quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Rambutã

Rambutã
Eu tinha lido no jornal que a safra de rambutã em Ponta do Abunã tinha sido boa, que a fruta viceja mais aqui do que na Ásia (de onde é originária) e que se parecia com lichia. O Kg tava R$ 11,00, então trouxe pra casa essas frutas peludinhas.
Tipo lichia, a melhor fruta do mundo
A consistência - tanto da casca como do gomo - é mais firme que lichia: usei a faca para abrir. Lichia eu descasco na unha.
Mais firme que lichia
Gostei da novidade e do fato de ser daqui de perto. Tem um tanto de coisa que a gente compra no supermercado que chega aqui cansado da viagem longa...
Caroço parece amêndoa

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Água e energia

Na semana passada, fim de janeiro de 2015, foram sorteadas 114 casas para os afetados pela cheia de 2014. Famílias ribeirinhas foram remanejadas para a zona leste da capital - que fica, geograficamente falando, o mais longe possível do rio Madeira (que margeia a parte oeste de Porto Velho). A zona leste é a menos prestigiada e mais abandonada pelo poder público da cidade: mais uma prova de que os ribeirinhos atingidos pela cheia são tratados como marginais. Detalhe: uma das beneficiadas deu entrevista para o Diário da Amazônia, reclamando que estava esperando essa casa que saiu agora desde 2008, pelo Minha Casa, Minha Vida. Entendo que não apenas os afetados pela enchente de 2014 tiveram direito a essas casas, mas também os que estavam na fila.

Uma das consequências da cheia de 2014 nas terras do Jairo é que um igarapé que ficava a meio caminho - a pé, diga-se de passagem - da castanheira, se transformou num grande brejo. Damian diz que tem pirarucu e peixe elétrico nessa água parada. Agora, para coletar castanha, só se atravessa o brejo de barco.
Mãe do Jairo admirada com o volume de água, irmã do Jairo "banhando"
Mesmo que o rio não esteja marcando níveis demasiado elevados, o lençol freático está bastante elevado. Narcísio conta que onde mora tem água de poço e que no verão (junho a agosto, quando não chove no Norte) o poço costumava secar. Em 2014 não secou. Muita água à flor da terra.

Em 25 de janeiro do ano passado, a manchete do Diário da Amazônia anunciava o nível de 15m do rio Madeira. Um ano depois, no dia 25 de janeiro de 2015, a cota registrada no Madeira foi de 15,21m. A ANA (Agência Nacional de Águas) apresenta boletins diários de medições. Durante a cheia do ano passado, emitia também boletins mensais, em que todos os pontos medidos dia a dia eram colocados num gráfico, de modo que podíamos acompanhar a evolução da cheia. Durante o pico da cheia, sabíamos mais sobre as medições que fora desse período: a CPRM, por exemplo, publicou boletins diários em março e abril do ano passado, mas apenas um em janeiro e apenas um em fevereiro - quando a cheia estava em formação. Ou seja, era impossível acompanhar a formação da cheia por esse canal.

A história se repete. No site da ANA não há boletins mensais desde setembro de 2014. Os boletins diários mostram pouca coisa em termos de histórico, mas revelam dados escandalosos. Nos boletins da CPRM, religiosamente era repetido que a cota máxima permitida para a Usina de Santo Antônio era de 70,50m. Curiosamente a Usina de Jirau não é mencionada nas medições da CPRM, no entanto sabemos que a cota em Jirau é variável - dentro de um limite entre 82,50m e 90m. No boletim diário da ANA de 26 de janeiro deste ano não há dados de medição na Usina de Santo Antônio para 26/01/15, mas apenas do dia anterior: 70,51m. Ultrapassou 1cm da cota regulamentar.
A Usina de Santo Antônio já foi multada pelo IBAMA por ter ultrapassado 4cm da cota permitida. No boletim de 30/01/2015 aparece a medição de 26/01/2015: 70,61cm. Isso são 11cm acima da cota regulamentar. A Usina de Jirau, que em 01/12/2014 operava com a cota de 85,14m, chegou a ultrapassar a sua cota máxima permitida em 22/01/2015 (90,03m), em 23/01/2015 (90,04m), em 26/01/2015 (90,02m) e em 28/01/2015 (90,01m). Não guardei os boletins de todos os dias, portanto alguma outra ultrapassagem de cota regulamentar pode ter me escapado.

Os reservatórios das usinas hidrelétricas não estão vazios em Rondônia. No entanto, sob a alegação de que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão pouco cheios no Brasil e que será preciso recorrer às termelétricas que geram energia mais cara, todos os usuários de energia elétrica do Brasil - exceto no Amazonas, Amapá e Roraima - são obrigados, desde janeiro de 2015, a pagar R$ 3,00 a cada 100 kWh consumidos. Ou seja, o custo é repassado para o consumidor.

Fico me perguntando quanto as duas usinas daqui representam para o suprimento energético nacional.  Porque a energia que sai de Porto Velho viaja pelo linhão até Araraquara (SP) para alimentar um anel que redistribui a energia para o Brasil todo. Jirau encerrou 2014 com 22 turbinas das maiores turbinas no Brasil funcionando, Santo Antônio está operando com 32 - também de 70mwh cada.

Os telejornais nacionais (Bom Dia Brasil e Jornal Nacional) mencionam a chuva no Norte e lamentam extensamente a ausência de chuvas no sudeste. A pauta da seca e da crise de abastecimento de São Paulo é tratada como se afetasse o Brasil todo. Em nenhum momento os jornais de alcance nacional fazem o contraponto do Norte com o Sudeste. Abundam dicas de economia de água, reportagens sobre restaurantes que se acham mega ecológicos ao substituir sua louça de porcelana e vidro por plástico (evitando de pensar que descartar tanto plástico sujo não é nada inteligente) e denúncias de desperdício de água. E aqui, em Porto Velho, onde já foi declarado estado de atenção devido aos 15,48m do nível do rio e até as usinas desrespeitaram suas cotas máximas permitidas mais de uma vez, o desperdício de água entrou na pauta. Segundo o Diário da Amazônia, o desperdício da água tratada em Rondônia chega a 52,8% - grande parte por causa de vazamentos na tubulação.