quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A greve é uma escola

A greve está sendo uma escola. Estou aprendendo sobre a dinâmica de assembleias, estou conhecendo pessoas, estou fazendo parte do Comando de Greve. Estou aprendendo a detectar estratégias, manobras e distrações, estou aprendendo sobre leis, regimentos e regras. A greve está sendo uma escola de processo democrático. Estou maravilhada com a diversidade de opiniões, pensamentos e sugestões que agregam para conversas proveitosas.

Hoje trememos nas bases, mas tenho a convicção de que foram os alunos com suas palavras de ordem, desordem e euforia que garantiram a continuação da greve e negociações ponderadas por uma universidade de verdade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jogo sujo

Agora começa o jogo sujo da greve: a reitoria comprando professores para defenderem o fim da greve, marcando reuniões e convocando pra assembleias em datas estratégicas, publicando que a nossa greve é ilegal (depois de ter reconhecido publicamente que ela é legítima e do Procurador Geral ter declarado a greve legal). Agora aparecem promessas por parte da Reitoria, relatos de reuniões sem comprovação documental de parcerias e negociações com o MEC. Agora aparecem notícias desencontradas do que se desenrola nos campi do interior.

Agora os comandos de greve - dos alunos e docentes - se unificaram de vez e agora estamos trabalhando na greve dia e noite. Agora a greve tem corpo e voz. Amanhã completamos a segunda semana de greve.

sábado, 24 de setembro de 2011

Quem assina

Quando, durante o meu estágio docente, eu dei aulas de Neurolinguística pra graduação na Unicamp junto com a minha orientadora, passamos um filme sobre Alzheimer. Pra nós (os alunos e eu), tudo era novidade, inclusive a crítica da minha orientadora ao filme. Ela chamou nossa atenção pro fato do filme sobre Alzheimer ter sido elaborado e financiado pela Novartis, indústria farmacêutica. Através do filme, a Novartis apresenta o problema (o Mal de Alzheimer) e a solução (as drogas da Novartis).

Comecei a desenvolver gosto por livros de difícil classificação: alguns sebos e livrarias classificam-nos como livros de Arte, outros de Fotografia, outros de Botânica ou Viagem. São livros grandes, com mais imagens do que texto. O primeiro que comprei era sobre a Mata Atlântica: As árvores e a paisagem. Logo estranhei os erros de português e fui checar a editora. Editora Paisagem do Sul (Porto Alegre), realização Instituto Souza Cruz. Cigarros Souza Cruz. Sei que Santa Cruz do Sul, por exemplo, a 2 horas de ônibus de Porto Alegre, é um pólo produtor de tabaco. Imagino que este livro seja uma das atividades de compensação da empresa (pelo desmatamento da área de plantio, pela monocultura, pela poluição do solo através de fertilizantes e agrotóxicos, pelo transtorno que a irrigação de grandes plantações causa, pelos males causados pelo cigarro). Deve ser parecido com o que a Petrobras, maior mecenas das artes no Brasil, faz com o audiovisual.

Num momento de falta do que fazer na Unir, fui na biblioteca, admirar a nova ordenação do acervo. Me perdi na seção dos dicionários e acabei levando dois livrões pra mesa: um sobre as mulheres na Amazônia, outro sobre as estradas no Brasil. Ambos eram doações à biblioteca. O das mulheres tinha 90% de fotos em preto e branco. Reparei que em muitas das fotos espelhos, batom, unhas pintadas e olhos maquiados estavam em evidência. Quem assina esse livro? A Natura. O livro das estradas era da Skania.

Hoje peguei no Por onde andamos: um relato das viagens dos caminhoneiros pelo Brasil. Editora Desiderata, realização Ultracargo, empresa de logística. Os textos são fruto de entrevistas com os funcionários da empresa. Botaram o fotógrafo pra percorrer mais de 20 mil km de caminhão pelo Brasil e montaram um livro bonito. Esse me parece ser o empreendimento mais legítimo de todos: dar voz aos caminhoneiros (pouco valorizados enquanto indivíduos, mas essenciais para o fluxo de bens no país). Este livro traz estórias, não vende ou promove produtos, nem pretende vender "responsabilidade social".

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Unikate

O tamanho do caju varia conforme a quantidade de água que ele recebe. Como tem chovido com regularidade, os últimos saíram grandes.
Araçá-boi a caminho.
E viva a função Supermacro!!!

Jabuticaba

Uma única
jabuticaba!

Acerola

Descobri

que tem um pé

de acerola

no meu jardim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Comando de greve

O comando de greve da Unir agora tem blog. O objetivo é funcionar como canal de comunicação da comunidade em greve.





quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Abaixo-assinado

O comando de greve elaborou um abaixo-assinado contra a gestão do atual reitor.
O link: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=MFJ2011

Primeira semana de greve

Alunos e professores em greve na Unir ainda não encontraram um canal de comunicação eficiente. Vamos às assembleias, e apesar das assembleias lotarem o auditório, ainda não temos adesão total. Direito e Filosofia, por exemplo, não aderiram à greve. Mesmo com a adesão dos departamentos e núcleos, os indivíduos não estão engrossando a massa.

Nossa desarticulação tem a ver com o fato da Unir ser espalhada pelo estado. A Universidade Federal de Rondônia tem campi em Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Rolim de Moura e Vilhena. O centro da greve está onde está a reitoria: Porto Velho. Na assembleia de ontem, vimos gente de outros campi vindo à capital e se acomodando no campus.

A Unir de Porto Velho fica a 9,5 km da cidade. Existe uma linha de ônibus que cobre o trajeto e vai até Vila Nova Princesa, o bairro que fica em volta do lixão, atrás da Unir. Em tese, há ônibus pro campus a cada 15 minutos. Ontem, dia de assembleia dos docentes e alunos, ocorreu uma denúncia anônima na SEMTRAN. Tocaram o terror, dizendo que os alunos pretendiam incendiar os ônibus. Resultado: ônibus de hora em hora, poucos alunos na assembleia.Os professores tinham ido de carro, carona, bicicleta (eu, né).

Outro fator que não ajuda na nossa articulação são os canais de comunicação unilaterais, como por exemplo o site da Unir. Ali só aparecem comunicados vindos da reitoria (de que o Reitor lamenta não ter comparecido à reunião que ele mesmo convocou com os grevistas e a resposta infame às reivindicações do comando de greve). Na televisão se dá um fenômeno interessante. Não vi, me contaram: o reitor dá seus depoimentos progressistas tropeçando na gagueira adquirida enquanto as imagens mostradas do campus abandonado desmentem a fala dele. Apesar de contar com doutores e mestres especializados, a Unir não tem prestígio social. Por isso me espanta a TV local denunciar, através de imagens, o descaso da gestão da Unir.

Nossos pontos de encontro constante são as assembleias e o cineclube. Toda noite estamos exibindo documentários sobre greve, protesto, revolução, democracia, liberdade e sistema econômico na escadaria da reitoria. Ontem, depois da assembleia no campus, choveu. Zica. Não sabíamos se tinha chovido no centro, os celulares estavam fora de área. Um aluno conseguiu ligar prum camarada, o Profeta, que disse que no centro não estava chovendo. Fui de bicicleta levando o filme, o equipamento viria de carro. Depois da baixada do Bate-Estaca, um arame de pneu de caminhão furou o meu pneu da frente. Zica. Assim que tirei o arame, ouvi o ar saindo. Eu teria trocado a câmera ali mesmo - se houvesse luz nos postes que enfeitam a BR 364. Empurrei a bicicleta por alguns quilômetros, em direção ao primeiro poste de luz. Narcísio, professor de Biologia, me socorreu. A luz dos faróis de seu carro permitiram que trocássemos (em menos de 5 minutos) a câmera. Cheguei na reitoria e conferi se o filme da noite tinha legendas. Por uma questão de zica, não tinha. Exibimos outro filme, pelo computador do Ninno e expandimos o nosso público: um morador de rua participou do cineclube. Quando eu já estava voltando pra casa, senti as primeiras gotas de chuva noturna que, por uma questão de sorte, não caiu durante a projeção do documentário.

Por que estamos em greve

A Unir não tem restaurante universitário, moradia estudantil, hospital universitário. Os banheiros não têm papel higiênico, lixo, limpeza ou planejamento (fizeram um banheiro novo no bloco de departamentos com chuveiro, mas esqueceram de pensar numa barreira pra água, que alaga o banheiro todo porque o piso não tem desnível). Os professores não têm sala própria, os alunos revezam a sala de aula. A Unir fica a 9,5 km da cidade de Porto Velho. Passar o dia na Unir não é agradável.

Não há infraestrutura que suporte novos alunos que entram por vestibular ou processo seletivo (pós-graduação). Não há infraestrutura que suporte os novos cursos. Arqueologia, Artes, os mestrados em Letras e Estudos Literários não têm sala de aula própria. Não existe sala de video, o cineclube deLírio é itinerante. Não há laboratórios de pesquisa nem de ensino funcionando adequadamente. Biologia, por exemplo, é referência mundial devido à biodiversidade amazônica, mas não dispõe de laboratórios equipados. Laboratórios de línguas não constam. A Educação Física dispõe de uma quadra e uma piscina pequena e rasa. Não há ginásio, pista de atletismo ou possibilidade de jogar futebol e volei simultaneamente.

Pelo campus de Porto Velho vê-se obras inacabadas, abandonadas, requentadas agora, durante a greve. Pelos campi do interior a situação é pior. Em Rolim de Moura, a Unir comprou um terreno superfaturado que somente poderá ser utilizado em 3 anos. Ecoando a fala de docentes durante a assembleia de hoje, "a Unir não tem gestão".

A biblioteca não oferece grande variedade de periódicos e os que estão lá são doações desatualizadas. A biblioteca é central e tem um acervo pequeno de livros. Talvez por não ter infraestrutura para suportar mais. Sem livros ou periódicos, não se faz pesquisa.

Pra onde vai todo esse dinheiro? É sabido que as universidades do Norte têm cota no MEC, senão fecham. Por que o MEC  não está nos mandando o que as outras universidades pelejam pra conseguir? Porque a Reitoria não presta contas.

A pauta de reivindicações entregue à Reitoria pelos alunos foi respondida em 16 páginas com muito sarcasmo, letras garrafais e pontos de exclamação acumulados. Os números apresentados carecem de comprovação e a conclusão da resposta foi motivo de piada na assembleia:

Como se pode notar, pelo menos 95% das reivindicações feitas pelo Comando de Greve já foram cumpridas ou estão em fase de cumprimento.

Se 95% das reivindicações já foram cumpridas ou estão em fase de cumprimento, por que é mesmo que estamos em greve? Porque não vemos nem acreditamos no que a Reitoria quer fazer a sociedade acreditar. Não estamos em greve por aumento salarial, mas pela melhoria da universidade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Operação tampa da caixa d'água

Tinha uma tampa de caixa d'água no telhado da minha casa. Mas como saber se aquela tampa era da minha caixa d'água? Podia ser a tampa de outra caixa, que voou e foi parar no meu telhado. As chances eram pequenas, mas eu precisava pensar em jeitos de tirar a prova. Olhei pra minha caixa d'água, memorizei os contornos dela e fui no muro do vizinho, examinar a caixa dele. Voltei na minha. Eram iguais. Estava muito perto das duas caixas, pra saber se estavam cobertas ou não.

Vi uma bolinha de plástico, cor de nariz de palhaço no meu jardim. Nem sei como ela foi parar lá, mas desde que os bombeiros serraram o jambeiro, a bolinha estava lá. Marcelo achou melhor jogar uma pedra na caixa. Lembrei que a pedra podia entupir o cano. Lavou a bolinha, testou seu peso e jogou a bolinha vermelha pra cima da caixa. Se tivesse tampa, a bolinha teria voltado. Nunca mais vimos a bolinha dos bombeiros.

Ok, estávamos sem tampa, mas por que a caixa do vizinho era igual a nossa? Notamos uma escada encostada no telhado do vizinho. Em seguida, acompanhamos o vizinho subindo na escada e puxando a tampa da caixa consigo. Ahá. Conversamos com o vizinho sobre a escada alta que ele tinha e esperamos o homem amarrar a tampa na sua caixa d'água. A escada passou por cima do muro e deu no pé do suporte da nossa caixa. A altura não era suficiente para devolver a tampa ao seu lugar natural.

O primeiro Oktoberfest foi uma festa de arrecadação de fundos para reconstruir a cidade de Blumenau, alagada pelo Itajaí. O nosso almoço de domingo virou churrasco que assumiu as proporções de festa (isso acontece quando os convidados trazem convidados). Antes de oferecer comida aos convidados, mostramos a escada, a tampa e o problema. O churrasco foi o combustível para as ideias, e quando abri a porta pro último a chegar, reparei que o vizinho da frente estava consertando o telhado e que a escada dele era maior que a casa dele.

Ninno e eu tocamos nesse vizinho - que também estava fazendo churrasco. Depois que o senhor terminar aí, voltamos pra pegar a escada. Teve churras, chuva e conversa. Voltamos pela escada. Perguntei pro homem se ele trabalhava na Ceron (Compania de energia), porque a escada era profissionalmente alta. Sim, presta serviço.

Um subiu, dois seguraram a escada. A escada encostou na caixa e foi entortando o redondo da caixa até o cano desencaixar. Encaixado o cano e voltado o corajoso que subiu, novas posições para a escada foram pensadas. Todos os homens da festa estavam em volta da escada, eu segurava a tampa e as mulheres estavam numa distância segura, aconselhando que se chamasse um profissional. Isso sacudiu os brios de quem segurava a escada e novamente Ninno subiu com a tampa. Que bluft pra dentro da caixa. Que vopt pra fora, que uoôou pelas bordas, que ploft no chão.

Pegaram a escada do outro vizinho, posicionaram dois nas pontas das escadas, sincronizaram o movimento da tampa de um para outro, todos gritando e torcendo pelo Ninno que conseguiu desencostar a escada da caixa para encaixar a tampa na borda. Devolvemos as escadas felizes da vida e satisfeitos por termos conseguido resolver esse desafio da vida prática.

Ainda sobrou um monte de cerveja, carne, queijo coalho e carvão. Da próxima vez que eu precisar de ajuda aqui em casa, promovo outro churrasco.

sábado, 17 de setembro de 2011

Chuva de vento


Cadê o jambeiro?
Quebrou no meio e tombou por cima do muro
Deu uma chuva de vento furiosa. A tampa da caixa d'água foi parar no telhado da casa, as telhas foram desarranjadas e deu goteira na casa inteira, as paredes externas ficaram molhadas de cima a baixo, o pé de jambo quebrou no meio e tombou todinho pra cima do muro. Demos muita sorte da maior árvore do jardim não ter caído em cima da casa.

Chamei os bombeiros e o atendente me fez repetir o número da casa. É que tinha recebido outro chamado na Rua Murici. Quis saber se a minha vida estava em risco. Respondi que a minha segurança estava em risco - e que o jambeiro estava atrapalhando o tráfego. Pouco depois, ouvi o som das serras elétricas. Desci a Abacateiro e conversei com os três bombeiros que serravam uma figueira. Perguntei se serrariam também o meu jambeiro. Tá no meio da rua? Sim, atrapalhando o sábado.
Meia pista da Abacateiro tomada
O pé de jambo virou atração

Num dia de feira

Heliene e Joana se encontraram na parada de ônibus e foram juntas para a casa onde a primeira faria faxina. O ônibus estava lotado, porque em dia de sábado passa pouco coletivo.

Pequena Lou abriu a porta para as duas amigas. Depois que elas tinham tomado café, avisou que estava esperando o homem da dedetização. Como queria ir na feira e não sabia quando o homem chegaria, deixou o dinheiro e a chave de casa. Montou em sua bicicleta e atravessou a cidade.

Heliene acendeu um cigarro e examinou o molho de chaves que ainda segurava na mão. Três chaves lhe chamaram atenção por não serem de porta. Deve de sê as chave das bicicleta dela.

Seu Orlando e sua esposa eram doadores de sangue e sabiam que não tinham diabetes nem colesterol alto, mas quando viram o anúncio dos exames gratuitos, decidiram ir. Ele assumiu o posto atrás do volante, ela ocupou o assento do passageiro. Não era dia de trabalho, mas dia de cuidar da saúde.

Pequena Lou parou na frente de sua bicicleta, depositou a bolsa cor de rosa na cestinha da frente e acomodou a mochila na cesta de trás. Apalpou os bolsos da bermuda à procura da chave do cadeado da bicicleta e se lembrou que tinha deixado todas as chaves com a faxineira.

A esposa do seu Orlando viu uma moça acenando pro táxi e pediu pro marido encostar: leva ela, que o sol tá brabo hoje. Tu me deixa na Jorge Teixeira que eu vou de pé.

Antes da passageira sair do táxi, seu Orlando recebeu o pagamento e anunciou que voltaria para o bairro onde tinha deixado a esposa, porque também faria o exame de diabetes e essas coisas. Levaria a moça por um valor menor de volta até sua bicicleta trancada.

Heliene estranhou o táxi na porta da casa. Chegou a concluir que era o dedetizador sem veículo próprio. Ao abrir o portão, ficou com dó da dona Lou, mas deu risada por dentro. Ficou com a sacola rosa, a mochila pesada, a chave do portão e entregou o molho de chaves.

Quando seu Orlando encostou para deixar a passageira na feira da Jacy-Paraná, dois homens carregando melancias, galinhas degoladas e sacolas plásticas brancas sinalizaram para o táxi. Tu tá me dando sorte, menina! Recebeu pela segunda corrida e deu início à terceira.

Pequena Lou reconheceu sua bicicleta, mas não se lembrava de ter deixado compras na cesta. Perguntou pra senhora sentada ao lado de sua bicicleta se aquela feira era sua. A mulher agradeceu rindo e explicou que tinha achado natural colocar as compras naquela cesta.

O que era pra ser uma simples ida à feira de sábado se desdobrou em estórias pra pelo menos três pessoas.

De noite na greve

Reitoria iluminada de noite
Greve branca
Tínhamos combinado de passar filmes sobre democracia, liberdade e revolução todos os dias que durasse a greve pelo cineclube. Assim engrossaríamos as atividades culturais durante a greve. Primeiro decidimos passar curtas do Jorge Furtado no campus. As bolsistas foram ao campus e viram que estava vazio.
Greve por tempo indeterminado
A estratégia foi mudar o local de exibição dos filmes pra escadaria da Reitoria. Uma banda tocaria depois dos curtas. Só que, como toda sexta-feira, tinha samba no Mercado Cultural, logo abaixo. Não dava pra competir com o som deles, então o local da exibição foi transferido pra praça Aluízio Ferreira.
Ninno preparando a exibição
A exibição de curtas do Jorge Furtado (Ilha das Flores é seu filme mais conhecido) aconteceu depois de alguns contratempos e atraiu o povo da praça. Semear cultura e colher revolução.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

GREVE

Primeira página do Diário da Amazônia. Os estudantes puxaram a greve, o sindicato dos professores apoiou e estamos todos pedindo condições de trabalho mais dignas.

Cursos como Artes e Arqueologia não têm sala, cursos como Engenharia e Artes não têm professor, cursos como Medicina, Biologia e Química não têm laboratório nem material. Na biblioteca, Letras e Linguística pararam de receber periódicos em 2008, a estante de Linguística contém principalmente gramáticas.

Faltam técnicos em geral e daí os professores acabam assumindo funções administrativas e burocráticas. Às vezes falta água, luz, internet. Os banheiros não têm papel higiênico nem lixo nem limpeza. Os extintores de incêndio estão vencidos. Ar condicionado quebrado é um problema recorrente.

Falta investimento e falta manutenção. Essa será uma greve branca: haverá atividades no campus, seja de discussão, seja de cultura. Já foi sugerido que o cineclube deLírio apresente e discuta filmes todo dia durante a greve. E vamo que vamo.

Terra molhada




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mustafá Duracell

Mustafá
Mustafá já tinha ido duas vezes ao veterinário. Na primeira vez, coloquei o gato na caixa de gato e a caixa na cesta de lavanderia pregada na garupa da minha bicicleta. Parecia uma sirene ligada. Na segunda vez, botei o gato na caixa de gato e a caixa no assento do carro emprestado. Parecia uma sirene dentro do carro. Como ele dava escândalo de qualquer jeito, hoje resolvi voltar a usar a bicicleta. Sirene na ida, reclamações modestas na volta.
Olho azul
Na primeira vez que ele subiu na balança, pesava 700g. Um mês depois, registrou 1,4kg. Um mês depois, 2,1kg. Ou seja: ele está crescendo num ritmo constante.
Calminho
Depois que eu voltei de viagem (aquela em que passei uma semana fora), Mustafá parecia outra pessoa. Carinhoso, sempre buscava contato, ronronava e esfregava o rosto em mim. Minha alegria não durou muito, porque ele logo voltou a monstrificar. Mordia e arranhava tudo. Até pensei em exorcizar o gato, porque parecia que ele tava com o demônio no corpo. Akari é quem mais sofre com toda essa energia acumulada. Voltei da petshop com um brinquedinho que faz barulho e tem a erva do gato (camomila, erva cidreira, erva doce). Fez efeito quase imediato: depois de brincar um montão com o bichinho de pelúcia, Mustafá veio no meu colo, se deixou fotografar, ronronou e aceitou carinho sem me morder.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A primeira manga

A primeira manga madura no pé não me deu sossego. Busquei a escada, mas ainda me faltava um metro de braço para alcançá-la. Busquei o cano fino de PVC que uso pra colher jambo. Dançaram nas alturas, mas a manga não desceu. Busquei um pau, arame, alicate, prego, martelo, camiseta velha, agulha e fio.
Fabriquei um coletor de mangas a partir da manga da minha camiseta furada. Massa!
Manga massa
A manga que eu comi é azedinha. Apesar de dizerem que a manga massa não tem fiapo, meus dentes ficaram quase cor de laranja de tanto fiapo no meio. Preciso estudar modos de incluir a manga na culinária, porque vai dar muita manga aqui em casa.

domingo, 11 de setembro de 2011

Tucumã

Um material importante para o artesanato daqui é tucumã.
Colar de tucumã
É um coquinho duro que nem ferro (segundo o cara da feira), que se come com café, tapioca ou farinha (de mandioca).
Tucumã
O sorvete de tucumã tem gosto de umas quatro coisas: côco, creme de leite, milho e abóbora. Assim como tem picolé de uva em São Paulo, tem picolé de tucumã aqui.
Mais nítido
O homem na feira me ensinou a processar e comer tucumã e já fez propaganda da pupunha, que vai começar a dar em novembro, junto com as chuvas.
Casca fina, lasca pouca, polpa rala
Assim como o açaí tem pouca polpa, o tucumã é mais caroço do que carne. E agora, ao natural, tem gosto de paçoca de amendoim, talvez chocolate.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lendo o audiovisual

A primeira vez que isso me aconteceu, foi com a Cynthia. Eu tinha me certificado de que o filme tinha legendas, mas não tinha reparado que as legendas eram só para as partes em que se fala somali (?). As partes em inglês estavam sem legenda e minha amiga teve que procurar pistas além da linguagem verbal para interpretar o filme. Se fosse francês, teria acontecido o contrário: ela teria traduzido pra mim. Desse modo, construímos o filme enquanto ele se desenrolava.

E como o texto não estava no primeiro plano, Cynthia percebeu que a personagem que faz a amiga da heroina é muito mais interessante do que a estrela. Os gestos, o modo de andar, se pintar, falar, rir apontavam para uma personagem muito mais complexa e complexada do que aquela que foi vítima e vai denunciar a circuncisão feminina.

Hoje eu quis ver M de Fritz Lang (1931). Antes de chamar o Marcelo pra ver também, verifiquei se tinha legenda. Como a sopa de letrinhas tava demorando pra passar, acelerei o filme pra chegar nos diálogos. Achei o filme dinâmico, expressivo, com pseudo-falas e sem legendas. Chamei o Marcelo e rodei o filme. Era devagar e todos falavam alemão. Como o som estava ruim (o meu som bom fica na Unir), eu também não entendia nada.

Mas somos a prova viva de que o público não é passivo. Conversamos muito durante o filme: tentando descrever a cena, dublando as falas, adivinhando o que se discutia. Até que mudei de lugar e, ouvindo o filme, fui traduzindo o que dava (fazer tradução simultânea é muito difícil). Aparentemente Marcelo gostou mais do filme que leu (expressividade dos gestos, movimento de câmera, montagem de sequências, papeis caricatos) do que eu, que fiquei frustrada por não ter ouvido a primeira parte do filme.

Especialmente nesse filme, que é muito teatral, ficou claro pra mim como os filmes ocidentais são verborrágicos. Eu provavelmente não entenderia um filme francês sem legenda, porque a palavra é central.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Immer lustiger


Enquanto a encomenda do livro sobre frutas no Brasil não chega, vou fotografando esse pequeno mistério que está crescendo no meu jardim. Alguém sabe o que é isso?

domingo, 4 de setembro de 2011

Depois de acordar


Sonhei que eu fazia parte da tua vida
Sonhei que eu me reconhecia nas tuas coisas
Sonhei que você fazia as contas de quanto devíamos um ao outro
Sonhei que essa estória estava mal contada

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vida nova

Primavera, Buganvília, Três Marias
A surpresa é a flor
Suculenta
Ignorus Completamentis