segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Gris

Gris foi o nome escolhido para o/a nosso/a coelho/a. Gris é traduzido como cinza do espanhol e do francês, é neutro, curto e não parece grego nem alemão. Agradeço a Fernanda Perim pela sugestão (dentre tantas outras).
Agnes empolgada com Gris
Se tivermos outro coelho, vai ser branco e vai se chamar Gavagai.
Gris em pé

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Em busca de um nome para o coelho

A gaiola custava quase 10 vezes mais que o coelho, então compramos só o coelho e o deixamos no jardim. Nos primeiros três dias seguidos aqui em casa, choveu direto e o coelho se escondeu embaixo da citronela. Quando ele cansou de viver assim, deu a volta na casa e se alojou na casinha do gás, entre potes de planta e restos de projetos.

O coelhinho cabe na palma da minha mão e ainda não investigamos o que ele tem entre as pernas. Mesmo sem saber se é menino ou menina, precisamos de um nome pra ele. Toda empolgada em usar uma referência da Linguística, sugeri Gavagai.

Ok. Pra quem não conhece a história, aqui vai: um linguista e um falante de uma língua nativa que o linguista está empenhado em descrever estão sentados num tronco na floresta quando passa um coelho branco. O informante exclama "gavagai" e o linguista anota em seu bloquinho que a tradução da palavra "gavagai" é "coelho branco". Esse é o problema da indeterminação da língua de modo geral e da tradução. O linguista não sabe o que significa "gavagai". Pode ser "cuidado", "fugiu", "perdi a oportunidade", "comida" e tantas outras coisas. Esse é um exemplo do Quine, bastante corrente na Linguística. Quando Rajagopalan (indiano) nos contou esse exemplo numa aula de Pragmática, ele disse: no meu país, vacas são deidades. Por que gavagai não poderia, então, referir a Deus?

Luis não gostou e justificou a impossibilidade de adotarmos esse nome porque "o coelho dessa história é branco, o nosso é cinza". Mas como ele não ofereceu nenhuma alternativa, saí perguntando prum monte de gente pelo whatsapp que nome dariam.

Um me informou que "gavagai" e "coelho" são sinônimos, portanto não há nada de errado com essa escolha. Outra respondeu que "gavagai" pode ser "coelho" apenas, sem especificar a cor. Foi sugerido
  • Copas, em referência à Alice no País das Maravilhas,  
  • Morel, referindo ao Dr. Morel de Bioy Casares (o que eu achei interessante, já que pensei em Sombra ou Fantasma, porque o coelho dá umas sumidas)
  • Foca, pra confundir as pessoas
  • Paulo Coelho ou Christian Grey (mas essa opção eu não vou considerar)
  • Subcomandante Marcos ou Zapata (mas eu acho Bakunin mais legal)
  • Cartola (eu achava que a Heloisa, que estuda animais na literatura tivesse algum nome de personagem na manga, mas saiu Cartola)
  • Leleco (aí eu perguntei se era esse o nome do personagem de um conto do Murilo Rubião e a resposta foi que não, que esse é Teleco, mas que nome de coelho de criança tem que ser Leleco. Sugestão da Cynthia, que me apresentou Murilo Rubião)
Ainda não definimos o nome. Quem quiser ajudar, sinta-se à vontade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Despedida da Nicinha

No começo deste ano fomos notificados do desaparecimento da Nicinha, liderança do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Nicinha e outros desenraizados de Abunã pelo reservatório de Jirau estavam acampados em Mutum-Paraná, que um dia foi cidade.

Nossa primeira suspeita foi de que a Jirau tinha mandado silenciar uma voz ativa que incomodava. Com as investigações, foi-se descobrindo que uma outra família de acampados tramou o assassinato e escondeu o corpo. Um homem foi preso, fugiu, foi encontrado e preso no Acre.

No meio do ano, um corpo foi encontrado no reservatório da Jirau. Agora no fim do ano, o corpo foi reconhecido como sendo da Nicinha. Hoje teve a cerimônia de despedida na Igrejinha de Santo Antônio, de frente pra usina de Santo Antônio. O bispo celebrou a missa e muitas pessoas se fizeram presentes: os familiares da Nicinha, o MAB, a UNIR e amigos. No meio de tanta gente, o que eu senti foi a solidão do Ney, o companheiro dela, que sentou no chão, de frente pra caixa com os restos mortais dela e não controlou o choro. E todos nós choramos com ele.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

8 meses

Agora Agnes voltou para a curva normal de crescimento. Todos perguntam se engatinha, ou se já está "gateando", mas a resposta é negativa. Ela se vira e revolve, mas não descobriu ainda pra que servem os joelhos.

domingo, 11 de dezembro de 2016

O pequeno bem-te-vi

Luis e Agnes saíram cedo pra comprar pão. Na volta, tinha um filhote de bem-te-vi no meio da rua, que Luis recolheu. Uma das patas parecia estar lesada e pensamos que ele tinha quebrado o pé quando tentou voar e caiu. Se mexia pouco e não piava.

Ouvimos bem-te-vis lá fora e Luis colocou a caixa com o filhote de passarinho de frente pra mangueira. Depois de um tempo, o filhote começou a chamar e se pôs de pé. E apareceram muitos bem-te-vis, atendendo o chamado. E o gavião de olho. Luis escondeu o filhote no pé de manga e observamos casais de bem-te-vi entrando e saindo da mangueira.
Terminamos o café, cuidei da louça e fui olhar o passarinho. Não tava mais na mangueira. Tava no pé de acerola. Como foi parar lá? Confiei que tivesse aprendido a voar e quando voltei a olhar o pé de acerola, não vi mais o filhote.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Bodas de couro

Foto: Mario Venere

Dois gaviões


Esse gavião pousou no pé de manga, ficou observando a Agnes no meu colo e foi-se embora pra outro lugar.
Agradeço ao zoom da câmera a oportunidade de ver de perto esse gavião que vejo sempre nessa antena/para-raios.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Quase temos uma carnívora...

Narcísio, meu amigo botânico me desiludiu. Eu achava que tínhamos uma carnívora em casa, até pensei em transplantá-la pra cozinha, onde tem muita mosca (especialmente agora, que é época de manga massa), mas não é. Trata-se mais de uma suculenta que de um cactus, mesmo assim é denominada cacto-estrela. Atrai mosca com seu cheiro de carniça, mas é porque a mosca é seu polinizador, não seu almoço.

A flor do quiabo