sexta-feira, 30 de abril de 2010

Perguntas sem resposta

Conto, toda alegre, que comprei a minha carta de alforria. Minha liberdade é um código alfanumérico que me dá passagem a São Paulo. Ida e volta com datas separadas por um intervalo de 15 dias, graças a um congresso no fim de julho em São Carlos. Quando digo que comprei a passagem, me vem à memória que passei o Natal com o meu chefe, gerenciei um mega alagamento de casa no fim do ano e na noite seguinte ouvi os fogos de Ano Novo em Porto Velho. Quando pronuncio essas poucas palavras, lembro de cada dia de calor que eu passei aqui desde agosto. No instante em que anuncio a minha primeira saída de Rondônia, os meus olhos brilham, o coração palpita e as mãos não páram quietas.
Minha ouvinte pergunta: quanto cê pagou?

Chocada, explico que o preço da passagem não importa. O que importa é rever os amigos, conversar com eles, vê-los rindo, sentir frio, usar roupas de frio, trazer a minha Caloi 10, apresentar trabalho e mostrar que continuo pesquisadora, apesar de ser professora.

* * *

Costumo mandar bilhetes nas redações dos meus alunos. O povo de Letras teve como última tarefa escrever sobre o que é 'ciência'. Eu tinha levado umas 20 definições de 'ciência' feitas por físicos, biólogos, filósofos, matemáticos etc. Tínhamos comentado e discutido essas definições alheias. Eu tinha pedido que definissem 'ciência' com base numa dessas definições dadas por  cientistas. Dois ou três plagiaram citações, três ou quatro consultaram dicionários e a grande maioria tirou a definição de 'ciência' da cartola. Eu tive a nítida impressão de que tinham enfiado um amontoado de palavras no liquificador. Para demonstrar a vagueza dos textos deles, escrevi longos bilhetes que consistiam basicamente de perguntas. Essas perguntas eram provocativas. Eu não esperava que eles respondessem as perguntas, apenas queria que eles percebessem as lacunas dos textos deles.

E não é que um aluno me manda, por e-mail, as respostas (sem as perguntas ou o contexto) pras minhas perguntas? Respondi o e-mail contando uma estoriazinha que acho que vi no Guia do mochileiro das galáxias:

As pessoas chegam prum super computador e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? E o computador calcula. O pessoal volta e pergunta: óh, mega super computador, qual é a resposta? E o computador calcula loucamente. Os filhos desse pessoal vão lá e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? O computador calcula desenfreadamente. Os netos daqueles primeiros chegam na frente do computador e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? O computador finalmente responde, em voz triunfal: 42.
Perceba que as tuas respostas fazem tanto sentido pra mim como o 42 da estória.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Surpresas no jardim

Abriu uma nova flor lá na composteira selvagem. As folhas são mais escuras, menos peludas e a fruta promete ser maior que os meus melões. Ainda não sei se é melancia ou abóbora.
Os melões estão ficando amarelinhos. Esse é o maior. Saiu um melão com cara de bunda...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Holambra returns

Enquanto eu tava em Rolim, estava rolando lá um festival de flores de Holambra. Antes de sair daqui e depois de voltar, o festival de flores de Holambra em Porto Velho estava a todo vapor. Como essas duas cidades ficam nas pontas do estado, imagino que as cidades entre uma e outra também tenham recebido uma edição desse festival.

Além de bolhas na palma da mão e terra embaixo das unhas, tenho hibiscus, primavera e bambu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lavagem cerebral

Como descobri que tenho poder em sala de aula, escolho assuntos que eu considero polêmicos e que me interessam, para usá-los como matéria-prima pros textos deles. Ano passado foram as sacolinhas plásticas de supermercado, esse ano é a TV. Passei o filme Farenheit 451, uma música da Vanessa da Mata (Fugiu com a novela) e outra do Teatro Mágico (Xanéu n. 5) como fontes de inspiração para debates.

Hoje pedi que escrevessem um texto argumentativo a favor ou contra a implantação de televisores nos ônibus de Porto Velho. Algumas linhas já têm TV a bordo, mas a programação é restrita a propagandas de supermercado, papelaria, açougue etc. em PVH e assuntos aleatórios como receitas, horóscopo, piadinhas etc. Pedi que nesse texto considerassem que a programação das TVs nos ônibus seria a programação normal da TV aberta (Globo, SBT, Rede TV, Record etc.).

O advento da TV digital no Brasil e o projeto de transmissão de programas da Globo nos ônibus de São Paulo geraram polêmica no ano passado. Pra quem se interessar pelo lado B dessa história, sugiro estes belos textos, todos reunidos no apocalipse motorizado:
Sorria, você está sendo manipulado
TV no ônibus, a comercialização das mentes e a Cidade Limpa
Televisão no meu busão, não!

Os meus alunos da Unir não sabem dessa polêmica, nem nunca pensaram sobre a questão. Dos que usam o sistema de transporte coletivo na cidade, nem todos chegaram a ver essas TVs nos ônibus de Porto Velho. O Campus Unir, por exemplo, não tem TV. Mas como eles são destemidos, botaram a cabeça pra funcionar e escreveram seus textos posicionando-se a favor ou contra, explicando suas posições e fornecendo exemplos que ilustrassem seus argumentos.

Uma aluna se comportou de maneira diferente. Olhava pros lados, falava sozinha, suspirava e brincava com o lápis. Quando mais da metade dos colegas dela já tinha entregado o seu texto, ela não se conteve:
- Professora, eu não sei como escrever isso.
- Começa pela sua posição. Você é a favor ou contra a TV com programação da rede aberta nos ônibus? Explica por que e dá exemplos.
- Mas aí é que tá. Eu sou a favor, mas quando eu penso nos prós e nos contras, só tenho argumentos contra!
- Mas então por que você é a favor da TV aberta nos ônibus?
- Porque sim, mas eu não sei explicar por que.
- Então muda de lado: seja contra, já que os argumentos contra pesam mais.
- Não, eu sou a favor, mas não sei por que. Difícil escrever isso.
- Se você não sabe justificar a sua opinião, então você não tem opinião.
- Ai, professora.

Todo mundo fala mal da programação da televisão. Todo mundo diz que a TV hipnotiza, faz ficar sedentário, acaba com a comunicação entre as pessoas. Mas todos têm TV e acham que não conseguem viver sem ela. Como dizia meu amigo Paulo Punk, "às vezes eu acho que os meus alunos não têm vida interior": reproduzem o discurso da Globo, se vestem de acordo com a moda ditada pela novela, sabem da verdade, não duvidam de nada, não questionam nada, não lêem nada que não lhes for imposto. São canais por onde passam imagens e palavras desconectadas de suas vidas.

domingo, 18 de abril de 2010

Estive lá

Ensino à distância implica nas seguintes variáveis:
  • professor que atravessa o Estado pra dar a aula presencial,
  • apostila ferrada feita por outro professor,
  • tutoras que têm acesso à apostila ferrada e a tomam como Bíblia - e o ferradão como profeta,
  • pelo menos duas atividades,
  • pelo menos dois fóruns,
  • alunos vindos de várias cidades (e realidades cibernéticas), que se concentram no pólo pra aula presencial,
  • ambiente virtual em que devem rolar fóruns, chats e devem ser postadas as atividades.

Eu achava que eu ia enfiar o meu computador na mochila, viajar noite adentro pruma cidadezinha do interior, dar a minha aulinha de Semântica em powerpoint e voltar pra casa sem nunca mais ter que me preocupar com os alunos que eu vi nesse encontro presencial. Durante a aula, vi que o lance é outro. Devo me fazer presente no Moodle (ambiente virtual), corrigir as atividades e as provas.

Depois de ouvir essas notícias animadoras, aceitei carona de uma das tutoras até o centro. Entrei no carro, puxei o cinto de segurança e fui interrompida:
-Aqui a gente não usa cinto.
Lembrei do taxista que tinha ido me buscar no hotel com o filho de 4 anos no banco da frente. Perguntei se o menino ia no banco da frente mesmo, assim, sem cinto. Saiu uma risada boa debaixo daquele chapelão.

Quando fui fechar a conta na recepção do hotel, o cara que tinha me dado picolé de uva na noite anterior tava atrás do balcão.
- Já vai?
- Já.
- Achei que você fosse ficar mais um dia. Amanhã tem motocross, você vai perder!
- Vou perder.
- Gostei de você, você parece uma pessoa feliz.
- Puxa, legal.
- Esses dias aí eu vou ter que ir a Porto Velho. E eu não conheço ninguém lá. É chato, né, chegar assim numa cidade sem conhecer ninguém. Posso ligar pra você, quando eu for? O endereço que você colocou aqui na ficha do hotel, o motorista de taxi acha fácil?
- Eita! Vou receber visita?
- É, a gente toma uma cerveja.
- Eu não bebo.
- Então a gente toma sorvete.
- Chama um taxi pra mim?

Veio um moto taxi. Engoli seco e devagar. Avisei que nunca tinha andado de moto. Não acreditou. Tudo bem, um mototaxista anda de moto todo dia, o dia todo. Examinei a moto, perguntei onde era pra eu colocar o pé. Recebi instruções elementares, botei o capacete de astronauta na cabeça, dei minhas coisas pro homem, subi na moto, recebi minhas coisas de volta e me segurei com a mão livre no ferro atrás de mim. Ele cumpriu a promessa de ir devagar. Nunca me senti tão exposta e frágil no trânsito. Eu não tinha controle sobre nada.
- Jura que foi a primeira vez que você andou de moto?
- Sim.
- Como você se locomove na sua cidade? De ônibus?
- De bicicleta.
- Bi - ci - cle - ta? É, faz bem pro corpo, mantém a forma. Você que tá certa. Boa viagem!

O ar condicionado no ônibus estava no modo polar. Fui a primeira a sair do ônibus na rodoviária de Porto Velho. Toda a minha pele descongelou no trajeto entre o ônibus e o taxi. A pele formigava pra caramba nesse processo de regulação à temperatura bafo-ambiente daqui. Assim que fechei a porta do taxi, o motorista ligou o ar condicionado no máximo e o som no tecno-brega.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Lá vou eu

A rodoviária de Porto Velho deve constar na lista dos lugares menos agradáveis de se estar na cidade à meia-noite. Não sei bem se o desagrado é agravado pelas lojas vazias, ou se pelos sem-teto que se espalham pelo chão. Um moço que tinha um ventilador e um cortador de grama na bagagem me perguntou se eu ia a Rolim de Moura. Eu tenho cara de quem vai a Rolim de Moura? Nem sei onde essa cidade fica! Mas é pra lá mesmo que eu vou.

O ônibus que encosta não é o meu. O meu é o das 0:00, esse aí é o das 0:05. Adivinha quem zarpou primeiro? O moço que senta do meu lado tem o braço enfaixado e geme feito criança. Não lhe dou a atenção que ele pede dessa maneira pouco articulada. As luzes se apagam e os primeiros começam a roncar. Presto atenção no asfalto sobre o qual rodam os pneus do ônibus. Imagino uma estrada de terra. As coisas caem do compartimento de bagagens em cima das nossas cabeças.

Somos acordados em Ouro Preto. Quase tenho um troço quando ouço esse nome no meio da madrugada. Então quer dizer que eu não estava tão longe assim do resto da civilização? Cai a ficha: Ouro Preto do Oeste. Faroeste.

Somos acordados em Presidente Médici. Que nome pra cidade. O relógio do ônibus marca 3:13 horas. Olho pra fora da janela e vejo o dia raiando em Médici. Alguma coisa não faz sentido, e prefiro acreditar que o relógio entrou em parafusos quando entramos em Médici.

Todos descem em Rolim de Moura. O taxi não tem taxímetro, o taxista dirige como se eu estivesse com pressa. Rodamos 2 minutos e atravessamos a cidade. As ruas são largas, o canteiro central tem gramado e árvores em processo de crescimento. Me lembra a Praça do Relógio da USP, quando plantaram as mudas de árvores. O sol quente sobre o mundo plano me lembra o Morro do Espelho, mas não há razão convincente pra isso.

Uma parede do meu quarto de hotel (Crystal Palace!) é cor de rosa, a outra é azul. Mas só percebo isso depois de acordar. Saio pra almoçar, caminhar e interagir com algumas pessoas. Sou muito bem atendida em todos os estabelecimentos. Há mais loiros aqui que em PVH, reparo que a estatura média também é mais alta. Em cada quadra tem pelo menos uma farmácia na Av. 25 de Agosto, os carros são de pickup pra caminhão e conto muitas agro-lojas antes de chegar na borda da cidade. Estamos no interior. Esqueci a máquina fotográfica. Esqueci.

Peço pro recepcionista pra usar o cabo de internet e me sento na sala de café da manhã pra ver os mais de 9 e-mails que o IEL da Unicamp me mandou, convidando pra eventos locais. O recepcionista me chama de professora e me dá um picolé de uva. Fazia tempo que eu não tomava picolé.

A aula de Semântica de 8 horas que vou dar amanhã está preparada, as atividades e prova também. Graças ao livro-texto do Renato (também pela EAD) e a minha convivência com ele. Porque se eu fosse me orientar pela apostila que os meus alunos têm, eu estaria falando falsidades e baboseiras. Tanto em Semântica como em Filosofia, a distinção entre Verdade, Falsidade, Mentira e Baboseira (BS - de 'excremento de boi' em inglês) é relevante.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Transformações

Mandei hoje a minha declaração de imposto de renda pra Receita Federal.

Virei gente grande.

* * *

Sempre peço pros meus alunos de Produção de Textos que tragam textos pra ler em voz alta, na frente da sala. Minha ideia é que, pra formar bons escritores, é preciso formar bons leitores. No começo, só eu é que lia contos, crônicas e trechos em voz alta pra eles. Com o tempo, foram ganhando espaço e trazendo poemas, parábolas, notícias de jornal. Aula passada, um aluno de Letras pediu licença pra ler um texto dele mesmo. Disse que tinha gostado tanto de escrever essa redação pro curso, que quis ler pra turma.

Estão começando a refletir sobre o processo de escrita.

* * *

Meus (ex) alunos pararam de frequentar o cineclube. Como a única coordenadora presente nas sessões e debates, eu estava conduzindo as dicussões. E como eu estudava os filmes exibidos, o debate virava quase que aula. Não havia atrito, havia acumulação de observações que retomavam e remontavam o filme. Era como se juntos compuséssemos uma resenha, como se ela fosse orquestrada.
O filme de hoje, "Terra de Ninguém", ou "Terra de Cegos", gerou discussão daquelas de rolar atrito, daquelas de polarizar pró e contra.
O cineclube virou gente grande.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Inferências

Estou me preparando pra aula de 8 horas que vou dar em Rolim de Moura. É sobre Semântica, o que não é a minha especialidade; mas pra quem está dando aula de Texto desde setembro, não é de surpreender que eu assuma qualquer coisa que não seja a minha especialidade.

Quis explicar aos meus alunos que talvez não desse conta de corrigir os textos que em entregaram essa semana. O diálogo foi mais ou menos assim:

- Galera, estou indo pro pólo. Não sei se vocês sabem o que isso significa, na verdade nem eu. Mas o fato é que vou a Rolim de Moura e não tenho garantias de voltar.
- A senhora vai dar aula pra índio, então.
- Quem falou em índio? Não vou pra aldeia, vou pro pólo.
- A senhora falou que achava que não ia voltar, então pensei que a senhora tava com medo de tomar uma flecha no coração.

Temos aí um exemplo fresquinho de inferência: saltos no processo argumentativo. Nesse caso, o aluno chegou a uma conclusão desautorizada por um caminho possível, mas não indicado.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

Festa

Depois de 7 anos comemorando aniversários na chuva de Barão Geraldo, e 1 festa regada a garoa na Holanda, tivemos (eu mais os meus convidados) festa à luz das estrelas.

Dessa vez tivemos duas crianças disputado nossa atenção. Anne descobriu um jogo (presente da Mariana: A fantástica fábrica de estórias para crianças) de cartas em que inícios de estórias estão escritos. Contou suas estórias inventadas pra todo mundo. Passou boa parte do tempo caminhando pela casa, à procura da gata que não tem rabo. Anne tem 3 gatos em casa e todos eles têm rabo. Como pode um gato não ter rabo? Precisava examinar isso de perto. Não encontrou a Akari.

Lírio demandava atenção para necessidades menos articuladas. Fralda, sono, colo, peito, rede.
Ninno e Lírio

Fiquei muito feliz que todos vieram (de uma vez) e se sentiram bem aqui. Planejei mal a comida e sobrou metade das pizzas. Mas as que eu fiz foram elogiadas. Até pus o meu som na sala, mas o violão falou mais alto.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Estudante profissional

Esta minha geração de estudantes universitários costuma levar esse rótulo. Somos acadêmicos que saíram da escola e foram pra universidade e lá fizeram graduação, mestrado e doutorado. Tudo sem escalas, pausas ou interrupções. Além dessa constante vida acadêmica, recebemos bolsa na pós-graduação, ou seja, fomos pagos pra estudar durante 6 anos (2 de mestrado e 4 de doutorado). Nesse sentido, a pós-graduação nos deu salário, foi uma profissão temporária.

A geração anterior à minha não se encaixa nesse esquema por um diferencial: não recebia bolsa pra estudar. Tinham que trabalhar como professores para estudarem nas horas vagas. Já que Capes, CNPq ou Fapesp não estavam pagando suas pesquisas, puderam fazer os seus mestrados em 5 anos e seus doutorados em 12.

Não estou dizendo que uma dissertação produzida depois de 5 anos ou uma tese maturada por 12 anos apresente melhor qualidade que dissertações escritas em 2 e teses escritas em 4 anos. Mesmo porque sei que os 5 ou 12 anos não foram de dedicação exclusiva à escritura do trabalho final. Numa pós-graduação com bolsa, não é permitido ao universitário ter vínculo empregatício, ou seja, ele recebe a bolsa e se compromete a dedicar todos os 2 ou 4 anos à sua pesquisa.

O cenário não mudou apenas para os pós-graduandos com bolsa. Pelo fato de existir a bolsa, foi instituído um tempo-limite para todos os mestrandos e doutorandos. De repente existe um prazo mínimo e outro máximo a ser cumprido por todos os mestrandos e doutorandos, tenham eles bolsa ou emprego. No mestrado em Letras da Unir o prazo mínimo é de 12 meses e máximo de 30 meses. Todos os candidatos aprovados assinaram um termo de compromisso em que declaravam fazer o possível para defender em 24 meses.

No mestrado em Letras da Unir foram aprovados 14 candidatos. A Capes ofereceu duas bolsas aos dois primeiros colocados. Eles rejeitaram porque têm vínculo empregatício e o salário é maior que a bolsa. A fila foi andando até acabarem os candidatos. Nenhum dos 14 aceitou a bolsa. Todos continuarão trabalhando. Nenhum deles pediu afastamento para se dedicar ao mestrado e cumprir os 2 anos.

Os candidatos que não residem em Porto Velho não mudaram para a capital, porque não sentiram a necessidade de fazê-lo. Estão matriculados em pelo menos duas disciplinas e viajarão durante este semestre. Não foram estimulados a se mudarem para a cidade que abriga a universidade, porque os cursos são oferecidos de maneira condensada. A cada duas semanas o mestrando tem aula de manhã e de tarde numa mesma disciplina.

Tenho muito pouca simpatia pelas aulas de 8 horas. E considero que oferecer aulas de 8 horas a cada duas semanas não ajuda em nada a formar a "cultura acadêmica" que a Unir quer ter.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Caçadora


Shaoran se espantava quando as borboletas que ele perseguia cessavam de bater as asas. Akari caça borboletas e as traz pra dentro de casa. Sobram as asas e as antenas.

Akari deu pra subir em árvore. Hoje de manhã, trouxe um filhote de passarinho todo pelado pra dentro. Miyuki ficou com nojo, eu entendi que a gata me trouxe um presente.

Mis melones

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Na biblioteca

Passei o dia na biblioteca, corrigindo redações recebidas por e-mail e ouvindo tangos e músicas africanas ganhadas do meu irmão.

Quando entrei na biblioteca, notei que as chaves pros armários na biblioteca estavam longe do balcão, e parecia ser mais prudente se posicionar na fila pra falar com a atendente do que fazer alongamento pra alcançar uma das chaves de armário. O sistema tava lento, por isso demorou a chegar a minha vez. Impaciente, atravessei o atendimento demorado do outro e pedi uma chave pra mulher que trocava de computador. Ela me pediu pra esperar um instantinho. Percebi que ter acesso à chave não era mais tão fácil como sempre tinha sido.

Chegou a minha vez e ela pediu que eu digitasse o meu número no teclado do computador. Expliquei que eu só queria uma chave pro armário, pra deixar a minha mochila. Ela apontou pro teclado e repetiu a solicitação. Eu disse que eu não lembrava o meu número, peguei o meu celular e conferi o meu siape (número que me identifica enquanto servidor público). O número estava incorreto. Ela quis saber o meu nome, eu avisei que ia soletrar. Ela fez cara de desgosto e pediu pra eu mesma digitar o meu nome. A feição da mulher ia se transformando à medida que o meu nome se completava na tela dela. Descobriu o meu número e quis anotar num papel. Depois do terceiro algarismo, percebi que se taratava do meu CPF e avisei que ela não precisava anotar o meu CPF, porque esse eu sabia de cor. Me deu uma chave.

Guardei a mochila e água (não se pode levar água pra dentro da biblioteca!) no armário, tranquei e subi com o computador. Quando quis ir ao banheiro, tive que sair da biblioteca, porque haviam colocado um armário e um cartaz bloqueando a passagem que dá acesso ao banheiro. Quando voltei, passei por um outro cartaz pendurado no vidro da sala do armário. Só lembro de ter absorvido algumas palavras desse cartaz: 'ATENÇÃO' e depois 'chave' e depois '2 horas' e 'penalizado'. Subi a rampa, voltei ao computador e trabalhei mais uma hora. Não foi um período sossegado, porque eu ficava tentando criar sentido a partir das palavras lidas no cartaz. Desci, tirei as minhas coisas do armário, esperei a mulher dar baixa na minha chave e levei as minhas coisas pro departamento. Acho que fui penalizada.

Quando passei de novo pelo cartaz, me dei conta de que tinham implantado um sistema de rodízio nos armários da Unir. A Unir só tem uma biblioteca pra toda a universidade. Ela não é muito boa, nem mesmo muito visitada, mas conta com 200 armários, o que de fato é muito pouco. Só fico pensando no estudante que não tem onde deixar a sua mochila e pretende passar o dia na biblioteca. Deixar a mochila na sala de aula não é uma opção, porque as salas de aula também funcionam em esquema de rodízio. Por exemplo, uma mesma sala abriga, de manhã uma turma de Pedagogia; de tarde outra turma de Letras e de noite uma turma de Administração. Não, a Unir não é como a USP ou a Unicamp, que dispõem de prédios diferentes para as faculdades ou institutos que formam a Universidade. A Unir tem o prédio dos departamentos, o bloco de salas de aula e uma biblioteca central que é muito menor que a biblioteca do IEL ou das Letras na USP.

Isso é Amazônia, vai se acostumando.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Aniversário

Primeiro aniversário em Rondônia. Primeira festa sem eles.

domingo, 4 de abril de 2010

Você também quer um carro?

Zero Hora (29/01/2010)
Velocidade gera 2,3 mil multas por dia no Estado

Jornal do Brasil (03/02/2010)
Tanque cheio, bolso vazio

Diário do Nordeste (05/02/2010)
Opções para fugir do trânsito na Capital

Correio Braziliense (06/02/2010)
Tanque cheio esvazia o bolso do brasiliense

The Times (Reino Unido) (08/02/2010)
Toyota decide fazer recall do modelo híbrido do Prius por falha nos freios

Correio Braziliense (09/02/2010)
Trânsito mortal para jovens e crianças

Diário do Nordeste (09/02/2010)
Preço do álcool dispara

A Tarde (10/02/2010)
Preço dispara e preço do álcool chega a R$2,20

Correio do Povo (10/02/2010)
Loucuras nas rodovias

Zero Hora (11/02/2010)
Operação tenta evitar massacre no trânsito

Diário do Nordeste (19/02/2010)
Recorde de multas por excesso de velocidade

Estado de Minas (19/02/2010)
Força-tarefa tenta frear a violência no trânsito de BH

Diário do Nordeste (18/03/2010)
BR-222 é uma das mais perigosas rodovias do País

Zero Hora (19/03/2010)
Frota no RS cresce 3,5 vezes mais do que a população

Estado de Minas (01/04/2010)
Carro terá duplo aumento de preço

A Tarde (02/04/2010)
Venda de automóveis quebra recorde histórico no Brasil

sábado, 3 de abril de 2010

Natureza malvada!

(12/11/2009)
Folha de S.Paulo (SP)
Temporal causou apagão, diz governo
O
Estado de S.Paulo (SP)
Governo atribui apagão a raios; para especialistas, rede é frágil
A
Tarde (BA)
Raios e vento causaram apagão, diz ministro
Correio do Povo (RS)
Governo culpa clima pelo apagão
Zero Hora (RS)
Ministro atribui apagão a chuva, vento e raios

(01/12/2009)
Correio do Povo (RS)
Em 100 anos, nunca se viu nada igual
Zero Hora (RS)
Porto Alegre registra o novembro mais chuvoso em cem anos

(09/12/2009)
Folha de S.Paulo (SP)
Chuva alaga marginais e isola SP
Agora S.Paulo (SP)
Tietê sobe 7
metros e engole a marginal
O
Estado de S.Paulo (SP)
Chuva paralisa SP e mata seis
O
Globo (RJ)
Chuva mata 6 e leva caos a São Paulo

(02/02/2010)
Correio do Povo (RS)
Calor provoca recorde de consumo de energia

(03/02/2010)
Correio do Povo (RS)
Calor de Campo Bom é insuperável

(04/02/2010)
Correio do Povo (RS)
Temperatura nas alturas
Zero Hora (RS)
Fornalha

(07/02/2010)
Correio do Povo (RS)
Com calor e sem luz e água
Veja
Por que chove tanto?
The Washington Post (EUA)
Nevasca histórica em Washington DC deixa caos para ser revolvido

(09/02/2010)
The Washington Post (EUA)
Regiões se preparam para mais uma dose de inverno

(10/02/2010)
Extra (RJ)
Rio é o 2° lugar mais quente do planeta: ganha até do Saara
The Washington Post (EUA)
Quarta nevasca em Washington põe a prova o sistema de energia e a paciência

(11/02/2010)
The Washington Post (EUA)
Washington enfrenta
ventos fortes e lembra de nevasca histórica
China Daily (China)
Frio atinge os participantes do Festival da Primavera

(01/03/2010)
O
Estado de S.Paulo (SP)
Mortos passam de 700 no Chile
Jornal do Brasil (RJ)
Mortos passam de 700 no Chile
O
Globo (RJ)
Tsunami devasta
costa do Chile, que tem 708 mortos
Correio Braziliense (DF)
Luta dramática para salvar vidas no Chile
Le Figaro (França)
Tempestade trágica no oeste da França

(08/03/2010)
Jornal do Brasil (RJ)
Tragédias e prejuízos após chuva de 5 horas
O
Globo (RJ)
Deslizamentos mataram seis no estado
Correio do Povo (RS)
Ciclone deixa litoral em alerta

(09/03/2010)
Correio do Povo (RS)
Ciclone se aproxima e assusta

(16/03/2010)
Extra (RJ)
Cedae,
Light e Oi botam a culpa em São Pedro

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mesmo nome

Salvador era o nome de um filme que exibiríamos no cineclube. Baixei o filme, vi e pensei sobre ele. Dirigido por Oliver Stone, de 1986, é quase um documentário sobre um jornalista americano que pendula entre a guerrilha e os militares em El Salvador. Pesquisei material a respeito e enviei tudo pros meninos (Guilherme e Paulo). Achei estranho que eles não se manifestaram. Na noite antes do cineclube, conversei com o Robson sobre o Salvador e nos demos conta de que estávamos falando de filmes diferentes. Existe outro Salvador de 2006, sobre um revolucionário chamado Salvador. Era esse filme que todos (menos eu) tinham visto. Os dois Salvadores se encaixavam muito bem na temática 'autoritarismo'.

No dia do cineclube, a poucas horas antes da exibição do filme, nos demos conta de que ninguém tinha o Salvador (2006), e que o único filme disponível era o meu (Salvador - 1986). Só que eu não lembrava se o meu tinha legendas ou não. Não tinha e não deu pra baixar ali, na hora. Com o assentimento do público, passamos Das Experiment (2001) e adiamos o Salvador (2006) pra semana que vem.

* * *

Recebi uma mensagem no celular de uma ex-aluna. Ela escreveu que está com vergonha e entende por que tirou zero e reconhece a besteira que fez.
Respondi que ela tinha mandado a mensagem pra pessoa errada, porque eu nunca dei zero pra ela e agora ela não é mais minha aluna.
Imediatamente ela respondeu que tinha errado de professora.
Imagino que na agenda dela deva constar o meu número e o meu nome: professora.

* * *

Fui convidada pra ir na despedida de um alemãozinho chamado Philip numa pizzaria. Eu já tinha visto ele, porque ele se destaca dos baixos, morenos de nariz pequeno daqui. Ele também já tinha me visto, porque reparei que a minha bicicleta com os meus alforges Ortlieb lhe prenderam a atenção. Mas nunca tínhamos trocado uma palavra.

Agora seria a sua despedida e o povo da Qúimica sugeriu a pizzaria Casa Bella. Explicaram pro gringo que ônibus ele deveria pegar e onde deveria descer. Miyuki e eu chegamos pontualmente às 20:00 e estranhamos que o alemão não estava sendo pontual. Lembramos que havia outro restaurante chamado Casa Bella (Gourmet) na mesma avenida, também de esquina. Não tínhamos o telefone dele, o que tornou tudo mais dramático.

Às 21:00 os convidados estavam todos reunidos numa pizzaria e o anfitrião estava na churrascaria de nome quase igual. Um de nós foi lá, buscar o moço. Quando chegou lá, Philip tinha saído. Os telefones não pararam. Descobrimos mais tarde que ele tinha chegado pontualmente às 20:00, esperado, ficado com fome, atravessado a rua e comprado um sorvete. Nessa hora de ausência apareceu o resgate. Depois de alguns telefonemas e um pouco de paciência, conseguiram localizar o Philip e o troxeram pra pizzaria.