quarta-feira, 25 de maio de 2016

Banco de Leite

Ainda na maternidade, no alojamento conjunto, havia uma moça, Soraya, que todo dia drenava 2 copos de leite. Ela foi a única que não teve problema algum com a amamentação (o bebê da Kelly não mamava, Stefamilly tinha os bicos fissurados, Sulemir e eu ficamos com o leite empedrado). Soraya não só era mãe do terceiro filho, mas também já tinha sido doadora de leite. Ela nos ensinou a tirar leite, mas os nossos problemas eram outros. Eu, pelo menos, precisava primeiro de massagem pra desempedrar o leite. E quando apertava pra tirar leite, saíam umas gotinhas de colostro bem amarelo.

Agora Agnes Maria passou a engasgar cada vez mais. Começava mamando normal, tranquila, com a pega correta, mas mais pro final se rebelava: mordia, puxava, apertava o peito com as mãos, soltava chorando, engasgava e tossia. Fora isso o nariz dela entupiu e ela fazia barulho de porquinho quando respirava pelo nariz. Dormir e mamar ficaram complicados.

Decidimos procurar ajuda profissional. Uma das orientações que toda mulher recebe ao sair da maternidade municipal é dirigir-se ao Banco de Leite (que fica no Hospital de Base. Uns 10 anos atrás, quando não existia a maternidade municipal, os partos pelo SUS era feitos no HB). Não se trata apenas de doar ou receber leite, mas de receber atendimento e informação.

Com um mês e meio, 56 cm de comprimento e pesando 4,8kg, Agnes parecia ser o bebê mais velho na sala de espera. Quando relatei os engasgos e desesperos dela, as atendentes suspeitaram que eu tinha boa produção de leite. Uma enfermeira pediu pra eu colocar Agnes no peito e observou como ela mama. Depois me mostrou como tirar leite.
- Pega assim, aqui, com esses dois dedos, agora aperta assim e pronto: chuveirinho!!
Caramba, e não é que o leite saía de chuveirinho mesmo? Em jatos para direções diferentes, impressionante. Eu nunca tinha suspeitado que tivesse leite demais e precisasse tirar leite pra minha filha mamar tranquilamente.

Me perguntaram se eu queria ser doadora. Eles entregam os frascos esterilizados e uma vez por semana alguém vem em casa para buscar. Achei fantástico e me sinto na obrigação de doar mesmo. Disse que primeiro eu queria aprender a ordenhar esse leite direito. Por enquanto estou treinando e percebendo que a produção de leite aumentou ainda mais. Desse jeito, chego fácil fácil nos dois copos de leite da Soraya. Pena que o processo todo não é indolor... mas talvez só esteja desconfortável no começo, que ainda estou pegando o jeito.

Depois de aprender a tirar leite, ainda passamos na pediatra. É preciso elogiar a qualidade do atendimento que recebemos pelo SUS e o comprometimento desse pessoal com o bem-estar da mãe e do bebê. Tanto na maternidade como no Banco de Leite. Já passamos em 2 pediatras pelo plano de saúde, e comparando com a pediatra do Banco de Leite, eu diria que uma diferença básica está no tempo: pelo plano, somos atendidos em 5 minutos (depois de horas de espera), ao passo que no SUS a orientação geral parece ser "o tempo que for necessário". E essa tranquilidade faz toda diferença e dá segurança.

Nenhum comentário: