sábado, 8 de dezembro de 2007

Fragmentos de conversas

Viver em São Paulo significa efrentar longas distâncias todo dia pra realizar tarefas prosaicas. Pra quem não tem carro ou carteira de motorista válida, restam poucas opções viáveis para se locomover na "paulicéia desvairada" (conversa ao celular na marginal, entrando em SP). A pé cansa e demora. Não tenho bike lá e não tenho disposição pra enfrentar tanto morro, trânsito e poluição. Comprei o bilhete único e assim tenho a sensação de gastar menos dinheiro com transporte público e vou de ônibus e metrô. Nesses meus trajetos entre a Paulista e a casa da Olga, o CFC e o Popa-Tempo, Campinas e São Paulo, vou ouvindo as conversas dos outros e gravando na memória alguns trechos que acho marcantes.

Dia muito quente, no ônibus, na Av. Interlagos:
- Véio, tá muito quente. Quando a gente descê, vamo comprá uma água, mano, que tá quente demais, meu, eu tô derretendo.
- Não, cara, a gente tem que comprar aquele isqueiro, não vai dá pra comprá água, não, véio.

No ônibus:
- Pobre é foda.

Anteontem, no ônibus, na Av. N. S. Sabará:
- Ó, cês me desculpa, mas eu não como essas coisa, aí não. Eu sou assim, eu vim do Nordeste e só como jabá e farinha.

No metrô:
- Pobre é foda.

No ônibus de Campinas pra São Paulo:
- Ih, acho que perdi o meu celular.
- Não, pára!
- Não tô achando.
- Não, pára!
- Será que não tá na sua bolsa?
- Não, pára!
...
- Pobre é foda.

No ônibus, na Av. Nações Unidas, o motorista instruía o cobrador:
- Aí você tem que fazê o exame pisco- técnico.



Duas conversas no banheiro:

- Ele era muito ignorante, eu também, então não deu certo.

***
- E sabe o que era o mais bizarro?
- Ãh?
- Ai, deixa que eu te conto lá fora, aqui é muito esquisito.

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