segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Araripe - Grupo de apoio ao parto

Sábado passado fui pela primeira vez no Araripe. Gostei de participar da roda de gestantes e palestra conduzida por doulas. Bom saber que há doulas em Porto Velho, que elas conhecem os obstetras, maternidades e procedimentos.
Agora estou com 34 semanas e tenho pena de ter descoberto esse grupo tão tarde - e a hidroginástica também...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

8 meses!

Entrei no oitavo mês de gestação (32 semanas). Agora, que a barriga está visível (e os movimentos da pequena Agnes Maria também, porque quando ela mexe, o formato da barriga se transforma), aquela bolha de 1m que havia em volta de mim deixou de existir. As pessoas (mulheres), mesmo desconhecidas, tocam a minha barriga, acariciam, fazem perguntas: "é menina, não é?", "quando vai nascer?" 
O umbigo virou do contrário e a balança me diz que engordei 15 kg desde o início da gravidez, mas as pessoas não acham que engordei muito. As unhas crescem numa velocidade enorme, o sangue circula mais rápido. Meu eixo de equilíbrio mudou: quando fico um dia sem caminhar, demora para eu encontrar esse eixo de novo, mas quando caminho todo dia, o corpo ainda lembra.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Suspeita de zika vírus

As manchinhas vermelhas na barriga começaram a aparecer no sábado (30/01). Uma aqui outra lá, bem fraquinhas. Não dei muita bola: podia ser o calor, podia ser o creme contra estrias que passo na barriga, podia ser alguma coisa que eu comi.

No dia anterior, eu tinha ido numa nova obstetra pra conversar sobre parto, já que o meu obstetra não faz parto pelo plano. Descobri que a situação obstétrica de Porto Velho é mais grave que eu imaginava. Somente a maternidade municipal e o hospital da Unimed têm equipe plantonista - anestesista, pediatra, obstetra - o que seria necessário em caso de parto normal. A maternidade credenciada no meu plano de saúde (GEAP) tem UTI neonatal (para prematuros), mas apenas uma obstetra plantonista: não tem anestesista ou pediatra de plantão e suspeitam que a obstetra plantonista não dorme porque atende todo mundo. Mas esse parágrafo só serviu para explicar quem são as obstetras pras quais liguei no parágrafo a seguir.

No domingo (31/01), as bolinhas vermelhas na minha barriga se multiplicaram e passaram também para as costas. Não coçava, nem eu tinha febre, mas eu sentia dor na base do crânio (atrás, do lado esquerdo). Como eu tento sempre dormir e deitar do lado esquerdo, este lado em geral apresentava mais bolinhas vermelhas e talvez seja a explicação pra dor na cabeça. Percebi também que as bolinhas eram sensíveis a calor: quanto mais calor, mais salientes eram. Liguei pra nova obstetra, perguntando o que podia ser. Ela disse que manchas vermelhas no corpo de grávida "é normal". Eu acreditei (ela é obstetra, eu nunca estive grávida antes), mas meu marido insistiu numa segunda opinião. Liguei pra obstetra plantonista da maternidade, que já foi minha obstetra. Ela disse que manchas vermelhas podiam ser muita coisa, e que daria pra detectar alguma coisa pelo hemograma. Mandei whatsapp com foto da minha barriga e costas para a secretária do meu obstetra, mas ela nem viu no fim de semana. Conversando com os meus pais por Skype, levantamos a hipótese de haver relação com a vacina tríplice (tétano, difteria e coqueluche) que eu tinha tomado 2 dias antes das manchas vermelhas aparecerem.

Na segunda-feira (01/02) fui em jejum no meu obstetra. Pedi pra ser encaixada com urgência, mostrei a barriga pra secretária e entrei no consultório. Eu tinha manchas vermelhas no corpo todo, como se tivesse sarampo, estava com um olho vermelho, a dor na base do crânio persistia, apesar de ter enfraquecido, e as mãos estavam tão inchadas que doía para abrir e fechá-las. A temperatura tinha subido para 37, mas as manchas não coçavam. Meu obstetra disse que zika virus era muito raro em Rondônia, que se fosse virose, eu teria mais febre, coriza, dor no corpo. Disse que é pouco provável que o bebê tenha microcefalia, porque um feto de 29/ 30 semanas não está mais em formação, como é o caso de fetos no primeiro trimestre. E se for zika mesmo, o bebê já está infectado, porque o ciclo do vírus é bastante curto; e adiantar o parto não seria uma boa ideia, porque aí se tem um prematuro. Em relação a zika, a única coisa que se pode fazer é o diagnóstico, e ele não soube dizer onde faz. Não descartou a possibilidade de alergia (por exemplo à vacina) e receitou um antialérgico especial para grávidas. Pediu também hemograma e IgE, que eu fui fazer imediatamente.

De tarde, o resultado dos exames mostrou que o meu sistema imunológico estava fraco. Luis decidiu que era hora de procurarmos especialistas não em gestação, porque as respostas sempre eram pouco conclusivas, mas em doenças tropicais. Não sei retraçar o percurso de telefonemas realizados por ele, mas meu marido chegou à resposta de que a Policlínica Ana Adelaide tinha kit para testar zika virus (além de dengue e chikungunya). Quando chegamos, por volta de 13h30, a sala de espera estava lotada e parecia não haver sistema de prioridade para gestantes. Enquanto eu esperava para ser chamada, Luis foi entender como funciona o local. Num prédio, onde estavam as pessoas esperando, o médico atende ou encaminha as pessoas. No outro bloco, estava o laboratório onde são coletadas e analisadas amostras de sangue. Mas para chegar no laboratório, eu precisava passar pelo médico (assim como todas aquelas outras pessoas também).

Fui logo chamada para a triagem de risco, e me surpreendeu que a minha pressão e temperatura estivessem normais. Demorou para eu ser chamada para ser atendida pelo médico e teria demorado mais se Luis não tivesse interferido. Enquanto esperávamos, entrou um sujeito usando camiseta da Rede TV filmando a sala de espera com o celular. Perguntou quem tinha ligado para ele pra reclamar da superlotação no Ana Adelaide e aos poucos as pessoas foram dando seus depoimentos de que havia apenas 1 médico ali e já estavam esperando desde a manhã e não tinham almoçado.

O que a gente ouvia das pessoas na sala de espera era que estavam com febre, manchas vermelhas, coceira e suspeita de dengue. Na maioria, eram as mulheres e crianças que apresentavam essas queixas. Luis explicou ao rapaz da TV que provavelmente estávamos testemunhando um surto de dengue ou zika e que o sistema público de saúde não estava preparado para atender a demanda.

O médico que me atendeu disse que já tinha atendido mais ou menos 40 pessoas e que metade delas tinha os mesmos sintomas que eu. Avisou que me encaminharia para fazer os exames de zika, dengue e chikungunya, mas que o procedimento era altamente burocrático e demorado. Preencheu 4 pedidos de exame diferentes e fez a "prova do laço": com a esferográfica, desenhou um retângulo no meu braço e estancou o sangue acima com a braçadeira de medir pressão. Se, depois de 3 minutos aparecessem bolinhas bem vermelhas no retângulo (ou em volta dele), era sinal de dengue. Meu braço foi mudando de cor e inchando. Quando eu não lembrava mais como ele era antes, coloquei o outro braço do lado e notamos que estava roxo. Não sei se deu os 3 minutos prescritos, mas não apareceram as petéquias que indicariam dengue. Avisei que eu já tinha tomado antialérgico naquele dia e ele respondeu que a primeira reação provocada pelo medicamento é a diminuição da coceira e que as bolinhas vermelhas demorariam a sumir. Disse que os exames pedidos pelo meu obstetra eram inespecíficos e pediu que eu levasse os 4 pedidos de exame ao administrador do Ana Adelaide, que  se ocuparia da papelada para encaminhar o exame de zika pra fora. O resultado chegaria em 15 dias.

Depois de rodar um pouco, encontramos o administrador, que se pôs a preencher 4 formulários imensos (e provavelmente iguais) para encaminhar os meus exames para Belém. O diagnóstico de zika, pelo que entendemos, só é feito em 2 lugares no Brasil todo: o Instituto Evandro Chagas em Belém e a Fiocruz no Rio. Enquanto mudava a posição dos papéis-carbono, o administrador disse que demoraria uns 30 dias pra sair o resultado e que não tinha chegado ainda nenhum resultado dos exames enviados a Belém. Uma mulher entrou na sala e entregou papéis ao administrador, que disse que o caso dela era igual ao meu. Explicou que o médico que nos atendeu é um dos melhores infectologistas de Rondônia (trabalha também no CEMETRON - Centro de Medicina Tropical de Rondônia) e que demos sorte de ele ter pedido o pacote completo de exames para nós, porque qualquer outro médico plantonista não teria atentado para os sintomas que relatamos.

Com as 4 vias do pedido da bateria de exames em mãos, fomos, por volta de 17h, para o laboratório, coletar sangue.

O que mais ouvimos, durante essa jornada, é que "zika é muito raro em Rondônia", "não há o que fazer se for zika", "não sabemos o que pode ser isso que você tem". Alergias me parecem descartadas, já que antes de mim 20 outras pessoas relataram os mesmos sintomas que eu tenho ao infectologista. A causa dos sintomas parece ser algo que afeta o coletivo - especificamente quem está com a imunidade baixa.

Hoje (02/02) reparei que as manchas nos braços diminuíram (coincidência ou não, eu tinha passado aloe vera nos braços ontem) e que as da barriga ficaram mais difusas. Não tive febre de manhã, mas de tarde o termômetro marcou 37,1. Mãos e pés estão inchados e alguns músculos nas pernas puxam (mas já fui avisada de que cãibras nessa idade gestacional são esperadas). A dor na base do crânio desapareceu, o olho não está mais tão vermelho e meu rosto também não. Continuo sem saber o que eu tenho e se é perigoso para o bebê que estamos esperando.

Lamento muito que obstetras e infectologistas não compartilhem conhecimentos e procedimentos e que a saúde pública no Brasil esteja tão mal das pernas, a ponto do diagnóstico de zika demorar 30 dias para chegar - de tratamento nem se fala: nem do tratamento do vírus, nem da microcefalia, possivelmente associada ao zika.