sábado, 31 de julho de 2010

Último dia

Estamos diante da difícil tarefa de transportar 3 pessoas, 2 mochilas e 1 bicicleta até o aeroporto. Ontem a porta do porta-malas enganchou no portão elétrico, ocasionando uma pequena catástrofe.

Bicicletada

Toda última sexta-feira do mês tem bicicletada em São Paulo. O encontro está sempre marcado pras 18:00 e a largada pras 20:00. Quando cheguei, pontualmente às 18:00, só tinha um cara sentado na Praça do Ciclista. Fui na casa do Ariel, pegar uma bicicleta emprestada. Ariel e eu compartilhamos as bicicletas que ele me empresta, o fato de termos ficado um ano fora da bicicletada e o Luisão.
Foi bom rever algumas figuras, conhecer em carne e osso (me refiro ao Cabelo) quem eu conhecia em formato blog, ouvir diálogos do tipo: deixa eu ver o seu rosto, porque eu só conheço os seus textos (uma moça conversando com a Aline); e rodar pelo centro de São Paulo, que eu conheço pouco. 

De repente entramos num túnel, margeamos um cemitério, passamos pela Barra Funda (reconheci o cartaz anunciando o Animamundi), paramos no Pacaembu e depois de pedalar mais um tanto, alguém perguntou quem ia subir e Ariel se manifestou positivamente. Subimos a Augusta.
Foto que Matias fez. Eu sei que o Matias é psicólogo, mas sempre o tratei como biólogo; e por falarmos sempre de árvores, ele achava que eu era bióloga e não sabia que eu sou linguista. 

O cara na mureta (no alto) é um sujeito que pedala uma bicicleta de dois andares. Mas fora a dele, não havia nenhuma bicicleta diferente. Havia as tribos dos free riders, dos fixeiros, dos Dahon, dos speedeiros, dos city bikers e dos que têm uma MTB urbana. Tive a impressão de que as pessoas mudaram (em um ano isso era previsível), mas que o número de ciclistas ainda é alto. Senti falta do Thiago, que, depois de se recuperar da fratura, vai precisar aprender a andar de novo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Barra do Una


Pé na estrada e muita lama no carro. Olga e eu fomos a Barra do Una, Simão ficou em casa, curtindo um final de gripe. Rapaz, como é massa dirigir em estrada de terra com lama, buraco e paisagem verde abundante. 

Zeca e Rosa disseram que tinha chovido a semana anterior todinha (e mandaram um abraço forte pros meus pais!). Em todo lugar está uma secura danada e na Mata Atlântica tem chovido a ponto de ônibus atolar na estrada...
Segunda praia, vista de cima. As nuvens estavam pesadas, agarradas na serra. Por medo de chover e piorar o lamaçal na estrada, só fomos até o rio e o Camping Familiar Bar do Zeca e não caminhamos até a segunda e terceira praia.
Tanto o rio como o mar estavam com pouca água. Fazia mais de ano que eu não via o mar. O cheiro da brisa, a textura da areia, a fartura de água, o som das ondas e o clima desencanado estavam me fazendo falta.
A cor dessa água é interessante. As árvores que se vê na foto já estão na Juréia.
Viu como o rio está com pouca água? Na volta, quando subimos a serra, tinha muita neblina na Imigrantes. Neblina. Quanto tempo faz que eu não me via envolvida pela neblina?
Dessa vez eu não trouxe nenhuma conchinha comigo. 
Última olhada pro Rio Una e pé na estrada outra vez. Essa minha escapada de Rondônia está muito da hora. Todo dia revejo uma pessoa ou lugar que me faz sentir em casa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ipê branco noturno

Sem flash e no modo 'nublado'.
Com flash (dá até pra ver a fiação).
Sem flash no modo 'standard'.

Animamundi 2010

Começou hoje o festival de animação Animamundi 2010. Achei péssimo que todas as sessões começavam com propagandas dos patrocinadores (não me lembro de ter sido assim nas edições anteriores). Como sempre, vi animações ótimas e outras despropositadas, ri de comentários do público e me encantei com a alegria da criançada.

Ponte Cidade Universitária

Eis a cloaca de São Paulo. Essa água é preta. E fede horrores.

As nóias da metrópole

Fui visitar o Fernando, que mora pertinho do metrô Sacomã. As portas anti-suicídio me pegaram de surpresa.

* * *

Esperando o trem chegar na estação Jurubatuba, ouço uma voz masculina saindo dos alto-falantes: "Senhores passageiros, carreguem seus pertences perto do corpo, à frente de si, protegendo-os com o braço". Táticas de guerrilha.

* * * 

Na estação Barra Funda tem dois outdoors enormes: "Onde está o seu celular agora?" e "Onde está a sua bolsa agora?" E isso que tem pares de policiais em guarda a cada vinte passos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Slow numbers

Muitos me perguntaram, eu nunca soube responder. Quantos habitantes tem Porto Velho? 

Olhei pro (meu antigo) mapa de Campinas afixado na parede da cozinha da Oca e concluí que Campinas é maior que Porto Velho. A maior cidade do interior paulista é praticamente três vezes maior que a capital de Rondônia. Não é só o mapa de Campinas que é mais complexo que o de Porto Velho. Tem muito mais prédio, casa em construção, gente nos lugares públicos e lugares públicos a serem frequentados.

São Carlos, que é uma cidade relativamente pequena e cheia de morro, tem mais prédio que Porto Velho. Será que Sanca também é maior que Porto Velho? Wikipédia diz que não. Porto Velho (382.829 habitantes) está mais pra Limeira (281.583 habitantes) que pra São Carlos (220.463 habitantes). Mas não é só o número absoluto de habitantes que conta. É preciso considerar também a densidade demográfica. E aí muda tudo. O Japão tem fama de ser densamente habitado, mas a Holanda tem uma concentração de gente por km² bem maior que o Japão. A densidade demográfica das cidades do interior paulista (Sanca com 186,7 hab/km² e Limeira com 479,8 hab/km²) é diferente, mas a de Porto Velho é altamente destoante (11,2 hab/km²).

Rio Branco, capital do Acre, é a capital mais próxima de Porto Velho (dá uns 400 km). Embora Rio Branco tenha 305.954 habitantes (isso é menos que PVH), apresenta uma densidade populacional três vezes maior que Porto Velho: 33,2 hab/km². Não quero comparar São Paulo com Porto Velho, mas quero fechar com a comparação das densidades populacionais de Porto Velho e Campinas, que tem 1.064.669 habitantes. A diferença é enorme: 11,2 contra 1.328,0 hab/km².

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Picasa picareta

Quando eu tava na UFSCar, sentada numa mureta em frente à biblioteca (usando o sinal wireless gratuito) e postando no blog, a Picasa me mandou uma mensagem de que a minha cota de imagens tinha estourado. Era de 1 giga, e armazenou todas as fotos postadas (inclusive os ensaios, as falhas, as substitutas e substituídas) em todos os meus blogs. Como eu tenho blog desde 2006 e escrevo e posto fotos com uma frequência razoável, até faz sentido que eu tenha completado a minha cota.

O Picasa sugere que eu compre espaço. Antes de pagar, tentei apagar ábuns com 500 imagens, pra liberar espaço. Não rola apagar álbuns. Injuriada, comecei a apagar uma por uma das fotos de um dos vários álbuns. Foram-se 500 imagens. Obstinação é isso. Apaguei 500 imagens.

O que não estava claro pra mim é que o Picasa está diretamente ligado ao Blogger (numa via de duas mãos), porque é tudo do Google. Apagar uma imagem no Picasa significou, portanto, eliminá-la do meu blog. Ou seja, se eu quiser manter os meus blogs (não dá mais pra manter, porque já apaguei 500 imagens!) do jeito que são, é preciso comprar mais espaço. 

O mais triste é que muitas fotos já se foram definitivamente. As que eu não consegui recuperar agora, sentada na casa da Olga, estão no outro computador, em PVH. Na medida do possível, tentarei repostá-las.

A vida é dura.

Ela anda

Olga e Simão tinham pendurado a minha Caloi 10 embaixo do telhado. Ficou suspensa por um ano, aguardando a minha volta. Enquanto o ar saía dos pneus da bicicleta, eu suspirava de saudades dela lá longe. Hoje desamarrei a bicicleta, enchi-lhe os pneus e comecei a me preocupar. 

A corrente nova já vem lubrificada, mas esse óleo teria durado um ano? Os cabos dos freios estavam com tensões diferentes, sendo que o da roda de trás estava bem frouxo. A minha ex-companheira de quarto de hospital tinha capotado numa speed justamente por só usar o freio da frente. Vai mesmo pedalar pra casa da Mônica? Sim, e aproveita e passa no Anderson pra pedir que regulem os freios e passem um óleo na corrente e instalem um velocímetro e quem sabe um bagageiro.

Fui devagar, estranhando a distância em que fica o acionador do freio. Nuca e ombros doíam, porque a minha posição estava mais deitada que numa MTB. Pra minha sorte, a cidade está relativamente vazia por causa das férias e os motoristas já se acostumaram com a presença de ciclistas. Toda vez que eu tenho medo de pedalar em São Paulo, perco o medo pedalando.

Na bicicletaria, pensei em comprar logo um bagageiro suspenso, mas logo vi que teria que comprar também um alforje que fica em cima do bagageiro (e não nas laterais da roda, porque não há nenhuma proteção na roda que impeça o alforje de entrar nos raios). Mas eu não tinha saído de casa preparada pra deixar R$ 700,- no Anderson Bicicletas.

Almocei picanha ao forno (muito boa!), revi os seis gatos ex-companheiros da Akari e Mônica e eu botamos a conversa em dia. Devo ter morado 4 meses na casa da Mônica, e só não lembrei o nome da cachorra (Laika) da tia Anne. De resto, era como se eu tivesse vivido 4 anos lá.

Voltei bem mais tranquila (por causa dos freios) e já testei a luzinha que o Telmo me deu. Agora que eu sei que ela anda, já posso considerar a opção de pedir um taxi (no aeroporto, quando eu chegar) pras minhas malas e pedalar pra casa em PVH às 2 da manhã.

Monkey-man

 
Todas as imagens foram roubadas daqui

Depois de meia hora esperando no ponto de ônibus lotado, entramos todos no ônibus lotado. As pessoas até pedem licença, mas não conseguem evitar o contato físico. Sinto que meu corpo não me pertence mais, é de domínio público. É domingo, São Paulo, são 18:30 e eu penso que existe a possibilidade de eu chegar atrasada. Enquanto o ônibus anda e eu sou esprimida, um refrão não me sai da cabeça: I'm over it, feeling remarkably fine.
O indivíduo é uma abstração teórica.
Espero na frente do Teatro de Arena. Enquanto espero, um homem bêbado fixa o olhar em mim e atende o telefone. Enquanto conversa com a pessoa do outro lado da linha, pára na minha frente:
- Eu não sei onde que eu tô. Como chama essa rua aqui?
(Ele está virado pra mim, esperando uma resposta. Respondo que não sei.) Ele termina a conversa telefônica enquanto caminha. Volta e me informa que nunca entrou num teatro, que o irmão fazia teatro, mas que ele tinha morrido aos 38 anos de idade - dormindo. Infarto. Na Inglaterra. 
Pressiono os lábios e arqueio as sobrancelhas. Ele muda de assunto. Me informa que é filho de árabe e que mora na Chácara Flora, Santo Amaro. Eu digo que sei onde é, ele me pergunta se eu tenho namorado. Sem pestanejar, aceno com a cabeça.
- Eu quero saber se você tem namoraDO.
Ao saber que (1) não estou livre e que (2) não jogo no mesmo time, avisa que vai embora.
Como eu não qualificava enquanto parceira, não teve dança do acasalamento.
Dentre o público que espera, reparo num moço que me lembra muito um grande amor da minha vida. Fico esperando as reações do corpo que sinalizam o reconhecimento, mas elas não se manifestam. Palpitação normal, temperatura normal, respiração tranquila. Minha razão analisa as feições do rapaz e me diz por que não se trata dele. A altura está muito alta, o nariz não é aquilino, os ombros eram mais largos, ele não envelheceu os quinze anos que eu envelheci.
A razão prevalece.
Meus pensamentos se perdem em outros lugares. Um susto me permite sentir um vento no braço direito. De relance, vejo uma garrafa pet de Fanta de 2 litros caindo do céu. Alguém do prédio em frente jogou uma garrafa vazia pela janela. Podia ter me acertado na cabeça! O vendedor de pipoca comenta sobre uma garrafa com água que tinha caído em cima de um carro, quebrado tudo e dado o maior prejuízo. Até chamaram a polícia, mas não deu em nada.
Diversão a partir do sofrimento alheio.

A porta se abre e eu escolho um lugar privilegiado na plateia. A peça se chama Primus. Alexandre me reconhece, já fico feliz. A peça é muito boa. Além de misturar teatro com outros gêneros artísticos (fotografia, dança, canto, step dancing, djembes), equilibra bem suor e leveza, crítica e empolgação, gesto e voz.
Darwin explica.
Espero, como os alunos de um dos atores, que os atores voltem do camarim. Dou um abraço no Alexandre e volto pelo mesmo caminho que havia me trazido ao teatro. Na TV do ônibus passa Malhação. É domingo, passa das 22:00 e tem rede Globo na TV do ônibus. Pra coroar a programação, Ana Maria Braga ensina a fazer petit gateau de abóbora.
Mais uma forma de estupidificação das massas.

domingo, 25 de julho de 2010

Circo

Circo Caramba e Los Circo Los se apresentaram no SESC de São Carlos no sábado. E eu fiquei pra ver.
Ruy no som, Sales como Jerônimo, Márcio como Tachinha: tutto buona gente.
Los Circo Los eu já tinha visto no Semente e outros lugares em volta da Unicamp.
Voltei com a trupe a Barão e me diverti muito com eles todos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Otimização de espaço


Curti essa parede de escalada. Não tem negativa, muita altura ou varidade, mas vale pelo aproveitamento do espaço.

Minha programação


A programação geral do 58° Seminário do GEL (Grupo de estudos linguísticos do Estado de São Paulo) contava com uma novidade tecnológica: era possível clicar em coisas interessantes que se quisesse ver e assim montar uma programação particular. Montei a ‘minha programação’ duas semanas antes do GEL, não imprimi ou salvei como arquivo e deixei no próprio site do GEL, que eu acesso mediante senha.
Na véspera do GEL, quis voltar na ‘minha programação’, mas esse ícone não existia mais na página. No primeiro dia, quando fui buscar o material, comentei que eu estava sem programação personalizada.  A monitora me disse que o programa de computador que gerava essa programação customizada estava marcando locais, horários e datas de um GEL anterior, o que tava dando confusão. Como eu não tinha salvado a minha programação individual em lugar nenhum, tive que improvisar outra.
De manhã fui ver uma sessão de comunicações na área de Análise da Conversação. Descobri que existe uma Teoria do Riso. Pode ser útil um dia... Nessa mesma sessão, dialoguei bastante com um sujeito que analisava a ocorrência do tempo presente no lugar de pretéritos (perfeitos e imperfeitos). Ele disse que tinha achado poucos dados em material escrito. Sugeri que desse uma espiada em redações de aluno, porque que eles não sacaram ainda que existe uma separação entre oralidade e escrita. (Vixe, acabei fazendo uma anáfora conceitual: retomei o antecedente ‘aluno’ – singular - com um pronome plural - ‘eles’).
Dali fui pruma mesa redonda sobre ensino de língua materna e fiquei agradavelmente surpresa com o que pude observar do pessoal da USP. O quadro de professores mudou nessa última década, o que foi muito salutar pras atividades de pesquisa de lá.
Na sessão de pôsteres de trabalhos de iniciação científica, me diverti com os trabalhos de algumas pessoas. Uma moça analisou o discurso numa capa de VEJA (que, por coincidência, já tinha sido analisada em termos gráficos por um designer que participa da bicicletada). Discuti bastante com a moça que apresentou um trabalho sobre tabus linguísticos sobre fenômenos atmosféricos (!); descobri que Juruna é uma língua (indígena) tonal; consegui entender que o trabalho inicial de um foneticista que estuda uma língua mal descrita (Juruna) é de natureza técnica (pra começo de conversa, ele precisa de um estúdio pra gravar os informantes); descobri que na USP existe um curso de dois anos de “Ciências” (o moço me disse que estuda química, matemática, física, linguística, biologia etc.).
Acompanhei a Bia, minha companheira de congresso, na sessão de comunicações em que línguas indígenas foram discutidas. A postura desses pesquisadores é muito massa. São empolgados com os dados: analisam, sugerem, perguntam, palpitam, enfim, trabalham juntos. O congresso é, pra eles, um encontro presencial para um trabalho desenvolvido em conjunto na modalidade à distância. Não consegui levantar e ir ver o Luiz Arthur falando do esvaziamento semântico da preposição de porque eu tava no processo de decidir que vou me interessar pelas línguas indígenas de Rondônia.
No dia seguinte, apresentei o meu trabalho às 8:00 - pra monitora. As pessoas foram chegando conforme eu finalizava a minha apresentação sobre narrativas on-line (querendo dizer ‘produzidas enquanto registradas’, não significando que são virtuais, cibernéticas ou digitais). Não fiquei pra ver a apresentação dos meus colegas de sessão (porque eram sobre textos digitais, virtuais, cibernéticos e EAD). Saí dessa sessão de Linguística Textual e fui ver a Mahayana falando de anáfora conceitual na Psicolinguística.
Quis ver o Gilvan falando da oficialização de línguas minoritárias no Brasil, mas ele tinha mandado outra pessoa em seu lugar. Fui ver o Travaglia, cujos textos sobre verbos e transitividade eu li e usei. Apresentou a teoria que está desenvolvendo sobre categorias de texto, o que sempre é interessante (em vários momentos ele lembrou como chamava tal categoria em tal texto publicado em tal ano, ou reparou como uma outra categorização já o vinha incomodando havia dezenove anos).
Pra fechar o GEL com chave de ouro, fui num simpósio coordenado pela minha ex-orientadora. Sendo a primeira orientanda de doutorado dela, acabei não reconhecendo muitas orientandas da nova geração, mas elas me conheciam de nome e sobrenome: pra minha surpresa, virei referência bibliográfica de uma das orientandas dela. Não se passou tempo suficiente para grandes mudanças na Neurolinguística de orientação enunciativo-discursiva como praticada no IEL, mas percebi que elas transcrevem os dados de outro jeito que eu transcrevia. As questões metodológicas, a necessidade de afirmação da posição teórica adotada e as atividades do CCA continuam as de sempre.
Preciso voltar a estudar. Desde que virei professora universitária, deixei de pesquisar.

Ciclistas furiosos

 
Será que algum analista do discurso vai se aventurar a interpretar essa placa? Bom, pelo menos não estão proibindo entrar DE bicicleta. Se fosse assim, seria um indício de que os ciclistas de Sanca são rock n' roll.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O taxista

Cheguei de ônibus em São Carlos e logo peguei um taxi. Joguei a minha mochila no banco de trás e sentei na frente. Quando eu disse que ia no hotel Ibis, o taxista com sotaque de italiano e um 's' mais pra fricativo que sibilante me perguntou se eu também ia participar do congresso. Depois de ouvir a resposta positiva, implicou:
 - Mas você está atrasaaada então, tudo mundo me disse que tinha que estar lá antes das 14:00, que tinha que pegá os negóóócio, mas de onde que tu tá vindo, menina?
- De Rondônia.
- Entóm tá descurpada. Vindo assim de longe, pode atrasar uma hora que nóm tem problema.
- Os hotéis já estão lotados?
- Mas tu num me fez riserva inda?
- Fiz, sim.
- Ah, bom. É, os hotel tão tudo cheio.
- O GEL está movimentando a cidade.
- É só trêis dia, né?
- É.
- E a coragem depois pra vortá pra Rondônia?
- Ééééééé.

Tradicional batatada

 
As pessoas do Canto da Horta decidiram sediar mais uma tradicional batatada na Oca. Mas os preparativos deles só foram até aí. Júnior e eu fomos no ferro velho comprar um terço de tonel, uma grelha e quatro pedaços de ferro pra fogueira não ficar direto no chão. A escolha do tonel a ser serrado foi difícil, porque alguns deles tinham adesivos com caveirinhas. O que está queimando na parte externa do latão na foto é óleo ou tinta (vai saber. Escolhemos o mais velhinho).

Uma batatada sai muito barato. Se a gente tivesse passado o chapéu, teria coletado R$ 2,- de cada um. E tava muito boa. Não só a grelha móvel genialmente desenvolvida pelos mais empolgados estava funcional, como a comida estava boa. As pessoas que vieram estavam tão descombinadas, que ficou bacana. Finalmente Telmo e Natalie se conheceram! Naquela noite me senti um elo de ligação: convergeram coletores menstruais, luzinhas de bicicleta, música, preocupações com a Educação e boas doses de alegria.

Cena do day after. Eu podia ter fotografado a louça na pia, a sujeira no chão ou a bagunça no quintal. Achei os colchonetes secando no varal muito mais interessantes (esteticamente, porque eu não lavei nenhum deles).

terça-feira, 20 de julho de 2010

Hortoca



Hortaliças na horta vertical - a cestinha da minha saudosa Ceci foi reaproveitada!

Tai chi no Teatro de Tábuas

Júnior e eu madrugamos, pegamos 2 ônibus e chegamos 40 minutos adiantados pra aula de Tai chi no Teatro de Tábuas. A aula começou e as pessoas foram chegando. Du e Loi eu conhecia, os outros eram novidade. Du foi morador da Oca por um ano, enquanto o Teatro ganhava um espaço próprio e fixo perto de Campinas. Sales, nosso palhaço, chegou a viajar com o Teatro pelo Brasil afora. Provas disso estão no vídeo:



Eu já tinha sido aluna de Tai chi do Júnior quando ele era bixo na Oca. Os movimentos continuam os mesmos (mas o professor mudou o jeito de dar aula: muito mais paciente agora). Outra coisa que resiste ao tempo é a amizade de Du e Loi. Lembro que no carnaval de 2005 (?), minha primeira grande cicloviagem me conduziu a eles em São José do Rio Pardo.

O Teatro de Tábuas é uma estrutura muito mais complexa e completa que eu imaginava. Uma coisa que eu já sabia, mas nunca tinha visto, era a valorização do coletivo. A trupe toda mora e trabalha lá. Todo trabalho é voltado pro Teatro, de modo que são praticamente auto-suficientes.

Quando o Du mostrou o palco na carreta, comentou que num dos seus nove segmentos fariam um teatro de sombras inspirado num grupo chamado Pilobolus:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Daí junta tudo

Estávamos pós-comemorando o aniversário do Ruy na churrascaria, combatendo o sono pós-comilança com muito bom humor, quando a Maíra comenta que conhece o Sílvio da bicicletada de São Paulo. Fiquei levemente assombrada: o que liga um professor de matemática cicloativista com uma analista do discurso, tradutora e roqueira?

Daí, depois de um tempo, vi o Antonio passando na rua com a irmã dele. Acenou, feliz com a coincidência de me ver. Eu levantei, saí da churrascaria e ficamos conversando. Disse que Renato estava a caminho e que dormiria na sua casa - aquele mesmo apartamento de sempre. Fiquei feliz: eu tinha vindo a Barão achando que não veria o Renato (porque o endereço dele é em Floripa).

Passei boa parte da noite com a Natalie, cicloativista que nunca viu (pessoalmente) o Telmo, fundador do Cicloviável, movimento do qual a Natalie participou depois que o Telmo já tinha saído.

No dia seguinte, fui almoçar com o Antonio e o Renato, e acabamos convidados pelo Ilari. De tarde, fui no banco, fazer uma transferência pra Natalie (comprei coletores menstruais pras minhas amigas). No caminho, encontrei com o Renato indo pra rodoviária. De noite, jantei com o Telmo e a Milena e ganhei luzinhas de bicicleta bem práticas e sexys (tá escrito 'sexy' na luzinha que veio da China).

Acho muito doido como tenho bons amigos que moram no mesmo espaço e não se conhecem e como bons amigos me surpreendem quando me dizem que estão de alguma forma relacionados a pessoas às quais estou ligada de outro jeito. E fico altamente feliz com a coincidência de rever Renato e Ilari por intermédio do Antonio. As pessoas são pontes entre pessoas. E quando junta tudo, fica massa.

domingo, 18 de julho de 2010

Samba no sangue

Sempre gostei de ver o PH fazendo música. Não é só a voz, é também o grau em que a música o absorve. Ontem teve show da Saudosa Clotilde no centro de Campinas. PH no palco tocando surdo é mais compenetrado que em casa, no pandeiro e na voz, mas é o PH fazendo música. E viva o samba!

sábado, 17 de julho de 2010

Heimat

Desci do avião e enchi os pulmões daquela garoa fina e fria. Estou em casa.

Me posicionei na frente do aeroporto e esperei a Olga chegar. A porta do carro se abriu, o pastor Guilherme saiu, pegou sua bagagem, me deu um abraço, eu coloquei as minhas mochilas no carro e ocupei o lugar quentinho dele. Mais adiante o trânsito embolou e parou. Em casa.

Sentamos as duas na sala e conversamos ao som da novela parcialmente em italiano. Casa.

Peguei carona pra Barão e entretive os caras a viagem toda com as minhas estórias de far west. Estou na estrada de novo.

Chego em Barão e dou abraços em todos os meus irmãos, reconheço os meus ex-móveis, admiro a horta e nos preparamos pra festa surpresa do Ruy. Esta é a primeira vez que comemoro o aniversário dele com ele (e os outros). Me deixaram organizar a pizzada, elogiaram meus produtos culinários e depois de muitas estórias e risadas teve música de madrugada. Na manhã seguinte, lavei a cozinha. Lar, doce lar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Texto é trabalho

Se as pessoas que me entregam seus textos pra revisar soubessem como o seu produto descuidado me irrita, agride e ofende, talvez tivessem pena da revisora. Mas não é pena que eu quero, é respeito. Quando os textos são produzidos na Letras (não me refiro apenas aos alunos), a decepção se mistura com os desejos de morte.

Ortografias escandalosas, concordâncias orais, acentuação inexistente, excesso de gerúndios em sentenças inacabadas, espaçamentos duplos antes da vírgula, marcas de recortes e colas mal remendadas, plágios descarados e mal amarrados com o restante do texto, verbos engolidos e outras acrobacias da escrita me são entregues na maior tranquilidade. A pessoa que espera que eu revise o seu texto claramente não lê o seu texto antes de livrar-se dele. A pessoa acha que organizar as ideias no papel foi muito. Texto é trabalho. Quanto menos trabalho o leitor tiver para decifrar o texto, melhor. Quanto menos agredir o estômago e a paz interior da revisora, melhor.

Os químicos recebem um adicional por insalubridade. Eu não queria ganhar dinheiro pra revisar as porcarias que me dão, mas queria que as pessoas me tratassem menos como faxineira que limpa o que vomitaram no papel.

A pausa no fim do semestre será uma bênção. Reclamar da incompetência alheia cansa e faz mal.

sábado, 10 de julho de 2010

Pedalando pela cidade

Cynthia chegou. Finalmente. Ela tinha prestado concurso comigo, mas só foi chamada agora. Veio de Belo Horizonte e está hospedada em casa, à procura de casa. Logo ofereci a Laranja Mecânica pra ela, porque eu sei que caminhar nesse sol, numa cidade que não tem saneamento básico e muita poeira não é fácil. Ela andava a pé.

Ofereci de ir junto, ver casa nos bairros. Fomos de bicicleta. Nossa velocidade média era 11 km por hora. Comentei que estávamos em ritmo de criança pequena. (No total, rodamos 17km.)

Depois dessa excursão fomos ao Shopping de bicicleta. Dessa vez, o velocímetro marcou 15 km por hora. Comentei que tínhamos evoluído para o ritmo de vovozinha. (No total, rodamos 15 km.)

Depois disso fomos ao supermercado de bicicleta. O pedal girava sem parar. Os 5 km foram rodados numa velocidade média de 17 km por hora. Cada vez mais integradas no trânsito.


Por que você nunca se incomoda com o trânsito, Joe?
Parei de me incomodar com trânsito quando passei a acompanhá-lo.