Em meados de 2008, submeti um artigo numa revista que tenho em alta consideração. Escolhi essa revista porque dez anos antes, uma moça tinha publicado um artigo sobre a natureza da preposição naquela revista. Como eu tinha uma outra abordagem para oferecer, achei que seria uma boa dialogar com o texto dela, mesmo que num lapso temporal de dez anos.
As revistas internacionais dão aos seus pareceristas um prazo de três meses para avaliarem os artigos submetidos. As nacionais, como é o caso desta revista, não contam o tempo dessa maneira. Depois de um ano sem resposta da revista, dei uma cutucada. Responderam logo que eu teria notícias em breve. Meio ano depois, voltei a cutucar. Pediram que eu aguardasse os pareceres. Semana passada, sugeri que publicassem o meu artigo na ocasião de um workshop internacional sobre gramaticalização (de que eu não vou participar), sediado na universidade em que a tal revista é mantida, já que o meu artigo é sobre a gramaticalização de preposições.
Responderam que a revista não está vinculada ao evento, e que o meu artigo ficou sem resposta por dois anos porque estavam tendo dificuldades para encontrar um segundo parecerista. Eu poderia retirar o meu artigo dessa revista e submetê-lo em outra, ou exercer mais um pouco de paciência. Como eu sou uma pessoa muito tranquila, optei pela paciência e fui recompensada. O segundo parecerista logo foi arranjado e eu obtive uma resposta.
Concordo com grande parte das observações e reclamações dos pareceristas. Lendo hoje o artigo escrito dois anos atrás, não o considero mais um bom texto. Quando o escrevi, cada palavra tinha um peso diferente. Uma observação de um parecerista, no entanto, me sacudiu. Ele afirma que a bibliografia está desatualizada, e que eu poderia por exemplo consultar Castilho. Não mencionou ano, título, nada, só 'Castilho'. Imagino que ele se refira ao capítulo sobre a preposição na Gramática do Português Falado, organizada pelo Ataliba Castlilho. Essa gramática (GPF) saiu no ano passado. Eu até já recebi uma certa quantia em dinheiro pelos direitos autorais, porque o capítulo da preposição foi escrito por mim, Castilho, Ilari, Basso e Leitão.
2 comentários:
E o final da história? O artigo será atualizado conforme a vontade do parecerista? Inusitada, para não dizer preguiçosa, esta situação da revista.
Lembrei de um personagem do cartunista Bennet: Castilho, o rei do trocadilho. Vai ver o Castilho é este.
Calma, o final da história ainda está longe. Atualizarei o artigo, claro, na esperança de que seja publicado.
Postar um comentário