terça-feira, 30 de outubro de 2012

Greedy boy



Teve festival de animação no dia 28 (dia da animação - e também do servidor público) e lembro de ter gostado desta animação.

domingo, 28 de outubro de 2012

Em espera

Quanto maior o tempo de espera,
maior a esperança que chegue logo.
Paciência já acabou faz tempo,
a esperança agoniza antes de morrer.
Vai chegar, tem que chegar
só não se sabe quando.
Quem espera na parada de ônibus
passa a existir em stand by.
Toda a vida passa
e a pessoa fica parada, em espera.
Não é a perda (ou o ganho) de tempo que vale;
é a suspensão da ordem dos eventos no tempo
que paralisa.

sábado, 27 de outubro de 2012

Pagando pela falha

Durante a greve, fui ao Rio de Janeiro. No dia da partida, acordamos cedo e fomos ao aeroporto Galeão. Na passagem o horário de partida era 7:16, mas no painel se lia 7:53. Como o painel é constantemente atualizado, nos orientamos pelo painel e só entrei na sala de embarque às 7:05. Quando cheguei no portão 22, vi que não havia fila. Perguntei do avião pra Brasília, a moça da TAM pegou a minha passagem, reconheceu meu nome e ralhou comigo: já fechou o embarque, eu chamei, chamei, chamei esse nome. Olhei pela janela e apontei para o avião: mas o avião está aí, estou vendo. Mas a porta já fechou, a ponte já saiu, não tem mais como você entrar. Ué, mas como que eu cheguei tarde demais, se no painel estava escrito 7:53? Olha aqui na passagem, está escrito 7:16. Mas eu me orientei pelo painel!

O resultado foi que tiraram a minha bagagem de dentro do avião (o que certamente atrasou o avião) e eu tive que pagar uma nova passagem a Porto Velho. Procurei em outras companhias, mas não encontrei melhor opção que a própria TAM. O detalhe é que a passagem de ida a Porto Velho me saiu mais cara que a passagem de ida e volta. Me senti enganada, sem saber quem tinha me enganado. Como eu provaria que no painel estava escrito 7:53, se o anúncio já tinha sumido bem antes da decolagem prevista do avião, às 7:16? O argumento que usaram contra mim foi que todos os outros passageiros do voo tinham embarcado, menos eu.
Hoje de manhã a cena se repetiu. O painel no guichê do check-in - assim como todos os paineis do aeroporto - anunciava o voo das 7:16 para as 7:53. Perguntei pra moça no check-in se o horário do voo tinha mudado, já que se lia 7:53. Mudou? Não mudou - confirmou a colega que reclamou que a Infraero estava anunciando esse horário errado há séculos. Avisei que eu já tinha perdido um voo por causa do painel enganoso e elas lamentaram.

No portão 22 apontei para a tela acima do portão e perguntei qual era o horário do voo. 7:16, óbvio. Então por que está escrito 7:53? Ah, nosso gerente já reclamou na Infraero, mas eles não mudam.

Quando eu perdi o voo, ninguém demonstrou saber que a Infraero anuncia o horário errado. E hoje ninguém avisou que não era pra eu me orientar pelo painel (o que me parece óbvio, já que mudanças devido a reposicionamento dos aviões, atrasos e cancelamentos são anunciados no painel e não na passagem). Será que a loja da TAM no Galeão vende mais passagens de última hora por volta das 8 da manhã?

A literatura e o amor

Li Budapeste (do Chico) depois de ter visto o filme e concluí imediatamente que a obra literária tinha qualidade superior à da obra audioviosual. No entanto, as imagens do filme se prenderam mais na minha memória que as palavras e a ordenação das palavras do livro. E quando quis dar ao Luis um bom livro, escolhi Budapeste. Ele ficou fascinado com o livro e quis comentá-lo comigo, mas a narrativa linear, escura e crua do filme se sobrepunha na minha memória aos encantos tortos, recursivos e luminosos da literatura. Decidi que era hora de reler Budapeste.

Na sala de embarque, onde eu estava sozinha e triste por deixar o meu namorado no Rio e ter de voltar para Porto Velho, abri o livro. Reparei que havia entre as páginas um ingresso do Circo Voador. Saquei que não era o meu ingresso, porque este tinha sido dobrado ao meio - e depois jogado fora. Estranhei o ingresso do Luis no livro. Cheguei a segurá-lo, sem saber ao certo o que fazer com ele. Devolvi o papel ao livro. Quando entrei no avião e passei a procurar o meu assento, tive que desgrudar os olhos do texto e fechei o livro. Caiu um bilhete no chão. No verso do ingresso eu li uma declaração de amor. Tão torta como as que eu proferi, dessa vez escrita por ele.

Ainda com uma lágrima a lhe descer na face, ela sorriu e disse: fala mais, por Deus. E eu: as melhores palavras que sei emanaram de ti, devem a ti seu vigor e sua beleza. E ela: só mais uma vez, suplico-te. E eu: será somente teu o meu verbo, dedicar-te-ei meus dias e minhas noites. Foi quando Kriska me disse que era muito engraçado meu sotaque. (p. 127 - 128)
Como achei impossível não me identificar com o aprendiz de língua estrangeira, fiquei pensando num paralelo entre a língua e o amor.

Eu me empenhava em falar um húngaro tão rigoroso que talvez por isso mesmo ele às vezes soasse falso. (p. 129)

(...) aprender o idioma húngaro fora brinquedo, difícil mesmo seria apagá-lo. (p.147 -148)
Lembrei da palestra do Joel Rufino dos Santos sobre a Literatura e sobre o amor, tema eleito pela Literatura para ser o mais explorado. A certa altura, o palestrante condensou um pensamento complexo numa fórmula:

Amor = sexo + poesia

Eu escrevia como se andasse em minha casa, porém dentro d'água. Era como se meu texto em prosa tomasse forma de poesia. (p. 133)

Preferi humilhá-lo com a poesia, arte que ele ignorava, e que o faria sofrer muito mais por não saber onde lhe doía. (p. 145)

Como dizia Barthes, ficamos estupefatos quando lemos conclusões óbvias e simples. Joel Rufino dos Santos encadeou argumentos simples e claros sobre a serventia da Literatura: O prazer literário não se acumula, portanto não tem valor. Se não tem valor, a Literatura não serve pra nada. Se não serve pra nada, nossa existência mora na linguagem literária.

E me pediu que lesse o livro. Como? O livro. Eu não leria um livro que não era meu, não me sujeitaria a tamanha humilhação. E ela nem insistiu tanto, talvez porque soubesse que cedo ou tarde eu faria sua vontade. Apenas pousou o livro em meu colo e se deixou ficar inerte na cama. Tomei-o, suas folhas se soltavam em minhas mãos, eu não entendia por que precisaria ler um palavrório que ela já lera mais de trezentas vezes. (p. 172)

Concordo que o gozo literário não se acumula. Mesmo porque esquecemos. E assim cada releitura é uma nova aventura, é uma nova maneira de me conectar com o texto e uma oportunidade de ler o texto através dos olhos de quem me devolveu o livro.

Movimento e música

E de noite Luis e eu fomos ao Circo Voador (esse nome é da hora), ver o lançamento da Campanha Quem são os proprietários do Brasil? Mais sobre a campanha aqui.
Chegamos na hora dos shows, mas a campanha é mais que música feita por pessoas politizadas: é movimento. Movimento no sentido de movimento social. Gostei do texto do Tautz sobre os proprietários do Brasil. E gostei bastante da banda El Efecto, principalmente do "Encontro de Lampião com Eike Batista". Eike, Eike, Eike, Eike resistir!
 Mundo Livre S.A. era a grande atração musical, mas (pra mim) não surtiu o efeito esperado.

XI FELIN

Evanildo Bechara no microfone
O Fórum de Estudos Linguísticos deste ano contou com algumas celebridades em campos diversos. Gostei de ver o Bechara, provavelmente um dos poucos gramáticos vivos que produziu gramáticas de referência. A figura que caminhou até as escadas do palco, subiu essas escadas e se acomodou na cadeira parecia infinitamente mais frágil que a pessoa que segurou o microfone e desfiou causos, datas, regras, diferenciações e contextualizações acerca do acordo ortográfico.
Joel Rufino dos Santos no meio
Joel Rufino dos Santos eu não conhecia e me surpreendeu no mesmo sentido que Bechara: a pessoa de sapatos maiores que os degraus da escada me pareceu muito menos segura quando em movimento do que quando falando sobre seus movimentos teóricos.
Carlos Alberto Faraco no meio
Faraco eu já conhecia como referência bibliográfica. Gostei da fala dele sobre o que ele chama de "norma curta" e da trajetória que ele traçou do ensino de língua portuguesa desde sua própria escolarização até quando se viu professor ensinando gramática.
UERJ vista do 11. andar de noite
Eu apresentei o meu trabalho sobre ensino de sinais de pontuação de noite. E achei ruim que todas as comunicações individuais tenham sido concentradas numa noite, sem a divulgação dos resumos dos trabalhos. Se todo mundo que apresenta trabalho apresenta simultaneamente (havia 22 GTs!!), então não é possível apreciar trabalhos fora do seu GT. De certa forma, este FELIN assumiu que congresso vale para apresentar trabalho - que rende publicação, que conta pontos no Lattes - e ver conferências de celebridades. Nem mesmo os minicursos ultrapassavam a extensão de um dia, ou seja, eram palestras longas. Trocando em miúdos, a gente não vai a congresso para trocar ideias, para debater, questionar, se envolver. A gente vai pra apresentar um recorte de pesquisa pruma meia dúzia de pessoas preocupadas em apresentar (não ouvir) e pra ouvir o que as sumidades têm a dizer.

De qualquer modo, fiquei super feliz de ver o Luis na minha plateia, ouvindo e vendo a apresentação do trabalho que ele já tinha lido e me incentivando a melhorar na forma de apresentá-lo.
Azeredo, Marli Quadros e Renato
No segundo dia, tive duas surpresas. Sou amiga do Renato desde que entrei na Unicamp e durante todo o meu tempo de Unicamp considerei-o o meu melhor amigo. Convivi com ele por sete anos, mas nunca tinha visto o rapaz dando palestra. Está certo que ele sempre palestrou, mas nunca tinha visto o rapaz apresentando slides e falando no microfone. O mesmo com o Ataliba, mas em outra proporção. Fui aluna dele na USP, ele esteve na minha banca de qualificação no mestrado e escrevemos o capítulo da preposição para a Gramática do Português Falado a dez mãos - mas nunca o tinha visto dando palestra.

Ataliba

Do mal

Ano passado, quando minha mãe e minha tia estiveram aqui, tentamos torrar as castanhas dos cajus colhidos aqui em casa. Como era a primeira vez e não tínhamos a manha, só conseguimos salvar três castanhas em meio aos carvões. Dessa vez que Luis esteve aqui, eu já tinha juntado outro tanto considerável de castanhas pra torrar. Foram pra grelha, soltaram óleo, fumaça e cheiro ruim, esfriaram e foram processadas. Enquanto as mãos trabalhavam, Luis se perguntava por que nunca tinha ouvido falar em óleo (de castanha) de caju.
Não foi fácil separar a castanha da casca: usamos alicate, faca e até unha pra, no final, juntar um mísero punhado de castanhas. Como tava difícil de separar a pele da casca da castanha, nem chegamos a descascar tudo. E como o trabalho com as castanhas tinha dado fastio, nem comemos o fruto do nosso trabalho. Botei as castanhas na geladeira, joguei o resto das castanhas com casca engordurada e fedida fora e fomos pro Rio de Janeiro.
Em seguida, nossas mãos começaram a descascar. Toda uma camada de pele morreu, esfarelou e caiu. Passamos uma semana tirando peles das mãos, especialmente depois de ter tido contato com água. Luis descobriu que o óleo do caju é tóxico e que as pessoas que manipulam o caju (colheita e torra) apresentam todas o mesmo problema de saúde causado pelo óleo. Ou seja, decidimos que o óleo da castanha do caju é do mal.

Quando voltei do Rio, Marcelo estava cozinhando e Heliene fazendo faxina. Perguntei a ela (porque afinal de contas ela é que tinha dado a ideia de torrar castanha na brasa) se era normal a mão descascar depois de manusear castanha de caju torrado. Ela disse que era normal, que o óleo provocava mesmo esse tipo de reação alérgica e que queimava peles mais sensíveis. Pra completar, contou que uma amiga dela tinha feito uma tatuagem com o óleo da castanha de caju. Ouvindo todo esse papo sobre castanha de caju, Marcelo acrescentou que as castanhas que estavam na geladeira tinham ficado ótimas.

sábado, 13 de outubro de 2012

Enquanto trabalho

Mustafá enquanto eu confeccionava o calendário que fiz pro Luis

Akari enquanto corrijo as redações dos meus alunos

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aniversário no dia das crianças

A chuva me acordou às 4 da madrugada. Fomos em 9 comemorar o aniversário da Fran (que não era a caçula ali) a trinta quilômetros de Porto Velho. Ao longo da manhã, nuvens pesadas desfilaram pelo céu. Ao meio-dia o céu se descortinou e ficou azul.
Depois de 3 anos em Rondônia, entrei na água de rio amazônida pela primeira vez hoje. Parece que esperei por uma ocasião especial para marcar a iniciação. A sensação de nadar no rio foi ótima, apesar de extremamente cansativa (a correnteza é forte, meu fôlego é ruim e faz muitos anos que eu não nadava).
Cheguei a engasgar e engolir um pouquinho da água, mas por sorte não era a água do Madeira. Diz a lenda que quem bebe a água do Madeira não sai mais de Porto Velho...
Fui dar uma voltinha pelo terreno do Salsalito e encontrei, no fim de uma aléia de bambu, um maracujá nativo. Coletei dois maracujás e voltei pra mesa. O maracujá era pequeno (3 dedos de altura) e se parecia com uma melancia. Nada disso me surpreendeu. A surpresa foi que o fruto era coberto por uma pelagem fininha, parecendo veludo. Narcísio logo quis saber onde eu tinha coletado a passiflora e buscou sua tesoura de poda enrolada num saco.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cogumelo amarelo

Cada cogumelo que me aparece aqui em casa...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Achei!

Demorei pra encontrar a farpinha que tava me dando trabalho: toda vez que eu andava de Amarilda e deixava a bicicleta encostada, o pneu baixava. Depois que enchia, o pneu aguentava mais duas viagens, mas tive que remendar três câmaras no total. Algumas câmaras têm agora dois remendos novos.

Hoje peguei a Amarilda que ficou encostada uma semana. Tava com o pneu cheio. Fui confiante pra Unir. Quando quis voltar, tive que encher pneu. Cheguei a atender um aluno enquanto manuseava a bomba. Pra não ter que trocar pneu amanhã de manhã, antes da aula, resolvi trocar pneu hoje, depois de chegar em casa. Revirei o pneu do contrário (que heresia!) à procura do espinho que furava as câmaras e, com a ajuda das pontas dos dedos, encontrei esse pedacinho de fio metálico enfiado no pneu.

O mais doido é pensar que o que estava enfiado no meu pneu era parte de um pneu. Sim, uai: pneu não é só borracha, tem uma estrutura metálica segurando a borracha. Se duvidar, confira os lixos do acostamento, onde esses fios abundam.