Em Dick Tracy, os vilões são claramente caracterizados: têm algum tipo de deformação física. Ou têm a pele do rosto vulcânica, ou lábios grosseiramente salientes, ou cabeças balonicamente inchadas, ou sobrancelhas constantemente levantadas, ou têm os ombros tão largos que usam ternos em que caberiam duas pessoas jogando frisbee. Daí a dificuldade de reconhecer a Madona como vilã (ih, contei o final).
Quando vi Corpo fechado (Unbreakable), tive que prestar atenção na estória para identificar o vilão. Meu amigo Paulo Punk foi mais prático e se orientou pelo figurino. Quem é que usa sobretudo roxo? Só o vilão usa sobretudo roxo!
Quando vi Cruzadas (Kingdom of Heaven) pela primeira vez, nem reparei no filtro azul aplicado em algumas cenas. Depois, conversando com uma moça da Pedagogia na Unicamp que estuda filmes, fiquei sabendo que havia um filtro azul e outro vermelho no filme, e que eles serviam a um propósito. Bom, é um filme de guerra, e quem conta a história de uma guerra não se furta a tomar partido. A moça me disse que o filtro azul era usado pra marcar o mocinho e o filtro vermelho pra marcar o vilão.

Depois de ver Prince of Persia, me deu vontade de rever Kingdom of Heaven. Reparei no filtro azul, sim, mas não identifiquei o vermelho. Também não percebi nenhuma sistematicidade no uso do filtro azul. O filme começa azulado com Balian, o ferreiro. O filme acompanha Balian, o cavaleiro, mas sem filtro. Não percebi a alternância de filtro azul e não-filtro azul quando as cenas se alternam entre os cristãos e os árabes.



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