quarta-feira, 16 de junho de 2010

Definições pela negativa

I'm no philosopher
I am no poet
I'm just trying to help you out

Gomez
Hamoa Beach

Eu não pareço com você

O Rappa
Lado A lado B


I am no superman
I have no answers for you
I am no hero, oh that’s for sure
But I do know one thing for sure
Is where you are, is where I belong
I do know, where you go
Is where I want to be

Dave Matthews Band
Where are going?

I'm not king of comedy,
I'm not your magazine,
I'm not your television,
I'm not your movie screen
I'm not commodity 

REM
King of comedy

Tecnicamente, as definições pela negativa são mais exaustivas, mas pouco precisas. Tente definir um livro por negativas: não é um cadarço, não é um lápis, não é uma mesa, não é uma história, não é uma bola e assim vai, ad nauseam.

Pois é, mas mesmo assim elas são eloquentes, porque tentam desconstruir uma imagem: não sou poeta, super-homem ou parecido com você. Sou outra coisa que eu não sei definir ainda, mas não sou o que você pensa que eu sou. 

Nas músicas acima citadas, a definição do eu-lírico não acontece; nem pela negativa - porque já sabemos que definições pela negativa são pouco eficientes - nem pela positiva - não há menção a 'sou x' ou 'sou y'. Depois de desconstruída a imagem que se tem do eu-lírico, é construída a ideia do que ele faz (só estou tentando ajudar, só quero estar com você).


Às vezes é difícil mesmo definir algumas coisas. Às vezes a melhor orientação é pela negativa mesmo: não sei te dar a receita de um bom texto, mas sei reconhecer um texto ruim. Não sei dizer o que é uma boa atuação, mas sei reconhecer um ator ruim. Não sei o que é o ideal, mas percebo que esse não é o caminho.

A vida (língua) é cheia de indefinições e vaguezas, né? Sendo linguista, percebo que elas existem e me empolgo com essa aventura que é a comunicação através desse mar de incertezas. Se eu fosse lógica, acho que me desesperaria.

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