segunda-feira, 30 de março de 2015

Bicicleta anfíbia

Esse é Argus Caruso, inventando um novo projeto.

terça-feira, 17 de março de 2015

Meu estômago

Não sei quando tudo começou, mas os sintomas começaram por volta de um mês atrás. Sentia a garganta "entalada", como se não tivesse terminado de engolir algo pequeno, como um grão de arroz. Ocasionalmente tinha dor de estômago e raramente tossia. Logo que os sintomas se manifestaram, Luis achava que fosse gravidez; eu achei que fosse verme. "Tem alguma coisa aí dentro: pode ser bichinho ou pode ser bicho".

Fiz teste de gravidez (deu negativo) e tomamos albendazol (dessa vez a cada 3 dias, por 3 vezes, quando eu estava acostumada a tomar ao longo de 5 dias). Os sintomas continuaram. Marquei clínico geral que lembrou que eu tinha tido uma esofagite (por causa de verme) em 2011. Pediu as mesmas coisas que então: exame de sangue, urina e fezes e endoscopia.

No dia da endoscopia acordei com dor de cabeça. O céu estava pesado e cinza. Fomos no laboratório/consultório e logo se instalou a dúvida se eu tinha carência pelo meu plano de saúde. Eu tinha migrado da Unimed para o Geap, mas a carteirinha, enviada para um endereço diferente do meu, não chegou, então eu não sabia quais eram os meus prazos de carência. A secretária ligou no Geap e confirmou que estava tudo ok, que eu podia fazer esse tipo de procedimento. Pedi pra ir no banheiro e vomitei. Duas vezes. Avisei o médico que eu não estava bem, ele respondeu que "tudo bem".

Fui sedada e não lembro de nada depois que a assistente fechou os meus olhos um um tapa-olho branco aveludado. Mas tive, sim, a sensação de um ruído gutural que saía de dentro de mim. Luis, que estava na sala ao lado, ouvia o meu refluxo e o médico ordenando que eu encolhesse a língua por favor. Pediu que interrompessem o procedimento, mas foi comandado para fora da sala. Depois a assistente disse que haviam encontrado algo no meu estômago que justificava a manutenção da endoscopia.
1- Esofagite enantematosa leve distal, hérnia hiatal por deslizamento I,
2- pangastrite enantematosa leve erosiva,
3- duodenite enantematosa,
    úlcera bulbar ativa com hemorragia intramural e
4- pesquisa de H. Pylori pelo método da urease
    (x) positivo ( ) negativo.
Essa foi a bomba que eu recebi no dia seguinte. No dia da endoscopia, Luis disse que me sedaram uma segunda vez por causa do refluxo, o que explica por que dormi o dia todo.

Na fila para o clínico geral que havia me atendido de início havia 21 pessoas na minha frente. Fui no Pronto Atendimento. Este clínico geral desenhou o meu estômago, explicou o que estava acontecendo lá dentro, aconselhou que eu procurasse um especialista e receitou um antibiótico para matar a bactéria e depois remédios (enfatizando e repetindo que são caros) para recuperar o aparelho digestivo do efeito dos antibióticos e do estrago que a bactéria tinha promovido. O tratamento contra a bactéria duraria uma semana e o tratamento a favor do meu estômago duraria 3 meses. Disse que o tratamento era difícil e muitas pessoas têm dificuldade para mantê-lo.

Quis ligar para a minha mãe, mas ela não estava nem no Skype, nem no telefone. Liguei pro meu irmão. Ele só teve tempo de reconhecer a minha voz falando o nome dele, depois me ouviu chorando. Foi a primeira vez que eu disse para alguém (diferente do Luis, que acompanhou tudo de perto) o que eu tinha. Ter uma úlcera me pareceu menos doloroso do que dizer que tenho uma úlcera e que ela está sangrando.

O irmão do Luis, que é médico, me ligou de noite e disse mais ou menos a mesma coisa que o clínico geral do Pronto Atendimento tinha dito, mas me assustou: a correção da hérnia, que significa que o estômago está fora do lugar e que o diafragma está alargado, portanto o conteúdo do meu estômago facilmente migra para o esôfago assim que eu me inclinar, se não acontecer espontameamente depois do tratamento, só mesmo por via cirúrgica - e que dá pra marcar a cirurgia com 2 meses de antecedência. Sugeriu que eu tomasse mais dois medicamentos para amenizar os efeitos do antibiótico.

O problema é que bromoprida dá muito sono e eu passei o primeiro dia de tratamento dormindo. O segundo dia passei deprimida, no terceiro dia a minha mãe me disse o que o médico dela havia dito sobre o meu caso: na Alemanha, o tratamento seria o mesmo e H. Pylori é uma bactéria bastante comum.

Liguei nos gastroenterologistas de Porto Velho. A secretária daquele que fez a endoscopia não atendia, outro tinha agenda só pra abril, em outro a secretária ficou argumentando comigo que o sangramento podia ter sido causado pela própria endoscopia e que o médico que fez a endoscopia é que devia me acompanhar e que a consulta custa R$ 300 porque o médico não é credenciado no Geap. Por indicação de outra secretária achei um que não constava no meu guia Geap, mas que atendia pelo convênio. Tinha um encaixe pra mim.

Voltei de lá hoje: bastante aliviada. O tratamento é de 21 dias, a bactéria não tem possibilidade de passar (ou ter passado) pro Luis (se bem que a essa hora, já deve estar mortinha), provavelmente foi transmitida através de alimentos (mosca, água), continuo não podendo me inclinar pra frente ou para trás, mas isso tem a ver com estômago cheio e o estômago provavelmente voltará ao normal depois do tratamento - mas isso quem vai dizer é uma outra endoscopia.

Agora tenho uma endoscopia marcada pra daqui a um mês e uma lista de alimentos que devo e não devo ingerir. E mesmo que o tratamento não tenha acabado, tenho a sensação de que o pior já passou.

segunda-feira, 16 de março de 2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

Wishful thinking

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Como parece que teremos cheia histórica do Madeira todo ano, ando acompanhando os boletins diários da ANA - e as notícias sobre a cheia do rio Acre. Ontem fui surpreendida com a anotação de uma brusca queda de nível do rio Madeira no boletim diário publicado na Agência Nacional de Águas. Em dois dias, o rio Madeira teria baixado 5m em Porto Velho (de 17,02m no dia 3 passou a 14,51m no dia 4, depois a impressionantes 12,25m ontem). Conferi a cota e vazão em Abunã (a montante) e Humaitá (a jusante) e nas duas usinas e não via para onde essa água toda tinha migrado. Eu tinha certeza que se tratava de um erro, mas não podia acreditar que tivessem errado e publicado o erro.
Se clicar, aumenta
Hoje corrigiram o erro. No dia 4 a cota tinha baixado mesmo, mas não 2,51m: baixou 24cm e o registro foi alterado para 16,78m. Ontem não baixou adicionais 2,26m, mas subiu 8cm, registrando 16,86m. E a cota pra hoje é de 16,92m.

domingo, 1 de março de 2015

Doutorado defendido

Durante a defesa
No dia 27 de fevereiro de 2015, Luis realizou um sonho acalentado por muitos anos e alimentado e inspirado por muitas pessoas. Defendeu sua tese sobre processo decisório no BNDES (coisa que ninguém fez até agora) diante de uma banca exigente e amiga. Carlos Vainer como orientador, o resto da banca: Henri Acselrad, Célio Bermann, Virgínia Fontes, Carlos Brandão.
Depois da defesa, leitura da ata: aprovado.
A defesa se estendeu até de tarde (foi a mais longa que eu já presenciei) e todos os membros da banca foram muito pertinentes e contribuíram para que Luis tenha uma outra visão do próprio texto (que deve ser aprimorado para que seja publicado). Estou muito orgulhosa do Luis!