição a mim já no primeiro dia, outros quando eu entro torcem o nariz, diz que não vai fazer porque não é obrigado e que sou eventual, e blá blá blá... anoto o nome desses alunos e passo um relatório para a direção,que nada faz e assim acaba tirando a minha credibilidade. Hoje por desejo de conhecer um pouco mais sobre como são esses alunos com outros professores, participei do conselho de classe, pasmei ao saber que muitos deles são piores com os professores efetivos.
Não sei se a direção da escola conta para isso, acho que talvez sejam muito brandos, não posso concordar que a falta de educação desses alunos, venha do fato de serem pobres, eu não quero desistir, quero fazer a diferença, as vezes me pergunto como eu vou fazer isso? mas sei que vou fazer, estou buscando alternativas e trocas de informações, talvez eu ainda esteja crua para uma sala de aula, mas tenho certeza que em breve estarei dominando melhor a situação.

Anônimo disse...

O último comentário acredito ser o mais próximo da realidade em sala de aula. Os alunos, depois de algum tempo, já sabem que você é um eventual, portanto, sua matéria, sua explicação, o conteúdo e o que você representa na sala de aula não tem peso, pois é aula vaga. O professor que deveria estar lá, não esta, então ele dão de ombros. Eventuo a apenas á alguns meses, e no inicio, procurei inovar, ser criativo, assertivo, dinâmico e um monte de outras coisas que falaram aqui, porém, no fim de tudo, é isso mesmo. O aluno não vê em você e nem no que você representa ali na sala, algo importante, relevante. Também sigo dando aulas, ajudo em trabalhos de outras matérias, tento passar algum conteúdo útil, porém, é algo que esta enraizado, o eventual esta cobrindo uma aula vaga. Mas eu não me importo. Anseio pelo dia em que terei minha turma para trabalhar o conteúdo, o programa, ou o que seja, mas não adianta elevar a expectativa sendo eventual. Seja então um eventual útil, para a escola, aos outros professores e principalmente aos alunos. Tente criar um clima agradável de amizade e compreensão e não um clima de obrigações, e forçar situações. Lembre-se de quando você era aluno, e o que pensava sobre isso tudo. Tenho certeza que com uma boa conversa, conquistando a amizade e confiança dos alunos, será possível sim, ajuda-los e ensinar algo. Eventuo em uma escola muito violenta da periferia, porém, vejo é é possível, quando a gente deixa um pouco nosso orgulho de lado. Não vai ser a aula que você gostaria de dar, mas será bem melhor do que ficar reclamando dos alunos, ou do sistema, ou da direção. Seja positivo e atue conforme for possível. Até que você consiga sua turma e suas aulas, para dar as aulas de sua matéria, e mesmo porque, nessa situação terá que ter o mesmo esforço de conquistar a classe a confiança e a atenção deles, e isso não é a força que se consegue. O professor eventual é aluno também, ele aprende mais do que ensina, essa é a verdade. E em breve, se transformará em um ótimo professor, porque passou por dificuldades e situações difíceis, e o fizeram melhor, mais paciente, mais compreensivo, mais gente boa. E ai, quando for professor de sua matéria, na sua sua turma, sentirá na pele a importância de não faltar, porque um dia foi eventual. Sentirá na pele a importância de preparar uma boa aula, porque já teve que improvisar antes. Enfim, encarar como um tempo de aprendizado é uma boa opção.

penso logo existo disse...

Aí galera, meu nome é Cris, eu sou professora eventual, e não consigo dar aula nenhuma! Levo atividades, trabalho com projetos,músicas,levo diário, participo do conselho, recolho trabalhos, dou reunião,recolho trabalho, vou a apresentações e etc....Tudo o que um professor F faz....Porém os professores efetivos reclamam que os alunos não fazem a lição deles, quem dirá a nossa!
Abaixo a progressão continuada!