quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cruzamentos pensados

Tem carro vindo daquele lado? Não, posso atravessar. Hum, ele me pediu um Cd com músicas nordestinas. Acho que ele quer ouvir triângulo, sanfona e letras sobre sol e chuva. Acho que eu não tenho nada disso. Quem faz música assim? Opa, ciclistas vindo na viela. Capacete, speed, roupas apertadas e coloridas. Hm, o de trás parece acabado. É domingo, devem ter dado um bom rolê na estrada.

Blérc, minha boca tá grudando de tão seca que tá. Seria tão bom mastigar qualquer coisa agora. Não, melhor seria beber um balde de água, enfiar a cara com vontade na água até a temperatura da cabeça baixar. Cadê o meu parceiro? Ele veio ou ficou no farol? Coitado, não estava preparado pra volta que a gente deu. Até eu cansei! 

Ah, não, frango cozido de novo, não! Salada de repolho cru é o fim... devia ter ficado em casa e cozinhado qualquer coisa descombinada. Ali tem lugar. Levo a mochila ou deixo aqui? Vou deixar, a máquina de chá tá perto. Opa, a Bia ali. Ela trabalha com indígenas, talvez já tenha ido a Rondônia. Trabalho de campo, sei lá. Vou lá, perguntar.

Caralho, essa gente espaçosa não vê que eu tô sentado aqui? 

Opa, desculpa. 

Ih, ó lá, não é o ciclista de ontem? Falta um capacete, óculos e a cara de sofredor, mas acho que o cabelo encaracolado é o mesmo.

Tudo bem, foi nada.
 
Ué, eu não vi essa menina esses dias? Onde? Ela faz aula comigo? Acho que não, eu lembraria dessa bunda. Que horas são? Puta, tem que voltar pro trabalho daqui a vinte e dois minutos. Vou deixar pra tomar o café lá. 

Boa tarde.
É ele!
Boa tarde. 
É ela! 
O que tem aqui dentro?  
Éh... 
É um CD?  
Sim. 
Então vai como mercadoria. Preenche aqui, por favor.  
Ok.  
Esse aqui, pra Rondônia, vai de Sedex?  
Vai.

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