segunda-feira, 2 de maio de 2016

Agora somos três

Minha mãe e minha tia chegaram bem antes da Agnes nascer. Quando eu ainda estava grávida, elas se ocuparam com coisas que elas partilham: montaram um quebra-cabeça de muitas peças, jogaram paciência no computador e passaram a limpo (uma decifrava e ditava, a outra digitava) as cartas trocadas entre o meu avô e minha avó desde antes da Guerra. Ambos os pais delas escreviam numa caligrafia que Ulla teve que estudar primeiro. Catapultadas para o passado, esperavam a chegada da Agnes.
Eu no fim dos 9 meses. Agnes veio com 40 semanas e 5 dias. Foto: Karin Rosenbaum

Então Ulla passou a última semana no Brasil em Gramado, com a minha avó e mais dois irmãos. Ela foi justo quando aquela frente fria castigou o sul com temperaturas bem baixas. Aqui, quando a frente fria chegou, tivemos dias frescos e minha mãe pôde vivenciar um clima extraordinário em Porto Velho.
Dia 30, sábado, minha mãe se encontrou com Ulla no aeroporto de Guarulhos (foi uma aventura envolvendo uma triangulação telefônica e muita sorte) e as duas voltaram para casa. Meu pai tinha ficado um mês sozinho...

No tempo em que ficaram aqui, elas me ajudaram muito com a Agnes e com a casa. Assim que cheguei da maternidade, ainda me recuperando da cirurgia e com pouca mobilidade, tive a maior crise emocional. Psicólogos dirão que voltei à minha infância, e foi bom ter a minha mãe aqui, pra me falar da minha infância.

Agora somos só nós três. Luis é um pai muito participativo e fazemos quase tudo juntos. Agnes adora dormir no colo dele, balançar na cadeira com ele e temos a impressão de que ela já nos ajuda com a roupa (que até agora foi sempre o maior terror dela: botar roupa. Maior que tomar banho!).
Foto: Karin Rosenbaum
Agora ela já fica mais tempo acordada, olhando o mundo. Eu ainda não consigo fazê-la arrotar e gradualmente tenho andado mais com ela. Quando ela dorme e não tem muita fralda pra lavar, a gente dorme também, ou cuida das nossas coisas (licença maternidade, migração de plano de saúde, revisão de artigo).

A vida do Luis continua seguindo aquela linha, só que agora com a sobreposição de mais duas: virou Chefe de Departamento e pai. A minha vida tomou outro rumo. Não sou mais professora, não vou mais ao supermercado, não dirijo mais etc. No futuro, vou retomar a linha que estou deixando agora e, como o Luis, seguirei duas linhas sobrepostas: mãe e profissional.
Foto: Karin Rosenbaum

2 comentários:

Vanessa Pesenti disse...

Lou,
Vc sempre foi uma pessoa talentosa e determinada. Agnes Maria tem muita sorte por ter desde ja um exemplo tao positivo e forte de mulher. O tempo te dara de volta todas as funcoes e posicoes que vc quiser. Agora vc eh da Agnes. E isso eh lindo. Ah! Aproveite os momentos sozinha com ela. Fiquei apavorada qdo meu marido voltou ao trabalho depois de apenas 15 dias, mas ja no primeiro dia sozinha eu vi como somos mesmo bichos e tudo eh instintivo e acaba dando certo. Acho que foram momentos inesqueciveis aqueles, de ficar com minha recem-cria, babando e aprendendo. O meu maior conselho eh o que nunca consegui seguir: tente descansar o maximo possivel.
Muitos beijos, um carinho na Agnes :)

iglou disse...

Verdade, Vanessa: somos bichos. A gente se acha mais humano que animal, como se o ser humano estivesse um degrau acima dos animais na escadinha evolutiva.
Muito obrigada pelas suas palavras e pelo seu carinho. Que a sua nova gravidez seja tranquila e que um dia, quem sabe, a gente volte a se encontrar e coloque os filhos pra se conhecerem brincando!!!