sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Notícias do jardim

Flor e semente de alface, quem diria!
Pimenta tem flor, veja só!
Lagarta power no maracujá azedo.
Borboleta punk saindo do casulo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Banksy

Através do Telmo fiquei conhecendo o trabalho deste inglês.
A página dele demora um pouco pra baixar, mas vale a pena esperar.
www.banksy.co.uk

Deslocadas

Desde 1994 o nosso dinheiro (real) em notas vem com a inscrição

DEUS SEJA LOUVADO

É pequena, discreta, mas não tem nenhuma relação com o dinheiro em que está impressa. Tem relação com o modelo americano que copiamos: nas notas de dólar está escrito

IN GOD WE TRUST

Qual seria uma possível relação entre Deus e dinheiro (além da especulação de que o nosso Deus atual é o dinheiro)? Há um provérbio que diz assim: In God we trust, but everybody else we pay in cash. Mas acho que acabam aí - no meu inventário - as relações explícitas entre Deus e uma cédula de dinheiro. O que faz então esta frase em todas as nossas notas de dinheiro? Está deslocada, porque não acrescenta nada ao que preciso saber sobre a nota que tenho em mãos.

* * *

No meu Bilhete Único de São Paulo tem outra sentença deslocada. Vou explicar o que é, porque desconfio que pelo menos um(a) leitor(a) não saiba o que é o Bilhete Único. É um cartão que acumula créditos, que são descontados nas catracas de trem, ônibus e metrô, sendo que há um certo nível de integração entre estes modais: quem mudar de ônibus para metrô/trem ou vice-versa no período de 2 horas tem desconto. No sistema de ônibus, a integração é total: no espaço de 2 horas, pode-se tomar quantos ônibus forem necessários pra se chegar ao destino.

No verso do meu cartão há informações do tipo o que fazer quando acabarem os créditos e o que fazer em caso de roubo, furto ou extravio (porque é possível acumular um montão de créditos num cartão). E a deslocada fica lá, abaixo dos logos da SPTrans, Metrô e CPTM:

CUIDE-SE: EVITE FUMAR E ABUSAR DE ÁLCOOL E CALMANTES

Qual é a relação entre os meios de transporte públicos e cigarros, bebidas e pílulas? Eu não vejo nenhuma, por mais que eu mude de óculos. Mesmo que não faça sentido, podemos chegar a um denominador entre a exaltação a Deus e o conselho pró-saúde: ambas as sentenças estão estampadas em veículos de alta circulação. Dinheiro roda muito e o Bilhete Único tem uma vasta distribuição (eu não moro em SP, mas tenho um cartão de lá. Aqui eu circulo de pé2 ou de bicicleta). Vejo muito pouca gente pagando pro cobrador ou comprando bilhete de metrô de papel: a maioria das pessoas que usa o transporte público em SP tem um Bilhete Único. Será que a única razão pras deslocadas estarem onde estão é o fato de atingirem um grande público? Poderia ser qualquer outra frase?

* * *

Uma loja que vende roupas em Campinas, situada numa avenida movimentada, tinha, afixada à porta, um cartaz escrito à mão:

REVENDA DE ROUPAS PELA METADE DO PREÇO
AME SEU PRÓXIMO

Qual a relação entre a venda/revenda de roupas, uma relação comercial, com a mensagem bíblica? Provavelmente a sentença deslocada está apenas aproveitando carona num meio que atinge uma grande população. Reparei na boa-intenção contida nas três deslocadas mencionadas aqui. Ame seu próximo, Cuide-se e Deus seja louvado são todas quase ingênuas. Mas veja bem. Quem ordenou que as cédulas de reais contivessem uma frase sobre Deus tem uma certa imagem de Deus, que provavelmente não refere a Tupã, Odin, Alá, Oxalá, você ou eu (e como ficam os ateus?). Quem teve a boa-intenção de aconselhar a população a não fumar e abusar de álcool e calmantes tem uma certa imagem de saúde que envolve apenas o que ingerimos (pra mim, saúde é movimento). Por fim, quem nos ordena a amarmos o próximo tem uma concepção bem marcada de próximo e amor.

Estas sentenças estão deslocadas porque não estabelecem uma coerência com o resto do texto/discurso em que se inserem, mas ainda assim podemos dizer algo sobre quem as posicionou ali.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Som de passarinho

Bambu, serrote, canivete, barbante, cola de madeira e pedaços de ripa. Com essas coisas dá pra fazer um instrumento que faz som de passarinho. Stephanie tinha um - que eu deixei escapar da mão e tive que consertar - e eu já fiz vários.Muitas variáveis influenciam o som que sai do bambu que gira no ar: o tamanho (comprimento e diâmetro) do bambu, a largura da fenda, o tanto de corda que se dá e a velocidade em que se gira o instrumento. Corda comprida, bambu fino e fenda grande dá um som agudo e tirilante. Bambu grande dá um som mais grave e menos regular. Quanto mais rápido se gira o punho, tanto mais ele falha, fica irregular e parecido com passarinho de verdade.
Ainda não tenho a sensação de que consigo interagir com os outros passarinhos com os meus bambus, mas certamente alegrei as pessoas que ganharam passarinhos de bambu.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Que ordem é essa?

Eu tava no limiar entre o sono e a vigília. Do outro lado da parede, a faxineira brigava com uma cortina muito grande, que ela não estava conseguindo pendurar no varal. Ouvi ela dizendo:

Ah, meu Deus, vai dá certo isso não!

Sonhei com a ordem sujeito-verbo-objeto (SVO) que não aparecera no enunciado da faxineira. O que ela disse pode ser representado como VSneg:

V [vai dá certo] S [isso] neg [não].

Que o marcador de negação apareça no final da sentença não é novidade:

João veio não.
Sei não.
Hoje não.

Mas que o sujeito seja posposto ao verbo e que anteceda a negação é diferente e não tem par:

*Dormiu o Juarez, não.
*Chegou a Joana, não.

E mesmo assim não estranhei o que a Eva falou sobre a cortina.

***

Na minha contramão vinha pedalando um cara pela ciclovia. No seu guidão estava assentada uma moça. Ao nos aproximarmos, ele não desviou de mim. Passei por ele perguntando:

Cê pedala na contramão por quê?

Renato, meu herói para todas as minhas dúvidas cabeludas, explicou que os elementos lingüísticos de maior peso informacional aparecem no final da sentença (tanto a negação da Eva como o meu pronome interrogativo). A Lingüística Funcional descreveria uma estrutura dessas em termos de tema-rema, ou seja, o que é dado e o que é novo. A informação nova vem por último.

***

Como lingüista, aprendi a descrever como as pessoas falam, não a julgar como elas falam a partir da gramática tradicional, que prescreve que a ordem das palavras do português é SVO. Minha maior aventura foi a descrição da fala dos dois afásicos que estudei durante o doutorado. A ordem mais usada por eles é de tópico-comentário. Isso significa que anunciam sobre o que vão falar (tópico) e depois fazem um comentário sobre o tópico:

Colômbia. Fui.
Namorado. Aqui ou lá?
Piscina. Vou nadar.
Açúcar? Nada, nada.

Talvez você tenha reparado que há uma pausa entre o tópico e o comentário, que não há, necessariamente, um verbo nessas construções, e que você usa estruturas parecidas quando conversa com amigos ou familiares.

domingo, 25 de janeiro de 2009

455 anos nas costas

A cidade de São Paulo comemora hoje, domingo, 25 de janeiro, 455 anos. Eu estou nela, sofrendo seus barulhos, cheiros e stress.
Na rua em que a Olga mora existe uma média de um cachorro por casa. Pra mim isso significa poluição sonora e olfativa (a galera lava quintal todo dia, mas se contenta em empurrar o cocô do cachorro pra rua). Ouço marretadas na parede dos fundos da casa o dia todo, inclusive aos sábados. Construção de mais um prédio. Ouço a movimentação dos vizinhos da casa geminada como se estivessem dentro desta casa. 2 crianças pequenas e cachorros correndo por aí e uma criança recém-nascida esgoelando-se toda madrugada. Fui levar a Olga e o Simão no aeroporto. A volta de GRU se deu no período em que a galera enfreta o trânsito matutino, que os leva lentamente ao trabalho sedentário. A volta me custou o dobro do tempo da ida.
Comprei jornal. O segundo caderno que desdobrei era um caderno de 8 páginas chamado "Espaço Chevrolet". 8 páginas de propaganda de carros. Eu achava que o jornal tinha a obrigação de veicular notícias, não propagandas.
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O caderno "Cotidiano 2" vem com a seguinte manchete: "São Paulo completa 100 anos de asfalto". Imaginei uma matéria relacionada a meio-ambiente, não-absorção da água das chuvas na Terra da Garoa, carros e trânsito. Não tinha matéria, era só a manchete, e logo abaixo, uma propaganda de mais de meia página para o progresso que o asfalto trouxe.
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A primeira matéria é sobre o fluxo de pedestres que aumentou na Paulista desde as reformas das calçadas. Os comerciantes na Paulista perceberam que pedestre consome mais que motorista (que precisa procurar e pagar estacionamento). Percebo como a infra-estrutura propicia o uso de certo meio de transporte: quando há boas calçadas, os pedestres sentem-se estimulados a usar suas pernas e gastar suas solas de sapato. Shoppings e supermercados fazem propaganda de seus estacionamentos cobertos e gratuitos. Se houvesse ciclovias e ciclofaixas, talvez mais ciclistas se sentissem encorajados a pedalar na cidade.
Na mesma matéria lê-se:
O asfalto, uma novidade até na Europa e nos Estados Unidos, tornou-se um corolário dessa ambição [a modernidade]. Começou ali a impermeabilização do solo paulistano (aquela que, quando chegou às várzeas dos rios Pinheiros e Tietê, ajudou a criar as condições para as inundações da cidade). A primazia do asfalto moldou a vocação da avenida [Paulista]: ela seria dos carros.

Na Revista da Folha, numa reportagem sobre as árvores paulistas, lê-se:
(...) bairros como Brás, Santa Cecília e Sé ostentam índice de metro quadrado de árvore verde por habitante próximo a zero, de acordo com o levantamento feito por satélite. Nessas regiões, há quarteirões inteiros sem nenhuma árvore.
O verde tem levado a pior na briga pelo espaço na calçada: as raízes das árvores lutam no subsolo com as redes de distribuição de água, gás e coleta de esgoto; na superfície, os troncos rivalizam com os postes, placas e guias rebaixadas. No alto, as copas sofrem com a fiação telefônica e elétrica.
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Ler jornal é uma atividade dispendiosa. É trabalhoso juntar as informações dispersas ao longo do jornal. É custoso separar a notícia da propaganda e selecionar o que interessa. Percebo que a grande maioria (dos paulistanos e das notícias do jornal) caminha alegremente sobre um campo minado. Alguns poucos paulistanos desistiram do sonho de ter um carro, vão a pé, de transporte coletivo ou bicicleta pra onde precisam ir. Alguns poucos jornalistas escrevem sobre meio-ambiente, Monsanto, asfalto e árvores. Espero que outros poucos comecem a valorizar a natureza e levar uma vida mais simples.
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Precisamos mesmo migrar pra cidade saturada? Precisamos mesmo dessa vida higiênica e consumista? Um bom presente de aniversário pra essa cidade seria uma pausa. Mas sabemos que a cidade não pára.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pedalar no acostamento

Eu falo muito de bicicleta, especialmente com estranhos. E sempre vem, invariavelmente, a pergunta: e não é perigoso pedalar no acostamento?
Não tenho medo de ser atropelada, porque afinal de contas estou num espaço segregado, onde os carros não trafegam a 120km/h. O que eu acho ruim, em relação à velocidade dos motorizados grandes (caminhões, por exemplo), é o deslocamento de ar que me empurra pra direita. Na Caloi 10, que é mais leve e tem o pneu fino, essa massa de ar é mais perceptível que na Amarilda. Outra coisa que me incomoda horrores são as buzinadas histéricas que tomo e os gritos desvairados que me são dirigidos. Essas manifestações de euforia alheia me assustam pra carai.
O que eu acho pior de tudo é o tanto de sujeira que tem nos acostamentos. Pedras, pedregulhos, pedrinhas, areia, cacos de vidro, restos de arame, vestígios de um acidente, sobras de asfalto. O acostamento é a parte da via que não é agraciada com obras de recapeamento ou ações de limpeza. Olha o naipe do metal que tirei do meu pneu. Nem sei o que é e pra que serviu - antes de furar o meu pneu e a minha câmara. Sorte que eu estava a menos de 2 km de casa.

Variações de roteiro

Foto que o Renato fez

Personagens: os palhaços Tachinha e Jerônimo


1
Tachinha: Para realizar este número, precisamos de uma pessoa corajosa.
Jerônimo: Tudo bem, Tachinha, estou pronto.
Tachinha: Então chame alguém do público.
Jerônimo demonstra a sua decepção, ergue os ombros e caminha até o público.
Jerônimo: Agora vou mostrar pra vocês como eu sei ler os pensamentos das pessoas. Ela, aqui, por exemplo, está pensando: (afina a voz) ai, não, ele está vindo diretamente na minha direção! Jerônimo dá meia-volta e caminha na direção oposta, pára e olha para a mulher. Coloca a mão em concha na altura do ouvido e se inclina na direção dela.
Jerônimo: (afina a voz) Ufa! Ele está indo embora, ainda bem, porque eu sou uma pessoa muito tímida.
Jerônimo faz um sinal para a mulher de que entendeu a mensagem dela. Segue caminhando pelo público e pára ao lado de um homem.
Jerônimo: Ele, aqui, está pensando: oh, não, ele vai me escolher! E se eu não sobreviver? Quem é que vai cuidar da minha mulher?
Tachinha: Deixa que eu cuido!

***

2
Tudo igual até:

Jerônimo: Ele, aqui, está pensando: oh, não, ele vai me escolher! E se eu não sobreviver? Quem é que vai cuidar da minha mulher?
Tachinha: Deixa que eu cuido!
Jerônimo: (bravo) Ôh, Tachinha, não é pra você responder, porque assim ele vai perceber que eu tô lendo os pensamentos dele em voz alta, assim, na frente de todo mundo!!

***
3
Tudo igual até:

Jerônimo: (afina a voz) Ufa! Ele está indo embora, ainda bem, porque se eu for e não voltar mais, quem é que vai cuidar do meu marido?
Tachinha: (desmunheca) Deixa que eu cuido!


***
4
Tudo igual até:

Jerônimo: (afina a voz) Ufa! Ele está indo embora, ainda bem, porque se eu for e não voltar mais, quem é que vai cuidar do meu marido?
Tachinha: Eu posso cuidar. É só dar café da manhã, despachar pro trabalho, dar janta de noite e fazer massagem na coluna, né?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Esperando na delegacia

O fato de se estar em qualquer sala de espera já é uma leve invasão de privacidade. O próprio lugar informa mais sobre você do que você gostaria de revelar: Se você espera na ante-sala do dentista, os outros que esperam sabem que você tem alguma coisa nos dentes. Se você espera numa delegacia, provavelmente foi vítima de alguma forma de violência, se for uma Delegacia da Mulher, por exemplo, saberão que foi violência física.

Os que esperam têm tempo de sobra para se observarem mutuamente: ele levanta, caminha, fuma, fala gesticulando ao celular, senta de ombros caídos e com o olhar distante, respira, levanta, caminha, volta. Ela cruza as pernas, descruza, apóia o queixo na palma da mão, suspira, confere as unhas, coloca os pés no banco e abraça as canelas, deposita o queixo no joelho e mergulha em si. Eles conversam sobre a reforma da casa que inclui muro alto, cercas elétricas, vidro escuro, chaves tetra, companhias de alarme. O outro ali joga um olhar de cachorro abandonado pra todos eles, pedindo com os olhos que conversem com ele.

O escrivão, mesmo atendendo um caso, interessa-se pelos casos dos que chegam. Pergunta em que pode ajudar, pede esclarecimentos e pede para aguardar. Foi assim que fiquei sabendo que o homem na minha frente tinha tido a casa assaltada; que a mulher que foi atendida depois de mim está sendo assediada por um homem todo dia às 4 da manhã quando ela vai pegar o ônibus pra ir pro trabalho; que o menino que andava pra lá e pra cá teve sua bicicleta furtada; que a mulher que chegou enquanto eu estava sendo atendida recebeu uma intimação do juiz pra que retirasse o carro do marido que estava estacionado no pátio da polícia. Detalhe é que o marido tinha morrido fazia 9 anos. Homicídio? Foi, num bar. E eu nem sabia que o carro dele tava preso no pátio da polícia.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Geléia de rosas

Isso não é uma receita. Não dou receitas. É só a constatação de que dá pra fazer geléia de pétalas de rosas e dá pra comer e não fica ruim.Quem deu a idéia foi a Natalie, que ficou encantada com as minhas rosas vermelhas. Ela falou que tinha que colocar um fundinho de água, um pouco de açúcar e as pétalas das rosas. Eu adicionei um pouquinho de raspas de limão, pra ajudar no processo de geleificação, mas acabou que a geléia ficou com um leve gosto de limão.
Não sei se devia ter cortado as pétalas, colocado mais água e mais açúcar, ou se devia ter colhido mais que 7 rosas. O fato é que não rendeu muito, não:
Eu não ia botar essa geléia no pão, porque o meu pão (sim, eu faço pão) tem um gosto muito mais pronunciado que as pétalas cozidas no suco de limão. Fiz arroz doce (com arroz integral, açúcar orgânico e leite de soja). Ficou da hora.

Evolution

Mãe, não olhe para as 3 seguintes imagens!Apareceram 7 lagartas na minha renda portuguesa. Percebi que elas estavam lá pela sujeira que fizeram no chão, não porque as vi devorando a minha planta.
Reparei que, conforme o tempo passava, elas cresciam e mudavam de cor. Não matei nenhuma delas, porque fiquei curiosa em relação à próxima mudança de cor e corpo: como serão as borboletas?
Agora todas elas sumiram. A renda portuguesa está depenada e não acho nenhum casulo nos arredores... Paciência.

domingo, 18 de janeiro de 2009

The Simpsons

Alguém aqui em casa alugou a segunda temporada dos Simpsons e deixou na sala. Assisti a um DVD e fiquei pensando: é desenho, é só uma caricatura, não existem pessoas assim.
Fui na Padaria Alemã e ao meu lado, no balcão, estava um senhor de 50 ou 60 anos de idade, querendo ver a Sueli.
- Chama ela aqui, que agora eu não sei que tamanho que é o pão que vai no meu lanche. Ela é que sabe o que eu como.
- Jorge, a Sueli tá lá atrás, trabalhando, não posso chamar.
- Ah, e agora, hein?
Socorro! Eles existem fora das telas de TV!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Marcado x não-marcado

O filho da Maria Lúcia, que estava na minha banca de defesa, passou no mestrado em História e queria alugar um apartamento em Barão. Ao invés de passar contatos das imobiliárias, sugeri que o Marcos viesse pra cá.

Ele veio e logo no primeiro dia deu um giro por Barão na Amarilda, vendo que o mercado de Kitchenetes é grande. Disse que o preço de moradia no Rio é caro, e que ele estaria preparado para ouvir valores obscenos. No segundo dia foi nas imobiliárias e voltou horrorizado. Kitchenete não é uma opção. É muito caro e muito pequeno. Sales brincou: todo dia, quando você acordar e abrir os olhos, você vai ver TODA a sua casa!

Fomos juntos na Unicamp, colecionar telefones e anúncios de vagas em república, quarto ou casa de fundo, suíte mobiliada e assim adiante. Logo chamou atenção que metade dos anúncios era para moças. Intrigado (e sentindo-se excluído), Marcos perguntou se há, em Barão, mais repúblicas femininas que masculinas.

Não é o caso. Não é uma questão social ou de moradia, mas uma questão lingüística. Se o cartaz anunciasse apenas uma vaga em república, tanto homens quanto mulheres - mas mais provavelmente um número maior de homens - se interessariam pela vaga. Quando o leque de possíveis candidatos é restringido para as moças, a vaga se torna um termo marcado. O termo não-marcado não é marcado justamente por representar o normal, corriqueiro, abrangente. Da mesma forma, casa é não-marcado em relação a casebre e casarão, ou ainda casas. Pronto. Alguém mais quer procurar casa com uma lingüista?

Perca de tempo

A versão final da minha tese está pronta. Não é mais preciso entregar uma versão impressa da tese (o que é legal, porque não usariam a versão impressa pra imprimir a versão encapada, que é frente e verso; apenas teriam um backup). Agora eles querem uma versão em PDF da tese, gravada num CD. O detalhe é que o PDF deve ser formatado para papel CARTA, não A4. Me disseram que não adianta colocar o texto em Word em formato CARTA e depois converter em PDF.

O Word do IEL tem um conversor para PDF. Só que é tipo uma amostra, que faz propaganda pro pacote PDFcreator no canto superior esquerdo de todas as 172 páginas da minha tese. Não posso gravar isso em CD.

Vim pra casa, pra abrir o texto no BR Office, que transforma textos em PDF. Só que o BR Office é um programa que trava. Além do mais, é um programa que desconfigura tudo. Espaços, tabuladores, margens, figuras, tudo isso estava fora do seu lugar natural. Gastei um tempão ajustando tudo, mudando as páginas do índice e a lista de páginas coloridas, pus em PDF e quis configurar a página para CARTA. Não achei nada equivalente. Desconfio que um texto em PDF seja inalterável. Devia ter desconfiado antes, porque tive que botar a tese no BR Office em formato CARTA, o que voltou a desconfigurar tudo e fez com que a tese crescesse pra 185 páginas. Depois de muito tempo em silêncio tenso, converti a tese de 177 páginas em PDF. E que seja tudo pelo amor de Deus. Gravei em CD e olhei pro relógio: a secretaria de pós estava fechando naquele instante. Terei que entregar a versão final na segunda, sem saber se o PDF está em formato CARTA ou A4.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Acidente na ciclovia

Parece que estou numa onda de azar...

Eu vinha descendo pela ciclovia de Barão Geraldo na Caloi 10. No cruzamento perto do Tilly Center caminhavam dois pedestres, ocupando toda a ciclovia. Um carro, prestes a cruzar a ciclovia, parou para eles passarem. Eu não conseguiria passar por eles, comecei a frear. O freio da esquerda (que freia a roda dianteira) estourou na minha mão e eu fui de ombro na bunda do pedestre. O cabo de freio se rompeu e eu não tive tempo de gritar ou desviar. Ao cair, lembro que encolhi a cabeça, pra não bater na guia.

Só eu caí e só ralei o cotovelo. Com a voz trêmula, pedi aos dois pedestres que nunca mais caminhem pela ciclovia - porque pode dar merda. Eles disseram que tinham sido instruídos a caminharem pela ciclovia, porque é melhor que a calçada. Sim, é melhor que a calçada, mas foi feita pra ciclistas!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Boletim de ocorrência

Segunda-feira, dia da delegacia de Barão Geraldo funcionar. Quando cheguei no balcão, reparei numa placa amarelada:

Temos lugar para fumantes a 15 km daqui

Um homem encostado no balcão e de costas para mim estava poluindo o ar com o seu cigarro. Quando me notou, deu a volta no balcão, depositou o cigarro no cinzeiro e disse: pois não? Puxa vida, o próprio funcionário fuma embaixo da placa que sugere que se fume longe dali.

Mostrei o meu extrato bancário e ele pediu que eu calculasse o total do valor que me foi subtraído da conta. Pedi uma calculadora, mas ele me deu uma caneta. Somei os valores e cantei o total, que ele repetiu umas três vezes, enquanto olhava tenso para a tela do seu computador. De tempos em tempos suas mãos trêmulas apertavam as teclas com força. Atendia parcialmente os que chegavam, não sei se por curiosidade ou para demonstrar que estava em pleno exercício de sua função. Imprimiu uma versão do meu BO e pediu que eu conferisse. O relato era um texto vago, em que não constava o valor total do que me havia sido roubado. (Lembrei do meu BO de acidente de trânsito, em que a minha bicicleta foi atingida por um Uno - por trás, ainda! O texto era super detalhado e tinha até desenho indicando como ocorreu a colisão.) Mesmo assim aprovei o texto do escrivão que ele pegou de volta, amassou e jogou no lixo. Imprimiu 2 metros e 40 centímetros de papel, destacou quatro versões que eu assinei e me deu uma, assinada pelo delegado e por ele.

Telefone

Era preciso fazer alguma coisa. Como era sábado, não adiantava ir na agência nem na delegacia de polícia (pois é, em Barão Geraldo, a delegacia fecha aos sábados e domingos). O que eu podia fazer era ligar no Superlinha. Como o nosso telefone foi gentilmente cancelado pela Telefonica e os meninos desta casa são deveras fleumáticos, apelei para o Skype. Número inválido. Sem problema, vou no orelhão. Tentei usar o orelhão da delegacia (porque o local era mais silencioso) e notei que o orelhão ficava dentro das grades trancadas da delegacia. Público o caramba, esse telefone. Fui no orelhão do terminal de ônibus e fui informada que o Superlinha não aceita chamadas de telefones públicos. Maravilha, não se pode ser pobre ou azarado nesse país!

Peguei a minha bicicletinha e fui na casa da Maíra e do Ruy. No caminho, uma motoca com duas moças passou por mim, buzinando e sorrindo. Deram meia-volta ali na frente, passaram por mim sorrindo e depois de um tempo emparelharam comigo.

Moça, qual seu nome?
Lou.
Lu?
É.
Lu, qual o seu telefone?
EU NÃO TENHO TELEFONE!

Consegui falar com um atendente e forneci dois números de telefone não-meus, insistindo pra que o banco me escrevesse e-mail ao invés de ligar.
Segunda-feira pedalei 18km entre a minha casa e a Unicamp
(são 3km até lá. Fui e voltei 3 vezes), pra tentar resolver esse lance de estelionato (171), porque na sala da minha orientadora tem telefone.
Da última vez que fui, voltei brava, porque eu tinha ido achando que já tinham solucionado o meu caso. Maíra tinha me escrito que o banco tinha ligado na casa dela e que o namorado dela tinha atendido. Não reconheceu o meu nome como sendo nome de gente, porque admito que quando lêem o meu nome em voz alta, saem as mais loucas aventuras fonéticas. Fui na Unicamp (pela terceira vez) e a moça do Superlinha me informou que tinha tentado me contactar para notificar que tinham encaminhado o meu processo para análise. Hm. Em primeiro lugar, o banco desconfia de mim e precisa investigar se não sou eu a aplicar o golpe.

O que que o Ferrone tinha dito? Dor de cabeça? Ou era ansiedade, paralisia mental, sentimentos de impotência e incerteza?

Plastic money

Quarta-feira, 07 de janeiro de 2009. São Paulo, restaurante árabe Jaber perto do metrô Paraíso. Fui pagar o meu almoço com o cartão de débito e deu senha inválida. Tentei de novo e deu senha suspensa. Que doido, eu não tinha errado a minha senha nenhuma vez... Ferrone me disse brincando que agora eu teria mais uma dor de cabeça.
Fui até a agência do banco Santander na Paulista, perto do metrô Trianon Masp e tentei sacar dinheiro no caixa eletrônico. Sem chance. Esperei 40 min. na fila, e antes de ser atendida, reparei que uma moça na minha frente reclamou da mesma coisa que eu: eu não errei a senha e a máquina diz que não reconhece a minha senha. Fui atendida e mandada
pra outro balcão. A moça pegou o meu cartão e um documento meu e sumiu. Tenho cá pra mim que ela cuspiu em cima do cartão. Voltou, sorridente, esticando o meu cartão: prontinho. Fui num caixa eletrônico da agência mesmo e saquei um pouco de dinheiro.

Sábado, 10 de janeiro de 2009. Campinas, Oca da Tapioca.Quis fazer uma compra no cartão de crédito pela Internet e fui avisada que a transação não tinha sido realizada. Consultei o meu saldo e vi, chocada, que eu estava devendo pro banco. No dia 09 haviam sido feitos saques de 600 reais (o meu limite diário), recargas pra dois celulares TIM e um CLARO (eu não tenho celular), a transferência de quase todo o dinheiro da poupança para a conta corrente e transferências para contas particulares. Agendadas para o dia 12 (segunda-feira) estavam transações no cartão de crédito: pagamento do IPVA, Licenciamento do carro no valor de mais de R$ 1.200,00 (eu não tenho carro) e algumas transferêcias para contas particulares. Usaram o limite do cheque especial e subtraíram aproximadamente 4 mil da minha conta.

Lembro que o Muntasir dizia que não confia em plastic money.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O que se vê da passarela

Subi na passarela sobre o Tapetão. Agora me dou conta de como vivemos numa carrocracia. Não é o pedestre, que já faz o esforço físico para se locomover, que é privilegiado, mas o motorista, que controla seus pedais. O motorizado não tem o seu percurso alterado, ao passo que o pedestre é obrigado a subir escadas, rampas e andar mais que o necessário pra chegar do outro lado da via. O motorizado tem prioridade e o trânsito deve fluir. Quanto mais rápido, melhor.

Outra coisa intrigante são essas grades em volta da passarela. Não creio que sirvam para proteger o pedestre (de quê? ventos e chuvas ou sol de rachar?), mas aqueles que transitam em suas latas metálicas por baixo da passarela. A grade serve para impedir que pedestres mal-intencionados joguem objetos na via expressa. É a carrocracia: tudo gira em torno deste grande avanço tecnológico que foi tão popularizado que agora é gerador de transtornos em centros urbanos.

Capivara


Canto da Horta no Taquaral

Olha aí o homem com a sua sanfona, alegrando as pessoas e chamando pra irem ver o Canto da Horta.
Expuseram as estruturas de bambu com as garrafas pet, as jardineiras e se dispuseram para conversar.
Entregaram sementes de cenoura e alface e mudas de alface, palmito jussara, rúcula, cebolinha, abacaxi e rabanete. Deram oficinas de compostagem e plantio.
E ficaram duas horas além do combinado, porque continuava vindo gente interessada. Se você estiver interessado/a, procure por Junior, Régis, Andréia ou Renato pelo www.equilibrius.com.br

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Na mesma casa

Lembro que chegamos todos na escuridão invernal do dia 29 de dezembro de 1998 em Nordwohlde. Eu tinha deixado um futuro marido em São Paulo e trancado a faculdade. Philip sentia falta dos seus amigos de escola, a mãe tava cansada da Paulicéia desvairada, o pai tava ansioso pra começar uma vida nova em sua terra natal. Fomos como uma família para um vilarejo de mais ou menos mil habitantes, no norte plano, chuvoso e ventadiço da Alemanha.

No dia 29 de dezembro de 2008 os meus pais completaram dez anos morando na mesma casa. Sentaram, pensaram e calcularam quanto tempo tinham passado em outras casas. Chegaram à conclusão de que nenhum dos dois, sozinho ou em conjunto, jamais habitou uma mesma casa por mais de dez anos.

Eu morei até os 7 anos em São Leopoldo, onde nasci. Habitávamos o andar de cima, os meus avós o de baixo. O jardim era enorme, a caixa d'água era a nossa piscina, as árvores nosso playground, a chuva nossa alegria e a casa dos vizinhos uma extensão do nosso jardim. Sair de lá foi doloroso.

Em São Paulo morei em 3 casas diferentes com os meus pais. A primeira tinha um poço tampado no quintal, um cactus enorme no jardinzinho da frente (onde espetávamos ovos de chocolate na Páscoa) e era perto do local de trabalho do meu pai. A dona da casa quis voltar a habitá-la, então saímos. A segunda era uma desgraça de feia, ficava perto de uma indústria que expelia fedores de banana podre e foi o local de onde o cachorro fugiu e onde o gato foi encontrado morto. Saímos de lá aliviados. A terceira era uma belezinha. Ficamos nela por uns 6 anos, e foi a partir de lá que eu explorei a cidade de São Paulo. Saímos de lá preparados pro mundo.

Depois mudamos pra Nordwohlde, onde passei um ano. A casa era enorme, tudo era diferente: havia pias nos quartos, a ducha ficava num quarto separado da privada, tinha porão e sótão, e todo mundo em volta falava alemão. Saí de lá achando que tava na hora de voltar pro Brasil.

Voltei pra São Paulo pra terminar os estudos (as promessas de amor e fidelidade se quebraram com o peso do tempo distante) e morei dois anos na casa da Olga. Me intriga como coube tanta coisa naquele quarto e como Olga e eu nos damos bem. O quarto que eu habitei naqueles anos ainda é referido como 'o quarto da Lou'. Saí de lá, mas sempre volto.

A vida acadêmica me trouxe para Barão Geraldo, pra dentro de uma república com 9 pessoas. Moramos uns 3 anos na casa enorme que tinha um pé de lichia, vários de manga e um coqueiro. Lígia, Ferrone e eu plantamos um abacateiro lá e saímos da casa antes dele atingir meio metro de altura. Quando terminei o mestrado, fui visitar os meus pais e acabei não participando da mudança pra casa amarela. Agora faz 4 anos que estamos aqui e muitas pessoas passaram por esta república. Plantei minhas rosas vermelhas e o meu maracujá doce e os vi crescer enquanto fazia o meu doutorado.

Deixei esta casa no fim de 2006 e fui fazer o doutorado-sanduíche na Holanda. Morei as duas primeiras semanas do lado de lá da fronteira, num vilarejo alemão de 400 habitantes, chamado Zyfflich. Lá eu tinha uma casa só pra mim e me senti muito adulta. Mudei pruma república internacional de 7 em Nijmegen, onde só a filha do dono da casa era holandesa. A partir de lá conheci metade da Europa. Ao fim de 1 ano, voltei pra Barão, pra mesma casa, mas com pessoas diferentes.

Em suma, passei mais tempo de vida na casa em que passei a minha infância. Depois dessa época, virei nômade. Sairei daqui em breve, mas ainda não sei pra onde.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Coletor menstrual

Existem diferentes maneiras de lidar com a menstruação.
Tem gente que toma pílula anticoncepcional direto, evitando assim a menstruação. O problema deste método é que a mulher ingere muitos hormônios e pode sofrer os efeitos colaterais: enxaqueca, aumento de peso, mudanças de humor. Além disso, pode ser difícil ter filhos depois.

Tem gente que sangra e usa absorventes.
Modess incomoda quando se caminha, faz volume entre as pernas e marca a roupa. Depois vira lixo.
OB é caro, precisa ser trocado freqüentemente (em dias de fluxo intenso a cada 2 horas e meia e nos outros dias a cada 4 horas) e há toda uma polêmica em volta das substâncias que há no algodão branquinho do OB que provocam mais sangramentos. Depois vira lixo.

Natalie me apresentou o coletor menstrual. É um funil fechado de silicone que é introduzido no corpo, coleta a menstruação, é retirado, lavado e reintroduzido. Não há produção de lixo e o coletor dura a vida toda.

Os coletores desta marca que Natalie e eu compramos vêm em dois tamanhos: pequeno e grande. Pequeno é indicado para moças até 25 anos que não tenham tido filhos, o grande é indicado para mulheres acima de 25 ou que já tenham tido filhos. O meu, que pode ser apreciado na foto, é grande. Veja os dois, lado a lado, aqui.

Pra inserir: a boca do coletor deve ser comprimida com os dedos. Esta é a parte que entra primeiro. Lá dentro, o coletor vai abrir num copo. A haste de baixo serve para ser puxada quando o coletor for retirado. Talvez seja preciso fazer força pra haste aparecer ao tato dos dedos.

Durante o ciclo menstrual, o coletor deve ser lavado com água ou limpado com papel. Quando o ciclo acabar, o coletor deve ser desinfetado ou numa solução com cloro ou em água fervente. Eu lavei o meu com detergente e depois fervi por 5 minutos numa panela. Lavou, tá novo.

O coletor pode ficar dentro do corpo por até 12 horas, mas o indicado é que seja retirado e esvaziado a cada 8 horas. Em dias de fluxo intenso, é bom reduzir esse tempo, porque o coletor tem furinhos perto da boca, que permitem vazamentos. Eu já fui acordada numa madrugada por sonhos urgentes. Quando vi, tinha vazado.

Nadei com o coletor e não deu nada. O fiozinho verde do OB normalmente encharca o algodão do OB, de modo que o algodão expandido não seja mais capaz de absorver a menstruação. Outra coisa legal do coletor é que a mulher vê a cor e quantidade da menstruação com mais nitidez e percebe como o sangramento tem picos.

Curti o coletor menstrual porque reduz os meus gastos mensais, não produz lixo, me dá sossego por muito tempo, não incomoda e dura virtualmente pra sempre.

Super Natalie fez pesquisa de mercado, mostra fotos do coletor dobrado pra inserção e relata como foi a experiência. Veja aqui o que ela tem a dizer.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Desculpem o transtorno

É Natal em Gramado entre os dias 15 de novembro e 15 de janeiro. A cidade virou ponto turístico por causa do Natal Luz e da decoração natalina (feita em grande parte com sucata). O frio, a gastronomia e a paisagem atraem turistas que querem ser entretidos. Aqui, no Lago Joaquina Bier, sempre tem show de tenores com luzes e cores. Imagino que o público venha crescendo de ano a ano, porque as arquibancadas nunca invadiam a calçada ou a rua. Repare que ficou uma faixa e meia ali, a ser compartilhada por motorizados, ciclistas e pedestres que se movimentam nas duas direções. E viva o Natal que já passou e que faz erguer estruturas que não respeitam o cidadão!! O pior é que esse transtorno já é normal pros daqui. Não há nenhuma placa pedindo desculpas pelo transtorno, há refletores vermelho e brancos indicando o limite da arquibancada.

Os gramadenses vivem em más condições: cada entrada/saída da cidade é interceptada por um pedágio que cobra aproximadamente R$ 7,00 pra sair e depois pra entrar. Os preços nos restaurantes são feitos sob medida pro turista que vem de São Paulo, Rio ou Porto Alegre, e são mantidos ao longo do ano todo. A cidade é cheia de casas vazias, condomínios em construção e hotéis enormes. Enche de gente na época do Natal, e aí é um Deus-nos-acuda pra se movimentar na cidade.

Mais chuvas em Santa Catarina

Choveu forte durante dois dias e caiu chuva fina durante o dia e a madrugada de ontem. Só na sexta-feira, dia em que voltamos de Termas do Gravatal pra Gramado, caíram uns 70 milímetros, o que já é muita coisa. Minha vó se espantava com a natureza, Deus ou São Pedro que manda tanta chuva de uma vez.

Eu me espanto como a chuva de três dias causa tanto transtorno pra vida urbana. Alguns trechos da BR 101
estão interditados agora, inclusive um pelo qual passamos na volta (Araranguá). Caíram barreiras em Balneário Camboriú e há acúmulo de água na pista nos outros trechos interditados. Não há previsão pra liberação nem rotas alternativas. As pessoas que estão por ali, na BR 101, estão presas em suas latas de metal motorizadas. Em algumas cidades como Floripa, Laguna, Tubarão, Sombrio, Ermo, Turvo e Torres houve enchentes.

Quem é responsável pelo desastre causado por uma chuva forte? A chuva? Deus? São Pedro? Não, é a gente mesmo, que gosta de asfalto, que cobre a terra de concreto, que acha que progresso e civilização andam de carro, mas não sabe planejar as cidades e vias. A água bate no asfalto e não tem pra onde vazar, as ruas viram rios, a água entra nas casas das pessoas. E quando essa água mancha de marrom tudo o que vem pela frente, ela contamina tudo. Essa água não é só água que caiu do céu misturada com a poeira que fica no asfalto. Essa água se mistura com esgoto, com o lixo que varremos pra fora das nossas casas, com o lixo que jogamos pela janela do carro ou ônibus, que deixamos cair no chão, que colocamos na rua antes do caminhão de lixo passar.

Claro que os menos favorecidos são os mais afetados pela catástrofe natural. Os mais pobres não puderam escolher um terreno legal pra construir, não puderam comprar bom material de construção, não contam com coleta de lixo ou sistema de esgoto, dentre outros benefícios da civilização. Os mais pobres não conseguem remover seus bens nem a si mesmos do local da catástrofe em tempo de salvarem qualquer coisa. Os mais pobres dependem da caridade alheia para conseguirem aquecer e secar o corpo, saciar a fome, curar suas doenças e quem sabe voltar à vida de consumo.

Precisamos mudar nosso comportamento. De verdade:
  • não aceitando sacolas plásticas de supermercado (leve uma sacola de pano, mochila ou cesta)
  • usando menos o carro (vá de bicicleta, ônibus, metrô ou a pé, conforme a distância. Saia de casa mais cedo e aproveite a viagem ao local de trabalho)
  • reaproveitando o lixo ou reduzindo a produção de lixo (faça composteira, reaproveite sucata pra fazer coisas úteis, consuma menos supérfluos, procure saber o que é um coletor menstrual e nunca mais compre modess ou OB, que são caros e viram lixo depois de usados)
  • desligando luzes acesas em quartos vazios e fechando torneiras que pingam, mesmo que não sejam responsabilidade sua.
Desculpem o tom catequético, mas a situação é mais grave que admitimos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Hein?

Cheguei na recepção do hotel e pedi a chave do 204. O moço me deu três toalhas. Espantada, repeti: duzentos e quatro. Rindo, ele se desculpou: entendi três toalhas.

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Entre Orleans e São Ludgero uma placa me provocou risadas: Devagar! Poetas na área.

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Me informei na recepção do hotel sobre as bolas de sinuca. O moço já ia se levantando pra ir buscar as bolas, mas eu só queria saber onde elas ficavam (se na sala de jogos ou na recepção). Mais tarde, voltei à recepção e pedi: bolas. O moço me deu uma toalha.

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Eu tava caminhando de noite, quando um cara de carro me parou pra pedir informação.
- Sabe onde fica o quinze?
- Não. O que é o quinze?
- Ah, me falaram assim que é um...
- Ah! A discoteca?

- É, pode ser, tô sozinho e sem nada pra fazer.
Dois dias depois, caminhei de novo em direção a Braço do Norte e passei pela tal danceteria, que se chama Arco-Íris.

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Não é padaria, panificadora ou paneteria. Em Termas do Gravatal, é panifício.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dunas


A chuva tava chegando, então preferimos puxar o carro.

Farol de Santa Marta

Depois de atravessar o canal de balsa, ainda seguimos 13,5km até a praia do Cardoso, que dá acesso ao farol. Eu queria ir até o farol pra poder ver todas as praias e dunas de cima. E viva a Oma que subiu até o farol comigo!!!

Balsa pra Laguna

O trânsito de quem vem da praia pra Criciúma era mais intenso que ao contrário, mas nada que abale qualquer paulista.