domingo, 29 de maio de 2016

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Banco de Leite

Ainda na maternidade, no alojamento conjunto, havia uma moça, Soraya, que todo dia drenava 2 copos de leite. Ela foi a única que não teve problema algum com a amamentação (o bebê da Kelly não mamava, Stefamilly tinha os bicos fissurados, Sulemir e eu ficamos com o leite empedrado). Soraya não só era mãe do terceiro filho, mas também já tinha sido doadora de leite. Ela nos ensinou a tirar leite, mas os nossos problemas eram outros. Eu, pelo menos, precisava primeiro de massagem pra desempedrar o leite. E quando apertava pra tirar leite, saíam umas gotinhas de colostro bem amarelo.

Agora Agnes Maria passou a engasgar cada vez mais. Começava mamando normal, tranquila, com a pega correta, mas mais pro final se rebelava: mordia, puxava, apertava o peito com as mãos, soltava chorando, engasgava e tossia. Fora isso o nariz dela entupiu e ela fazia barulho de porquinho quando respirava pelo nariz. Dormir e mamar ficaram complicados.

Decidimos procurar ajuda profissional. Uma das orientações que toda mulher recebe ao sair da maternidade municipal é dirigir-se ao Banco de Leite (que fica no Hospital de Base. Uns 10 anos atrás, quando não existia a maternidade municipal, os partos pelo SUS era feitos no HB). Não se trata apenas de doar ou receber leite, mas de receber atendimento e informação.

Com um mês e meio, 56 cm de comprimento e pesando 4,8kg, Agnes parecia ser o bebê mais velho na sala de espera. Quando relatei os engasgos e desesperos dela, as atendentes suspeitaram que eu tinha boa produção de leite. Uma enfermeira pediu pra eu colocar Agnes no peito e observou como ela mama. Depois me mostrou como tirar leite.
- Pega assim, aqui, com esses dois dedos, agora aperta assim e pronto: chuveirinho!!
Caramba, e não é que o leite saía de chuveirinho mesmo? Em jatos para direções diferentes, impressionante. Eu nunca tinha suspeitado que tivesse leite demais e precisasse tirar leite pra minha filha mamar tranquilamente.

Me perguntaram se eu queria ser doadora. Eles entregam os frascos esterilizados e uma vez por semana alguém vem em casa para buscar. Achei fantástico e me sinto na obrigação de doar mesmo. Disse que primeiro eu queria aprender a ordenhar esse leite direito. Por enquanto estou treinando e percebendo que a produção de leite aumentou ainda mais. Desse jeito, chego fácil fácil nos dois copos de leite da Soraya. Pena que o processo todo não é indolor... mas talvez só esteja desconfortável no começo, que ainda estou pegando o jeito.

Depois de aprender a tirar leite, ainda passamos na pediatra. É preciso elogiar a qualidade do atendimento que recebemos pelo SUS e o comprometimento desse pessoal com o bem-estar da mãe e do bebê. Tanto na maternidade como no Banco de Leite. Já passamos em 2 pediatras pelo plano de saúde, e comparando com a pediatra do Banco de Leite, eu diria que uma diferença básica está no tempo: pelo plano, somos atendidos em 5 minutos (depois de horas de espera), ao passo que no SUS a orientação geral parece ser "o tempo que for necessário". E essa tranquilidade faz toda diferença e dá segurança.

domingo, 22 de maio de 2016

Slingue

Foto: Luis
Quando a Helena (do Grupo Araripe) me disse que tinha slingue modelo wrap para recém-nascidos, fiquei levemente preocupada: será que eu vou saber amarrar isso? Eu te ensino, ela disse.
De fato, ela mostrou como se cruza o tecido de 5m nas costas e na frente e como se encaixa a criança no tecido (ela usou uma boneca). Daí eu tive a oportunidade de mostrar que eu tinha entendido tudo e coloquei a Agnes no slingue. É como estar grávida de novo, mas o peso fica mais em cima.
Foto: Luis
O slingue esquenta, então é melhor usar de noite, quando o ar condicionado está ligado, ou de manhãzinha, quando tem uma brisazinha lá fora. As vantagens são muitas: dá pra fazer um monte coisas com as duas mãos livres, tipo comer, estender a roupa no varal etc. e ela dorme muito tranquilamente quando grudada no corpo. Além de dormir bem, dorme mais e acorda bem disposta.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Um mês

Hoje, 16 de maio, comemoramos o primeiro mês de vida da nossa filha.
Agora ela já ajuda a tirar a roupa (os braços, pelo menos, fazem o movimento de sair das mangas), toma banho de chuveiro e aprendemos a evitar jatos de cocô em cima de nós e do resto da paisagem em volta. 
Ela já demonstrava força nas pernas e nos braços antes, quando escalava o Luis. Agora o pescoço dela está ficando mais firme.
Cada dia é diferente, mas de noite ela mantém um ritmo de dormir por 3 horas.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Agora somos três

Minha mãe e minha tia chegaram bem antes da Agnes nascer. Quando eu ainda estava grávida, elas se ocuparam com coisas que elas partilham: montaram um quebra-cabeça de muitas peças, jogaram paciência no computador e passaram a limpo (uma decifrava e ditava, a outra digitava) as cartas trocadas entre o meu avô e minha avó desde antes da Guerra. Ambos os pais delas escreviam numa caligrafia que Ulla teve que estudar primeiro. Catapultadas para o passado, esperavam a chegada da Agnes.
Eu no fim dos 9 meses. Agnes veio com 40 semanas e 5 dias. Foto: Karin Rosenbaum

Então Ulla passou a última semana no Brasil em Gramado, com a minha avó e mais dois irmãos. Ela foi justo quando aquela frente fria castigou o sul com temperaturas bem baixas. Aqui, quando a frente fria chegou, tivemos dias frescos e minha mãe pôde vivenciar um clima extraordinário em Porto Velho.
Dia 30, sábado, minha mãe se encontrou com Ulla no aeroporto de Guarulhos (foi uma aventura envolvendo uma triangulação telefônica e muita sorte) e as duas voltaram para casa. Meu pai tinha ficado um mês sozinho...

No tempo em que ficaram aqui, elas me ajudaram muito com a Agnes e com a casa. Assim que cheguei da maternidade, ainda me recuperando da cirurgia e com pouca mobilidade, tive a maior crise emocional. Psicólogos dirão que voltei à minha infância, e foi bom ter a minha mãe aqui, pra me falar da minha infância.

Agora somos só nós três. Luis é um pai muito participativo e fazemos quase tudo juntos. Agnes adora dormir no colo dele, balançar na cadeira com ele e temos a impressão de que ela já nos ajuda com a roupa (que até agora foi sempre o maior terror dela: botar roupa. Maior que tomar banho!).
Foto: Karin Rosenbaum
Agora ela já fica mais tempo acordada, olhando o mundo. Eu ainda não consigo fazê-la arrotar e gradualmente tenho andado mais com ela. Quando ela dorme e não tem muita fralda pra lavar, a gente dorme também, ou cuida das nossas coisas (licença maternidade, migração de plano de saúde, revisão de artigo).

A vida do Luis continua seguindo aquela linha, só que agora com a sobreposição de mais duas: virou Chefe de Departamento e pai. A minha vida tomou outro rumo. Não sou mais professora, não vou mais ao supermercado, não dirijo mais etc. No futuro, vou retomar a linha que estou deixando agora e, como o Luis, seguirei duas linhas sobrepostas: mãe e profissional.
Foto: Karin Rosenbaum