domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal em Porto Velho

Já na tarde do dia 24 de dezembro começaram a soltar fogos. Pouco antes de escurecer, começaram a tocar repetidamente uma música evangélica cujo refrão tinha a ver com a união da família. A barulheira foi se intensificando com o cair da noite.

Meu chefe me chamou pra irmos num restaurante de noite. Aceitei. A namorada dele e ele estariam lá a partir das 21:45. Ofereceram de me buscar, mas como não estava chovendo, preferi ir de bicicleta.

A parte boa de ter cabelo comprido é senti-lo voando numa noite de ar fresco quando se pedala sob as estrelas.

Cruzando a cidade, percebi que todo mundo estava na rua: se não estavam sentados em cadeiras na frente do portão da casa, ocupavam barzinhos, botecos, bilhares, restaurantes e boates. Chegamos praticamente juntos no restaurante: Rosa tinha me ultrapassado na Carlos Gomes, Júlio e Patrícia me acompanharam pelas 3 últimas quadras.

A conversa foi agradável, a comida nem tanto, a música não era nada natalina: lembro de ter ouvido Kid Abelha, O Rappa, Roxette, Guns N'Roses, A-HA intercalados com sons regionais que eu desconheço. Quando o restaurante fechou às 3 da manhã, a rua estava reconfigurada numa discoteca. Multidões de patricinhas maquiadas e enfiadas em vestidos brilhantes e mauricinhos escovados fazendo pose de cowboy se dividiam dos dois lados da avenida. As atenções de todos estavam voltadas para os carros que vagarosamente desfilavam o seu som potente no porta-malas. Fiquei atônita com aquela festa de hormônios na rua.

Adormeci ao som de Scorpions (Wind of change, claro, ninguém conhece outra música deles).

Não sei o que é pior: ouvir Stille Nacht, Oh Tannenbaum e Gingle Bells nos alto-falantes instalados na Borges de Medeiros em Gramado ou ouvir techno, trance e putz putz nas ruas de Porto Velho.

Natal é festa na rua. Natal é presente e ceia. Natal é muito lixo e ressaca no dia seguinte.

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