sábado, 17 de janeiro de 2009

Marcado x não-marcado

O filho da Maria Lúcia, que estava na minha banca de defesa, passou no mestrado em História e queria alugar um apartamento em Barão. Ao invés de passar contatos das imobiliárias, sugeri que o Marcos viesse pra cá.

Ele veio e logo no primeiro dia deu um giro por Barão na Amarilda, vendo que o mercado de Kitchenetes é grande. Disse que o preço de moradia no Rio é caro, e que ele estaria preparado para ouvir valores obscenos. No segundo dia foi nas imobiliárias e voltou horrorizado. Kitchenete não é uma opção. É muito caro e muito pequeno. Sales brincou: todo dia, quando você acordar e abrir os olhos, você vai ver TODA a sua casa!

Fomos juntos na Unicamp, colecionar telefones e anúncios de vagas em república, quarto ou casa de fundo, suíte mobiliada e assim adiante. Logo chamou atenção que metade dos anúncios era para moças. Intrigado (e sentindo-se excluído), Marcos perguntou se há, em Barão, mais repúblicas femininas que masculinas.

Não é o caso. Não é uma questão social ou de moradia, mas uma questão lingüística. Se o cartaz anunciasse apenas uma vaga em república, tanto homens quanto mulheres - mas mais provavelmente um número maior de homens - se interessariam pela vaga. Quando o leque de possíveis candidatos é restringido para as moças, a vaga se torna um termo marcado. O termo não-marcado não é marcado justamente por representar o normal, corriqueiro, abrangente. Da mesma forma, casa é não-marcado em relação a casebre e casarão, ou ainda casas. Pronto. Alguém mais quer procurar casa com uma lingüista?

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Lou!
Não te conheço mas achei seu blog enquanto procurava interessados em vaga aqui em Barão. Por acaso seu amigo já achou abrigo?
Moro em 1 apê de 3 quartos e procura mais alguém pra dividir, já que acabei de acertar com outra menina (que, por acaso, é carioca).
Se ele ainda tiver interesse, por favor entre em contato comigo. Meu email: gmhonor@ig.com.br.
bj
Gabriela