domingo, 24 de novembro de 2013

De volta ao asfalto

Nesse tempo todo que estou em Camobi (Santa Maria) - e isso já faz bem um ano: não lembro a data em que cheguei, mas lembro que tomei posse no dia 26 de novembro de 2012 - nunca tinha pedalado até Santa Maria. Hoje, no final da tarde de domingo, vesti minha bermuda de ciclismo, minha camiseta vermelha e fui até quase Santa Maria. Fui pela Faixa Nova e voltei pela Faixa Velha.

A última vez que pedalei em acostamento de estrada foi em Porto Velho e lá eu costumava ser a única ciclista. Aqui eles são bastante numerosos e todos (exceto eu) que pedalam bicicletas compradas em bicicletaria (e não no supermercado) usam capacete.

O cheiro de carniça, característico dos acostamentos, se fez presente aqui também. E eu, que achei que tinha visto de tudo no quesito animais atropelados (gatos, cachorros, cobras, lagartos, macacos, tatu e bezerro), me surpreendi ao ver os restos mortos de uma tartaruga (ou jabuti?) na Faixa Velha.

Fiz o percurso em 40 minutos. Na ida, fui com o sol na cara. Na volta, vim contra o vento = deu empate. Fui ultrapassada por um cara numa descida e ultrapassei esse mesmo cara numa subida. Apesar de não ter velocímetro funcionando na Amarilda (aquele lá parou de funcionar assim que ultrapassou a marca dos 8 mil km rodados), acho que consegui manter uma velocidade constante.

Próxima vez vou de Caloi 10, para garantir que as duas funcionam. Assim, quem sabe terei a companhia do meu então marido para finalmente concretizarmos a tão ensaiada expedição a Silveira Martins?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Para marcar a data do casamento no cartório

Na primavera, Dona Baratinha, doidinha pra casar, foi no cartório pra procurar saber qual era o procedimento e quais eram os documentos necessários para realizar um casamento civil. Recebeu um bilhete em que havia várias informações, inclusive a de que a certidão de nascimento precisava ser atualizada. Procurou o cartório em que o seu nascimento foi registrado e pediu uma certidão atualizada.

Voltou ao cartório no verão, para mostrar os documentos do Sr. Samsa, que não nasceu no Brasil, mas fez a opção pela nacionalidade brasileira. Dona Joaninha achou que era um caso especial, mas estava tudo certo.

Na terceira vez que foi ao cartório, Dona Baratinha atentou à regra de que era preciso encaminhar os documentos um mês antes do casamento. Levou os seus documentos e os do Sr. Samsa. E cadê o noivo? perguntaram. Dona Baratinha respondeu que o noivo estava no Rio, mas que os documentos dele estavam todos ali. Não podia ser assim; ele deveria fazer uma procuração pública e específica para o casamento no nome de outra criatura qualquer. Dona Baratinha perguntou se ela poderia ser a procuradora dele. Não, não pode, você é a noiva. E cadê as testemunhas? Ué, vocês, joaninhas do cartório, não podem servir de testemunha? Não, as testemunhas precisam conhecer o casal. Puxa vida, mas que coisa... Uma das testemunhas pode ser o portador da procuração? Não pode.

Dona Baratinha passou a procurar amigos que pudessem ser testemunhas e portador da procuração do noivo. Dona Formiguinha tinha que trabalhar, mas ofereceu o marido como portador da procuração. Dona Borboleta se ofereceu como testemunha e ofereceu o namorado como segunda testemunha. No dia seguinte, Dona Borboleta disse pra Dona Baratinha que o namorado não podia comparecer ao cartório no dia e horário marcados. Afobada, Dona Baratinha procurou por uma segunda testemunha. O Grilo logo se prontificou a participar do processo. Dona Baratinha pediu ao vento que levasse ao Sr. Samsa a notícia de que era preciso fazer uma procuração.

Quando a carta com a procuração chegou, ninguém percebeu que o adjetivo "pública" - que deveria acompanhar a procuração - havia se perdido no meio do caminho.

Na quarta vez que Dona Baratinha foi ao cartório, foi acompanhada pelo portador da procuração, o marido da Dona Formiguinha, e as duas testemunhas: o Grilo e a Dona Borboleta. Ocupavam muito espaço no cartório, falavam muito alto e animadamente enquanto a Dona Joaninha estudava a papelada. Dona Joaninha disse que a procuração do Sr. Samsa tinha que ser pública. Explicou que isso é uma outra categoria de procuração e que o Sr. Samsa tinha ainda dois dias pra mandar a procuração por carta e que todos precisavam assinar os papéis quando a procuração pública chegasse. Dona Baratinha conversou novamente com o vento e pediu que procurasse o Sr. Samsa.

Desanimado com a notícia, Sr. Samsa procurou, no dia seguinte, um cartório que faz procurações públicas. A Dona Joaninha que fez e assinou a procuração pública do Sr. Samsa avisou que a Dona Joaninha que receberia a procuração ainda precisava reconhecer sua firma. Procurou no registro se havia intercâmbio entre os dois cartórios e verificou que não. Anexou um envelope lacrado (contendo o registro da Dona Joaninha) à procuração pública.

Dona Baratinha procurou o portador da procuração e combinou o mesmo horário do dia anterior na frente do cartório. A Dona Borboleta não adiantava procurar, porque ela já tinha dito que não poderia mais comparecer ao cartório de tarde. O Grilo tinha oferecido a esposa dele como segunda testemunha, mas cadê o Grilo? Dona Baratinha chamou, fez sinal de fumaça, escreveu carta e o tempo tic-tac-tic-tac avançando até o horário combinado. Quando Dona Baratinha já estava toda tonta de fazer telepatia, o Grilo apareceu alegre com sua esposa.

Na quinta viagem ao cartório, Dona Baratinha finalmente conseguiu marcar a data do casamento com o Sr. Samsa. Enquanto o marido da Dona Formiguinha, o Grilo e sua esposa, Dona Baratinha e Dona Joaninha estavam ocupados com assinaturas e documentos, as folhas sopradas pelo vento formaram as seguintes letras: C A S A   C O M I G O  ?