terça-feira, 22 de junho de 2010

Agilidade acadêmica

Em meados de 2008, submeti um artigo numa revista que tenho em alta consideração. Escolhi essa revista porque dez anos antes, uma moça tinha publicado um artigo sobre a natureza da preposição naquela revista. Como eu tinha uma outra abordagem para oferecer, achei que seria uma boa dialogar com o texto dela, mesmo que num lapso temporal de dez anos.

As revistas internacionais dão aos seus pareceristas um prazo de três meses para avaliarem os artigos submetidos. As nacionais, como é o caso desta revista, não contam o tempo dessa maneira. Depois de um ano sem resposta da revista, dei uma cutucada. Responderam logo que eu teria notícias em breve. Meio ano depois, voltei a cutucar. Pediram que eu aguardasse os pareceres. Semana passada, sugeri que publicassem o meu artigo na ocasião de um workshop internacional sobre gramaticalização (de que eu não vou participar), sediado na universidade em que a tal revista é mantida, já que o meu artigo é sobre a gramaticalização de preposições.

Responderam que a revista não está vinculada ao evento, e que o meu artigo ficou sem resposta por dois anos porque estavam tendo dificuldades para encontrar um segundo parecerista. Eu poderia retirar o meu artigo dessa revista e submetê-lo em outra, ou exercer mais um pouco de paciência. Como eu sou uma pessoa muito tranquila, optei pela paciência e fui recompensada. O segundo parecerista logo foi arranjado e eu obtive uma resposta.

Concordo com grande parte das observações e reclamações dos pareceristas. Lendo hoje o artigo escrito dois anos atrás, não o considero mais um bom texto. Quando o escrevi, cada palavra tinha um peso diferente. Uma observação de um parecerista, no entanto, me sacudiu. Ele afirma que a bibliografia está desatualizada, e que eu poderia por exemplo consultar Castilho. Não mencionou ano, título, nada, só 'Castilho'. Imagino que ele se refira ao capítulo sobre a preposição na Gramática do Português Falado, organizada pelo Ataliba Castlilho. Essa gramática (GPF) saiu no ano passado. Eu até já recebi uma certa quantia em dinheiro pelos direitos autorais, porque o capítulo da preposição foi escrito por mim, Castilho, Ilari, Basso e Leitão. 

A GPF não consta na bibliografia do artigo submetido em 2008 porque só foi publicada em 2009. O detalhe é que o nosso capítulo da preposição foi escrito em 2004, quando eu ainda estava no mestrado, o Renato na graduação, o Ilari na Unicamp, a Maria Lúcia no pós-doc e o Ataliba no sétimo pós-doutorado.

2 comentários:

meandros disse...

E o final da história? O artigo será atualizado conforme a vontade do parecerista? Inusitada, para não dizer preguiçosa, esta situação da revista.

Lembrei de um personagem do cartunista Bennet: Castilho, o rei do trocadilho. Vai ver o Castilho é este.

iglou disse...

Calma, o final da história ainda está longe. Atualizarei o artigo, claro, na esperança de que seja publicado.