terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Boletim de ocorrência

Segunda-feira, dia da delegacia de Barão Geraldo funcionar. Quando cheguei no balcão, reparei numa placa amarelada:

Temos lugar para fumantes a 15 km daqui

Um homem encostado no balcão e de costas para mim estava poluindo o ar com o seu cigarro. Quando me notou, deu a volta no balcão, depositou o cigarro no cinzeiro e disse: pois não? Puxa vida, o próprio funcionário fuma embaixo da placa que sugere que se fume longe dali.

Mostrei o meu extrato bancário e ele pediu que eu calculasse o total do valor que me foi subtraído da conta. Pedi uma calculadora, mas ele me deu uma caneta. Somei os valores e cantei o total, que ele repetiu umas três vezes, enquanto olhava tenso para a tela do seu computador. De tempos em tempos suas mãos trêmulas apertavam as teclas com força. Atendia parcialmente os que chegavam, não sei se por curiosidade ou para demonstrar que estava em pleno exercício de sua função. Imprimiu uma versão do meu BO e pediu que eu conferisse. O relato era um texto vago, em que não constava o valor total do que me havia sido roubado. (Lembrei do meu BO de acidente de trânsito, em que a minha bicicleta foi atingida por um Uno - por trás, ainda! O texto era super detalhado e tinha até desenho indicando como ocorreu a colisão.) Mesmo assim aprovei o texto do escrivão que ele pegou de volta, amassou e jogou no lixo. Imprimiu 2 metros e 40 centímetros de papel, destacou quatro versões que eu assinei e me deu uma, assinada pelo delegado e por ele.

Nenhum comentário: