quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Flores, frutas e um filhote

Rosa de porcelana
Fruta ou flor?
Bilimbi: fruta e flor
Fruta do cactus
Mustafá

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tripilinhas

Jonas rolava de rir com os 'is' que os brasileiros enfiam nas palavras inglesas. Is-tri-pi-ti-si era o seu estrangeirismo brasileiro preferido.

Quando minha mãe e minha tia foram comigo pro Acre, fomos de Trip. Dentro do avião, quando a comissária de bordo agradeceu a nossa preferência em nome da Tripilinhas, minha mãe riu lágrimas.

Ontem Marcelo e eu chegamos no aeroporto às 4:30 da madrugada. Nosso avião para Vilhena faria escala em Cacoal. O avião tinha duas hélices e todos os barulhos e movimentos eram inversamente proporcionais ao seu tamanho. Na demonstração de procedimentos de segurança, não constava a parte das "máscaras de gás que cairão automaticamente em caso de despressurização da cabine".

Sobrevoamos Cacoal. Eram 6:30 e a neblina estava baixa. O piloto informou que não havia estação meteorológica em solo, e que não daria para pousar com auxílio de instrumentos - porque eles não existem. Tentou pousar duas vezes, mas o nevoeiro estava bem em cima da pista de pouso. Subiu e seguiu para Ji-Paraná. Pousou e deixou os passageiros que deveriam ter desembarcado em Cacoal. Decolou de novo, sobrevoou Cacoal e viu que dava para pousar. Os passageiros pacientes que tinham ficado em Cacoal esperando o avião pousar finalmente puderam embarcar para Vilhena.

Chegando em Vilhena, nos disseram que foi sorte conseguirmos pousar, porque a chuva estava se formando.

Elizabeth Martines, Socorro Joca, Berenice Tourinho e Marcelo Sabino em Vilhena
Na volta, percebemos que no aeroporto de Vilhena opera apenas uma empresa: Tripilinhas. Para ter acesso à sala de embarque, passamos pelo detector de metais. Nossa bagagem de mão foi estocada numa mesa enquanto passávamos pelo portal, ou seja, não há raio x para bagagem de mão. A funcionária que fica no detector de metais não usa uniforme. A sala de embarque tem uns cinco sofás bregas, de cores e modelos diferentes e uma TV passando novela da Globo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Na janelinha

Foto: Fran-Fran

Quer carona?

Ela vinha pedalando sua bicicleta quando reconheceu a vizinha parada no ponto de ônibus. Encostou o pé na guia e cumprimentou a outra com um sorriso entregue. A outra se aproximou, cumprimentou a vizinha e sua filha pequena que vinha no assento da frente:
- Você vai atéééééé lá de bicicleta?
- Vou. Quer carona?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Remédio para Mustafá

Mustafá estava com uma diarreia brava. A veterinária disse que estava com infecção intestinal, provavelmente causada por ingestão de carne ou gordura cozida. Ajudei no diagnóstico, contando que Mustafá tinha o hábito de revirar o lixo da cozinha. E mesmo depois de trocar a lixeira por uma com tampa, ele virava o lixo.

Ela lhe deu duas injeções e receitou um remédio. Perguntou se eu conseguiria dar esse remédio, lembrando que muitos donos de animal preferem levar seu animal ao veterinário todo dia a ter que administrar eles próprios o remédio. Informou que na cartela vinha o dobro de pílulas que o gato precisava tomar - o que era bom pro caso de ele voltar a ter o mesmo problema.

Quase desisti de dar meia pílula pro Mustafá no primeiro dia. Ele espumava uma baba cor de rosa antes mesmo de ter ingerido a droga. Enrolado na toalha, ele esperneava com as quatro patas, rugia e me arranhava. Ele cuspia o comprimido, eu pegava outro. Até pedi pra Fran dar remédio pro gato revoltoso e aprendi a técnica com ela. Quando eu achava que tinha dominado a arte de fazer o gato engolir remédio, Mustafá me decepcionava. No fim de uma semana tomando meio comprimido a cada 12 horas (1 por dia), sobraram dois comprimidos. Moral da estória: Mustafá não tem remédio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Casa alagada - de novo

Li em algum lugar que caíram 113 mm de água em duas horas. O fato é que a minha casa alagou. Quinta vez que a Akari e eu passamos pelo processo. Dessa vez foram "só" 5 cm de água na casa inteira. Mas os móveis vão estragando, principalmente os de compensado.

A chuva forte começou lá pelas 5 da madrugada. Logo me pus de pé, acudindo as goteiras. A rua virou rio, o rio virou correnteza, tudo virou alagado. Antes que a água entrasse pela porta da casa, entrou pelo ralo do banheiro. Quando terminei de encher o primeiro balde com água marrom coletada no pano, fui chamar o Marcelo. Levantamos todas as coisas, vimos a água entrar e a luz acabar. Depois, no escuro mesmo, ajudamos a água a sair com o rodo. Às 7 da manhã continuava chovendo e escuro. Ainda de pijama e de barriga vazia, nos pusemos a passar pano embebido em desinfetante pela casa. Acabou a água da torneira. Quis ligar pras empresas de água e luz. Acabou o telefone. Celular sem bateria e sem crédito.

Deitei e dormi umas duas horas. Quando acordei, voltei a espremer pano em balde. A casa fedia. Tomamos café da manhã na cozinha, porque a área estava demasiado enlameada. A luz voltou ao meio-dia, a água veio tão fraquinha, que não sobe na caixa. Nada de lavar louça, dar descarga ou tomar banho no banheiro do Marcelo. A faxineira veio em plena terça-feira de carnaval. Cynthia e Fran vieram trazer doces e notícias do resto do mundo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meu tempo de volta

Sim, eu fui avisada. Mas insisti. A curiosidade venceu. E quem levou o prejuízo fui eu. No começo, eram as mesagens fofinhas sobre "graça" e a luz estourada que me incomodavam. Depois o movimento de câmera foi me nauseando. Os ângulos e enquadramentos da fotografia eram tão ousados, que beiravam o absurdo. Notei que o som era constantemente preenchido, mesmo que a trilha sonora fosse uma nota só. Daí eu percebi que não estava conseguindo acompanhar o fio narrativo. Quando o filme começou a contar a criação do universo, tive que rir pra não chorar. Na verdade, eu gargalhava de desespero. O que Brad Pitt e Sean Penn estão fazendo nesse filme?

A árvore da vida é um dos piores filmes que eu já vi na minha vida. Totalmente evangélico, totalmente americânico, altamente embaralhado: sobre tudo, mas ao mesmo tempo sobre nada. Passa do macro ao micro como passeia entre passado, presente e pós-morte.

Tive que ler outras resenhas sobre o filme, porque eu não acreditava que esse filme tenha saído dos estúdios. E todas as resenhas que li eram positivas e viam a glória do filme. Quando li que ganhou a palma de ouro em Cannes, vi o mundo mergulhado numa nefasta onda new age.

Eu jamais assistiria um filme do Padre Marcelo ou Chico Xavier, porque esses filmes são claramente marcados como filmes religiosos e que veiculam uma religiosidade da qual não compartilho. As credenciais de A árvore da vida são: Brad Pitt, Sean Penn e palma de ouro em Cannes. Nenhum desses três elementos indica, nem de longe, que o conteúdo do filme é uma oração.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Em campanha - parte II

O meu departamento tem dois candidatos a reitor.
E eu não voto em nenhum deles.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Nessas horas

Ele tem um despertador biológico embutido. Quando dá 18h, mais ou menos, o alarme toca. Aí ele começa a correr pela casa, tocar o terror pra cima da companheira de espécie, pular em cima de tudo que se mexe ou pode ser mexido e quebrado. Mastiga capas de livro, abraça pastas e força seus elásticos, rasga papel, amassa listas de presença e se diverte com cabos. Desarruma a cama, fura o mosquiteiro e enfia dentes e unhas na carne de quem tentar controlar Mustafá, meu gato endiabrado.

O detalhe é que "nessas horas" a descarga de adrenalina é intensa, mas dura pouco. Logo depois de ter danificado algum objeto ou a honra da Akari, Mustafá se enrola no rabo comprido e dorme.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Morrer de raiva

Ainda posso morrer de outras coisas, mas contra a raiva estou vacinada.
Tomei a quinta dose da vacina.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Quando a língua dá um nó na cabeça

Depois da aula de morfologia, em que estudamos processos de formação de palavras, pedi que os alunos resolvessem exercícios. Nesses exercícios, eu queria que eles chegassem à formulação de regras. No entanto, antes de chegar nas regras, era preciso experimentar com as palavras.

Montei paradigmas com lacunas:

objeto              pessoa               estabelecimento

pipoca             pipoqueiro         pipocaria
jornal               jornaleiro           jornaleiria/ jornalismo


Mesmo nunca tendo ouvido ou visto as palavras pipocaria ou jornaleiria, quase todos preencheram a lacuna.

Menos unânime foi a resposta para o reverso de tossir e espirrar. A grande maioria se esforçou muito para achar a resposta certa e acabou deixando a lacuna em branco. Dois responderam não tossir e não espirrar e dois intrépidos responderam que é destossir e desespirrar. Depois dessas exceções, vinha a pergunta: existe uma regra geral? Existe, foi a resposta da maioria.

Eu esperava que os alunos chegassem à conclusão que o processo de derivação não é homogêneo, linear. E esperava que eles percebessem que o processo de flexão, ao contrário, obedecia a paradigmas claros. Tão evidentes, que eu poderia conjugar nomes (eu detergento, tu detergentas, ele detergenta etc.), já que as terminações de um paradigma sempre seriam as mesmas - nos verbos regulares. Inventei três palavras, uma para cada conjugação: felecar, soler e talir. Eu esperava que eles tomassem como modelo as terminações de verbos como cantar, comer e partir. Uma única pessoa acertou as três tabelas de verbos: uma estrangeira.
Perguntei se estavam seguindo alguma regra. A resposta mais surpreendente foi: Não, segui meu estinto! (Com  ponto de exclamação mesmo).

Por fim, pedi que dessem três exemplos de palavras terminadas em diferentes sufixos (-ção, -vel, -izar, -ice, -ada). E não é que me aparecem, por exemplo, lição, piada, criável, musicalizar, difíce e calvice? Fada foi foda, porque eles não perceberam que um sufixo se junta a uma unidade de sentido; e f- não faz sentido.

Acho que os exercícios romperam barreiras linguísticas na cabeça dos meus alunos: se a professora pode inventar palavras que ela chama de logatomas, então agora pode tudo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012