quinta-feira, 9 de junho de 2011

Depois do pós-modernismo

Depois do pós-modernismo vem a contemporaneidade. Da dança contemporânea eu desisiti durante um festival de dança contemporânea em Barão Geraldo, enquanto eu tava sentada na arquibancada do Teatro Barracão. A música provocava vibrações no corpo de cada membro do público, menos no infeliz deitado no palco. Depois dessa apresentação sem dança, uma moça que dançou sem música dominou o palco. Desisti da dança contemporânea.

Semana passada, desisti do teatro contemporâneo. Vi uma peça experimental, fragmentada, com cenas de suruba, desespero, nudez e histeria revolucionária. Não havia fio narrativo, apenas a repetição de fórmulas. Aforismos eram repetidos, assim como os esquemas do teatro contemporâneo (sair do teatro com o público, usar palavrões no atacado, mostrar o corpo nu no varejo, mudar de assunto constantemente, mostrar trocas de roupa/ cenário, provocar o público). Não tive a impressão de que o público tenha gostado. Não interagiram com os atores durante a peça, algumas pessoas saíram logo no começo e menos da metade ficou pro bate-papo no final.
Acabo de ver Scott Pilgrim against the world. Indicação do Bill, que "sempre quis ser um gênio" e se identificou com o personagem principal. Não tenho visto muitos filmes adolescentes (o último foi Juno), mas este certamente é o melhor. Enquanto Lola rennt flertava com a organização do video-game e os quadrinhos, Scott Pilgrim cruza video-game (não me pergunte quais, nunca joguei nenhum), quadrinhos (originalmente é uma HQ), música (indie, que é o que a garotada toca e ouve) e efeitos especiais. Muitas cenas são descontínuas, fragmentadas e mosaicas, mas a narrativa sustenta a troca de cenários. Som e imagem estão sob os holofotes, enquanto a palavra e a estória de amor adolescente são o pano de fundo. Música e imagem que muda rapidamente é o que os jovens de hoje conseguem processar bem simultaneamente. Por isso acho que Scott Pilgrim against the world é um bom exemplo de obra contemporânea que consegue reproduzir a contemporaneidade - e agradar.

2 comentários:

Leonardo disse...

acredito que o autor da HQ quis transmitir o que só o filme conseguiu no fim. Não que a HQ seja ruim, (gostei muito aliás) mas porque o filme pode se valer de mais recursos pra contar a história

iglou disse...

Super concordo com você. Interrompi a leitura dos quadrinhos na metade do vol. 2 pra ver o filme e fiquei surpresa com a qualidade superior do filme.