domingo, 29 de abril de 2012

Pteridófitas

Samambaia gigante

Exótica que vive embaixo da palmeira

Essa jogou filamentos pra fora do vaso

Essa mora no andar de baixo

Tipicamente amazônica, em busca da luz

Os dois andares de samambaias no mesmo vaso

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Revelado nas cartas

Dizem que as pessoas revelam sua personalidade no jogo de cartas.

* * *

Peter, Fritz, Frida e Ana jogavam Doppelkopf todos os sábados. Os locais de encontro eram rotativos: No primeiro sábado do mês, jogavam na casa de Fritz; no segundo, se alojavam no refeitório da empresa em que Peter trabalhava; no terceiro se reuniam na casa de Ana e no último sábado do mês jogavam na casa da mãe de Frida - que não jogava, mas sempre preparava uns tiragostos. Quando o mês tinha cinco sábados, passavam esse sábado na casa do Peter.

Aquele era o quinto sábado do mês. O caráter de exceção deixava os jogadores apreensivos. No entanto, suas características principais se mantinham: Peter era o sujeito que calculava quais cartas já tinham caído, planejava suas jogadas e interpretava o que os outros tinham na mão a partir do que deitavam na mesa. Fritz era sempre o perdedor. Calculava mal as suas chances, atirava-se a jogadas solo fadadas à ruína, não aproveitava bem os seus trunfos. Frida era tão competitiva no jogo, que se eximia de ter quaisquer outras ambições na vida. Conhecia todas as regras, variações e exceções, discutia com seus parceiros e comemorava cada jogada ganha como se fosse uma vitória. Ana era uma jogadora mediana. Ganhava e perdia, nunca figurava na ponta da lista classificatória. Ana tinha como estratégia ler os sinais da linguagem corporal de cada um. Sabia onde cada um alocava seus trunfos, entendia os olhares de quem olha para cartas boas, compreendia hesitações, tinha desenvolvido um inventário codificado de maneiras de depositar a carta na mesa.

Já jogavam fazia três horas, Peter estava ganhando, Fritz e Frida estavam empatados e Ana anunciou um solo. Bateu na mesa e anunciou que ganharia e que os seus adversários não fariam nem sessenta pontos. Fritz checou as suas cartas e perguntou qual seria o solo que ela queria jogar, porque ele também poderia jogar um solo. De damas. O solo que ele jogaria era de valetes, que é inferior, e por isso deixou passar. Frida, no entanto, se alegrou: segurava as três primeiras damas na mão.

Ana teria perdido o solo de lavada se não fosse a intervenção de Fritz:
- Mas Ana, como você vai jogar um solo de damas se eu tenho duas damas e quatro ases?
- Ué, eu tenho aqui três damas e dois ases acompanhados. Você acha que eu não consigo ganhar?
- A julgar pelas minhas cartas, não ganha, e quem vai fazer menos que sessenta pontos é você.
- Isso é uma ameaça?
- Ana, mostra as suas cartas.
- Como assim? Estou querendo jogar solo, não vou mostrar minhas cartas.
- Ana, o Peter quis jogar um solo de valetes, eu poderia arriscar um solo também, Frida está ansiosa, só esperando o jogo começar. Entenda os sinais. Você vai se dar mal. Mostre suas cartas, anda.
- Mas eu preciso ganhar esse solo, veja a minha situação, sou a perdedora da noite. Tenha bom coração, você precisa entender, já estamos perto de encerrar a noite de hoje e eu estou perdendo vergonhosamente, como é que eu vou pra casa com esse resultado? Eu preciso fazer alguma coisa, e a única coisa que eu posso fazer no momento para reverter a minha situação lastimável é ganhar um solo em que anuncio que vocês vão perder com menos de sessenta pontos. Se eu dissesse que vocês perderiam com menos de trinta ou mesmo com zero, eu estaria fantasiando, mas desse jeito, acho que consigo reverter a minha situação. Você precisa entender a minha situação.
- Se as suas cartas não permitirem que você ganhe, você não vai ganhar.

Todos sentiram vergonha pela ingenuidade de Ana, menos ela, que embaralhou todas as cartas e distribuiu uma nova rodada.

* * *

João jogava paciência. Costumava jogar ouvindo música, para não perder a noção do tempo gasto no jogo. Quando acabava o CD, sabia que aproximadamente uma hora tinha se passado. Às vezes, contudo, não percebia que o CD tinha acabado. Jogava sempre no modo mais difícil, o que implicava em certos rituais: antes de pedir mais cartas, fazia o computador checar se não tinha perdido nenhuma oportunidade, costumava desfazer  jogadas para checar o conteúdo de cartas encobertas e tinha estabelecido que faria sempre no máximo três tentativas de ganhar o mesmo jogo. Era comum que ganhasse na terceira tentativa.

Não jogava pelo prazer de ganhar, nem para ocupar seu tempo. Tinha medo de demenciar. Havia um histórico de Alzheimer na família. Além disso, ele já se flagrara falando sozinho. Jogava paciência para exercitar o cérebro. Para exercitar a mente, lia romances e fazia palavras cruzadas. Tinha ouvido dizer que os sintomas da demência eram mais amenos em pessoas letradas que mantinham a cabeça funcionando sempre. Ora, enquanto jogava paciência, João cantava e pensava nos movimentos das cartas.

Nas duas tentativas anteriores, o computador tinha dado mensagem de que era impossível continuar o jogo, porque mais nenhum movimento podia ser feito. Essa terceira tentativa também estava travada e a música já tinha acabado fazia tempo. João não tinha conseguido formar nenhuma sequência completa ainda, para liberar espaço. Já tinha feito e desfeito vários movimentos e estava prestes a pedir cartas pela última vez. Porém, antes de pedir mais cartas, verificou se não havia nenhuma possibilidade ignorada pelos seus olhos cansados. O computador indicou um movimento que descobriria uma carta. Como ele não tinha visto isso? Fez o movimento e uma nova carta se abriu.

Era um coringa. Olhou desconfiado para o computador. Como assim, um coringa num jogo de paciência? Esse computador está trapaceando. E se eu aceitar esse coringa, estarei trapaceando contra mim mesmo. Tudo misturou-se na sua mente, João: os jogos, as pessoas, os narradores.

Abrindo





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Paredes flusserianas

"Paredes são disposições para a distinção entre espaços públicos e privados. Essa diferença, obtida graças à parede, é primordial, pois a vida humana é um oscilar entre o público e o privado. O ser humano é um habitante de espaços interiores e um experimentador de espaços exteriores. Para permitir esse oscilar, as paredes têm de ser levantadas. Tem-se de introduzir algumas aberturas (portas), por meio das quais saímos e voltamos, e outras (as janelas), por meio das quais aquilo que é público é visto como privado e aquilo que é privado é inspecionado como público." (p. 109)

"(...) a parede de uma biblioteca distingue-se basicamente de todas as outras." (p. 109)

"Nenhuma parede - exceto a parede da biblioteca - pode provocar uma revolução." (p. 110)


FLUSSER, V. A escrita: Há futuro para a escrita? Tradução do alemão por Murilo Jardelino da Costa. São Paulo: Annablume, 2010.

domingo, 22 de abril de 2012

Paisagem cambiante


Balneário Rio Preto

Os rios ainda estão cheios, apesar das chuvas terem diminuído consideravelmente.
Paga-se R$ 5,- para entrar e pode-se passar o dia no balneário.
O mais legal de lá é o caminho até lá.
Tem a ponte que passa por cima do que aqui chamam de cachoeira.
Tem a força da água.
Tem as dificuldades do caminho.
Foto: Fran-Fran
E tem as notícias do buraco na BR: ponte metálica do Exército desativada em cima e desvio embaixo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A muda das mangueiras

A impressão que eu tenho é que o pé de manga trocou sua folhagem: atirou as folhas velhas ao chão e fez crescer folhas novas. O impressionante é que todas as mangueiras da região fizeram a mesma coisa.

domingo, 15 de abril de 2012

Elas e suas línguas

Lisa conheceu Luis numa livraria. Logo que o viu, entendeu que ele não era francês. Não era a sua cor que o denunciava, nem suas roupas, nem o jeito de folhear os livros. Era o olhar que era diferente. Era ao mesmo tempo curioso, ansioso e melancólico. Lisa não percebeu de imediato que ele falava francês com sotaque, porque o francês dela ainda não era fluente.

O namoro começou naturalmente. Lisa era russa, Luis era brasileiro e os dois estavam apaixonados em Paris. A língua franca era o francês, que ela ainda estava aprendendo num curso noturno. O namoro virou amor quando ele pediu que ela lhe ensinasse russo. O alfabeto, os ditongos e o acúmulo de consoantes o fascinavam. Era comum que, nas horas vagas, Luis transcrevesse cardápios de restaurantes delivery para o alfabeto cirílico.

Depois de meio ano, Lisa fez uma cópia das chaves de seu apartamento para Luis e ele lhe deu uma cópia das chaves de seu apartamento. Luis passou a transliterar frases em português para o russo. Aos poucos, Lisa foi entrando na língua portuguesa. Seus conhecimentos de francês (cada vez mais fluente) lhe ajudavam a se orientar na língua de seu namorado.

Chegou um pacote do Brasil que Lisa recebeu enquanto Luis estava no trabalho. Ela ficou especialmente curiosa em relação ao remetente, porque não era nenhum familiar do Luis. E ela reparou que seu namorado ficou sem jeito de abrir o pacote. O conteúdo era um livro e uma carta manuscrita, ambos em português. Luis contou que o livro e a carta eram de Laís, uma amiga brasileira com a qual se correspondera por escrito por algum tempo no passado. Lisa reparou que o livro de mais de duzentas páginas foi devorado por Luis em três dias. Reparou também que Luis visitava outros sites além dos jornais eletrônicos. Um site sistematicamente frequentado era o blog da Laís.

Para comemorar o primeiro ano de namoro, viajaram para São Petersburgo. Luis conheceu os familiares de Lisa e todos os seus amigos. Quando viajaram juntos a São Paulo, Lisa perguntou se visitariam a Laís. Luis respondeu que não eram tão amigos assim. Quando retornaram a Paris, chegou o quarto livro de Laís naquele ano.

O tempo de Lisa em Paris se acabou e ela teve de voltar para São Petersburgo. Apesar do amor, Luis não a acompanhou. Tinha feito sua vida em Paris e foi combinado que manteriam contato por e-mail, skype e viagens ocasionais. Além de sentir falta de Luis, Lisa tinha saudades da língua portuguesa. O lugar que ela escolheu para manter viva a língua dentro de si foi o blog da Laís. Reconheceu o Luis em algumas estórias que não sabia se eram reais ou ficção. Curiosa para entender a relação entre Laís e Luis, incorporou o blog da outra aos seus hábitos de leitura.

* * *

Os piores amores são os platônicos. São demasiadamente longos porque a imaginação preenche as lacunas da convivência. Laís sabia disso, e enquanto não se apaixonava por nenhum cabeludo ao alcance, mantinha-se ligada a Luis. O fio virtual que os ligava era tecido e mantido por ela.

No início, quando ele tinha saído do país e ela também, o fio era forte. Sempre que ela lhe escrevia, fazia perguntas para manter o contato. Quando ele demorava a responder, ela acionava a imaginação. Quando ele respondia, ela entrava em estado de graça. A distância não importava, contanto que o fio se mantivesse visível. Luis era a sua conexão com o mundo. Para Luis, Laís era a sua conexão com sua língua materna.

Não era a primeira vez que ele saía do Brasil, nem a primeira vez que relatava suas experiências via internet, mas a primeira vez que o fazia no formato de blog. Como tinha ido a um lugar que aparecia estampado em todas as revistas de turismo e promessas de prosperidade, logo formou um grande círculo de leitores. Sua principal leitora era Laís. Luis passou a gostar de escrever, passou a fotografar para postar, passou a viver para relatar. Acostumou-se a escrever todas as noites, e quando não tinha nenhum fato para narrar, puxava da memória estórias misturadas com fantasia. Laís, que sempre tinha gostado de ler e escrever, embarcou também nesse novo suporte de textos. Criou o seu blog para relatar as experiências vividas no estrangeiro e passou a interagir com Luis através de seu blog. Pelas estatísticas, ela sabia se Luis visitava seu blog; e ele identificava quantas vezes ela acessava o dele.

No meio, o fio foi ganhando outra qualidade. Não era mais grosso e forte, mas parecia ser tecido de dois lados. Tanto Luis como Laís não estavam mais nos países em que começaram a escrever seus blogs - que foram abandonados. Ambos criaram novos blogs para pensar a vida nesse outro lugar do mundo, mas apenas a Laís escrevia com constância. Luis mergulhou na leitura. Passou a frequentar livrarias, teve até que comprar estantes de livros para acomodar os livros que se espalhavam pelo seu apartamento. Lia muitos livros para passar o tempo e o blog da Laís para se distrair. Agora: os livros que Laís lhe mandava pelo correio eram lidos com as vísceras, não com os olhos. Nesses momentos, ele tomava a iniciativa de escrever para ela sobre os livros, seus pensamentos e sua vida em Paris.

No fim, o fio foi desaparecendo. Mergulhou no mar do trabalho em que os dois se meteram. Ele nunca mais escreveu, ela deixou de lhe fazer perguntas. Quando ela intencionava mandar um livro maravilhoso para ele, perguntava primeiro se ele já o tinha lido. Tinha. E mesmo lendo um atrás do outro, ela demorava a se apaixonar por outro livro. Laís continuava escrevendo em seu blog e controlando a audiência pelas estatísticas. Reparou que de repente muitos acessos ao seu blog vinham da Rússia e ficou se perguntando quem, naquele país, se ligava nos textos dela.

sábado, 14 de abril de 2012

Virtualmente

Posso assumir qualquer identidade:
posso me apresentar como homem ou mulher
posso me dar uma outra idade
posso me dar outro nome
posso me esconder no anonimato.

Virtualmente
posso me disfarçar através da linguagem.
Posso minimizar o uso dos sinais de pontuação
posso abreviar palavras de maneira pouco comum
posso subverter a ortografia das palavras
posso adotar estruturas frasais pouco ortodoxas.

Mas
quem não tiver domínio da língua escrita
não consegue esconder sua identidade na internet.
Porque a esmagadora maioria do que se faz nesse espaço
virtual
vem por escrito.
A escrita se aprende na escola
e se pratica ao longo da vida.

E aí a liberdade virtual
se choca com a realidade escolar.
No espaço virtual
só tem liberdade quem estiver bem ancorado na escrita.

(Lendo Marcuschi de dia e Flusser de noite)
Foto roubada de algum lugar da internet

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Não buzine

Em seu livro "Fé em Deus e pé na tábua", Roberto DaMatta menciona uma gramática da buzina. Se pensarmos um pouco, lembraremos da buzina que chama a moça que demora pra se arrumar, da buzina que chama atenção do da frente que o farol abriu, ainda tem a buzinha que cumprimenta, a buzinada que pretende constranger o outro etc.

Normalmente, no entanto, a buzina serve como canal de reclamação. A buzina grita: "sai da frente", "anda logo", "presta atenção no trânsito, mané, você não está sozinho". E é essa reclamação do tipo "seu lugar não é na minha frente" que ciclista ouve quando buzinam. Na maioria das vezes, quando se buzina para ciclistas na cidade, o motorista deveria enfiar o pé no freio, não a mão na buzina. E quando o ciclista trafega pelo acostamento, na estrada, buzinam em cima, assustando o ciclista.

Se a intenção era cumprimentar a professora na bicicleta, sinto muito, ela não sabe quem se esconde no carro ou capacete que passou a 100 km por hora. Mesmo se soubesse, ela não teria tempo de cumprimentar de volta, porque a relação de velocidades é desproporcional. Se a intenção era elogiar a boa forma da ciclista, sinto muito, porque ela se assustou. Toda a musculatura dela se contraiu e a direção da bicicleta foi alterada por alguns milisegundos.

Como seriam as relações no trânsito, se não existisse a buzina? As pessoas gritariam impropérios? Abririam os vidros dos carros? As pessoas diminuiriam a velocidade?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vai mal das pernas

Dois professores de uma faculdade particular de Porto Velho conversando sobre a situação da Unir:
- A Unir vai mal das pernas. Teve a greve, mas continua na mesma.
- Anda tão mal, que tem até uma professora que vai pra lá de bicicleta porque não tem carro.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Medicinal

Ele veio de bicicleta, seus olhos já pareciam afetados pela catarata e suas rugas indicavam ansiedade. Me pediu um pedaço de mandacaru pra fazer remédio. Explicou que a velha tava mal e que ia fazer um remédio bom pro fígado e pros rins. Disse que já tinha rodado a cidade toda atrás de mandacaru e me explicou como se prepara o remédio. Perguntei se ele acreditava em noni. Ele disse que sim, e que se eu precisasse, traria noni pra mim. Agradeci e apontei pro meu pé de noni.

Quando contei a história pro Narcísio (biólogo), ele se exasperou: por que as pessoas da Amazônia confiam tanto no poder de cura de plantas exóticas como noni e mandacaru, quando têm outra planta nativa que cura tudo? O ipê amarelo é bom pra tudo. Dessa eu não sabia: a mim alegrava os olhos e o coração. Não sabia de seus poderes medicinais.

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa com peixe

Fui na feira lá da Jacy-Paraná, mas não vi nenhuma barraca de peixe. Fui no Araújo, o supermercado mais chique de Porto Velho, mas não tinha filé de Dourado. Heliene achou normal não ter peixe na páscoa. Não era bacalhau na sexta-feira santa? Mandei o Marcelo pro mercado e ele voltou com um peixe congelado que ele nunca tinha visto na vida. Panda? Panga. Ninguém botou fé no peixe, mas ficou uma delícia, ó.
Francis, Marcelo, Cynthia, Narcísio, Edinaldo
Heloisa
De chapéu novo

sexta-feira, 6 de abril de 2012

34

Uma pessoa
Dois gatos
Terceiro ano em Porto Velho
Quatro acidentes com bicicleta
Cinco vezes casa alagada em Porto Velho
Seis horas de diferença daqui pra lá
Sete anos de Unicamp
Oito pessoas para o almoço de domingo
Nove anos fumante
Dez anos usando a bicicleta como solução de transporte
Onze sementes na mexerica ponkã
Doze euros de telefone com o Philip
Treze anos que eles estão morando lá
Catorze anos motorista
Quinze cicatrizes nas mãos
Dezesseis anos professora
.
.
.
34 anos hoje

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Igual

Não estourava pneu desde a greve.
Não parei logo porque
Não tinha sombra a
Não ser no portão da casa com o cachorro. Os moradores
Não se incomodaram comigo: olhavam de longe.
Não demorei pra trocar a câmara, mas
Não entendi por que a válvula saiu na minha mão.
Não acertei logo encaixar a roda, sempre a roda de trás.
Não me importei com as mãos pretas, mas quando cheguei
Não tinha sabonete no banheiro.
Não mudou muita coisa desde a greve.