terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Comprovante de residência

Serei PED semestre que vem, o que significa que darei 50% das aulas - na graduação - que o professor regente daria. Para tanto, receberei uma bolsa PED que corresponde a um quarto da minha bolsa Capes. Existe um convênio especial entre o Banco Real e as bolsas PED, e para receber esta bolsa, era necessário que eu abrisse uma conta corrente no Banco Real da reitoria (não podia ser em qualquer outra agência). Essa condição fez, por exemplo, com que o Renato, que mora em Floripa e vai ser PED, viesse às pressas pra Unicamp. Eu estava perto do Banco Real e parecia ser possível abrir a conta e informar o seu número à secretaria de pós em tempo hábil (nos deram 4 dias úteis).

No primeiro dia útil, fui ao banco, pra saber quais documentos queriam ver. RA, RG, CPF e comprovante de residência. Não sou a locatária da casa, nem tenho nenhuma correspondência no meu nome. Joguei todas as cartas que os meus dois outros bancos mandaram no lixo. Perguntei se aceitavam uma declaração do Júnior, que é o locatário da casa. Não, tem que ser uma declaração do proprietário, com o contrato de aluguel anexo. Dei risada, daquelas bem soltas. Como esperam que eu saiba quem é o proprietário da casa?
Fui aos meus dois outros bancos, dizendo que eu precisava que me mandassem correspondência urgentemente. Poderiam me mandar a segunda via de qualquer coisa, desde que eu pagasse pelo serviço e esperasse sete dias úteis.
Fui à secretaria de pós, avisar que eu não conseguiria um comprovante de residência até o fim do prazo. Tudo bem, você não é a primeira que não consegue comprovar residência. Nem sei por que querem o número da conta bancária agora, se o primeiro pagamento de vocês só vai cair em abril.

No segundo dia útil, mesmo sabendo que eu não precisaria correr, comprei um livro pela Livraria Cultura. Comprei pela Internet, com entrega super turbo. Imaginei que o carimbo dos Correios no pacote fosse o suficiente para comprovar que o meu endereço existe.

No terceiro dia útil, veio o pacote. Veio pelo moto-boy, sem passagem pelos Correios. Puxa, eu não tinha calculado este detalhe! Mas dentro do pacote, além do livro, havia a fatura, e na fatura constavam a data e o meu endereço. Confiante, levei a fatura e os outros documentos na agência da reitoria do Banco Real. A Nadir me passou pra Adriana que copiou os meus documentos e enviou os xeroxes pro Banco Central. Me deu um cartão com o seu endereço eletrônico e me instruiu a lhe escrever no dia seguinte, bem cedinho.

No quarto dia útil, escrevi pra Adriana. Sem resposta. Liguei na agência e conversei com o Fábio, que me disse que o número só sairia depois de 48 horas, e que era pra eu ligar no dia seguinte. A minha curiosidade estava em saber se a conta tinha sido aberta com base num documento (a fatura) que não vale como comprovante de residência.

No quinto dia útil, o Paulo me disse por telefone que todos estavam sobrecarregados e que eu deveria, por gentileza, ligar mais tarde. Mais tarde, o Renan me disse que estava sem sistema e que todos estavam em reunião, e que era pra eu ligar mais tarde. O número da conta já não me interessava, eu queria saber se teria que esperar pelas correspondências dos dois outros bancos, ou se podia finalmente dar essa estória por encerrada e a conta por aberta.

No sexto dia útil, desencanei.

No sétimo dia útil, o Márcio me informou o número da minha nova conta por telefone.

E viva a burrocracia que desestimula os descrentes! Eu botei mó fé que ninguém no Banco Central ia olhar pra fatura da Livraria Cultura e reclamar que aquilo não era comprovante de residência.

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