domingo, 4 de dezembro de 2016

Bodas de couro

Foto: Mario Venere

Dois gaviões


Esse gavião pousou no pé de manga, ficou observando a Agnes no meu colo e foi-se embora pra outro lugar.
Agradeço ao zoom da câmera a oportunidade de ver de perto esse gavião que vejo sempre nessa antena/para-raios.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Quase temos uma carnívora...

Narcísio, meu amigo botânico me desiludiu. Eu achava que tínhamos uma carnívora em casa, até pensei em transplantá-la pra cozinha, onde tem muita mosca (especialmente agora, que é época de manga massa), mas não é. Trata-se mais de uma suculenta que de um cactus, mesmo assim é denominada cacto-estrela. Atrai mosca com seu cheiro de carniça, mas é porque a mosca é seu polinizador, não seu almoço.

A flor do quiabo


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Meninos machos

O casal de quero-queros que habita a área comum dessas bandas de cá conseguiu trazer ao mundo um filhote. Luis e eu comemoramos o fato, dois dos guardas que fazem a ronda de moto pelo condomínio também. Mas de tarde vimos o filho do vizinho tentando pegar o filhote. Luis estava com a Agnes no colo quando viu. Saí de casa em direção ao menino sem pensar no que dizer. Parei na altura dele, ele parou. Levantou e saiu duro, sem olhar pra lado nenhum.

*   *   *

Depois da chuva, fui passear com Agnes no sling. Quando passei pela quadra, fiquei horrorizada com o que vi e ouvi. Uns oito adolescentes com a bola de basquete vociferavam palavrões e faziam gestos obscenos uns para os outros. Se Agnes quisesse aprender palavrões (e diversos usos) relacionados ao pênis e ânus, aquela era a melhor ocasião.

*   *   *

Luis anda ouvindo podcasts da Rita Laura Segato sobre feminicídio (causar a morte de mulheres) e estupros. Segundo a professora, o estupro (principalmente o coletivo) tem menos a ver com prazer sexual e mais a ver com autoafirmação diante dos outros machos. Quanto mais jovem o estuprador, mais cruel é o ato, porque mais ele precisa ser aceito como macho pelos outros.

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Por um lado tenho pena da Agnes ter tão pouca interação com outras pessoas. Por outro, temo jogá-la aos leões. Ainda mais quando se trata dos moradores de condomínio. Percebo que são crianças cujos pais trabalham muito e pouco acompanham os filhos. É como se as crianças se espelhassem umas nas outras, sem desenvolver a capacidade de se ver de fora. Onde estão os pais do menino que não sabe valorizar o filhote recém-nascido? Onde estão os pais dos meninos que se destratam em alto e bom som? Esses meninos não precisam de pais, eles se bastam enquanto bando.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ah sim, independente

Agnes pensa que desmamou. O que ela não sabe é que dou de mamar depois que ela adormece. Então ela continua mamando - mas não percebe. Porque quando ela vê o meu peito, ela quer morder e apertar. E isso dói. Deixa ela achar que desmamou.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Começou a temporada

 O pé de manga massa está nos oferecendo algumas mangas por dia. Agnes gosta delas geladinhas.


domingo, 6 de novembro de 2016

Os brinquedos da Agnes


Eu não tive patinho na minha infância, então quis dar um pra ela. Mas ele se transformou de ontem pra hoje.
Também não tive bonecas de plástico. Talvez também não tenha tido chupetas. Agora Agnes não precisa mais de chupeta, afinal ela tem dois dedos que estão sempre aí e não caem no chão.

O sapinho é muito duro e fazia musiquinhas e sons eletrônicos. Tiramos as pilhas e Luis vestiu o vestido da boneca. O cachorrinho roxo acompanhava a boneca.

O cavalo sempre foi muito grande pra Agnes, então ele vivia desmembrado. Agora deu uma completada em cada parte.

Desmame ou greve de peito

Bem uma semana atrás, para marcar o dia do Servidor Público, Agnes resolveu morder o meu peito. Como dói pra caramba, eu tirava o peito e ralhava com ela. Ela chorava. Se eu fingia que não doía, porque afinal eu queria que ela mamasse, ela mordia, olhava pra mim, sorria, mordia de novo e puxava o bico do peito.

Pedi socorro no grupo de mães do qual participo pelo Whatsapp: como eu faço pra ela entender que não é pra morder, mas pra mamar? Elas disseram que tinha que ser firme. Aí Agnes chorava. Outra alertou que poderia ser simplesmente uma greve de peito que, em função da erupção dos dentes, dura uns dias e depois passa.

Fui tirando leite, congelando e dando pra ela. Passou uma semana e a greve - se é que ela começou tão cedo no movimento, antes até mesmo de nós, professores - não passou. Mordia e sorria, mordia e chorava, jogava a cabeça pra trás. Só mamava tranquilamente quando estava pingando de sono, e mesmo assim era num peito só. Entrei em crise. Ela está desmamando aos seis meses, eu queria dar peito até os dois anos, isso é a minha segunda cesária!

Instalou-se o conflito em casa, porque o pai dela achava mais seguro ter uma latinha de leite na dispensa, pro caso de não ter leite do peito. De fato passei a tirar menos leite, mas como eu sou cabeça dura, não queria saber nem de leite de fórmula nem de mamadeira.

Ontem compramos uma mamadeira que desmonta embaixo, esteriliza sozinha no microondas, tem bico com uma textura interessante e ventosas embaixo, facilitando fluxo contínuo. Mamadeira high tech. Enquanto eu esperava a moça do caixa fechar a conta, achei bicos de silicone. Minha mãe tinha falado deles antes mesmo da Agnes nascer e eu tinha achado a coisa mais esquisita do mundo colocar um plástico entre o peito e a criança. Mas como ela tava mordendo, resolvemos tentar. Bota mais esse aí, passa a régua e fecha conta, moça.

Tem vezes que ela não quer mamar mesmo, daí ela morde o silicone e balança a cabeça com o silicone na boca. Mas tem mais vezes em que dá certo.
Bico de silicone



sábado, 29 de outubro de 2016

Mãe, eu quero brócolis!

É uma delícia ver Agnes comendo com as mãos

domingo, 23 de outubro de 2016

Rotina

Quebras na rotina da Agnes, nossa bebê de seis meses, têm efeitos sobre o sono, os sonhos e agora o intestino.
Quando Marcão esteve nos visitando, Agnes passou a dormir cada vez mais tarde. Quando a gente conseguia fazer ela dormir no horário regular, ela acordava 15 vezes até chegar a hora em que ela tinha adormecido no dia anterior. Depois que Marcão foi embora, ela ainda demorou uma semana pra voltar a dormir (e continuar dormindo) no horário de sempre. A visita do Marcão foi ótima, mas teve esse efeito colateral.

Ontem e hoje passamos grande parte do dia no carro e Agnes usando fraldas descartáveis. Só fez xixi durante todo o tempo que estivemos fora de casa. E como tudo era novidade, não queria mamar também. Não pediu peito nenhuma vez e pior: recusava quando eu tentava oferecer os peitos duros de tão cheios. Foi só chegar em casa e resolveu. Em casa tem fraldas de pano, tem lugar certo pra mamar, tem hora pra mamar e pra dormir.

Mas os sonhos a fazem gritar e chorar. E isso acontece quando a rotina dela é quebrada. 

Guajará-Mirim

Lamentei muito a falta de um zoom decente nessa máquina fotográfica. Do outro lado do rio está Guayaramerín, na Bolívia. Poderíamos ter pego uma embarcação para atravessar o Mamoré, entrado na fila pra trocar dinheiro, pego um bicitaxi e almoçado saltenha na Bolívia. Mas entendemos que demoraria muito e viajar com uma criança de 6 meses exige uma logística e um tempo diferenciados. E tinha saltenha onde estávamos, no porto, em Guajará-Mirim.
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré tinha como propósito transportar borracha boliviana a partir de Guajará-Mirim até Porto Velho. Trata-se de uma obra estadunidense. Metade dos trabalhadores que fizeram a ferrovia morreram (principalmente de malária) durante a obra. A Maria Fumaça fez poucas viagens por causa do mercado da borracha (de repente não valia mais a pena fazer a mercadoria percorrer esse caminho, porque a borracha havia se tornado abundante e barata). Retratos dessa história podem ser vislumbrados na leitura de Mad Maria (tanto a série como o romance), Ferrovia do diabo e Trem fantasma.

Mais assombroso que o intento da empreitada, o número de mortos ou as variações do mercado é o abandono que se observa em volta da estrada de ferro. Na foto abaixo, os trilhos estão escondidos na grama.
Recentemente tivemos visita de um historiador aqui em casa. Numa manhã, Marcão foi a pé do cemitério da Candelária até a praça Madeira-Mamoré em Porto Velho. Não tinha cemitério aos olhos dele, mas mato. Quis seguir pelos trilhos até o centro de Porto Velho, mas os trilhos acabaram, porque partes do bairro Triângulo desbarrancaram, engolindo os trilhos. Chegou no galpão da praça Madeira-Mamoré achando que encontraria um museu e se deparou com barraquinhas de artesanato. A história dessa ferrovia está sendo abandonada e alienada do povo que vive onde ela existiu.

Pakaas

Vieram dedetizar a nossa casa porque estava precisando. Enquanto Luis supervisionava o serviço (e ajudava a matar barata), Agnes e eu tomamos café da manhã na casa do Narcísio. Ele ficou bem feliz com a visita, até trocou a fralda da menina por livre e espontânea vontade. Daí Luis veio nos buscar e atravessamos o estado de Rondônia em direção a oeste. Pasto, boi, vegetação morta por afogamento e/ou fogo formavam a paisagem. Sempre com o rio Madeira à direita, seguimos pela BR 364 até quase Abunã, pegamos a BR 425 que acompanha a curva do Madeira, entramos em Guajará-Mirim e pegamos a RO 370 até acharmos que a gasolina ia acabar. 

No primeiro trecho, pela BR 364, passamos pelas duas usinas instaladas no rio Madeira, portanto o linhão era uma imagem constante. Eu já conhecia esse trajeto, porque eu já tinha acompanhado o meu marido até a usina de Santo Antônio, Jacy-Paraná, Nova Mutum-Paraná (a company-town da usina), a usina Jirau, Vila Jirau (onde os reassentados de Mutum-Paraná se firmaram depois de desistirem de viver em Nova Mutum-Paraná) e Mutum-Paraná (extinta e onde Nicinha foi assassinada. Tem uma cruz branca lá lembrando). Tivemos sol e chuva no caminho, inclusive aquaplanagens. Parece que aqui, onde a água é abundante, não sabem lidar com ela.

O resto da viagem foi pra mim em terras desconhecidas. A BR 425 está parcialmente recapeada e sem sinalização, a RO 370 está parcialmente pavimentada (muitos buracos onde tem asfalto e também onde não tem asfalto). Narcísio tinha garantido que haveria placas até o nosso destino final, mas a realidade não foi bem assim. Por sorte ele tinha me mostrado que antes do estádio em Guajará é pra virar à esquerda - e eu lembrei disso quando chegamos lá. Perguntamos para várias pessoas onde era o Hotel Pakaas, porque não acreditávamos que fosse tão longe e que não tivesse placa indicando. Quando finalmente apareceu algo similar a um portão com uma grande placa anunciando o hotel Pakaas, veio a absurda sensação de estar sendo enganado: à 6km - e o problema maior não era a crase. A estrada de chão que se estendia à nossa frente estava densamente ocupada por bois, vacas e bezerros. E a gasolina se acabando.

Na manhã seguinte fomos premiados com o espetáculo do sol nascendo no rio Pacaás Novos. O hotel fica de frente pro encontro das águas (de cores diferentes).
Pacaás escuro, Mamoré mais barrento, ambos seguindo para a direita.
Essa foto é um parêntese na sequência da alvorada. Do outro lado é Bolívia.


Quando Luis se hospedou no Pakaas muitos anos atrás, ficou num quarto no hotel. Parece que hoje não há mais quartos, mas chalés em palafitas (não se caminha no chão).
É uma pena que a manutenção das madeiras e telas seja tão dificultosa (de noite, ao redor das lâmpadas, tem um universo inteiro semovente de insetos variados, por isso as telas), porque a ideia e arquitetura são empolgantes.
E quem olhar no mapa, vai ver que o rio Mamoré, que faz a divisa com a Bolívia, beira o hotel Pakaas. Juntamente com o rio Madre de Dios, o Mamoré forma o rio Madeira (quando os dois se juntam, o resultado é o Madeira). Saímos de Porto Velho, às margens do rio Madeira, atravessamos o estado acompanhando o Madeira e chegamos no rio que desemboca no Madeira.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Na mesa

Agnes come fruta no café da manhã e legumes cozidos amassados no almoço. Até hoje de manhã ela sempre comia no bebê conforto - que já está cheio de formigas.

Compramos uma cadeirinha que é acoplada na nossa mesa ao invés de um cadeirão para bebês. Assim Agnes tem a sensação de estar sentada na mesa com a gente.

domingo, 16 de outubro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Banho de piscina

Depois da última vez que a gente levou Agnes no pediatra (65 cm e 7,8 kg, desenvolvimento normal, dentes precoces e possível alergia a leite de vaca), era pra termos emendado a vacina de pneumo que está atrasada. Ao invés de ir no posto, fomos na loja de brinquedos e compramos essa piscininha pra ela.

Daí hoje ela tomou banho de sol e de água fria (coitadinha) ao mesmo tempo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Agnes me dá superpoderes

Além de ser capaz de dormir menos horas que antes (na minha vida sem ela), aguento longos períodos sem ir ao banheiro ou tomar banho. O superpoder mais recente que ela me deu foi o da invisibilidade. Posso contar nos dedos as pessoas que repararam que cortei o cabelo quando me viram com ela. As pessoas que me viram sem ela perceberam. E as que perceberam que o meu visual atrás da Agnes tinha mudado foram elogiadas - constrangendo aqueles que não tinham reparado.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os dentes


Dois dentes na arcada inferior já estão visíveis. E quando ela morde meus dedos, dói mais que quando Mustafá me mordia. Mustafá sabia que era brincadeira. Agnes morde pra aliviar a própria dor dos dentes.
Mustafá

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Suco de caju furado


Todo dia colhemos caju dos nossos dois cajueiros

O melhor suco não é batido, mas espremido. Para tanto, o garfo faz furinhos na pele do caju.

Caju é praticamente suco com uma pele em volta!

domingo, 25 de setembro de 2016

Despedida de Gramado

Luis veio nos buscar em Gramado e a melhor forma de nos despedirmos da família e do frio foi no Serra Grill (só pra manter a rima).
Helena e Agnes

Dieter e Denise

Gerhard
Denise, Luis e Agnes
Agnes Maria e Marie Agnes

sábado, 24 de setembro de 2016

Frio em Gramado

Ruth e Agnes na loja de roupas para bebês
As piores partes da nossa estada em Gramado se resumem aos momentos em que Agnes ficava exposta ao frio: as trocas de roupa (especialmente de manhã) e depois do banho, depois de sair da banheira e antes de secar na toalha. Ela tremia e chorava e esperneava de frio.

Ruth me levou numa loja de roupa de criança e dei um banho de loja na menina. Comprei roupas de frio que eu não acharia em Porto Velho. Escolhi números maiores que ela, pra que durem até a nossa próxima grande viagem, no fim do ano.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Rosélia

Helena (quase 7 anos, filha do Dieter e da Denise), Agnes e eu fomos passear no jardim dos vizinhos.
- Sabe como chama essa flor, Helena?
- Rosa.
- Não, rosa não dá em árvore. Isso é uma camélia.
- Vamo levar uma camélia pra minha vó? Acho que ela vai gostar.
- Vamo, pega essa aqui.

Mais adiante:

- E essa flor aí, Helena, como chama?
- Não sei.
- É igual essa que você tem na mão, mas só que branca.
- Ah! Rosélia!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Kleppa Novoa e o velho Kleppa

Agnes e Harro
Fomos visitar Harro no asilo. Ficou contente em conhecer a neta e ficou com vontade de nos visitar num clima quente.

A última vez que eu tinha telefonado com ele, anunciei nossa ida.
- Vocês, quem?
- Agnes e eu.
(murmurou)
- Marie Agnes, Agnes.
(exclamou)
- A pequena Agnes!

Se é Alzheimer, eu não sei. Toda vez pergunta onde eu moro e quem é o Luis, mas lembrou que a filha que eu tava esperando (conversei mais com ele quando tava grávida) se chama Agnes Maria.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Primeira grande viagem

Pela primeira vez, viajamos com a nossa pequena Agnes de taxi, avião e ônibus. Em Porto Alegre nos separamos: Luis seguiu pra Chapecó, onde participa (e também organizou) do IV Encontro Internacional de Ciências Sociais e Barragens e eu segui com a menina pra Gramado.   
Pela primeira vez na vida Agnes sentiu frio (trocar fralda e tomar banho agora são processos muito mais ágeis e conto com a ajuda dela!), viu um gato e conheceu a avó de 97 anos. Todos aqui estão encantados com a menina. Tudo é diferente, mas Agnes é curiosa e está levando bem a mudança de casa, clima e pessoas.