domingo, 10 de dezembro de 2017

Manga massa

A temporada de manga massa está acabando. Nesse ano, não fomos importunados por vizinhos  coletando nossas mangas de manhã cedinho, nem gente pedindo manga. Outra diferença em relação ao ano passado foi que Agnes não se entusiasmou pelas mangas.

Desde fins de outubro, teve manga todo dia: in natura, em forma de suco, na salada de frutas. Distribuímos muita manga aos vizinhos, mas foi sempre deixando uma sacola cheia de manga na porta da casa. Quem mais se deliciou com as nossas mangas foram as funcionárias da escolinha de natação.

Não tem mais muita manga por cair do pé, mas temos provisões. Fiz polpa, sorvete e geleia. Continuaremos tendo muita manga.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Empatia e despedidas

Agnes está passando por um período difícil, porque temos rodado algumas escolinhas e feito alguns testes. A princípio, ela gostava da novidade, ia entrando e explorando o espaço sozinha. Mas depois que a gente sumia, ela se desesperava e chorava a ponto da escolinha me chamar de volta pra buscar, porque ela estava chorando muito. Quando ela começou a espernear ao perceber que o carro tinha entrado na rua da escolinha, desistimos das escolinhas tradicionais.

Em seguida, percebi alteração na piscina: Agnes começou tendo aula com uma professora (não sei o nome dela) que logo depois de um tempo entrou em férias. Enquanto ela tava de férias, 3 outras professoras se revezaram, mas só de uma Agnes gostou. Eu também gostei mais das aulas da Aline, uma pessoa muito expressiva e sorridente, porque percebi nas aulas dela um método, uma evolução. E as aulas dela rendiam, Agnes ficava pouco tempo parada. Daí a professora voltou das férias e Agnes começou a gritar mamãe mamãe mamãe quando a professora a pegava. Até a professora percebeu a ausência de empatia. Mudamos para o horário da Aline. Já na segunda aula, outra professora nos esperava na piscina. Mamãe mamãe mamãe. 

Outro motivo para mudarmos o horário da natação foi que resolvemos levar a Agnes na escolinha que permite a presença dos pais, mais oferece livre brincar, crianças em diferentes faixas etárias, menos rotina e disciplina militar possível. E como aprenderíamos a nos despedir da Agnes de maneira gradual, fui acompanhando ela até perceber que ela gostava da escolinha e das crianças (na verdade, só do Felipe, de 5 anos). Daí Luis viajou por 5 dias.
Continuamos indo na escolinha todas as manhãs, e quando senti que eu podia me ausentar por 15 minutos, me despedi dela. Fez barraco, chorou desesperadamente até eu voltar. No dia seguinte, a tia que segurou o rojão teve a sacada de colocar musiquinha pra Agnes. Deu certo. Ela conseguiu se acalmar com a música. Luis voltou, fomos juntos na escolinha. Ele não conseguiu se despedir da Agnes.
Viajou de novo, dessa vez por 4 dias. Na despedida, no aeroporto, Agnes chorou muito. E continuou gritando por horas a fio, até eu achar que Luis tinha morrido. No dia seguinte, não fomos na escolinha. Um dia depois, teve capoeira e ela se encantou com os sons, as vibrações, as brincadeiras das outras crianças. Tentei despedir durante a aula de capoeira, mas logo desisti, pra não comprometer a aula.

Hoje foi um dramalhão a despedida, Agnes virou o centro das atenções de todo mundo na escolinha e nos arredores. Saí e quando voltei, fiquei emocionada de ver as crianças maiores brincando com a minha pequena.

Todos os dias mandei fotos e relatos do exercício da despedida pro Luis e pro Philip, meu irmão (que trabalha numa creche parental). Com a ajuda do método do meu irmão, estamos conseguindo destraumatizar o processo de entrada na escolinha.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pula, menina!

15 de novembro, feriado: dia da República. Fomos no Espaço Alternativo (a pista que leva ao aeroporto que é fechada a partir das 17h) pra comemorar a recuperação da Agnes e tivemos que aturar as faixas pedindo intervenção militar contra a corrupção e as vozes raivosas no microfone defendendo valores da extrema direita, num discurso que considero extremamente equivocado. Fora essa dor de estômago - que Agnes nem sentiu - o espaço estava animado.

Colocamos a menina num pula-pula, mas ela ainda não descobriu como se pula. De frente pra ela tinha outra menina do tamanho dela, pulando num outro pula-pula. Agnes apontava, fazia o movimento, mas não desgrudava os pés do chão. Na água ela pula.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Piloto automático

Na madrugada de ontem, mais precisamente às 5 da manhã, Agnes acordou vomitando. Como ela dorme no mesmo quarto que a gente, logo acordamos assustados. Vomitou 5 vezes antes de chegarmos no hospital.

Entramos na sala de recepção verde e identificamos apenas uma funcionária atrás do balcão. Nem a triagem (sala onde a pessoa é pesada e sua temperatura é medida para que lhe seja atribuída uma fita que indica o grau de urgência com que deve ser atendido o paciente) estava aberta, nem o guarda estava lá. Expliquei pra atendente o que estava acontecendo, ela pegou o telefone.

O pediatra já vai chamar. Fomos no corredor da pediatria, verificamos todas as portas e constatamos que não havia pediatra ali. Ele desceu as escadas sonolento, usando um avental animadinho que não combinava com a cara comprida de sono. Não lembro se nos cumprimentou, só lembro que nos ouviu e mergulhou num silêncio digital diante do computador. Começou a preencher guias, carimbar e assinar papéis. Foi interrompido pelas nossas perguntas: vamos hidratar a menina? Podemos coletar exame de sangue depois?

Quando Agnes viu os uniformes verdes das enfermeiras, já se pôs a chorar. No feriado de Corpus Christi, 5 meses atrás, estivemos internados com ela por 3 dias.

*    *    *

Na madrugada de hoje, 1 da manhã, a cena se repetiu: Agnes acordou vomitando. Vomitou 4 vezes e teve diarreia antes de chegarmos no hospital. Dessa vez, o guarda e o pediatra de plantão estavam conversando com o atendente. Não expliquei nada. Peguei a senha, dei ao atendente, peguei meu RG e a carteirinha da Agnes na carteira e os entreguei também. O moço já ia me entregando a guia, quando perguntei se o pediatra estava embaixo ou em cima. Ele apontou para o homem que entrava no corredor da pediatria e disse que este era o pediatra.

Tivemos que esperar o painel soar e apresentar o nome da nossa filha. Esse plantonista não teve muito tempo para mergulhar no silêncio dos formulários e guias, foi interrogado pelos pais aflitos.

Reconheci a enfermeira de plantão e ficamos assustados com a determinação dela de coletar sangue e fazer a punção do acesso para o soro e remédio numa agulhada só. Agnes arregalava os olhos de dor, gritava, urrava, suava, o sangue escorria pelo braço e eu tinha vontade de gritar junto. Todas as 3 enfermeiras que seguraram a Agnes (além de nós dois) ficaram repetindo que era um mal necessário.

O exame de sangue não apontou nada específico, vermes foram descartados através do resultado do exame de fezes, não tinha febre, mas seguia com diarreia e apontando para o meio das pernas. Faltava a coleta de urina. Gastei 4 daqueles coletores horrorosos. Dois se misturaram com a diarreia, os outros dois saíram secos de dentro de uma fralda encharcada.

Voltamos pra casa quando Agnes chegou no limite da paciência. Não recebemos alta, nem pegamos a receita dos remédios, nem a guia do exame de urina. Chamamos a enfermeira que tirou o acesso, juntei nossas coisas e saímos do hospital.

Em casa, subi num banquinho e alcancei a caixa em que tinha guardado as fraldas de pano que não se rasgaram com o tempo. Escolhi a mais confortável e pus na Agnes. Como ela tinha ficado muito tempo no soro, logo a fralda encharcou. Tirei o absorvente de dentro da fralda e o torci pra dentro do copinho coletor.

Agnes e eu voltamos no hospital, mas fomos direto ao laboratório. Entreguei o copinho.
- 4 horas de jejum, tá?
- Como assim?
- Só pode coletar 4 horas depois da mamada.
- Ela não mama mais. E ela tava no soro.
...
- Não estou entendendo essa guia. 
- Essa guia deve ser do médico de ontem.
- Então já coletou sangue?
- Sim, e fezes também, só a urina que tava pendente, e como eu sei que você precisa de uma guia, eu trouxe essa, que a gente não usou ontem. A guia de hoje ficou com a médica, a gente saiu sem ela dar alta.
Dali em diante a atendente se transformou numa pessoa simpática e nos atendeu com muita atenção.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Terceirização dos pais

Eu mesma confesso que ando bastante angustiada por não conseguir exercer a minha profissão (especialmente o papel de editora da Edufro) a contento e fico imaginando que a creche seria uma solução: Agnes teria contato com outras crianças, eu teria tempo.

Mas quando olho ao redor, percebo que essa terceirização tem limites bastante elásticos. Na natação, o núcleo duro da turma (as pessoas que vêm sempre) é composto por: Agnes e eu, uma criança com necessidades especiais e a mãe, um menino e a babá. O menino não chora mais, mas também não ri, nem se diverte como a Agnes ou a menina com distúrbio motor. O menino mergulha, bate perna, anda em cima do tapete, mas trava na hora de pular nos braços da babá. Pelas conversas (sobre a roupa de banho do menino, por exemplo), entendo que a babá viaja com a família nas férias. Ou seja, o trabalho não é o único motivo que levou os pais a contratarem uma babá.

Dos 4 desenhos que ocasionalmente vemos com a Agnes na TV, apenas a Peppa tem pais presentes e uma rotina de criança. E a Peppa é uma porquina. As crianças humanas, Luna e Jupter, estão sempre na casa dos avós no sítio; os Mini Beat Power Rockers estão sempre na creche com a tia Dolores; e Lola, Jules e Baby Joe estão sempre com a babá Miss Moon.

Os desenhos infantis naturalizam a terceirização dos pais e trabalham com a "babá divertida e genial" (Miss Moon), com a integração - através da música - entre as crianças (Mini Beat Power Rockers), com as eternas férias no campo na casa dos avós (O show da Luna). Mas quem assiste a esses desenhos não tem uma babá feiticeira. Bebês que ficam na creche o período integral não interagem com outros bebês. Crianças da idade da Luna e do Jupter têm rotina e essa rotina está ligada à escola.

Fico até pensando que esses desenhos pretendem acalmar e tirar a culpa dos pais: a casa dos avós/ a babá será legal, e se não for, como é o caso da Dolores, os bebês vão se unir e fazer coisas legais.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Composteira dando frutos

Nossa composteira e plantação

Abóbora cabotchã

Melão

Luis e Agnes

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A flor do açaí

Esses dias, Agnes estava sentada no pé do coqueiro, brincando de cavocar na terra com um pauzinho. Levantou e me entregou uma florzinha amarela (que eu sabia de onde tinha vindo) e uma florzinha que eu nunca tinha visto. Procurei pelo chão e entendi que se tratava das flores do açaí que choviam de lá de cima.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Oficina brincante de pintura

Foto: Priscila Mello
Agora Maternar e Brincar tem um espaço próprio, a Casa de Brincadeiras Maternar e Brincar. Agnes e eu fomos numa oficina de pintura que aconteceu no final da tarde. As fotos são da Priscila, mãe do Iuri e da Letícia. Pra mim, ela deu as fotos de presente.
Foto: Priscila Mello
Gabrielle organizou cinco brincadeiras de pintura no jardim:

1) produziu tintas a partir de farinha de trigo, água e corante alimentício que foram parar em bisnagas de catchup e mostarda que tem em lanchonete. As crianças podiam espremer a bisnaga e pintar ou no chão ou num painel com escova, rolo, vassourinha, desentupidor de pia.

2) Essa mesma tinta, sem a farinha, foi colocada dentro de luvas com furinhos. As crianças apertavam a luva e o chão ficava colorido.

3) Na parede oposta, de azulejo, as crianças puderam pintar com tinta guache armazenada no plástico que faz cubos de gelo usando pincéis de tamanhos diferentes, rolo e vassourinha.

4) A tinta caseira foi congelada em forminhas de coração, estrela etc. e palitinho de sorvete. A ideia era esperar o picolé de tinta derreter pra poder pintar, mas poucas crianças tiveram essa paciência. Vi um monte de criança com picolé de tinta na boca.

5) Uma lona branca foi esticada no gramado, as crianças foram aglomeradas ali e foram trazidas bexigas com tinta caseira dentro. Todo mundo ficou molhado e colorido.
Foto: Priscila Mello
Agnes não participou das duas últimas brincadeiras, porque tive receio da muvuca. Antes de tudo começar, eu já tinha observado que "criança não sabe lidar com criança". Isso é do meu ponto de vista, claro: Quando estavam na caixa de areia, logo a pazinha que Agnes usava para encher o balde de areia lhe foi tomada por uma criança maior. O que eu vi, de imediato, foi um garfo, que dei a ela. A areia não chegava até o balde, mas ela brincava. Daqui a pouco outra menina pega o balde e vira o seu conteúdo em cima da cabeça da Agnes.
Quando se tratava de brincar com as tintas, a posse dos instrumentos era muito mais importante que se divertir com as tintas. Eu percebi a Agnes irritada quando uma outra criança chegava perto dela.
Depois, pintando a parede com pincel e tinta guache, Agnes meteu o pincel carregado de tinta no cabelo de uma menina. A menina percebeu a Agnes quando eu briguei com ela. Agnes riu, a menina imitou a Agnes numa risada suja, forçada, esganiçada. Agnes achou aquilo estranho, mas se soltou completamente: passou a gargalhar, se melecar, procurar mais tinta em outro lugar, distanciar-se de mim para voltar.

Esperei que todas as crianças tomassem banho. Quando achei que era a nossa vez de encarar o chuveiro, tive a notícia de que a água tinha acabado. Entramos no carro coloridas. Depois de um tempo, Agnes enfiou os dois dedos de sempre na boca. Dois dedos cheios de tinta do tipo não caseira. Agnes, põe a mão no pé! Agora põe a mão na cabeça! Agora no joelho! Nariz! E assim chegamos em casa.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Dia das crianças


De presente de dia das crianças, Agnes ganhou uma ida ao banho. Apesar da água fria, fria, ela sorria e batia na água, e esticava os braços e se divertia sendo passada de mamãe pra papai pra mamãe pra papai. Brincava na areia e se atirava na água.
Aí pedimos nosso almoço e observamos a Agnes brincando com outra menina, mais ou menos da idade dela. A brincadeira não durou muito, porque Agnes percebeu que estava com fome.
Ela faz bem como o Simon's cat: aponta pra boca com o indicador.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Um termômetro!

Descobrimos logo que termômetros normais, do tipo que demoram no mínimo 3 minutos a dar um resultado, são uma tortura para Agnes. No Hospital, reparamos que se usa um termômetro que apenas é encostado na têmpora da pessoa e dá o resultado imediatamente. Decidimos ter um termômetro assim (infravermelho) e consegui achar um em farmácia.

Para que Agnes permitisse que medíssemos a temperatura dela colocando a ponta do termômetro na orelha, dizíamos que era o passarinho (porque quando se aperta o botão, ele faz um barulhinho) que ia conversar com ela. De tanto passarinho e botão e pip, acabou a pilha.

Fui no relojoeiro com o termômetro aberto, pra ele ver a pilha e perguntei se ele tinha dessas. Olhou, disse o número/medida da pilha e respondeu que tinha pilha. Trocou a pilha, fechou a tampa, virou o objeto e apertou o único botão. No visor apareceu a última temperatura medida:

36,8

Então ele entendeu que aquilo que ele segurava na mão era um termômetro.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Trilhares

Fiz esse videozinho agora, com material coletado antes. Hoje Agnes já anda e corre com bem mais segurança.

A trilha sonora é de Palavra Cantada, o nome da canção é Trilhares.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Oficina de Papel na Arirambas

Agnes e Luis saíram de casa meio sem café da manhã, com o carro lotado de galões de água, pratos, talhares, copos, bacias e baldes. Eu fui depois, de bicicleta.
Dizem que a gente nunca esquece como se anda de bicicleta, mas eu me senti reaprendendo tudo desde o momento que sentei no selim: essa é a altura correta? Pra diminuir a marcha da coroa uso o dedão ou indicador? Ih, errei na subida...
Quando cheguei naquela subidona da Rogério Weber, com o coração quase me saindo pela boca, lembrei de como era importante inclinar o corpo pra frente, interagir com a bicicleta distribuindo peso.
Depois que atravessei a ponte, veio o trecho em estrada de chão. Se as pernas já estavam sacudidas pelo esforço, agora era a vez dos braços formigarem de tanto tremerem.
Lago do Maravilha
A estrada de terra está muito boa, mas os abismos desbarrancados assustam um pouco.

O pessoal vem pescar nesse pedral
A boca do Maravilha, pouco antes de desaguar no Madeira
Demorei um pouco mais de uma hora pra chegar na casa do Jairo (Arirambas). O suadouro vem depois que a gente para. Durante a trajeto, tem vento na cara e eu nem senti que estava pedalando ao meio-dia.
A oficina de papel já tinha produzido diversos exemplares e Seone me guiou pelo processo (e pelos baldes e bacias em que há matéria-prima pronta pra virar papel).
Cida e Agnes

Jairo

Não dava mais tempo de participar da oficina, então registrei o que tinha sido produzido.
Damian com máscaras e chapéu de fibra de bananeira

Papéis expostos pra secarem


Luis contou que todos pararam pra ver Agnes brincando com as crianças e que foi muito bom ver como as crianças mais velhas que ela a protegiam (de quedas e outros embaraços) e cuidavam dela durante o corre-corre. Pena que eu não tinha chegado ainda.
Nos próximos dois sábados tem mais oficinas (biojoias e de articulação). A programação completa está aqui.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Mein Freund, der Baum

Damian e Jairo já subiram no coqueiro e tiraram cocos de lá - e Agnes olhando. Não é à toa que ela sabe falar "coco" e adora sentar aos seus pés pra cavocar a terra, coletar coquinhos, flores de coco e o que mais tem ali. Agora descobriu um assento na raíz.

Quando nós entramos nessa casa, dois anos atrás, esse coqueiro parecia morto. De tanto regar a terra e lhe dar atenção, nos retribuiu com muitos frutos. A água é meio passada, mas se deixar o coco secar, a gente tira a polpa branca e grossa.

Vamos brincar de quebra-cabeça?

 Funciona assim, mamãe: eu sento em cima do quebra-cabeça
 E você quebra a cabeça pra me tirar daqui sem chorar.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O Grito dos Excluídos

Gabriel e Agnes comendo pipocas FORA TEMER do MAB
O desfile de 7 de setembro tem uma outra dimensão em Porto Velho que em outros lugares do Brasil. Porque aqui, fronteira do país e Amazônia, a presença militar é forte, de modo que grande parte do público veio ver familiares desfilando. E notamos que as pessoas valorizam esse evento (quase tanto quanto o carnaval), porque o clima é de festa na cidade.

Chegamos 1 hora atrasados, ainda assim antes do começo do desfile. As bandeiras do MAB e os cartazes FORA TEMER estavam ali onde havia barulho. Movimentos sociais e igreja católica trouxeram por volta de 100 pessoas para frente do palanque das autoridades para performar o Grito dos Excluídos.
... a luta é todo dia!
Saímos antes do fim, para evitar o tumulto das multidões. Ao sairmos, a voz no microfone anunciava a parceria da Maçonaria e fez uma explicação e propaganda cheia de substantivos majestáticos (eu sei que isso não existe, mas foi assim que soaram "ética, moral e fraternidade"). Daí começaram a cair pingos de água do céu e nós ainda estávamos na altura das crianças das escolas que iam desfilar esperando pra entrar na avenida. A chuva foi engrossando e quando finalmente chegamos no carro, eu já estava ensopada.

Não sei o que aconteceu na Av. Imigrantes, mas desconfio que o desfile tenha sido interrompido pela chuva (e não pelo Grito dos Excluídos).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Natação para bebês

Procurei em muitas escolas de natação em Porto Velho. A maioria tem natação para crianças a partir dos 4 anos, só duas tinham natação para bebês. Dessas duas, só uma tinha piscina com água aquecida (mas o chuveiro é frio, então Agnes esperneia bastante).

Fui numa aula-teste sem a Agnes, pra acompanhar a turma com uma boneca de plástico. As atividades de movimentação na água são vinculadas a musiquinhas e a aula foi estressante pra mim, porque todos os bebês choraram muito.

Quando entrei com a Agnes na piscina, os bebês que tinham chorado na aula anterior faltaram. Só duas crianças tinham vindo e Agnes virou peixe. Foi uma ótima primeira aula: sem traumas, sem choro, só alegria. Mentira: ela chorou sim, mas foi na hora de sair da piscina.

Decidimos continuar com a natação - que é bem melhor que creche.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Aumentou a família

Dois filhotes e a mãe à direita, pra se ter uma ideia de tamanho
Os nossos porquinhos-da-índia (que apenas chamamos de "bichinhos") deram cria. Não sabemos bem quando eles nasceram, nem quantos eram originalmente. Reparamos que a porquinha (reconhecível pelas orelhas rosadas) estava gorda, devagar e comendo vorazmente, atrevendo-se a disputar a comida das galinhas e não se importando com a nossa proximidade. Aí apareceram esses três filhotes: um todo branco, que fecha os olhos vermelhos pra comer, outro quase todo preto e o terceiro mais branco que preto.
Os três filhotes
Mesmo que a gente alimente as galinhas primeiro, em lugar diferente, elas sempre gostam mais de passear em cima da comida dos porquinhos-da-índia e bicar as frutas deles. As galinhas parecem devotar a vida à procura de alimento.
As galinhas que comem tudo - o tempo todo

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

The long way home

Agnes conseguiu dormir em todas as viagens de avião, inclusive nesse bercinho acoplado à parede da cozinha do avião que cruzou o oceano. O berço era bem do tamanho dela e ela tinha pouco espaço para se virar, esticar e dobrar.

Ficamos muitíssimo aliviados ao saber que mesmo tendo sido comprados em separado, os voos de Bremen a Frankfurt e de Frankfurt a Guarulhos podiam ser conjugados. Isso significava então que as nossas malas foram despachadas em Bremen e não tiveram que ser resgatadas e despachadas em Frankfurt, mas seguiram direto pra GRU. Não era só a questão prática, mas também o tempo: tínhamos pouco tempo em Frankfurt e aquele aeroporto é imenso.

Em São Paulo pegamos (eu pela primeira vez) um Uber pra casa da Olga. Que viagem... O cara perguntou se eu sabia o caminho, eu disse Marginal Tietê, Pinheiros, Interlagos e sobe pro bairro. Ele decidiu seguir as instruções do GPS. Fomos margeando toda a periferia da Zona Leste, feia e sem verde, cheia de buracos e quebradas. Daí saímos em Diadema, margeamos a represa Billings e quando eu me localizei, porque lembrei do caminho que se fazia pra casa da Fini Polzer (que fazia o melhor Apfelstrudel de São Paulo), ele pegou outras curvas pra trás e demorou mais meia hora pra sair na rotatória do Hospital Pedreira. Cheguei dizendo pra Olga que trafegamos por caminhos que nem ela conhece.

Essa foi, pra nós, a pior viagem, porque estava claro que o motorista não sabia pra onde estava indo. Custou menos que o ônibus, mas demorou mais que o dobro.

Despedida da casa dos avós

Pouco antes de partirmos de Bruchhausen Vilsen, meus pais ainda tocaram música para Agnes. Minha mãe na clarineta, meu pai no violão, tocaram e cantaram algumas canções, dentre elas uma especial, que eles batizaram de "Canção para Agnes" (Du bist Du).

Deve ter contribuído para acalmar a menina, porque a viagem de volta foi bem tranquila.