terça-feira, 29 de dezembro de 2009

À prova d'água

Semana passada pedi ao Bras, que mora na rua de trás, que fizesse umas estruturas pra levantar os meus móveis. Trouxe a mesa pra geladeira e os pés do armário hoje. Eu e ele olhamos praquele armário maceta (= grande) e concluímos que precisamos de mais gente pra levantar o guarda-roupa.

Ele foi buscar mais gente, eu botei o que tinha no armário em cima da cama. Desparafusaram as portas, pra ficar mais leve e levantaram o armário. Dá pra ver na foto que tem uma madeira mais avermelhada, que é o que o Bras trouxe. Depois tem um vazio (porque todo o compensado que tinha ali desmanchou) e uma tora no meio. O pau eu peguei lá fora. Serviu direitinho.

Agora o armário está 20 cm mais alto e sem as portas, pra nada mais mofar. É como se eu tivesse ganhado um quarto novo. E a geladeira agora está do meu tamanho.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dirigir em PVH

Minha mãe acha que devo comprar um carro porque é mais seguro. Esses dias em que chove muito, ando dirigindo o carro da Miyuki por aí. Nesses dias, tenho passado raiva e medo atrás do volante.

Está chovendo agora e acabo de chegar na Unir. Vim devagarzinho, sempre alerta, porque desconfio que a pista foi projetada por um Zé Roela que fez o serviço e depois saiu correndo daqui. E não é que passei por um caminhão acidentado? Na reta, o caminhão virou e se desmembrou. A carga, que estava num tanque, explodiu de um lado e a cabine do motorista se enfiou na mureta que divide as duas pistas.

Não sei como essas coisas acontecem. Não sei se o motorista sobreviveu.

Na cidade, cada um dirige no espaço que lhe convir, no tempo que lhe for conveniente. Impressionante como os motoristas aqui não têm senso de coletivo. Muitos devem ter aprendido a dirigir trator e simplesmente transferiram suas habilidades para o carro, mesmo depois que a carteira de motorista venceu.

Outro fator que desperta pensamentos malignos em mim são os faróis. Eles têm tempos impossíveis: de carro, não dá tempo de andar mais de uma quadra por vez na Av. Carlos Gomes.

Tenho cá pra mim que os engenheiros de tráfego que fizeram o planejamento viário e a sinalização dessa cidade pegaram malária e passaram muito calor aqui. Pra se vingar, fizeram as coisas desse jeito e deram no pé.

Quando chove muito de uma vez, ter carro não alivia; só complica as coisas. Porque não pode entrar água no carro, não pode acabar a gasolina (nem sei se tem álcool aqui), não dá pra ver muita coisa através do véu de chuva e o ar condicionado que desembaça o vidro congela a pele molhada.

Na BR, que já não convida pra altas velocidades porque tem uns planos inclinados ao contrário do que deveria ser, sou ultrapassada por dementes. Doidos são tanto aqueles que me ultrapassam em velocidades imprudentes como aqueles que acham que conseguem me passar a 2 m da barreira humana (a BR está em obras, e muitas vezes tem um peão com uma bandeira na linha de fogo). Uns têm problema no pé, outros nos olhos.

De bicicleta eu não passo tanta raiva nem tanto medo da incompetência alheia. Não sei qual é o meio de transporte mais seguro, mas garanto que o carro não me faz muito bem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal em Porto Velho

Já na tarde do dia 24 de dezembro começaram a soltar fogos. Pouco antes de escurecer, começaram a tocar repetidamente uma música evangélica cujo refrão tinha a ver com a união da família. A barulheira foi se intensificando com o cair da noite.

Meu chefe me chamou pra irmos num restaurante de noite. Aceitei. A namorada dele e ele estariam lá a partir das 21:45. Ofereceram de me buscar, mas como não estava chovendo, preferi ir de bicicleta.

A parte boa de ter cabelo comprido é senti-lo voando numa noite de ar fresco quando se pedala sob as estrelas.

Cruzando a cidade, percebi que todo mundo estava na rua: se não estavam sentados em cadeiras na frente do portão da casa, ocupavam barzinhos, botecos, bilhares, restaurantes e boates. Chegamos praticamente juntos no restaurante: Rosa tinha me ultrapassado na Carlos Gomes, Júlio e Patrícia me acompanharam pelas 3 últimas quadras.

A conversa foi agradável, a comida nem tanto, a música não era nada natalina: lembro de ter ouvido Kid Abelha, O Rappa, Roxette, Guns N'Roses, A-HA intercalados com sons regionais que eu desconheço. Quando o restaurante fechou às 3 da manhã, a rua estava reconfigurada numa discoteca. Multidões de patricinhas maquiadas e enfiadas em vestidos brilhantes e mauricinhos escovados fazendo pose de cowboy se dividiam dos dois lados da avenida. As atenções de todos estavam voltadas para os carros que vagarosamente desfilavam o seu som potente no porta-malas. Fiquei atônita com aquela festa de hormônios na rua.

Adormeci ao som de Scorpions (Wind of change, claro, ninguém conhece outra música deles).

Não sei o que é pior: ouvir Stille Nacht, Oh Tannenbaum e Gingle Bells nos alto-falantes instalados na Borges de Medeiros em Gramado ou ouvir techno, trance e putz putz nas ruas de Porto Velho.

Natal é festa na rua. Natal é presente e ceia. Natal é muito lixo e ressaca no dia seguinte.

Fungos no Shaoran

Quando eu peguei ele na Pet Shop, reparei numas escamas na orelha dele e avisei o veterinário. Ele disse que me daria um remedinho, mas acabou esquecendo. Em casa, notei que Shaoran tinha outras partes do corpo escamadas. Parecia caspa.

A caspa foi migrando no corpinho do Shaoran em crescimento. Comecei a achar aquilo estranho.

Sentada na mesa de uma pizzaria com um putz esparadrapo enorme na mão (para cobrir a pomada que cobria a minha ferida fungal), ouvi da Geane que o que eu tinha era impingio (ou impíngia, ou ainda escrito com outras letras). As filhas dela tiveram isso durante todo o tempo em que elas tiveram gatos. O fungo vinha das fezes dos gatos.

Philip duvidou dessa informação: se você limpa a caixinha deles duas vezes por dia, como pode haver fungos ali?

Associei as escamas do Shaoran aos meus fungos e voltei na Pet Shop. Sim, trata-se de um fungo, mas são fungos diferentes. Dê banho nele a cada 4 dias com esse shampoo por 3 semanas. Pôxa, isso é um castigo pra mim e pra ele. Ele detesta água e eu detesto ser arranhada.

Fungos em mim

Um dia eu acordei com uma coisa vermelha na perna. Parecia uma queimada de cigarro. Não doía, não coçava, nem nada. Imaginei que fosse picada de aranha. Aqui tem tanta aranha que ainda não conheço. Deixei estar.

Aquela ferida foi crescendo, parecendo cada vez mais com um vulcão: bordas necrosadas mais altas, interior mais baixo e com a pele branca de tão morta. Ok, era hora de começar a se preocupar. Pensei o que poderia ser. Cheguei a Chagas. Decobri, na Wikipédia, que só podia ser isso mesmo: assintomático, sem febre, mal-estar, vômitos ou diarréia; só as chagas. Pronto. Agora era só esperar a doença se tornar crônica e viver os próximos 20 anos demenciando. Com essa sentença de morte, resolvi me consultar com um especialista.

Procurei por dermatologistas na lista. Ainda pensei que era bom ser fim de ano, porque muita gente já viajou. Eu não teria filas pra enfrentar. Esqueci de considerar a possibilidade de não haver mais dermatologistas na cidade. Fui ligando de um em um. Doutora Margarida já estava de férias, Doutora Rosana também, sobrou um nome japonês: Katsuyo. Eu já sabia que nomes japoneses terminados em -o podem ser femininos, mas mesmo assim me surpreendi quando uma mulher atendeu o telefone. Podia ser a secretária a atender o telefone. A risadinha de japonês, no entanto, não deixou dúvidas: aquela era a dermatologista. Expliquei que ela era a única dermatologista na cidade. Ela esclareceu que justamente por isso não tinha mais nenhum horário vago. Eu disse a ela que eu tinha medo do desconhecido, ela disse que me ligaria de volta quando tivesse tempo.
Quando eu tava na Unir, o telefone tocou. Era ela, dizendo que tinha uma janela de uma hora. Pedi o endereço, anotei o número da casa dela a lápis na parede da Unir, peguei a minha bicicleta e fui. Pouco antes da estrada de Santo Antônio virar mato, liguei pra ela de novo, pedindo que me dissesse de novo o número da casa dela. Voltei uma quadra e toquei a campainha.

Isso é um fungo. Provavelmente vão aparecer outras marcas em outras partes do teu corpo, antes do remédio fazer efeito. A marca não vai mais sair, então tome cuidado com o sol. Fique tranquila, nunca vi Chagas aqui em Rondônia. Em 3 semanas você já está livre desse fungo.

Fora do ar

Nos dias 24 e 26 de dezembro o blogger ficou fora do ar - ao menos pra mim. Não consegui acessar nenhum blog do blogspot, inclusive este. Contudo, para o meu estranhamento, minha mãe disse que conseguiu acessar o meu blog nestes dias em que eu lia repetidamente a mesagem: Falha na conexão, conexão interrompida.
Sei lá o que é isso. Espero que não se repita mais.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2.621,4

A Amarilda já rodou isso tudo em um ano. Lembro que comprei o velocímetro depois do Encontro de Cicloturismo em Camboriú. Aquele da enchente. E olha que nessa conta aí não tem nenhuma cicloviagem de passar dias na estrada. Nenhumazinha.

Não sei quanto a Caloi 10 e a Laranja Mecânica rodaram nesse tempo, mas acho que dá pra ter uma idéia de que eu elegi a bicicleta como meio de transporte.

Boicote

Estou boicotando o evento comercial que é o Natal. O Natal perdeu completamente o sentido: ninguém lembra de Cristo. Lembram que precisam dar presentes aos outros. Lembram que precisam estar junto com a família.

Boa parte da decoração natalina em Porto Velho são presépios, mas a esmagadora maioria é composta por um rebanho de renas e o velho gordo barbudo que traja a cor da marca Coca Cola. Pinheirinhos com algodão branco, luzinhas piscantes, papais noéis infláveis, trenós, caixas de presente sem nada dentro e os panetones. O que essas coisas todas têm a ver com o Natal?

O ato de presentear perdeu o sentido. Os jornais anunciam dicas de presentes, apresentam listas de presentes elaboradas por celebridades, fazem com que todo e qualquer bem de consumo seja vendido no contexto natalino. Na minha concepção, dar um presente para alguém é um impulso que nasce dentro de mim, quando associo um determinado objeto com uma pessoa. Assim, dou um presente específico para aquela pessoa. No Natal, a data e o ritual fixado nessa data me obrigam a presentear.

Os presenteados normalmente são os familiares. A ceia e os presentes são os dois motivos que unem muitas famílias. Muitos detestam ter que passar um feriado inteiro com a família. Mas é Natal, então tem que ser. Outros usam a data para ver a família. Rever pais, avós, tios, primos e às vezes irmãos só acontece uma vez por ano, bem no fim dele.

Neste Natal, não darei presentes pra ninguém. Como não posso viajar antes de cumprir um ano de trabalho, ficarei aqui, rezando pra chuva não alagar a minha casa.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sítio arqueológico

Tava catando entulhos no meu jardim. Já aconteceu de eu pisar num caco de vidro que furou o chinelo e o meu pé. Quando estiquei a mão em direção a essa coisa branca, achei que era a casca de um ovo de passarinho. Tem a ver com passarinho, mas é a outra ponta da vida.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Rio Madeira

Ultimamente, os dias começam chuvosos e terminam secos. Quando cheguei no mirante, ainda faltava muito pro pôr do sol.
Muitas pessoas vão ao mirante (que ou é bar ou café ou restaurante), sentam, bebem alguma coisa e apreciam o pôr do sol.
Uma mulher parada do meu lado disse pras amigas dela que reconheceu o Tiago no barco que vinha de Manaus. Foram todas pro porto, recepcionar o rapaz.
Ouvi também a conversa de patricinhas biólogas que detestam mato.
Fiquei intrigada com esse segundo ponto luminoso no céu, à esquerda do sol. Pode ser que tenha sido um arco-íris.
Quando o barco de Manaus voltou, eu voltei pra casa.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Estupidificação do consumidor

Ontem eu vi um filme chamado Zeitgeist. É do mesmo naipe que The Corporation (sobre como as corporações exploram recursos até o osso e depois cospem no prato dos outros), Além do Cidadão Kane (sobre a política e lavagem cerebral da Rede Globo) e talvez An inconvenient truth (sobre o aquecimento global). Eu os colocaria na mesma categoria, porque são filmes feitos por ativistas preocupados em denunciar abusos. Alguns foram proibidos, claro, justamente porque criticam as corporações que manipulam os consumidores (então, já não somos mais cidadãos, somos consumidores de informação, entretenimento, violência, mantimentos, supérfluos, poluição etc).

Esse filme, Zeitgeist, é dividido em três partes, em que são mostradas diferentes maneiras de manipulação. A religião é o foco da primeira parte, a mídia de massa é o enfoque da segunda parte e o banco central é o tema da terceira parte. A tese central é que somos manipulados pelo discurso religioso, pelo discurso da mídia e por quem retém riquezas.

A manipulação da mídia de massa me interessa, porque as pessoas assumem que o que passa na TV é verdade. A televisão tem esse poder e essa autoridade. Não me refiro às novelas que são confundidas com a realidade por muitas pessoas que agridem atores que interpretam vilões na novela. Mas veja: encomendei 3 pesquisas pros meus alunos de 1° ano de Letras. Uma das pesquisas era sobre estrangeirismos em dicionários. Tive que explicar o que são estrangeirismos, porque isso não era óbvio. Uma aluna, que achou que não precisava de dicionário para fazer a pesquisa, fez uma lista de palavras de outras línguas que não são necessariamente estrangeirismos, porque não foram incorporados à língua portuguesa com grafia da língua original, como é o caso de delivery, blitz, rush, status, point, pen drive, yin & yang etc. Os exemplos dela incluíam duas palavras (hare baba, ou coisa parecida, e mais uma) que ela coletou da novela das 8 que não passa às 8 e provavelmente já acabou. Aquela novela dos indianos de meia tigela.

A minha aluna, influenciada pelo poder da novela, achou que duas palavras usadas por personagens de um programa que dura menos que um ano entraram pra língua portuguesa. A novela dita moda, mas a moda é passageira. Quem usa sutiã pra fora do decote da blusa hoje chama atenção, porque não está mais na moda lançada pela Glória Pires (ou foi a Suzana Vieira?) numa novela de tempos idos. Tenho a impressão que as pessoas que assistem novela mergulham naquele mundo da ficção e perdem a sensibilidade para o mundo real.

Outra coisa: para acessar o meu e-mail do Uol, preciso passar pelo site do Uol, que se pretende um site de notícias. Quase toda a parte direita, que ocupa um terço da página, é reservada para propagandas. Na abertura, uma seção é 'animada': as imagens e manchetes se sucedem. Uma das imagens que aparece é propaganda, não é notícia. Em outras palavras: essas notícias que o Uol pretende passar estão poluídas de propaganda. Voltemo-nos para as notícias, que estão organizadas em diferentes seções: Vídeos, Entretenimento, Esporte, Notícias, Beleza, Bichos, Receitas de Natal, Crianças, Horóscopo, Jornais e Revistas, Fotos, Blogs e Humor. Cadê jornalismo aqui? Já que a perfumaria é tão importante neste site, recorto uma manchete dentro da seção Beleza: Seu cabelo pode parecer mais saudável do que ele é; saiba como. Não interessa ser saudável, importa parecer saudável. Essas coisas me dão azia.

Ok, pode dizer que Uol não é jornal. Vamos então à Folha, que tem tantos leitores. A Folha tem duas seções que me intrigam: Trânsito e Terror. Lembro de uma notícia que eu li na Folha sobre uma manifestação de estudantes na Av. Paulista. Quis saber quem eram esses estudantes e por que protestavam, mas só consegui descobrir quais avenidas devo evitar por causa do congestionamento causado pelos estudantes. Focar a atenção na fluidez do trânsito motorizado em detrimento das causas sociais é grave. Ainda mais agora, em tempos de dicussão sobre formas sustentáveis de mobilidade. E promover o Terror a seção de jornal também é grave. Tenho a impressão que se perdeu a noção do todo, e que só importam os detalhes debaixo da lupa.

Nesse sentido, pense no grau de detalhes que são fornecidos ao telespectador que acompanha jornais, quando relatam crimes. O telespectador é promovido a testemunha, ao ser informado sobre os requintes de crueldade, o tempo da vítima em cativeiro, o número de agulhas na barriga do menino. O telespectador não é detetive, não tem voz nenhuma, mas vivencia as atrocidades. Entendo que pessoas sofram de depressão, ansiedade e frustração só por assistirem TV. Lhes é apresentado um mundo ao qual não têm acesso. Assim, são desestimuladas a agir.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Mofando na Amazônia

Reparei que tudo que é orgânico e escuro nessa casa, está em processo de rendição ao mofo. As malas e mochilas mofam nas partes escuras, a roupa escura e os sapatos estão dominados pelo mofo. Minhas colheres de pau (de bambu) estão esverdeando, a madeira das prateleiras e portas está acinzentando. Akari espirra pra caramba.

Não, não tem sol. Faz uma semana que eu ando de cabelo solto por aí, que a temperatura está agradável. Mas o preço que pagamos pela temperatura amigável é o céu encoberto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Coisas da Unir

Fui de ônibus e voltei dirigindo o carro da Miyuki. Fui pra iniciar o processo de seleção do Mestrado e acabei numa reunião de departamento. De lá fui parar na banca de um concurso para docente.

Miyuki viajou de férias hoje e me deixou o carro dela, pro caso de eu precisar. Agora tem um carro estacionado na garagem da minha casa. Será que eu vou cair em tentação?

Hoje é o primeiro dia de inscrição para o mestrado em Letras. Eu mais duas secretárias do núcleo receberíamos as inscrições no auditório do prédio do mestrado em Biologia, porque não temos noção de quantas pessoas vão se inscrever. Chegamos lá e logo fui reconhecida pela secretária com quem eu tinha reservado o auditório. Ela me disse que sabia que eu tinha feito a reserva, mas a mulher lá tinha brigado com ela porque queria usar o auditório. Pedi pra que a secretária me dissesse quem é esta mulher que estava atropelando o primeiro dia de inscrições pro nosso mestrado, e a menina quase chorou. Não vale a pena, professora, aquela mulher é uma grossa e não vai ceder o auditório.

As 3 inscrições feitas hoje foram recebidas no local de trabalho das secretárias do núcleo. O primeiro inscrito chegou às 9:09 e foi fotografado e filmado.

Ao que parece, darei aquelas aulas punk rock de 8 horas lá longe em fevereiro e depois em março. Sintaxe e depois semântica.

Toca o telefone do meu chefe. Ele procura uma certa pessoa entre os presentes na reunião e não encontra. Faz gestos de desespero e avisa para a pessoa do outro lado da linha que vai mandar alguém no lugar do ausente. Passeia o olhar na roda e pára em mim. Avisa pelo telefone que vai mandar a Lou. Desliga o telefone e me pega pelo braço, conduz até a porta e me ensina o caminho até o local do concurso. Só havia uma moça inscrita para a vaga de professor assistente em Letras. A presidente da banca nos confessou que só tinha ficado sabendo que tinha sido promovida de suplente a presidente da banca havia alguns dias. O outro membro da banca é o professor que estava na minha banca quando eu prestei o concurso.

Enquanto a candidata fazia a sua prova escrita, a porta se abriu. No ato, reconheci a mulher que nos expulsou da sala durante uma sessão de cineclube, um mês atrás. Ela verificou o cartaz na porta que indicava que ali estava acontecendo um concurso e se foi.

Toca o meu telefone. É aluno querendo saber se pode entregar o trabalho final fora do prazo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Onde eu for

Mais um fim de semana em casa, lendo textos de qualidade dubitável. Como ainda choveu, todos (inclusive eu) ficaram desanimados e recolhidos. Reparei que os gatos dentro de casa dormiram muito e sempre se instalavam à minha volta. Os gatos fora de casa se refugiram no forro, e também me acompanharam. Eu os ouvia acima de mim na sala, na cozinha, no escritório.

2012

Rapaz, que filme xinfrim. Em plena verve de aquecimento global e responsabilidade social e sustentabilidade, me aparece um filme que anuncia o fim do mundo próximo. O motivo da catástrofe é externo à vida humana e incontornável: o alinhamento dos corpos celestes vai ocasionar o cataclisma e não há nada que se possa fazer. Portanto escapa-se da discussão sobre as nossas atitudes que detonam o planeta.

Claro que os mocinhos (os estadunidenses) bolaram um plano B. Construíram uma nave que vai salvar o legado da humanidade do fim do mundo. No fim do filme, o espectador vê a tal embarcação. Trata-se de uma arca de Noé com luz elétrica. Carrega exemplares de girafas, elefantes e outros animais.

Já que estamos nas histórias bíblicas, é bom lembrar que o filme conta com um profeta (Woody Harrelson) que tem o mapa da localização dessa arca. O herói do filme é um escritor (John Cusack) que sabe pilotar carros por entre prédios que se desfazem, asfalto que se quebra e gelo. Pai de duas crianças, consegue conquistar a simpatia dos filhos pelos atos heróicos e ainda ganha de volta a ex-esposa, comprovando que a união da família está acima de tudo. Claro que tem final feliz. Tem o dilúvio, mas depois da tempestade vem a bonança, não é? Faltou a pomba trazendo o ramo de oliveira. Para finalizar as referências bíblicas, lembro que a língua original de cada país em que se instaurava o caos foi mantida. Pra quem viu o filme sem legendas, isso foi uma Torre de Babel.

Por que as pessoas pagam pra ver um filme que empilha uma catástrofe em cima da outra e é ultra conservador? Porque tem final feliz?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ciclofaixas de Curitiba

Foi através do Apocalipse motorizado que eu fiquei sabendo do caso. Cicloativistas em Curitiba pintaram ciclofaixas na cidade e três deles foram multados por isso. Lançaram uma campanha para arrecadar o valor necessário pra pagar a multa e prometem mover uma ação contra a Prefeitura. Por lei, cada rua nova deve ser acompanhada de ciclofaixa (o que a Prefeitura não respeita).

Um dos multados me escreveu:
fomos na câmara de vereadores, e com tristeza presenciamos o veto pelos vereadores da situação de um projeto que destinaria um milhão para projetos de ciclomobilidade na capital paranaense. Foi vetada por ser uma proposição da oposição.

Não cabe a mim julgar quem está certo ou errado. Cabe lembrar do Yehuda:

-Yehuda... Por que tem seis latas de tinta branca no quartinho lá atrás, embaixo de uma lona?
-Projeto de serviços comunitários?
-Ãhã. Deixa eu adivinhar: a prefeitura está ocupada demais pra pintar ciclofaixas?

-Você está pintando ciclofaixas pela cidade porque levaram a Ghost Bike
-É. Bem, quando a neve derreter, será o meu jeito de retribuir.
- Você quer dizer 'de voltar atrás'. Avisa, que aí eu uso o valor da loja pra pagar a sua fiança.
-É.
- Yehuda! Isso não é resposta!
-É.

-Mesmo com esse tempo horrível, vim de bicicleta antes do inverno acabar... Desde que vi aquelas ciclofaixas novinhas em folha nas avenidas Lee e South Woodland.
-Ciclofaixas novas ?
-Ééé.
-YEHUDA!

-Você pintou aquelas ciclofaixas?!
.
-Yehuda, seu idiota! A prefeitura vai saber que foi você e vai fechar a nossa loja!
-Joe, um cliente ... ele ainda vai aceitar.
-Eu deixei de ir ao trabalho de bicicleta por tanto tempo.
-Sei.
-Mas quando eu vi as ciclofaixas novas...
-É?
-Eu pensei: agora que é seguro, é hora de voltar a pedalar. Que legal que a prefeitura pintou ciclofaixas, não?
-Na verdade fui...
-Yehuda, me dá uma mão aqui?
-Uau, não estive aqui desde que pintei as ciclofaixas ... As pessoas estão realmente usando elas! Tem muito mais ciclistas nas ruas ... Detesto ter que dizer isso, mas achei as ciclofaixas bem movimentadas.
- Sei.
-Me pergunto quanto tempo vai demorar pra prefeitura pintar por cima das ciclofaixas ... Que ]*@$}: Por que você está buzinando? Eu estou na ciclofaixa! ... Ah, entendi. Foi aqui que acabou a tinta.
-Pinta por cima das ciclofaixas antes que alguém se machuque. E devolve a Ghost Bike. Já entendemos a mensagem dele.
-Não acredito que você vai deixar o Moon se safar dessa.
- Sério? As ciclofaixas que ele pintou ilegalmente fizeram a prefeitura economizar um monte em termos de comitês exploratórios, planejamento e engenharia civil.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Futebol

Quando eu morava em São Paulo, eu sabia muito bem quando o Corinthians estava jogando. A torcida a favor era tão ruidosa quanto a torcida contra.

Agora que moro em Porto Velho, o Corinthians perdeu essa saliência. Toda vez que eu acho que estou num manicômio, sei que o Flamengo está ganhando.

Até existem uns dois times locais, mas as pessoas demoram pra lembrar dos nomes deles. A galera pira mesmo nos dois times mais famosos do Rio de Janeiro, nos dois mais relevantes do Rio Grande do Sul e nos três maiores de São Paulo.


Para não perder a paciência com esses dementes que sentem prazer em fazer barulho, coloco rock 'n roll no ouvido. Assim pelo menos dá pra trabalhar!

Crescendo

Percebo que ele já ganhou peso, que o pescocinho dele já não é mais tão fininho e que ele vai ser barbicha.
Tudo pra ele é brincadeira. Shaoran se atira em cima de tudo sem medo de se estrepar, morde e arranha tudo que conhece e cheira tudo que for novidade. Brinca com a Akari, corre atrás dela e come a comida dela (que não curte a comida dele).
De dia, dorme em cantos escuros. De manhã, somos três na cama.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Saquinho de vírgula

No filme Meu nome não é Johnny, o personagem principal expressa seu descontentamento com a verborragia de um interlocutor quando lhe promete dar de presente um saquinho de vírgula. Talvez assim, usando as vírgulas, a pessoa faça "pausas para respirar".

O saquinho de vírgulas das pessoas que escrevem os textos que eu leio na/ pra Unir é superlotado de vírgulas.

Sabe como eu sei que os meus alunos estão plagiando alguém? Quando não há erros de ortografia ou vírgula no texto que eles me entregam. Acho que começo a entender por que vírgula é um problema tão cabeludo. Os meus alunos ainda não se deram conta de que a escrita não representa a fala. Não se ligaram ainda que existe um abismo entre a fala e a escrita. O que prova que eles acham que podem escrever como falam são as legiões de frases feitas, as expressões idiomáticas e sabedorias populares funcionando como argumentos. Ou seja, usam as ferramentas que têm à disposição para escreverem suas dissertações: o que os outros disseram e dizem por aí. Outra prova que escrevem como falam é a própria estrutura da frase. Raramente usam a ordem direta de sujeito> verbo> objeto(s)> adjuntos (S V O + adjuntos). Para satisfazer questões de relevância, puxam pro início da frase ou as informações circunstanciais de espaço, tempo ou modo (os adjuntos), ou o tópico. Além disso, enfiam o máximo possível de informações entre o sujeito e o verbo. O resultado final são frases com milhares de vírgulas (muitas vezes mal colocadas), que ocupam um parágrafo.

Você quer exemplos? Pra preservar a anonimidade dos autores dos textos que leio (tô me sentindo super padre lidando com confissões, ou enfermeira limpando a bunda dos pacientes), vou inventar alguns exemplos análogos ao que ando corrigindo:

O João, para ele ser alguém na vida, ele precisa, assim como todos nós, saber que a vida é injusta, cruel e madrasta, portanto, para ser feliz, o João, que é um sujeito batalhador, honesto e boa gente, tem que estudar, porque, atualmente, só quem tem instrução nessa sociedade de informação, hoje, terá sucesso, e para ter sucesso é preciso estudar.

João, conhecia muitas pessoas, em universidades, grandes e pequenas, que gostariam de fazer um melhor uso do material didático, que, devido à sua rigidez, era muito pouco maleável, por isso, João desenvolveu, junto com sua secretária, um novo método, capaz de integrar várias competências e habilidades, para ser disponibilizado aos professores, e por conseqüência, aos alunos.

Rapadura é doce, mas não é mole, não.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vermífugo

As pessoas me perguntam se eu perdi alguma coisa na enchente de ontem. Perdi tempo. Ontem foram 4 horas limpando a casa, os gatos e a mim. Hoje foi a manhã, lavando roupas, tapetes e sapatos. Outras coisas me custaram tempo e neurônios: acionei o seguro (na primeira enchente, eu ainda não tinha assinado o contrato) e comprei vermífugos pra mim e pros gatos.

Shaoran toma o dele em forma líquida, através de um seringa de plástico. Daqui a duas semanas repete a dose. No total, Akari vai tomar dois dos quatro comprimidos. Eu vou tomar dois comprimidos X e um Y hoje, depois um Y por mais dois dias consecutivos. E volta tudo na semana seguinte. As embalagens dos gatos são econômicas no sentido de abrigarem o número suficiente de comprimidos necessários para dois tratamentos. No meu caso, cada comprimido vem com uma embalagem e bula e plástico e alumínio próprios. Um disparate.

De novo

Sabe quando você sai do seu local de trabalho pensando quanto você vai ter que trabalhar em casa? Sabe quando você vem chegando perto da sua casa e tem a sensação de que algo está terrivelmente errado? Sabe quando você acha que vai passar a noite corrigindo redação e se vê obrigado a se engajar em quatro horas de faxina?

Não sei por onde a água entrou dessa vez. Eu tava na Unir, onde só choveu pouquinho. Imagino que muita água tenha saído dos ralos, porque havia mais lama no chuveiro que no resto da casa. Não chegou a subir muito dessa vez, mas cobriu o chão todo. Agora tudo cheira a Cândida.

Como se levanta uma casa?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Okupa y resiste

Semana passada o cineclube foi no auditório do Núcleo de Educação, longe dos blocos das salas de aula. Apesar do recado deixado na porta da sala invadida na semana anterior, redirecionando os interessados, Paulo foi o único que assistiu ao filme Cine Paradiso. Eu estava na condição de revisora alucinada.

Hoje Paulo e Guilherme decidiram ver o filme naquela sala de sempre. Eu fui contra, porque eu temia mais um embate com a professora que gosta de dar aula no ar condicionado e para tanto atropelou o cineclube. Ofereci o auditório (eu tenho o poder de fazer reserva: pois não, professora), eles disseram que iam buscar um documento que lhes dá o direito de usar a boa e velha sala perto da cantina. Não coseguiram o documento. Paulo me pediu aquele relatório que eu tinha feito e pedido pra galera assinar. Lembrei que aquele papel era só um repúdio à atitude pouco civilizada da professora que nos tinha expulsado da sala, e não lhe garantiria a sala. Notamos que na relação das assinaturas faltava a de maior peso: a do meu superior. Entreguei o papel pra ele mesmo assim e fui procurar o meu chefe.

Conversei com o meu chefe sobre questões acadêmicas e pedi que ele me acompanhasse à sala que os meninos estavam ocupando com o filme V de Vingaça. Ele me acompanhou de bom grado e sentamos pra ver o filme. A princípio só queríamos esperar a professora entrar, ligar as luzes e arrancar tudo das tomadas de novo. Reparei que os meninos tinham empilhado todas as mesas à la Edukators (Die fetten Jahre sind vorbei). Meu chefe estava sentado perto da porta que tem uma janelinha. Percebemos uma certa movimentação ruidosa do lado de fora da porta às 19:00, mas não fomos incomodados. Tenho cá pra mim que a pessoa sentada ao meu lado serviu de escudo pra nos proteger de mais uma expulsão.

Na discussão depois do filme, todos lembramos de uma frase de V: se você não reagir, você perde. A foto acima foi feita em Barcelona, num tour pelas 'casas okupa'.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Longe

Cada um foi prum canto,
se espalhar um 'cadinho.

Cada um se arranjou
de cada jeito...

Cada um foi correr atrás
do seu cada qual.

Nenhum deles foi esquecido
Todos eles continuam sorrindo
Na minha memória
que embeleza cada um.

Eu fui pra longe,
eles ficaram lá longe.
Mas essa distância
só é geográfica.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Caminhos de Argus Caruso

Eu vi Argus Caruso pela primeira vez num Sesc, em Santos. Ele deu uma palestra sobre a volta ao mundo de bicicleta que fez em 3 anos. O projeto de volta ao mundo se chama Pedalando e educando e consistiu na interação do cicloturista com algumas escolas brasileiras. Ele mandava imagens, relatos e números dos lugares pelos quais ia passando pela internet. As crianças aprendiam através da vivência dele. Era um curso à distância muito mais bacana que estes que estou revisando. História e Geografia estavam sendo vividas por alguém que se movia lentamente, sobre duas rodas, vivendo da hospitalidade daqueles que encontrava pelo caminho.

O livro, disponível nas lojas SESC, é uma obra de arte. Aproximadamente três quartos do livro são fotografias de pessoas, casas, paisagens, detalhes que prenderam a atenção do viajante. Há pouco texto, mas o que há ali foi muito bem lapidado. O carteiro que me entregou o livro não tinha noção do presente que o pacote continha. Fazia tempo demais que eu não lia bons textos, daqueles que te transportam prum outro lugar. E quando você volta, sente uma pontinha de saudade daquilo que nunca viu.

sábado, 28 de novembro de 2009

Akari & Shaoran

video

Shaoran, o equilibrista

Shaoran precisa aprender a ser gato. Eu não ajudo muito, porque às vezes o trato como se fosse um macaquinho. Ele fica no meu ombro numa boa, passeia de um lado pro outro e às vezes se apóia no encosto da cadeira. Assim como Shalimar, vai desaprender a arte do trapezista quando crescer.

Semana punk rock

O mato aqui de casa está alto, a pilha de roupa suja também, assim como a pilha de redações dos meus alunos. A casa está suja e a comida na geladeira acabou. Mesmo assim eu sigo, firme e forte, entregando um livro revisado por dia. Só sei que hoje é sexta porque o computador me diz isso. Isso significa que tenho só mais dois dias de escravidão pela frente. Daí os livros serão mandados pra gráfica.

Saio pouco de casa, e quando saio é pra ir pra Unir.

Shaoran apanhou muito, mas ainda não aprendeu que não deve brincar com cabos nem comer a ração da Akari. Tenho dormido pouco, porque os horários de sono dos gatos não batem com os meus. Acordo várias vezes com o Shaoran rastafarizando o meu cabelo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Três bicicletas na Unir

Já somos três loucos que vão de bicicleta pra Unir!

Quando Natanael me deu o telefone dele pedindo pra eu lhe avisar quando fosse embora pra irmos pedalando juntos, soube que eu não era mais a única que vai de bicicleta pra universidade. Na volta pra casa, descobrimos que moramos no mesmo bairro.

Hoje o Paulo (do cineclube) foi de bicicleta (uma daquelas de praia, com o guidão alongado) pra Unir.

Eita, vai que a moda pega!

domingo, 22 de novembro de 2009

Tenho poder

Como professora de Produção de Textos, tenho poder. Tenho o poder de decidir que os meus alunos não escreverão redações sobre liberdade de expressão, o certo e o errado, a mulher na sociedade brasileira e outros temas abstratos.

Posso pedir que escrevam sobre temas concretos e atuais que me interessam (poluição, meio ambiente, lixo, minha saúde). Posso informá-los a respeito do tema antes de cobrar que argumentem sobre ele. Foi o que eu fiz.

Eu não pedi que escrevessem sobre o aquecimento global e a emissão de poluentes por automóveis. Não pedi que escrevessem sobre as vantagens do uso da bicicleta. Tenho consciência de que, indo pra Unir de bicicleta, sou um exemplo de que é possível não poluir para se deslocar. Não espero que façam o que eu faço, porque imagino que 13km sejam mais longos de Barra Forte do que de mountain bike.

Também não pedi que escrevessem sobre alimentos industrializados, porque sei que eles reconhecem comida (tanto é que a consomem) naquelas embalagens plásticas, coloridas e brilhantes.

Pedi que escrevessem sobre sacolinhas plásticas. Forneci informações sobre os números de sacolas plásticas produzidas anualmente no Brasil (1 bilhão) e no mundo (500 bilhões), a média mensal de consumo de sacolinhas plásticas por cidadão brasileiro (66 sacolas) e o número de anos que uma sacola leva para se decompor (aproximadamente 300). Falei de reciclagem e reutilização e apontei que apenas 0,6% das sacolas plásticas é reciclado. Notamos que a maioria das sacolas plásticas vai parar no lixo e lembramos que a nossa cultura de lixo é muito precária. Não só porque Porto Velho não tem coleta seletiva de lixo, ou porque as pessoas daqui nunca ouviram falar em compostagem, mas porque existe muito lixo solto nas ruas. Falei da minha casa que alagou (provavelmente) em função do entupimento do esgoto por plásticos. Falei também de países que aboliram as sacolas plásticas justamente por causa das enchentes, além de outros países que passaram a cobrar pelas sacolas plásticas.

Tenho o poder de esclarecer os meus alunos sobre a sua condição de poluidores. Tenho o poder para fazer com que escrevam textos argumentativos em que o objetivo é mudar a política de uma rede de supermercados. Espero ter o poder de fazer com que rejeitem sacolas plásticas de agora em diante.

Minhas fontes:

Não às sacolas plásticas
Sacolinhas plásticas em números (e que números!)
Saco de plástico
As sacolas de plástico devem ser substituídas?
Saco é um saco

sábado, 21 de novembro de 2009

Mamãe coruja

Eu acho o Shaoran muito lindinho.
A melhor oportunidade para fotografá-lo é quando está sonolento ou dormindo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Madrasta

Shaoran é o mais novo morador da minha casa. Tenho mais um gato com nome de personagem de anime japonês.

Quando ele ronrona, parece um motorzinho. Quando brinca, até parece que come pilha. Quando recebe carinho na barriga, levanta os braços. Quando é enxotado, sempre volta ao local do crime. Quando mia, seu chamado ecoa nas paredes e faz a Akari ter espasmos.

Trouxe o Shaoran pra fazer companhia pra Akari. Ela passava alguns dias da semana sozinha em casa, ouvindo os gatos feios e malvados lá fora e no forro da casa. Fora isso, miava mais do que eu considerava normal. Achei que ela ficaria feliz com um amiguinho. Imaginei que ela vivenciaria uma maternidade postiça, já que não terá nunca filhotes.

Mas ela se sente ameaçada pelo machinho da casa. Não chega a atacá-lo, mas faz cara de cobra (como se diz 'fauchen' em português?). Ele a imita, o que a deixa mais irada ainda. No primeiro dia, quando sentia seu cheiro de bebê em mim, não me deixava tocar nela. Seguindo as instruções da Mônica, botei uma gota de baunilha no pescoço dele. Ela se interessou pelo cheiro, mas não conseguiu diminuir a distância entre eles. Agora já posso encostar na Akari, madrasta enciumada.


Fico impressionada como ela é grande e bonita e ele é miúdo e tem cara de ET.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Expulsos no grito

Me sinto parte do cineclube que acontece na Unir todas as quartas-feiras, das 17:30 em diante. Dois alunos, Paulo e Guilherme, tomaram a iniciativa de organizar os encontros semanais em que um filme é exibido e depois discutido. Já usei o espaço do cineclube para mostrar aos meus alunos de Produção de Textos como o paralelismo é um elemento de coesão interessante para um texto, quando pedi que o cineclube passasse o filme 'Estômago'. Semana passada, conduzi a discussão sobre o filme 'A Onda'.

Fico feliz ao notar que cada vez mais alunos participam do cineclube e ficam para a discussão que acontece após a exibição. O cineclube está se transformando num espaço de trocas culturais. Aprendemos uns com os outros, nos diálogos que acontecem depois dos filmes. Fico contente de ver que Paulo e Guilherme estão envolvendo também professores para conduzirem as discussões. Hoje, o filme exibido foi 'Onde sonham as formigas verdes' (1984), do Werner Herzog. Um professor de antropologia tinha sido convidado para encaminhar a discussão no cineclube, mas não pode vir.

O filme se passa na Austrália árida e trata de uma tribo aborígene que resiste a uma compania mineradora inglesa que procura urânio. Os aborígenes compreendem a terra, cultuam o solo que lhes é sagrado. O homem branco explode a terra à procura de riquezas em que vê a promessa do progresso. Os nativos sentam-se no chão para impedir que os brancos acordem as formigas verdes com os seus tratores e dinamites. Um homem branco quer passar com o trator em cima dos pretos, outro encaminha a disputa pela terra por vias burocráticas e conduz a discussão à Corte Suprema.

Aí então a coisa desandou. Uma gorda histérica apareceu na porta da sala dizendo que ia dar aula e que era pra gente sair. A aula dela começava às 19:00 e já eram 19:10 e tinha tanta sala vazia, que a gente fosse pruma outra sala, porque a gente tava na sala dela. A histeria dela era contagiante. Meu corpo todo tremia. Todos gritavam. Ela chamava todos de 'meu anjo' e 'bem', o que piorava ainda mais a nossa revolta. Ela acendeu as luzes, fez seus alunos entrarem na sala, afirmando que os alunos dela queriam ter aula, que aquela era a sala do 4. período de Administração, tava escrito na porta. Foi até a frente da sala e arrancou todos os equipamentos das tomadas: computador, datashow e caixas de som. Assim: arrancou da tomada. E continuava gritando que não era pra gritarem com ela, que ela estava sendo desrespeitada, que ela já era professora há 17 anos e que o que ela fazia era coisa séria. Ela era professora. M., da Administração. Paulo apontou pra mim, dizendo que ser professora não lhe dava nenhum status, afinal ele também tinha uma professora do lado dele. M. olhou pra mim e eu tremia, de olhos esbugalhados, tendo dificuldades para coordenar a respiração. Perguntamos por que só queria usar a sala agora, no fim do semestre e onde estava tendo aula todas as outras quartas-feiras em que nós estávamos assistindo filme naquela mesma sala. Ela repetiu que aquela era a sala dela. Uma aluna disse que a sala em que eles estavam tendo aula até então estava com o ar-condicionado quebrado.

Paulo, enganchado no filme que foi interrompido à força, queria protestar como aqueles que tinham chegado antes: ficando. Guilherme já estava desmontando as coisas, vendo que o público já tinha ido embora e que só tinham ficado as figuras marcadas do DCE e a professora com cara de adolescente altamente estupefata. A gorda histérica levantou o braço com o indicador esticado e nos jogou pra fora. Saia da minha sala! ela gritou.

Ficamos encostados na parede da sala dela, nos espantando com a surrealidade dessa tomada de posse. Conversamos com a aluna que afirmava ter avisado o Paulo que usariam aquela sala. Ela não entendia por que não passamos o filme mais cedo, por que não fomos pra outra sala. A gorda histérica apareceu na porta da sala e chamou essa aluna pra dentro. A moça foi.

Paulo, Guilherme, Ricardo e Daniel do DCE e eu decidimos averiguar se aquela sala tem dono. A sala está no bloco de Letras, Paulo e Guilherme são das Ciências Sociais/ História e a M. é da Administração. Procuraremos garantir uma sala por meios burocráticos e manifestar nossa revolta com essa professora descompensada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rotatórias

O meu caminho para a Unir passa por duas rotatórias: a do Roque, que dá acesso à BR 364 sentido Cuiabá, e a da Eletronorte, que dá acesso direto à BR 364 sentido Acre. Ambas são um nó no trânsito. As pessoas chegam nela, param e olham. A fila de carros parados na esquerda é impressionante. Quando o cidadão chega na boca da bola, mete o veículo na roda a qualquer hora e ouve buzinadas iradas.

As duas rotatórias estão em obras. Na do Roque estão construindo uma elevação, que vai ser tipo uma ponte. A BR será levantada, mas a dinâmica da rotatória não mudou. Na da Embratel procederam de maneira diferente. Cortaram a rotatória no meio, e agora a Campos Sales atravessa a rotatória. A BR continua fazendo a bola. Alguns dizem que a BR vai passar por baixo, outros afirmam que vai passar por cima. Mas como havia bifurcações e confusão demais, colocaram faróis na rotatória cortada. E o farol é de 4 tempos, como todos os semáforos em cruzamentos de avenidas com vias de dois sentidos nessa cidade. A sinaleira não é sinal automático de civilidade, porque os motoristas que detestam esperar ocupam o acostamento enquanto a luz não fica verde.

As duas rotatórias são espaços de interação humana. Ali coexistem motoristas, ciclistas, pedestres, peões de obra, guardinhas de trânsito. Na rotatória da Embratel tem ainda o ponto de ônibus, por onde passa o ônibus que vai pra Unir. Às vezes reconheço alunos esperando lá no banco do bar que fechou faz um mês - mas continua funcionando como ponto de ônibus. Hoje, um cara apontou uma câmera fotográfica pra mim, enquanto eu passava de bicicleta. Não sei se vou sair no jornal ou se estão planejando o roubo da Amarilda.

domingo, 15 de novembro de 2009

O cabeludo e a Morte

Essa foi o Berg que contou, enquanto esperava o cimento secar. Estava comentando o homem que era dono da FIMCA (uma faculdade particular) que comprou a UNIRON (outra particular). No dia em que assinou o contrato e pisou na rua pra entrar no carro, caiu duro pra trás. Morreu do coração. Mas quando a morte vem, não tem quem lhe escape. Conhece a história do cabeludo e da Morte? Pois é assim:

Era uma vez um cabeludo que fez um pacto com a Morte. Ele disse pra ela que queria ser o homem mais rico do mundo. A Morte disse que lhe concederia o desejo, mas com uma condição. Tudo bem, na manhã seguinte o cabeludo amanheceria podre de rico, mas dali a um ano a Morte viria lhe buscar. Se passasse da meia-noite do dia que a Morte ia vim, o cabeludo tava livre.

O cabeludo viveu bem nesse ano que ele foi rico. Um dia antes da Morte cumprir o pacto, o cabeludo cortou o cabelo. Passou máquina zero, pra se disfarçar e a Morte não reconhecer ele. Na noite que a Morte ia voltar pra lhe pegar, ele deu uma festa pra cidade toda. E todo mundo veio pra festa do cabeludo, inclusive a Morte. Ela ficava procurando o cabeludo, e cadê esse cabeludo? E olhava no relógio e faltava dois minuto pra meia-noite e nada do cabeludo. Não tô achando esse cabeludo safado, quer saber? Vou levar esse careca aqui mesmo.

E levou o (careca) cabeludo.
É, dona Lou, quando a Morte vem, não tem quem lhe escape.

sábado, 14 de novembro de 2009

Enquanto ele não vem

Pedi que a imobiliária me indicasse um outro pedreiro além do Berg, porque ele vive esquecendo de mim e raramente vem quando diz que vem. Ainda tenho uma goteira monstruosa, uma caixa d'água pra trocar, um cano e uma torneira pra instalar. Mas a goteira é mais urgente. Me recomendaram o Zezinho.

Liguei pro homem ontem, ele disse que viria depois das 17:00. Choveu a partir das 16:30 e o Zezinho não veio. Liguei pro Berg hoje de manhã, porque tínhamos combinado sábado cedinho. Prometeu que viria amanhã. Liguei pro Zezinho, que disse que daria um pulo na imobiliária pra pegar uma escada e viria pra cá. Às 14:00 ele ligou pra mim, dizendo que assim que fosse liberado, viria pra cá. Não veio até agora e não vem mais, porque está escuro e ventando forte.

Quando eu ainda tinha esperança que o Zezinho viesse, comecei a fazer um arquivo pras minhas contas e recibos. Tenho a impressão que na papelaria eu só acharia um arquivo assim de plástico.


Dessa vez não é falta de ocupação, não: tenho milhares de redações horríveis esperando na minha mesa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Massa

Foto não-minha: roubada de não sei onde

Equitéria entrou na sala e me trouxe essa manga no intervalo da nossa aula. Enquanto ela me dava a manga, Terra ficava na porta, dizendo que a Equitéria era uma puxa-saco. Agradeci pela manga e me espantei com sua consistência. Perguntei se tava madura mesmo, porque tava muito dura pros meus parâmetros de manga. Tairine levantou a cabeça da mesa e me explicou que essa manga era assim mesmo. Essa é a manga massa. Deixei a manga na mesa e continuei a ler o livro que estava no meu colo. Nani veio e sentou na mesa da manga e começou a brincar com ela. Avisei que eu ainda pretendia comer aquela manga, e que ela não precisava amaciar a fruta. Foi mal, professora.

Quando comi a manga, fiquei em dúvida. Tairine tinha dito massa ou maçã?

Caro leitor, percebeu que as pessoas nativas do norte têm nomes incomuns e que o meu nome agora é 'professora'?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Berg

Ontem, quando liguei de manhã pro Berg e perguntei se ele estava a caminho, ele me disse - sorrindo, eu percebi - que tinha esquecido de mim. Prometeu que viria hoje.

Perguntei como ele traria tijolos e cimento, ele disse que cataria uns tijolos por aí. Não gostei da idéia e fui na loja que vende telhas e tijolos. Perguntei se entregavam 15 tijolos, porque eu só tenho uma bicicleta, então fica difícil. O vendedor olhou pra minha bicicleta e anunciou que faria uma simulação. Colocamos 9 tijolos na cesta de trás e 3 na cesta da frente da Laranja Mecânica. Fiquei impressionada como coube tanto tijolo na bicicleta e como tijolo é barato. Avisei ao Berg que tinha arrumado tijolos e marcamos 8:00.

Hoje de manhã, às 9:00, liguei de novo pro Berg. Celular desligado. Mas ele veio e levantou muretas nas portas. E os meus 12 tijolos novos não foram suficientes. Tivemos que usar alguns daqueles que sustentavam as minhas mudas.
Esse é o Berg. Cê daria 60 anos pra ele?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Estou bem

A geladeira voltou a funcionar, Berg disse que vem amanhã pra levantar umas muretas, lavei a casa, os tapetes, sapatos e ainda faltam as roupas. Ainda preciso entender por que estou sem internet em casa e resolver isso. É o segundo dia que trabalho sem parar.

Katastrophenfest

Tudo o que segue foi escrito em casa, logo depois da desgraça; e postado na lan house no dia seguinte, porque fiquei sem internet.


Agora eu sei o que é ter a casa alagada. Agora eu conheço o gosto do desespero e a sensação de impotência diante da água que não pára de entrar. Agora eu sei que a água que entra traz lama, papel de bala, embalagens de catchup do Mc Donalds, muitas folhas, galhos, bitucas de cigarro e mais lama. Agora eu sei por onde a água entra na minha casa e por que ela não sai. Agora tenho noção do quanto ela sobe e o que ela arrasta. 
Meu butijão de gás foi tombado; a caixa d’água nova que estava fora, esperando ser instalada pelo Berg, foi parar no meio do jardim; uma lata de tinta que me servia de composteira foi parar no portão.
Não sei se a geladeira vai voltar a funcionar, se a furadeira - que tava no chão - vai ligar de novo. Não sei quando o sofá vai secar. Não sei quanto de água ainda tem dentro da caixa d’água (já lavei o chão da casa e a minha pessoa), e ainda preciso lavar toda a minha roupa suja que tava no chão e ficou enlameada. Não sei quando os meus braços vão parar de doer. Não sei quando vou limpar embaixo e dentro dos móveis. Não sei que coisas vou achar quando terminar de limpar a casa: o shampoo apareceu atrás do sofá, a tigela de comida da Akari passou por ela enquanto ela dormia na minha cama. Não sei quando o cheiro de lama vai se despregar da casa.
Vamos à estória. Eu tava ouvindo a chuva lá fora, a goteira no balde aqui dentro e corrigindo redações horríveis dos meus alunos - impressionada como cada um tem a sua ortografia pessoal e nenhum deles tem uma opinião própria- quando ouvi os gritos da minha vizinha me chamando. Havia muita urgência na voz dela, quase uma ponta de descontrole do timbre. Não cheguei até porta. Vi a água invadindo a casa. Desliguei o computador, tirei os panos que estavam ao redor da pocinha gerada pela goteira e comecei a absorver água com um pano. Daqui a pouco eu estava enchendo o balde e jogando a água na pia. A água não descia. Olhei pela janela e vi o Rio Madeira dentro e fora da minha casa. A água lá fora estava mais alta que aqui dentro. Salvei as fotos da estante, coisas da escrivaninha, o pacote de arroz, desliguei a geladeira e vi que a Akari tava segura.
Entre 10:30 e 15:00 eu joguei baldes de água pela janela. As folhas, galhos e centopéias ficavam na tela. Eu ouvia crianças gritando de alegria, adultos brigando, gente gritando. Reparei que o nível da água estava baixando devido à minha atividade incessante. Pra ajudar, a água não entrava mais pela porta da cozinha. Abri a porta e vi que a água fora estava mais baixa que a mureta da soleira da porta. Sentei numa cadeira, para descansar as pernas e a coluna, e continuei jogando baldes de água pra fora. Notei que a água agora fluía pra rua. O esgoto deve ter desentupido com a pressão. O nível da água baixava fora de casa, mas dentro, a piscina continuava na mesma. De fato, a minha casa é uma piscina. Há uma mureta na porta da cozinha e fizeram uma lombada na frente da casa, no quintal. A água que tinha entrado pra depois da lombada ficava ali, represada. Achei a vassoura na grade do portão e me pus a varrer a água pra cima da lombada. O chão da minha casa é bem irregular, então cada cômodo manteve a sua poça particular (de até dois dedos de profundidade) mesmo depois de toda a água ter saído pela porta. Demorei mais duas horas para limpar o chão da casa. Haja lama! Akari decorava o chão de patinhas marrons, miava de fome e sede e não entendeu quando virei o sofá de ponta-cabeça. Fiquei sem almoço e agora tenho medo do som da chuva.
liguei pro Berg. Espero que venha amanhã, me ajudar a pensar numa solução pra futuros alagamentos.

domingo, 8 de novembro de 2009

Luzes da usina


Já era tarde. As andorinhas já tinham pousado e o sol já tinha se posto atrás do Rio Madeira. Deu pra fotografar as luzes da usina e só.

Serigüela

O pé de serigüela está quase do meu tamanho. Era um toco de árvore quando eu cheguei, e com o tempo foram brotando uns galhos.

Passei o dia no jardim, arrancando matos. Acho que desmatei um terço de gramas altas, plantinhas com carrapichos, com espinhos e com florzinhas minúsculas. Agora as minhas mãos precisam descansar 3 dias antes de voltarem ao trabalho braçal.

sábado, 7 de novembro de 2009

Covarde

O fato se deu faz um tempo já, mas só agora estou refletindo mais detidamente sobre ele. Aconteceu que numa noite a Akari tava miando diferente e querendo se embrenhar nos fios de telefone, roteador, estabilizador, computador e tal. Fui impedir que ela entrasse atrás da estante e dei de cara com uma tarântula. Era do tamanho da minha mão aberta.

Meu coração disparou. O corpo do aracnídeo era pesado e grande, suas patinhas peludas. Como eu já vi a Akari caçando e comendo aranhas pequenas, temi que ela quisesse brincar com essa também. Peguei o rodo, mirei a ponta do cabo na aranha e matei a bichinha. Recolhi seus restos mortais e, ofegante, sentei no chão. Ainda não tinha sofá e eu costumava ver filmes no chão mesmo. A sensação de pele pinicando me acompanhou durante as duas horas que se seguiram ao encontro fatal com a tarântula. Depois passou.

Todas as noites eu rego as plantas que não tomam água da chuva (quando chove). Já conheço a aranha que fica paradona lá nos potes que contêm as plantas. Não tenho medo dela e a deixo em paz. Numa noite, no entanto, reparei numa bem encorpada debaixo do tanque. Podia ser uma tarântula criança-quase-adolescente. Não matei essa também, porque confio que ela tem todo o mundo (exceto a minha casa) pra explorar.

E é aí que eu chego à conclusão de que matei a primeira tarântula por covardia. Tive medo da criatura e a matei. Se eu cruzasse com ela num espaço aberto, não a mataria. Nem mesmo se fosse no lado de fora da casa. Mas ela estava dentro das paredes que eu alugo.

Quando a próxima aparecer aqui dentro de casa, tentarei conduzi-la pra fora de casa, ao invés de tirar-lhe a vida.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Knallrot

Eu não ia comprar um sofá. Eu ia sondar preços, sentir a textura de estofados, ver as cores, e o principal: negociar prazos de entrega. Pois e não foi que era o meu dia de sorte?

O gerente das entregas estava na loja, (des?)montando um móvel e me ouviu conversando com o vendedor. O gerente das entregas disse que amanhã até meio-dia entrega com certeza absoluta. Não botei fé. Jogou as cartas na mesa: o caminhão tá vazio, os homens tão sem nada pra fazer, se tu quiser, a gente bota esse sofá no caminhão agora e tu ainda vai junto de carona. Mas eu tô de bicicleta. Não tem problema, o caminhão tá vazio.

Aceitei. E descobri que 1 sofá significa um jogo de dois sofás: um de 2 lugares e outro de 3. Vim de caminhão pra casa.

Quando Akari viu os sofás vermelhões, logo tomou a defensiva. Foi cheirando todo o ar até chegar perto deles. Esperneava quando eu a colocava no colo, sobre o sofá. Agora já arranha o estofado com a maior intimidade.