quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Resposta

"- Ó Pensador Profundo, a tarefa que lhe cabe assumir é a seguinte: queremos que nos diga... - fez uma pausa e concluiu: - ... a Resposta!
- A Resposta? - repetiu o Pensador Profundo. - Resposta a que pergunta?
- A Vida! - exclamou Fook.
- O Universo! - disse Lunkwill.
- E tudo o mais! - exclamaram em uníssono." (p. 163)

" - Essas máquinas têm mais é que fazer contas - disse Majikthise -, enquanto nós cuidamos das verdades eternas. Quer saber a situação perante a lei? Pela lei, a Busca da Verdade Última é uma prerrogativa inalienável dos pensadores. Se uma porcaria de uma máquina resolve procurar e acha a porcaria da Verdade, como é que fica o nosso emprego? O que adianta a gente passar a noite em claro discutindo se Deus existe ou não para no dia seguinte essa máquina dizer qual é o número do telefone dele?" (p. 165)

"- Eu só queria dizer que meus circuitos agora estão irrevogavelmente dedicados à tarefa de calcular a resposta à Questão Fundamental da Vida, o Universo e Tudo Mais. - Fez uma pausa, para certificar-se de que agora todos estavam prestando atenção nele, e acrescentou, em voz baixa: - Só que o programa vai levar um certo tempo para ser processado.
Fook olhou para o relógio, impaciente.
- Quanto tempo?
- Sete milhões e quinhentos mil anos - respondeu o computador." (p. 166).

"- Há 75 gerações, nossos ancestrais deram início a este programa - disse o segundo homem -, e após todo esse tempo nós seremos os primeiros a ouvir o computador falar." (p. 170)

"- Então há mesmo uma resposta? - exclamou Pouchg.
- Há mesmo uma resposta - confirmou o Pensador Profundo.
- A resposta final? À Grande Questão da Vida, o Universo e Tudo Mais?
- Sim." (p. 171)

"- Está bem - disse o computador. - A Resposta à Grande Questão...
- Sim...!
- Da Vida, do Universo e Tudo Mais ... - disse o Pensador Profundo.
- Sim!
- É... - disse o Pensador Profundo e fez uma pausa.
- Sim...!
- É...
- Sim...!!!...?
- Quarenta e dois - disee o Pensador Profundo, com uma majestade e tranquilidade infinitas." (p. 172)

ADAMS, D. O Guia do Mochileiro das Galáxias. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mia e o amor

"Aprendemos a amar no amor que dedicamos aos filhos. Amar quem a vida nos deu, sabendo que a mesma vida nos vai tirar."

COUTO, M. "Olhos nus: olhos" In: BRESSANE, R. Essa história está diferente: dez contos para canções de Chico Buarque. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 194 - 215.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diminuindo distâncias

Dividindo o mesmo sofá

Senhor Mustafá em cima, Akari escondida

Momento extraordinário em que compartilharam a mesma cadeira

sábado, 19 de maio de 2012

Aula de fitogeografia no campo

Balsa para Humaitá
Faz tempo pedi que Narcísio me chamasse quando fosse a campo. Visita guiada à vegetação amazônica já era um sonho antes mesmo de vir para a Amazônia. No começo da semana, meu nome passou a integrar a lista de pessoas que iriam a campo no sábado. E como trabalho em regime de DE (dedicação exclusiva), tive que pedir autorização para me deslocar a Humaitá. Narcísio mandou e-mail com recomendações e dois textos sobre fitogeografia. Li os textos e segui a recomendação de adquirir galochas.

Chegado o dia, nos encontramos cedo na frente da Reitoria. A neblina (indício de dia quente pacas) se dissipava na cidade, mas ainda cobria o horizonte do rio. Tivemos muita sorte com a balsa na ida e na volta.
A ponte de perto
O texto de um alemão, escrito em inglês, de 1986, com dados coletados em 1975, é a primeira e mais exaustiva descrição desse tipo de vegetação que o autor chama de savana. Não chama de cerrado, porque toma como parâmetro o cerrado central do Brasil. Narcísio (curador do herbário) chama de cerrado, Lafayette (que estuda árvores) chama de savana. O curioso é que essas savanas são ilhas na paisagem de floresta amazônica. Normalmente, o fator mais decisivo na diversidade de vegetação é o clima. Mas aqui há floresta e cerrado convivendo lado a lado.
Narcísio
A explicação para os diferentes biomas é o solo arenoso e argiloso, que impede a drenagem da água. Formam-se charcos (galochas são uma maravilha!) e lagoas em que o solo é pouco oxigenado. Outra explicação, também ligada ao solo, é a profundidade do solo.
Aula na savana
Aprendi que o fogo é parte integrante do cerrado. As cascas duras e grossas das árvores são uma proteção, o capim queima como combustível, deixando novos nutrientes para as sementes sobreviventes. E as sementes aprenderam a se proteger contra o fogo.
Borboleta no chapéu do Narcísio
As folhas das árvores e arbustos são bem diferentes. Ou são bicolores, tendo no verso uma coloração dourada, ou são peludinhas (para liberar calor mais facilmente) ou são duras a ponto de serem usadas para lixar unhas e panelas sujas.
Muitas folhas são bicolores
Pelo que entendi, todas as árvores e arbustos daquela savana que vimos têm flores (e frutos).
Não lembro dos nomes das plantas
Um dos alunos tinha o costume de se agachar quando parávamos para ouvir explicações. Encontrou essa carnívora, que nunca tinha sido documentada nessa região. De repente pisar no chão passou a ser um ato realizado com cerimônia e cuidado, porque logo entendemos que o solo úmido estava cheio delas.
A grande sensação foi essa carnívora (minúscula)
Narcísio costumava ficar pra trás, coletando, etiquetando e separando amostras de plantas.
Carregando o saco de coleta
As margens do cerrado têm charcos com pseudo-buritis (buriti mesmo é maior e não tem espinhos no tronco) e floresta (à esquerda).
Charco
As quaresmeiras de charco (Leandra?) são pequenas, nada comparáveis com as da Mata Atlântica.
Quaresmeira
Entramos no meio da floresta. Os principais diferenciadores entre a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica são epífitas (bromélias, orquídeas etc.) e formigas. Aqui há poucas epífitas e muitas formigas.
Floresta de terra firme
Narcísio riu quando usei a palavra biossocial, mas os biólogos falam em famílias, indivíduos e comunidades.
O caminho que nossos passos fizeram
Ao meio-dia, almoçamos no ônibus e seguimos para a sede da ESEC (Estação ecológica Cuniã) para descansar na sombra. Dali pegamos a estrada de volta, entramos três vezes à esquerda, à procura de outra savana. A segunda era mais encharcada (e viva as galochas!) e mais cheia de manchas. Eram visíveis áreas de capim alto, capim baixo, capim verde, capim amarelo. Novamente, o tipo de solo e sua profundidade determinavam a vegetação.
Outra zona de savana
O texto do alemão de 86 destacava duas árvores como dominantes na região. Não lembro da primeira, mas na nossa segunda savana, encontramos a Curatella, ausente na primeira, também chamada de lixeira (de lixa, não de lixo).
Curatella Americana, finalmente
Enfim, tenho a sensação de ter entrado num outro universo hoje.
Ignorus completamentis

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Greve nacional

Foi deflagrada a greve por tempo indeterminado hoje de manhã no Paulo Freire. Trata-se de uma greve por salário, plano de carreira e melhores condições de trabalho.

Achei muito engraçado ver todas as figuras que se empenharam em acabar com a nossa gloriosa greve contra a corrupção na UNIR defendendo a adesão à greve nacional. Quando se trata de aumentar o salário, todos eles viraram revolucionários.

Quem esteve lá, viu que eu não votei a favor da greve. Porque considero que estamos no semestre pós-greve, com apenas duas semanas de recesso durante o ano de 2012 inteiro. (Meus 45 dias de férias, a rigor, não cabem nesse ano.) Me abstive de votar para deixar claro que não estou disposta a integrar esse comando de greve, revisar ou melhorar texto de ninguém, passar por medos e paranoias.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mais um blecaute de 5 horas

Jantar à luz de velas é legal,
mas cozinhar à luz de velas não é legal.
Não é legal ouvir o barulho de vidro se espatifando no chão
e o gato correndo pra se esconder
e é ainda pior ter que juntar os cacos de vidro
e limpar o chá derramado à luz de velas.
Ter que ouvir as músicas que saem do som potente do carro do vizinho é péssimo,
mas ver os vagalumes dançando ao som da música na rua e no meu jardim

faz valer a pena mais um blecaute de 5 horas.


Flor de cacau



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Baile de discursos

Auditório da OAB em Porto Velho
Descobri que existe uma nova modalidade de baile de máscaras. O evento é divertido, faz rir e chorar e provoca a curiosidade dos convivas em saber quem é quem. As roupas são de gala, afinal se trata de uma festa. Há troca de lugares, quase dança das cadeiras.
Solenidade em que a vice-reitora em exercício passou o exercício para a reitora eleita
As máscaras são os discursos. As lantejoulas que brilham são a habilidade do orador de proferir o seu discurso, seja ele lido ou decorado. Algumas máscaras não têm lantejoulas, ao passo que outras ofuscam e impressionam. As cores são as modalizações de voz. Cores vivas e agressivas são os conselhos furados dados em alto e bom som. Cores pastel, meio aguadas, são as cores que hesitam entre lágrimas, pausa e a continuidade do discurso. Cores escuras enfeitam os feitos hercúleos do orador, ao passo que cores alegres decoram o cinismo debochado de quem ri e faz rir do caos que não é capaz de administrar.
A vice
O crime que tradicionalmente procura o baile de máscaras como palco não é um crime de sangue. Ninguém morre nessa festa, nem se pode mais falar de crime, porque todos vão ao baile na expectativa de serem enganados pelas máscaras. Desse modo, as falsidades, baboseiras e mentiras proferidas viram motivo de elogio. As máscaras são aplaudidas.
A reitora

domingo, 13 de maio de 2012

Passeio de barco no Madeira

O porto onde embarcamos está bastante destruído por causa do banzeiro (marola causada pela água do rio) 

O Cai N'Água parece que deixou de ser um barranco e virou porto

Por causa das comportas da usina, o bairro Triângulo estava desbarrancando

Fizeram essa contenção e condenaram todas as casas ali

A Usina

Meus companheiros de passeio

Voltando

A ponte que estão construindo pra Humaitá

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tempo de seca

A terra já rachou,
uma camada marrom de poeira se estende sobre tudo
dentro e fora de casa.
As plantas começam a amarelar,
a água da mangueira não vence a sede da terra seca.
Akari se esfrega na terra e fica toda marrom.
O calor faz o tempo se arrastar.
Meu pé  direito avisa que lá vem chuva,
mas ela não desce do céu.
Os mosquitos ensaiam sua orquestra.

domingo, 6 de maio de 2012

Sobre planos

Cama de gato (2002) é um filme que causou bastante polêmica quando foi lançado, e acredito que continua causando desconforto ao espectador. A partir da metade do filme pra frente, o que mais incomoda é a completa falta de plano dos personagens, que se envolvem numa espiral de violência. Três amigos jovens de classe média, que acabaram de passar no vestibular, estupram uma menina na casa de um deles. Quando acham que mataram a guria, a mãe de um deles aparece, cai da escada e pronto: os três precisam se livrar de dois cadáveres.

Todas as ideias são alopradas, mas como não encontram solução nem tomam distância do problema que criaram, essas ideias fracas são postas em ação. Não há plano, as desgraças se amontoam conforme os garotos vão se enredando na trama louca que criaram. O filme, enquanto objeto cultural, é cuidadosamente planejado, ao contrário de seu conteúdo. As cenas iniciais do filme são preenchidas com depoimentos de jovens classe média bêbados, arrogantes e donos da verdade sobre Deus e o mundo. Depois que a ficção acaba, voltam os depoimentos aloprados dos jovens que se sentem gente grande e pagam a conta da cerveja com a mesada. E os depoimentos são paralelos aos fatos narrados na ficção. E cenas da fiçção são intercaladas com depoimentos dos jovens na noite. E o público é invadido pela incômoda sensação de que a realidade é muito mais cruel e sem rédeas que a fiçção sem plano que acaba de ver.

*

2 Coelhos (2012) é um filme brasileiro de ação bem pop. O personagem principal, um jovem adulto de classe média, tem um plano: matar dois coelhos com uma cajadada só. A princípio, o plano é se dar bem usando bandidos para explodir um político e sair com uma grana. Contudo, por ser uma narrativa pós-moderna, é fragmentada e o público vai descobrindo dados sobre o passado do personagem principal (Edgar).

No passado, Edgar atropelou e matou a esposa e o filho de seu professor de filosofia (Walter). Não foi culpabilizado pelo "acidente de trânsito" e passou uma temporada de dois anos em Miami. Ao voltar, dá de cara com Walter, que está trabalhando no restaurante do pai de Edgar. No fim do filme, Edgar revela seu plano: a câmera mostra a namorada de Edgar e sua filha caminhando felizes ao lado de Walter. Pode ser que o plano geral tenha sido algo abstrato como substituir a esposa e filho arrancados do Walter. Dificilmente o plano seria sacrificar a própria namorada e filha para restituir a felicidade ao ex-professor. Tanto no plano da narrativa como da forma de narrar, o plano de Edgar é complexo, fragmentado e em ritmo acelerado. A impressão que fica é a de um plano que é tecido enquanto a estória se desenrola.

*

Nueve Reinas (2000) é um filme argentino muito esperto. Marcos e Juan são dois trapaceiros, que passam um dia juntos, na condição de mestre (Marcos) e aprendiz (Juan). O mestre ensina seus truques, o aprendiz lhe conta sua estória. Em dado momento, Marcos é chamado por um velho parceiro (falsificador de coisas em papel) que lhe oferece uma sequência de selos valiosos (para colecionadores) para vender a um colecionador que está de passagem na cidade. Está claro que os selos não são originais, e que a viúva de não sei quem não entrega os originais. Ato contínuo, as nove rainhas falsas são roubadas. E como o comprador está de partida, Marcos e Juan se atiram na busca pelos selos originais. Compram (com recursos próprios) os selos originais da viúva com muito custo e tentam vendê-los ao colecionador.

Durante todo o filme, o espectador tem a sensação de que rola uma trapaça entre os personagens principais. Como Marcos é o mais experiente, a tendência é achar que Juan é vítima de seu mestre. No fim do filme, o espectador percebe que Marcos foi enganado com a estória das nove rainhas. Na ficção, o plano traçado por Juan é perfeito e foi executado por todos os personagens do filme. O filme, enquanto objeto cultural, igualmente é um plano bem executado, porque ensina ao seu espectador como deve ser interpretado.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mad Maxi Driver: real e virtual

O cineclube deLírio existe em duas vias: a real, que agora acontece todas as quintas, mais ou menos às 17h numa sala não muito fixa na Unir; e da realidade virtual, que são as resenhas postadas no blog do cine deLírio.

O público real se mostrou sempre sensível a mudanças: quando mudamos de dia, muitas pessoas deixaram de vir. Quando teve a greve, o público demorou a voltar. As últimas sessões têm sido esvaziadas. Os debates, no entanto, sempre foram de alto nível.

O público virtual também passou por uma mudança, mas esta é constante e gradual. Quando começamos a postar nossas resenhas, pensamos em divulgá-las em fanzine ou jornalzinho, para que o público das resenhas crescesse. Chegamos a adotar a prática de ler as resenhas postadas previamente no início do debate pós-sessão.

Criamos uma comunidade de leitores de resenhas. Olhando o gráfico de visualizações de página do blog do cineclube, observo uma curva ascendente com dois vales: férias de 2010 e fim da greve, quando a reitoria tava sem energia e deixamos de exibir o cinegreve na escadaria. A resenha mais acessada (disparado) é a do Robson, sobre um dos filmes mais detestáveis (na minha opinião) que o cineclube já exibiu (Mad Max II). A atuação de Mel Gibson é horrível, a trilha sonora é o ronco dos motores, a agressividade é animalesca. A resenha, no entanto, é uma aula sobre distopia. A última resenha postada é a do Paulo Morais, sobre Taxi Driver. Outra resenha genial sobre um filme muito pouco agradável. Chamo o fenômeno de produzir resenhas ótimas a partir de filmes ruins de Mad Maxi Driver.

O blog conta atualmente com uma média de 100 visitas por dia. Na sessão passada contamos 7 pessoas, nas três anteriores foram no máximo 4 pessoas-público. A segunda resenha mais visitada é uma resenha minha, sobre dois documentários (O rio das Amazonas e Cidadão Jatobá) que foram exibidos para 1 pessoa - fora nós, do cineclube. Sinto-me tentada a comentar a terceira colocada, que é outra resenha do Robson sobre outro cine-velharia horroroso: Morte em Veneza. Robson tinha o dom. Sinto falta das resenhas dele e do seu pessimismo extremo, que chegava a ser cômico. Pois é, mas ele continua eternizado aí, na blogosfera, alimentando leitores com pelo menos duas resenhas geniais. E os leitores não se restringem à Unir ou comunidade. São de: Brasil> Portugal> Estados Unidos> Alemanha (deve ser a minha família)> Reino Unido> França> Rússia> Itália> Ucrânia (!)> Holanda. Pessoas desses lugares participam do cineclube numa outra modalidade: realidade virtual.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Se esconde - onde?

Mustafari
Senhor Mustafá
Sapinho
Sapo camaleônico