domingo, 4 de janeiro de 2009

Mais chuvas em Santa Catarina

Choveu forte durante dois dias e caiu chuva fina durante o dia e a madrugada de ontem. Só na sexta-feira, dia em que voltamos de Termas do Gravatal pra Gramado, caíram uns 70 milímetros, o que já é muita coisa. Minha vó se espantava com a natureza, Deus ou São Pedro que manda tanta chuva de uma vez.

Eu me espanto como a chuva de três dias causa tanto transtorno pra vida urbana. Alguns trechos da BR 101
estão interditados agora, inclusive um pelo qual passamos na volta (Araranguá). Caíram barreiras em Balneário Camboriú e há acúmulo de água na pista nos outros trechos interditados. Não há previsão pra liberação nem rotas alternativas. As pessoas que estão por ali, na BR 101, estão presas em suas latas de metal motorizadas. Em algumas cidades como Floripa, Laguna, Tubarão, Sombrio, Ermo, Turvo e Torres houve enchentes.

Quem é responsável pelo desastre causado por uma chuva forte? A chuva? Deus? São Pedro? Não, é a gente mesmo, que gosta de asfalto, que cobre a terra de concreto, que acha que progresso e civilização andam de carro, mas não sabe planejar as cidades e vias. A água bate no asfalto e não tem pra onde vazar, as ruas viram rios, a água entra nas casas das pessoas. E quando essa água mancha de marrom tudo o que vem pela frente, ela contamina tudo. Essa água não é só água que caiu do céu misturada com a poeira que fica no asfalto. Essa água se mistura com esgoto, com o lixo que varremos pra fora das nossas casas, com o lixo que jogamos pela janela do carro ou ônibus, que deixamos cair no chão, que colocamos na rua antes do caminhão de lixo passar.

Claro que os menos favorecidos são os mais afetados pela catástrofe natural. Os mais pobres não puderam escolher um terreno legal pra construir, não puderam comprar bom material de construção, não contam com coleta de lixo ou sistema de esgoto, dentre outros benefícios da civilização. Os mais pobres não conseguem remover seus bens nem a si mesmos do local da catástrofe em tempo de salvarem qualquer coisa. Os mais pobres dependem da caridade alheia para conseguirem aquecer e secar o corpo, saciar a fome, curar suas doenças e quem sabe voltar à vida de consumo.

Precisamos mudar nosso comportamento. De verdade:
  • não aceitando sacolas plásticas de supermercado (leve uma sacola de pano, mochila ou cesta)
  • usando menos o carro (vá de bicicleta, ônibus, metrô ou a pé, conforme a distância. Saia de casa mais cedo e aproveite a viagem ao local de trabalho)
  • reaproveitando o lixo ou reduzindo a produção de lixo (faça composteira, reaproveite sucata pra fazer coisas úteis, consuma menos supérfluos, procure saber o que é um coletor menstrual e nunca mais compre modess ou OB, que são caros e viram lixo depois de usados)
  • desligando luzes acesas em quartos vazios e fechando torneiras que pingam, mesmo que não sejam responsabilidade sua.
Desculpem o tom catequético, mas a situação é mais grave que admitimos.

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